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Evidências adicionais de atividade vulcânica recente em Vénus
31 de maio de 2024
 

Este modelo 3D da superfície de Vénus, gerado por computador, mostra o vulcão Sif Mons, que apresenta sinais de atividade atual. Utilizando dados da missão Magellan da NASA, investigadores italianos detetaram indícios de uma erupção enquanto a nave espacial orbitava o planeta no início da década de 1990.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
     
 
 
 

Pela segunda vez, foram observadas evidências geológicas diretas de atividade vulcânica recente em Vénus. Cientistas italianos analisaram dados de arquivo da missão Magellan da NASA para revelar alterações na superfície que indicam a formação de novas rochas a partir de fluxos de lava ligados a vulcões que entraram em erupção enquanto a nave espacial orbitava o planeta. Gerida pelo JPL da NASA no sul da Califórnia, a Magellan mapeou 98% da superfície do planeta entre 1990 e 1992, e as imagens que obteve continuam a ser as mais detalhadas de Vénus até à data.

"Usando estes mapas como guia, os nossos resultados mostram que Vénus pode ser muito mais vulcanicamente ativo do que se pensava", disse Davide Sulcanese da Universidade de Chieti-Pescara "Gabriele d'Annunzio" em Pescara, Itália, que liderou o estudo. "Ao analisar os fluxos de lava que observámos em dois locais do planeta, descobrimos que a atividade vulcânica em Vénus pode ser comparável à da Terra."

Este último achado baseia-se na histórica descoberta, em 2023, de imagens do radar de abertura sintética da Magellan que revelaram alterações numa abertura associada ao vulcão Maat Mons, perto do equador de Vénus. As imagens de radar provaram ser a primeira evidência direta de uma erupção vulcânica recente no planeta. Ao comparar as imagens do radar da Magellan ao longo do tempo, os autores do estudo de 2023 detetaram alterações causadas pelo fluxo de rocha derretida da subsuperfície de Vénus, que encheu a cratera da chaminé e se espalhou pelas suas encostas.

Os cientistas estudam os vulcões ativos para compreender como o interior de um planeta pode moldar a sua crosta, impulsionar a sua evolução e afetar a sua habitabilidade. A descoberta de vulcanismo recente em Vénus fornece uma visão valiosa da história do planeta e da razão pela qual tomou um caminho evolutivo diferente do da Terra.

 
Antes de iniciar a sua viagem até Vénus, a nave espacial Magellan da NASA foi lançada a partir de órbita terrestre pela missão STS-30 do vaivém espacial Atlantis. Capturada nesta fotografia de dia 4 de maio de 1989, a Magellan foi a primeira nave espacial planetária a ser lançada do vaivém espacial.
Crédito: NASA
 

Retroespalhamento de radar

Para o novo estudo, publicado na revista Nature Astronomy, os investigadores centraram-se igualmente em dados de arquivo do radar de abertura sintética da Magellan. As ondas de rádio enviadas pelo radar atravessaram a espessa camada de nuvens de Vénus, fizeram ricochete na superfície do planeta e regressaram à nave espacial. Chamados de retroespalhamento, estes sinais de radar refletidos transportam informação sobre o material rochoso da superfície que encontraram.

Os dois locais estudados foram o vulcão Sif Mons em Eistla Regio e a parte ocidental de Niobe Planitia, que alberga numerosas características vulcânicas. Ao analisar os dados de retroespalhamento recebidos de ambos os locais em 1990 e novamente em 1992, os investigadores descobriram que a força do sinal de radar aumentou ao longo de certos percursos durante órbitas posteriores. Estas alterações sugerem a formação de nova rocha, muito provavelmente lava solidificada da atividade vulcânica que ocorreu durante esse período de dois anos. Mas também consideraram outras possibilidades, como a presença de microdunas (formadas por areia soprada pelo vento) e efeitos atmosféricos que poderiam interferir com o sinal do radar.

Para ajudar a confirmar a nova rocha, os investigadores analisaram os dados de altimetria (altura da superfície) da Magellan para determinar a inclinação da topografia e localizar obstáculos que a lava poderia contornar.

"Interpretamos estes sinais como fluxos ao longo de declives ou planícies vulcânicas que se podem desviar de obstáculos como vulcões em escudo como um fluido", disse o coautor do estudo Marco Mastrogiuseppe da Universidade Sapienza de Roma. "Depois de excluirmos outras possibilidades, confirmámos que a nossa melhor interpretação é que se trata de novos fluxos de lava".

Usando fluxos na Terra como comparação, os investigadores estimam que a nova rocha que foi criada em ambos os locais tem entre 3 e 20 metros de profundidade, em média. Também estimam que a erupção de Sif Mons produziu cerca de 30 quilómetros quadrados de rocha - o suficiente para encher pelo menos 36.000 piscinas olímpicas. A erupção de Niobe Planitia produziu cerca de 45 quilómetros quadrados de rocha, o que daria para encher 54.000 piscinas olímpicas. A título de comparação, a erupção de 2022 do Mauna Loa, no Hawaii, o maior vulcão ativo da Terra, produziu um fluxo de lava com material suficiente para encher 100.000 piscinas olímpicas.

"Este trabalho empolgante fornece outro exemplo de mudança vulcânica em Vénus a partir de novos fluxos de lava que reforçam aquilo que o Dr. Robert Herrick e eu relatámos no ano passado", disse Scott Hensley, cientista de investigação do JPL e coautor do estudo de 2023. "Este resultado, em conjunto com a descoberta anterior de atividade geológica atual, aumenta o entusiasmo da comunidade científica planetária para futuras missões a Vénus".

Compreendendo os vulcões

Hensley é cientista de projeto da futura missão VERITAS da NASA, e Mastrogiuseppe é membro da sua equipa científica. Abreviatura de Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy, a missão VERITAS deverá ser lançada no início da próxima década, utilizando um radar de abertura sintética de última geração para criar mapas globais em 3D e um espetrómetro no infravermelho próximo para descobrir de que é feita a superfície de Vénus, ao mesmo tempo que segue a atividade vulcânica. Além disso, a nave espacial medirá o campo gravitacional do planeta para determinar a sua estrutura interna.

"Estas novas descobertas de atividade vulcânica recente em Vénus, feitas pelos nossos colegas internacionais, fornecem evidências convincentes do tipo de regiões que devemos procurar com a VERITAS quando esta chegar a Vénus", disse Suzanne Smrekar, cientista sénior do JPL e investigadora principal da VERITAS. "A nossa nave espacial terá um conjunto de abordagens para identificar alterações na superfície que são muito mais abrangentes e de maior resolução do que as imagens da Magellan. A evidência de atividade, mesmo nos dados de baixa resolução da Magellan, aumenta o potencial para revolucionar a nossa compreensão deste mundo enigmático".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
17/03/2023 - Dados da Magellan revelam atividade vulcânica em Vénus

Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG
ScienceAlert
ScienceNews
Gizmodo
SAPO

Vénus:
NASA
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Vulcanismo em Vénus (Wikipedia)
Sif Mons (Wikipedia)
Eistla Regio (JPL/NASA)

Sonda Magellan:
NASA
Wikipedia

VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy):
NASA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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