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METAIS LUNARES: NOVA INVESTIGAÇÃO CONSIDERA O QUE ESTÁ POR BAIXO DA SUPERFÍCIE DA LUA
6 de setembro de 2019

 


Esta paisagem da superfície da Lua foi fotografada pelos astronautas da Apollo 10 em maio de 1969.
Crédito: NASA

 

Um novo estudo realizado por geólogos no Canadá e nos Estados Unidos sugere que um repositório de metais preciosos pode estar trancado bem abaixo da superfície da Lua.

James Brenan, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Dalhousie, Canadá, e autor principal do estudo publicado na revista Nature Geoscience, diz que ele e outros investigadores foram capazes de traçar paralelos entre os depósitos minerais encontrados na Terra e na Lua.

"Conseguimos ligar o conteúdo de enxofre das rochas vulcânicas lunares com a presença de sulfeto de ferro nas profundezas da Lua," disse o Dr. Brenan, que colaborou com geólogos da Universidade Carleton e do Laboratório Geofísico em Washington, D.C. para o artigo publicado no dia 19 de agosto.

"A análise de depósitos minerais na Terra sugere que o sulfeto de ferro é um ótimo local para armazenar metais preciosos, como platina e paládio."

Sob a superfície da Lua

Os geólogos há muito que especulam que a Lua foi formada pelo impacto de um objeto massivo do tamanho de um planeta com a Terra há 4,5 mil milhões de anos. Por causa desta história comum, pensa-se que os dois corpos tenham uma composição semelhante. Medições anteriores das concentrações de metais preciosos nas rochas vulcânicas lunares realizadas em 2006, no entanto, mostraram níveis invulgarmente baixos, levantando uma questão que deixou os cientistas perplexos durante mais uma década sobre a razão destes valores tão baixos.

O Dr. Brenan diz que se pensava que estes baixos níveis refletiam uma depleção geral dos metais preciosos na Lua como um todo.

Esta nova investigação fornece uma explicação dos níveis surpreendentemente baixos e acrescenta informações valiosas sobre a composição da Lua.

"Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da Lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas," explicou.

Uma recriação científica

Brenan, juntamente com os colegas Jim Mungall da Universidade Carleton e Neil Bennett, anteriormente do Laboratório Geofísico dos EUA, fizeram experiências para recriar a pressão e a temperatura extremas do interior da Lua a fim de determinar quanto sulfeto de ferro se formaria.

Eles mediram a composição da rocha e do sulfeto de ferro resultantes e confirmaram que os metais preciosos seriam ligados pelo sulfeto de ferro, tornando-os indisponíveis para os magmas que fluíram para a superfície lunar. Brenan esclareceu que provavelmente não havia suficiente para formar um depósito de minério, mas "certamente o suficiente para explicar os baixos níveis nas lavas lunares."

O Dr. Brenan disse que precisarão de amostras da parte rochosa e profunda da Lua, onde as lavas lunares tiveram origem, para confirmar as suas descobertas.

Território não forjado

Os geólogos têm acesso a amostras científicas de centenas de quilómetros de profundidade do interior da Terra, mas material a essas profundezas ainda não foi recuperado da Lua.

"Estudamos a superfície da Terra há já muito tempo, pelo que temos uma boa ideia da sua composição, mas com a Lua já não é o caso," disse.

"Temos um total de 400 kg de amostras trazidas pelas missões Apollo e por outras missões lunares... é uma quantidade muito pequena de material. Assim sendo, para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de 'começar do fim' e inverter o nosso estudo da composição das lavas que chegaram até à superfície."

Estudos remotos por satélites sugerem a existência de afloramentos das partes mais profundas da Lua, reveladas após impactos massivos terem formado as crateras Schrödinger e Zeeman na bacia Aitken do polo sul.

"É muito emocionante pensar que vamos voltar à Lua," disse Brenan. "E, a ser verdade, o polo sul parece ser um bom local para recolha de amostras."

 


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// Universidade Dalhousie (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Geoscience)

Saiba mais

Lua:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia 
Teoria de Impacto Gigante (Wikipedia)

 
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