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Imagens, pela sonda Lucy, revelam que o asteroide Dinkinesh é surpreendentemente complexo
4 de junho de 2024
 

Os painéis a, b e c mostram pares de imagens estereográficas do asteroide Dinkinesh tiradas pelo instrumento L'LORRI da nave espacial Lucy da NASA nos minutos da maior aproximação de dia 1 de novembro de 2023. Os pontos amarelos e rosa indicam as características da depressão e da crista, respetivamente. Estas imagens foram melhoradas e processadas para aumentar o contraste. O painel d mostra uma vista lateral de Dinkinesh e do seu satélite Selam, tirada alguns minutos após a maior aproximação.
Crédito: NASA/GSFC/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab
 
     
 
 
 

Imagens do "flyby" do asteroide Dinkinesh, em novembro de 2023, pela nave espacial Lucy da NASA, mostram uma depressão em Dinkinesh onde um grande pedaço - cerca de um quarto do asteroide - se deslocou subitamente, uma crista e um satélite binário de contacto (agora conhecido como Selam). Os cientistas dizem que esta estrutura complicada mostra que Dinkinesh e Selam têm uma força interna significativa e uma história complexa e dinâmica.

"Queremos compreender a força dos pequenos corpos do nosso Sistema Solar, porque isso é fundamental para compreender como é que planetas como a Terra aqui chegaram", disse Hal Levison, investigador principal da Lucy na filial de Boulder, Colorado, do SwRI (Southwest Research Institute em San Antonio, Texas). "Basicamente, os planetas formaram-se quando zilhões de objetos mais pequenos em órbita do Sol, como os asteroides, chocaram uns com os outros. A forma como os objetos se comportam quando chocam uns com os outros, se se partem ou se mantêm unidos, tem muito a ver com a sua força e estrutura interna." Levison é o autor principal de um artigo científico sobre estas observações publicado no dia 29 de maio na revista Nature.

Os investigadores pensam que Dinkinesh está a revelar a sua estrutura interna pela forma como responde ao stress. Ao longo de milhões de anos a girar à luz do Sol, as pequenas forças provenientes da radiação térmica emitida pela superfície quente do asteroide geraram um pequeno momento que fez com que Dinkinesh girasse gradualmente mais depressa, acumulando tensões centrífugas até que parte do asteroide se deslocou para uma forma mais alongada. Este evento terá provocado a entrada de detritos numa órbita próxima, que se tornaram a matéria-prima que produziu a crista e o satélite.

 
Filme estéreo do asteroide Dinkinesh, obtido aquando da passagem da nave espacial Lucy da NASA, no dia 1 de novembro de 2023.
Crédito: NASA/GSFC/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab/Brian May/Claudia Manzoni
 

Se Dinkinesh fosse muito mais fraco, mais parecido com um monte fluído de areia, as suas partículas ter-se-iam movido gradualmente em direção ao equador e voado para órbita à medida que girava mais depressa. No entanto, as imagens sugerem que foi capaz de se manter unido durante mais tempo, mais como uma rocha, com mais força do que um fluido, acabando por ceder sob tensão e fragmentar-se em grandes pedaços (embora a quantidade de força necessária para fragmentar um pequeno asteroide como Dinkinesh seja minúscula em comparação com a maioria das rochas da Terra).

"A depressão sugere uma falha abrupta, mais como um terramoto com uma acumulação gradual de tensão e depois uma libertação súbita, em vez de um processo lento como a formação de uma duna de areia", disse Keith Noll do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, cientista do projeto Lucy e coautor do artigo.

"Estas características dizem-nos que Dinkinesh tem alguma força e permitem-nos fazer uma pequena reconstrução histórica para ver como este asteroide evoluiu", disse Levison. "Partiu-se, as coisas separaram-se e formaram um disco de material durante essa falha, algum do qual choveu de volta à superfície para formar a crista".

Os investigadores pensam que parte do material do disco formou a lua Selam, que é na realidade dois objetos que se tocam, uma configuração chamada binário de contacto. Os pormenores da formação desta lua invulgar permanecem misteriosos.

 
Filme estéreo de Selam obtido aquando da passagem da nave espacial Lucy da NASA no dia 1 de novembro de 2023.
Crédito: NASA/GSFC/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab/Brian May/Claudia Manzoni
 

Dinkinesh e o seu satélite são os dois primeiros de 11 asteroides que a equipa da Lucy planeia explorar durante a sua viagem de 12 anos. Depois de passar pela orla interior da cintura principal de asteroides, a sonda Lucy está agora a regressar à Terra para uma assistência gravitacional em dezembro de 2024. Essa passagem próxima irá impulsionar a nave espacial de volta à cintura principal de asteroides, onde irá observar o asteroide Donaldjohanson em 2025, e depois para o primeiro dos encontros com os asteroides Troianos que acompanham Júpiter (à frente e atrás) na sua órbita em torno do Sol, a partir de 2027.

 

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


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CNN

Asteroide 152830 Dinkinesh (1999 VD57):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia

Selam (lua de Dinkinesh):
Wikipedia

Missão Lucy:
NASA
SwRI
Wikipedia

 
   
 
 
 
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