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RESULTADOS INICIAIS DA MISSÃO DART
27 de dezembro de 2022

 


Esta composição foi construída a partir de várias imagens tiradas no dia 30 de novembro de 2022 por astrónomos no MRO (Magdalena Ridge Observatory) no estado norte-americano do Novo México. Mantém Didymos ainda no campo de visão e assim as estrelas de fundo são vistas como rastos. Imagens como esta podem fornecer detalhes adicionais aos astrónomos que estudam estruturas fracas na cauda do material ejetado. Esta imagem abrange cerca de 32.000 quilómetros em todo o campo de visão, à distância de Didymos.
Crédito: MRO/NM Tech

 

Desde que a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu intencionalmente com o asteroide Dimorphos, no passado dia 26 de setembro - alterando a sua órbita em 33 minutos -, que a equipa de investigação tem vindo a investigar as implicações de como esta técnica de defesa planetária poderá ser utilizada no futuro, se tal necessidade alguma vez surja. Isto incluiu uma análise mais aprofundada do material ejetado - as muitas toneladas de rochas deslocadas e lançadas para o espaço pelo impacto -, o recuo do qual aumentou substancialmente o "empurrão" da DART contra Dimorphos.

As observações contínuas da evolução desse material ejetado deram à equipa de investigação uma melhor compreensão do que a nave espacial DART alcançou no local de impacto. Os membros da equipa DART forneceram uma interpretação preliminar das suas conclusões durante a Reunião de Outono da União Geofísica Americana no passado dia 15 de dezembro em Chicago.

"O que podemos aprender com a missão DART faz parte do trabalho geral da NASA para compreender os asteroides e outros pequenos corpos no nosso Sistema Solar", disse Tom Statler, cientista do programa DART na sede da NASA em Washington e um dos apresentadores da palestra. "O impacto do asteroide foi apenas o começo. Agora utilizamos as observações para estudar de que são feitos estes corpos e como foram formados - bem como para defender o nosso planeta no caso de um asteroide vir na nossa direção".

No centro deste esforço estão as análises detalhadas de ciência e engenharia pós-impacto dos dados da primeira demonstração mundial de tecnologia de defesa planetária. Nas semanas após o impacto, os cientistas viraram o seu foco para a medição da transferência de momento da colisão a cerca de 22.530 km/h da DART para o seu asteroide alvo.

Os cientistas estimam que o impacto da DART deslocou mais de um milhão de quilogramas de rochas para o espaço - o suficiente para encher seis ou sete vagões ferroviários. A equipa está a utilizar estes dados - bem como novas informações sobre a composição da lua asteroidal e sobre as características do material ejetado, obtidas a partir de observações telescópicas e imagens do LICIACube (Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids) da Agência Espacial Italiana, que veio "à boleia" da DART - para aprender exatamente quanto o impacto inicial da DART moveu o asteroide e a contribuição do recuo.

"Sabemos que a experiência inicial funcionou. Agora podemos começar a aplicar este conhecimento," disse Andy Rivkin, colíder da equipa de investigação da DART no APL (Applied Physics Lab) da Universidade Johns Hopkins. "O estudo do material ejetado aquando do impacto cinético - tudo derivado de Dimorphos - é uma forma fundamental de obter mais conhecimentos sobre a natureza da sua superfície".

Observações antes e depois do impacto revelam que Dimorphos e o seu maior asteroide parente, Didymos, têm uma composição semelhante - material que foi ligado aos condritos comuns, parecido ao tipo de meteorito mais vulgar que impacta a Terra. Estas medições também aproveitaram o material ejetado de Dimorphos, que dominou a luz refletida do sistema nos dias após o impacto. Mesmo agora, as imagens telescópicas do sistema de Didymos mostram como a pressão da radiação solar esticou a corrente de material ejetado para uma cauda semelhante à de um cometa com dezenas de milhares de quilómetros de comprimento.

Juntando essas peças, e assumindo que Didymos e Dimorphos têm as mesmas densidades, a equipa calcula que o momento transferido quando a DART atingiu Dimorphos foi aproximadamente 3,6 vezes maior do que se o asteroide tivesse simplesmente absorvido a nave espacial e não tivesse produzido qualquer material ejetado - indicando que este material contribuiu para mover o asteroide mais do que a própria nave espacial.

A previsão precisa da transferência de momento é central para o planeamento de uma futura missão de impacto cinético, caso alguma vez seja necessária, incluindo a determinação do tamanho da nave espacial e a estimativa do tempo necessário para assegurar que uma pequena deflexão irá desviar um asteroide potencialmente perigoso do seu percurso.

"A transferência de momento é uma das coisas mais importantes que podemos medir, porque é informação que precisaríamos para desenvolver uma missão de impacto com o objetivo de desviar um asteroide perigoso", disse Andy Cheng, líder da equipa de investigação da DART no APL da Universidade Johns Hopkins. "A compreensão de como o impacto de uma nave espacial muda o momento de um asteroide é fundamental para conceber uma estratégia de mitigação no caso de um cenário de defesa planetária".

Nem Dimorphos nem Didymos representam qualquer perigo para a Terra antes ou depois da colisão controlada da DART com Dimorphos.

 

 


A última imagem completa da lua Dimorphos, tirada pelo DRACO da missão DART da NASA a 12 quilómetros do asteroide e 2 segundos antes do impacto. A imagem mostra uma área do asteroide que abrange 31 metros. O norte de Dimorphos está na direção do topo da imagem.
Crédito: NASA/JHUAPL


// NASA (comunicado de imprensa)

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Didymos e Dimorphos:
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Dimorphos (Wikipedia)

 
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