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CONTINUANDO O LEGADO DAS APOLLO: ESTUDO MOSTRA QUE A LUA É MAIS ANTIGA DO QUE SE PENSAVA
6 de agosto de 2019

 


Amostra 12054 das Apollo: esta amostra é um basalto de ilmenita recolhido durante a Apollo 12. Tem vidro, depositado pelos "salpicos" de material quando outro basalto foi atingido por um impactor. Amostras como a 12054 permitem-nos reconstruir a história da Lua com as histórias que contam.
Crédito: Maxwell Thiemens, 2019

 

Um novo estudo encabeçado por cientistas da Terra no Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia limitou a idade da Lua até aproximadamente 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. O Sistema Solar foi formado há 4,56 mil milhões de anos e a Lua há aproximadamente 4,51 mil milhões de anos. O novo estudo determinou assim que a Lua é significativamente mais velha do que se pensava anteriormente - investigações anteriores estimaram que a Lua se tinha formado aproximadamente 150 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. Para alcançar estes resultados, os cientistas analisaram a composição química de uma gama diversificada de amostras recolhidas durante as missões Apollo. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.

No dia 21 de julho de 1969, a humanidade deu os seus primeiros passos noutro corpo celeste. Nas suas poucas horas à superfície da Lua, a tripulação da Apollo 11 recolheu e trouxe para a Terra 21,55 kg de amostras. Quase exatamente 50 anos depois, essas amostras ainda nos ensinam mais sobre os principais eventos do Sistema Solar primitivo e sobre a história do sistema Terra-Lua. A determinação da idade da Lua é importante para entender como e quando a Terra se formou e como evoluiu no início do Sistema Solar.

Este estudo foca-se nas assinaturas químicas de diferentes tipos de amostras recolhidas pelas diferentes missões Apollo. "Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos nas rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível aprender como cada amostra está relacionada com o interior lunar e com a solidificação do oceano de magma," disse o Dr. Raúl Fonseca da Universidade de Colónia, que estuda processos que ocorreram no interior da Lua em experiências de laboratório juntamente com o seu colega Dr. Felipe Leitzke.

A Lua provavelmente formou-se no rescaldo de uma colisão gigante entre um corpo planetário do tamanho de Marte e a Terra primitiva. Com o tempo, a Lua acretou-se da nuvem de material lançada para órbita da Terra. A Lua recém-nascida estava coberta por um oceano de magma, que formou diferentes tipos de rocha à medida que este arrefecia. "Estas rochas registaram informações sobre a formação da Lua e ainda podem ser encontradas hoje na superfície lunar," explicou o Dr. Maxwell Thiemens, ex-investigador da Universidade de Colónia e autor principal do estudo. O Dr. Peter Sprung, coautor do estudo, acrescentou: "Tais observações já não são possíveis na Terra, pois o nosso planeta tem estado geologicamente ativo ao longo do tempo. A Lua, portanto, fornece uma oportunidade única para estudar a evolução planetária."

Os cientistas de Colónia usaram a relação entre os elementos raros háfnio, urânio e tungsténio como uma sonda para compreender a quantidade de fusão que ocorreu para gerar os mares basálticos, isto é, as regiões escuras na superfície lunar. Devido a uma precisão de medição sem precedentes, o estudo pôde identificar tendências distintas entre os diferentes conjuntos de rochas, o que agora permite uma melhor compreensão do comportamento destes elementos raros.

O estudo do háfnio e do tungsténio na Lua são particularmente importantes porque constituem um relógio radioativo natural do isótopo háfnio-182 que decai para tungsténio-182. Este decaimento radioativo só teve lugar nos primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. Combinando as informações de háfnio e tungsténio medidas nas amostras das Apollo com informações de experiências de laboratório, o estudo descobriu que a Lua começou a solidificar-se tão cedo quanto 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. "Esta informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco deve ter ocorrido antes, o que responde a uma questão ferozmente debatida entre a comunidade científica sobre a formação da Lua," acrescentou o professor Dr. Carsten Münker do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia, autor sénior do estudo.

Maxwell Thiemens conclui: "Os primeiros passos da Humanidade noutro mundo, há exatamente 50 anos, produziram amostras que nos permitem entender o tempo e a evolução da Lua. Dado que a formação da Lua foi o maior evento planetário final após a formação da Terra, a idade da Lua também fornece uma idade mínima para a Terra."

 


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// Universidade de Colónia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Geoscience)

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ScienceDaily

Lua:
CCVAlg - Astronomia
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