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ASTEROIDE PRÓXIMO DA TERRA PODE SER UM FRAGMENTO PERDIDO DA LUA
16 de novembro de 2021

 


Impressão de artista do quási-satélite da Terra, Kamo'oalewa, perto do sistema Terra-Lua. Usando o LBT, os astrónomos mostraram que pode ser um fragmento perdido da Lua.
Crédito: Addy Graham/Universidade do Arizona

 

Um artigo publicado a semana passada na revista Communications Earth and Environment, por uma equipa de astrónomos liderados pela Universidade do Arizona, afirma que um asteroide próximo da Terra, chamado Kamo'oalewa, pode ser um fragmento da nossa Lua.

Kamo'oalewa é um quási-satélite - uma subcategoria de asteroides próximos da Terra que orbitam o Sol, mas que permanecem relativamente perto do nosso planeta. Pouco se sabe sobre estes objetos porque são ténues e difíceis de observar. Kamo'oalewa foi descoberto pelo telescópio PanSTARRS no Hawaii em 2016, e o nome - encontrado num canto havaiano da criação - alude a uma descendência que viaja por conta própria. O asteroide tem aproximadamente o tamanho de uma roda gigante - entre 46 e 58 metros em diâmetro - e o seu perigeu (menor distância à Terra) situa-se nos 15 milhões de quilómetros.

Devido à sua órbita, Kamo'oalewa só pode ser observado a partir da Terra durante algumas semanas a cada mês de abril. O seu tamanho relativamente pequeno significa que só pode ser visto com um dos maiores telescópios da Terra. Usando o LBT (Large Binocular Telescope), situado no Monte Graham, no sul do estado norte-americano do Arizona, uma equipa de astrónomos liderados por Ben Sharkey, estudante de ciências planetárias na Universidade do Arizona, descobriu que o padrão de luz refletida de Kamo'oalewa, chamado espectro, corresponde ao das rochas lunares das missões Apollo da NASA, sugerindo que teve origem na Lua.

Os investigadores ainda não têm a certeza de como o asteroide pode ter-se soltado da Lua. Em parte, porque não se conhecem outros asteroides com origem lunar.

"Analisei o espectro de todos os asteroides próximos da Terra a que tínhamos acesso, e nada correspondia," disse Sharkey, autor principal do artigo científico.

Um debate entre Sharkey e o seu orientador, o professor associado de ciências lunares e planetárias Vishnu Reddy da Universidade do Arizona, acerca das origens de Kamo'oalewa, levou a mais três anos de busca por uma explicação plausível.

"Nós tivemos imensas dúvidas," disse Reddy, coautor que iniciou o projeto em 2016. Depois de perder a chance de observar o asteroide em abril de 2020 devido ao encerramento do LBT decorrente da pandemia de COVID-19, a equipa encontrou a peça final do quebra-cabeças em 2021.

"Esta primavera, obtivemos as extremamente necessárias observações de acompanhamento e dissemos, 'Uau, é real,'" disse Sharkey. "É mais fácil de explicar com a Lua do que com outras ideias."

A órbita de Kamo'oalewa é outra pista das suas origens lunares. A sua órbita é semelhante à da Terra, mas com uma ligeiríssima inclinação. A sua órbita também não é típica dos asteroides próximos da Terra, de acordo com a coautora do estudo Renu Malhotra, professora de ciências planetárias na Universidade do Arizona que liderou a parte da análise da órbita.

"É muito improvável que um comum asteroide próximo da Terra se movesse espontaneamente para uma órbita quási-satélite como a de Kamo'oalewam," disse Malhotra, cujo laboratório está a trabalhar num artigo científico que investiga mais a fundo as origens do asteroide. "Ele não vai permanecer nesta órbita específica por muito tempo, apenas durante cerca de mais 300 anos, e estimamos que tenha chegado a esta órbita há cerca de 500 anos."

Kamo'oalewa é cerca de 4 milhões de vezes mais fraco do que a estrela mais ténue que o olho humano pode ver sob um céu escuro.

"Estas observações complexas foram possíveis graças ao imenso poder de recolha de luz dos telescópios gémeos de 8,4 metros do LBT," diz o coautor do estudo Al Conrad, cientista da equipa do telescópio.

O estudo também inclui dados do LDT (Lowell Discovery Telescope) em Flagstaff, Arizona, EUA. Os outros coautores do artigo são Olga Kuhn, Christian Veillet, Barry Rothberg e David Thompson do LBT; Audrey Thirouin do Observatório Lowell; e Juan Sanchez do PSI (Planetary Science Institute) em Tucson.

 


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// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Communications Earth and Environment)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
21/06/2016 - Pequeno asteroide é companheiro constante da Terra

Asteroide Kamo'oalewa:
Wikipedia

Quási-satélite:
Wikipedia
As "outras" luas da Terra (Wikipedia)

Pan-STARRS:
STScI
Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii
Wikipedia

LBT (Large Binocular Telescope):
LBTO
Wikipedia

Observatório Lowell:
Página oficial
Wikipedia
Telescópio Lowell Discovery (Wikipedia)

 
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