Top thingy left
 
DESCOBERTAS DOZE NOVAS LUAS DE JÚPITER, INCLUINDO UMA "EXCÊNTRICA"
20 de julho de 2018

 


Os vários agrupamentos de luas recém-descobertas. A "excêntrica", apelidada de "Valetudo", em honra à bisneta do deus romano Júpiter, tem uma órbita progressiva que atravessa as órbitas das luas retrógradas.
Crédito: Roberto Molar-Candanosa, Instituto Carnegie para Ciência
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Foram confirmadas doze novas luas em torno de Júpiter - 11 luas exteriores "normais" e uma que chamam de "excêntrica". A descoberta eleva o número total de luas conhecidas de Júpiter para 79 - o planeta do Sistema Solar com o maior número de luas.

Uma equipa liderada por Scott S. Sheppard de Carnegie avistou as luas pela primeira vez na primavera de 2017 enquanto procuravam objetos muito distantes do Sistema Solar como parte da busca por um possível enorme planeta para lá de Plutão.

Em 2014, esta mesma equipa encontrou o objeto com a órbita mais distante conhecida no nosso Sistema Solar e foi a primeira a perceber que um planeta enorme e desconhecido, nas orlas do nosso Sistema Solar, bem para lá de Plutão, podia explicar a semelhança das órbitas de vários objetos pequenos extremamente distantes. Esta planeta teórico é agora por vezes denominado Planeta X ou Planeta Nove. Dave Tholen, da Universidade do Hawaii e Chad Trujillo, da Universidade de Northern Arizona, também fazem parte da equipa de pesquisa planetária.

"Júpiter situava-se perto dos campos de busca onde procurávamos objetos extremamente distantes do Sistema Solar, de modo que fomos esperançosamente capazes de investigar novas luas em redor de Júpiter enquanto ao mesmo tempo procurávamos planetas nos confins do nosso Sistema Solar," comenta Sheppard.

Gareth Williams do Centro de Planetas Menores da União Astronómica Internacional usou as observações da equipa para calcular as órbitas destas recém-descobertas luas.

"São necessárias várias observações para confirmar que um objeto realmente orbita Júpiter," afirma Williams. "De modo que todo o processo levou um ano."

Nove das novas luas fazem parte de um enxame exterior distante que orbitam em movimento retrógrado, isto é, na direção oposta à rotação de Júpiter. Estas distantes luas retrógradas estão agrupadas em pelo menos três grupos orbitais distintos e pensa-se que sejam remanescentes de três corpos outrora maiores que se fragmentaram durante colisões com asteroides, cometas ou outras luas. As recém-descobertas luas retrógradas levam cerca de dois anos para orbitar Júpiter.

Duas das novas descobertas fazem parte de um grupo interno de luas mais íntimas, que orbitam em movimento progressivo, na mesma direção que a rotação do planeta. Estas luas progressivas interiores têm distâncias orbitais e ângulos de inclinação semelhantes em torno de Júpiter e pensa-se que sejam também fragmentos de uma lua maior que foi despedaçada. Estas duas luas recém-descobertas levam pouco menos de um ano a completar uma órbita em torno de Júpiter.

"A nossa outra descoberta é um verdadeiro excêntrico e tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana conhecida," explicou Sheppard. "É também provavelmente a lua mais pequena conhecida de Júpiter, com menos de um quilómetro de diâmetro."

Esta nova lua excêntrica é mais distante e mais inclinada do que o grupo progressivo de luas e demora cerca de ano e meio a orbitar Júpiter. Assim, ao contrário do grupo mais íntimo de luas progressivas, esta nova lua excêntrica e progressiva tem uma órbita que atravessa as luas exteriores retrógradas.

Como resultado, as colisões frontais entre a lua excêntrica progressiva e as luas retrógradas têm uma ocorrência muito mais provável, pois movem-se em direções opostas.

"Esta é uma situação instável," realça Sheppard. "As colisões frontais quebram-se rapidamente e trituram os objetos em poeira."

É possível que vários agrupamentos orbitais de luas que vemos hoje tenham sido formados no passado distante através deste exato mecanismo.

A equipa pensa que esta pequena lua "excêntrica" e progressiva possa ser o remanescente de uma lua progressiva maior, que formou alguns dos agrupamentos lunares retrógrados durante colisões frontais passadas. Foi proposto o nome "Valetudo", em honra à bisneta do deus romano Júpiter, a deusa da saúde e da higiene.

