Top thingy left
 
A VIA LÁCTEA ROUBOU VÁRIAS GALÁXIAS MINÚSCULAS DA SUA VIZINHA
18 de outubro de 2019

 


Visualização das simulações usadas no estudo. Em cima e à esquerda temos matéria escura a branco. Em baixo e à direita temos uma GNM simulada com estrelas e gás e várias companheiras galácticas mais pequenas.
Crédito: UCR/Ethan Jahn

 

Assim como a Lua orbita a Terra, e a Terra orbita o Sol, as galáxias orbitam-se umas às outras de acordo com as previsões da cosmologia.

Por exemplo, descobriram-se até agora mais de 50 galáxias satélites em órbita da nossa própria Via Láctea. A maior delas é a Grande Nuvem de Magalhães, ou GNM, uma grande galáxia anã que se assemelha a uma nuvem fraca no céu noturno do hemisfério sul.

Uma equipa de astrónomos, liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside, descobriu que várias das galáxias pequenas - ou "anãs" - que orbitam a Via láctea provavelmente foram roubadas da GNM, incluindo várias anãs ultraténues, mas também galáxias satélites relativamente brilhantes e conhecidas, como a Anã de Carina e a Anã de Fornalha.

Os investigadores fizeram a descoberta usando novos dados recolhidos pelo telescópio espacial Gaia dos movimentos de várias galáxias próximas e contrastando-os com simulações hidrodinâmicas cosmológicas de ponta. A equipa da UC Riverside usou as posições no céu e as velocidades previstas do material, como matéria escura, acompanhando a GNM, descobrindo que pelo menos quatro galáxias anãs ultrafracas e duas anãs clássicas, Carina e Fornalha, já foram satélites da Grande Nuvem de Magalhães. Durante o processo de fusão, no entanto, a mais massiva Via Láctea usou o seu poderoso campo gravitacional para destruir a GNM e roubar estas galáxias satélites, relataram os cientistas.

"Estes resultados são uma confirmação importante dos nossos modelos cosmológicos, que preveem que as pequenas galáxias anãs no Universo também devem estar cercadas por uma população de companheiras galácticas ainda mais ténues," disse Laura Sales, professora assistente de física e astronomia, que liderou a equipa de investigação. "Esta é a primeira vez que somos capazes de mapear a hierarquia da formação da estrutura destas anãs ténues e ultraténues."

Os resultados têm implicações importantes para a massa total da GNM e também para a formação da Via Láctea.

"Se tantas anãs vieram com a GNM apenas recentemente, isso significa que as propriedades da população de satélites da Via Láctea há apenas mil milhões de anos era radicalmente diferente, impactando o nosso conhecimento de como as galáxias mais fracas se formam e evoluem," disse Sales.

Os resultados do estudo aparecem na edição de novembro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

As galáxias anãs são galáxias pequenas que contêm entre alguns milhares e alguns milhares de milhões de estrelas. Os cientistas usaram simulações de computador do projeto FIRE (Feedback In Realistic Environments) para mostrar que a GNM e galáxias parecidas hospedam inúmeras galáxias anãs minúsculas, muitas das quais não contêm estrelas - apenas matéria escura, um tipo de matéria que os cientistas pensam constituir a maior parte da massa do Universo.

"O alto número de pequenas galáxias anãs parece sugerir que o conteúdo de matéria escura da GNM é bastante grande, o que significa que a Via Láctea está a passar pela fusão mais massiva da sua história, com a GNM, sua parceira, fornecendo até um-terço da massa do halo de matéria escura da Via Láctea - o halo de material invisível que rodeia a nossa Galáxia," disse Ethan Jahn, o primeiro autor do artigo e estudante que pertence ao grupo de investigação de Sales.

Jahn explicou que o número de pequenas galáxias anãs que a GNM hospeda poderá ser maior do que os astrónomos estimaram anteriormente e que muitas dessas pequenas satélites não têm estrelas.

"As galáxias pequenas são difíceis de medir e é possível que algumas galáxias anãs ultraleves já conhecidas estejam de facto associadas à GNM," disse. "Também é possível que se descubram novas galáxias ultraténues associadas com a GNM."

As galáxias anãs podem ser satélites de galáxias maiores, ou podem estar "isoladas", existindo por si próprias e independentes de qualquer objeto maior. Jahn explicou que a GNM costumava ser isolada, mas que foi capturada pela gravidade da Via Láctea e agora é uma galáxia satélite.

"A Grande Nuvem de Magalhães continha pelo menos sete galáxias satélites, incluindo a Pequena Nuvem de Magalhães no céu do hemisfério sul, antes de serem capturadas pela Via Láctea," explicou.

A equipa vai agora estudar como as galáxias satélites do tamanho da GNM formam as suas estrelas e como a formação estelar se relaciona com a quantidade de matéria escura que possuem.

"Será interessante ver se se formam de maneira diferente dos satélites da Via Láctea," comentou Jahn.

 


comments powered by Disqus

 


Laura Sales (direita), professora assistente de física e astronomia na UC Riverside, e Ethan Jahn, estudante.
Crédito: UCR/grupo de Sales)


// UC Riverside (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
science alert
PHYSORG
CNN
Forbes
ZAP.aeiou

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Galáxias anãs:
Wikipedia

Galáxia Anã de Carina:
Wikipedia

Galáxia Anã de Fornalha:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
Top Thingy Right