O esclarecimento das complexas influências que moldaram a história orbital de uma lua podem ensinar aos cientistas mais sobre os primeiros anos do nosso Sistema Solar.

Por exemplo, a descoberta de que as luas mais pequenas nos grupos orbitais de Júpiter ainda são abundantes sugere que as colisões que as formaram ocorreram após a era da formação planetária, quando o Sol ainda estava rodeado por um disco giratório de gás e poeira a partir do qual os planetas nasceram.

Devido aos seus tamanhos - entre um e três quilómetros - estas luas são mais influenciadas pelo gás e pela poeira em redor. Se estas matérias-primas ainda estivessem presentes quando a primeira geração de luas de Júpiter colidiu para formar os seus agrupamentos atuais de luas, a força exercida por qualquer gás e poeira remanescente teria sido suficiente para as fazer espiralar em direção a Júpiter. A sua existência mostra que se formaram provavelmente depois deste gás e poeira se dissipar.

A descoberta inicial da maioria das novas luas foi feita com o telescópio Blanco de 4 metros em Cerro Tololo, Chile, operado pelo NOAO dos EUA. O telescópio foi recentemente atualizado com o instrumento DEC (Dark Energy Camera), tornando-o numa poderosa ferramenta para estudar o céu noturno em busca de objetos ténues. Foram usados vários telescópios para confirmar os achados, incluindo o telescópio Magalhães de 6,5 metros no Observatório Las Campanas, Chile; o Telescópio Discovery Channel de 4 metros no Observatório Lowell, Arizona, EUA (graças a Audrey Thirouin, Nick Moskovitz e Maxime Devogele); o Telescópio Subaru de 8 metros no Hawaii e o telescópio de 2,2 metros da Universidade do Hawaii (graças ao tempo discricionário do Diretor para recuperar Valetudo). Bob Jacobson e Marina Brozovic no JPL da NASA confirmaram a órbita calculada para a lua excêntrica em 2017 a fim de verificar a sua previsão de localização durante as observações de recuperação de 2018, com o objetivo de garantir que a nova e interessante lua não era perdida.

Os 12 novos satélites de Júpiter
Satélite Diâmetro
(km)
Magnitude
visual
Distância
orbital (km)
Período
orbital (dias)
Excentricidade Inclinação
S/2018 J1 3 22,9 11.483.000 251,3 0,094 30,6
S/2017 J4 3 23,0 11.525.000 252,7 0,180 28,2
Valetudo 1 24,0 18.980.000 533,3 0,222 34,0
S/2017 J7 2 23,6 20.627.000 602,3 0,215 143,4
S/2016 J1 1 24,0 20.65.,000 603,3 0,141 139,8
S/2017 J3 2 23,4 20.694.000 605,2 0,148 147,9
S/2017 J9 3 22,8 21.487.000 642,2 0,229 152,7
S/2017 J6 2 23,5 22.455.000 686,3 0,557 155,2
S/2017 J5 2 23,5 23.232.000 726,3 0,284 164,3
S/2017 J8 1 24 23.232.700 726,4 0,312 164,7
S/2017 J2 2 23,5 23.303.000 729,6 0,236 166,4
S/2017 J1 2 23,8 23.547.000 741,1 0,397 149,2

 


comments powered by Disqus

 


Imagens de recuperação de Valetudo obtidas pelo telescópio Magalhães em maio de 2018. A lua move-se em relação às distantes estrelas de fundo. Júpiter não está neste campo, mas mais para cima e para a esquerda.
Crédito: Instituto Carnegie para Ciência


Links:

Notícias relacionadas:
Carnegie Science (comunicado de imprensa)
Animação das novas luas de Júpiter (Carnegie Science via YouTube)
Astronomy
Sky & Telescope
COSMOS
Science
SPACE.com
ScienceDaily
Nature
Astronomy Now
Popular Science
EurekAlert!
Scientific American
Science alert
Popular Mechanics
Discover
National Geographic
Vox
Wired
Seeker
The Verge
engadget
Techspot
Metro
Gizmodo
Time
Reuters
UPI
RTP Notícias
SIC Notícias
tvi24
Porto canal
Jornal de Notícias
Público
Visão
Observador
Destak
ZAp.aeiou

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Luas de Júpiter (Wikipedia)
Luas de Júpiter (página de Scott S. Sheppard)

Telescópio Blanco:
NOAO
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

Telescópio Subaru:
Página oficial
Wikipedia

 
Top Thingy Right