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Edição n.º 1000
04/10 a 07/10/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de Outubro é seguido directamente pelo dia 15 de Outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de flyby pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Assim que as estrelas começam a aparecer ao lusco-fusco, já Cassiopeia está mais alta a Nordeste do que a Ursa Maior a Noroeste.

Dia 05/10: 278.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orion. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: Lua Nova, pelas 01:35.
Se ficar acordado(a) para lá da 1 da manhã, olhe para Este-Nordeste para avistar Júpiter a nascer. Pollux e Castor estão para a sua esquerda. Muito mais longe, mas para a direita, está também a nascer a constelação de Orionte.

Dia 06/10: 279.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASAUlysses, a partir do vaivém Discovery. Em Fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.

Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol.
Observações: Vega permanece muito alta a Oeste após o anoitecer esta semana. Procure as estrelas mais ténues da constelação de Lira para a sua esquerda.

Dia 07/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascia Niels Bohr, físico que fez contribuições fundamentais na compreensão da estrutura atómica e da mecânica quântica, pela qual ganhou o prémio Nobel da Física.

Em 1958, o programa de voo espacial tripulado dos EUA muda de nome, para Projecto Mercury.
Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.
Observações: O enxame globular NGC 6934 na constelação do Golfinho (Delphinus) é um bom desafio para quem possua um telescópio médio/grande.

 
CURIOSIDADES

Tudo está em movimento: os planetas movem-se no Sistema Solar, que se move na Via Láctea, que se move no Grupo Local de Galáxias, que se move na direcção do Enxame Galáctico de Virgem.

 
HERSCHEL AJUDA A ENCONTRAR SINAIS ELUSIVOS DO INÍCIO DO UNIVERSO

Usando um telescópio na Antárctica e o observatório espacial Herschel da ESA, astrónomos fizeram a primeira detecção de uma reviravolta subtil na radiação-relíquia do Big Bang, pavimentando o caminho para revelar os primeiros momentos da existência do Universo.

O sinal elusivo foi encontrado no modo como a primeira luz no Universo foi desviada durante a sua viagem até à Terra por enxames galácticos e matéria escura, uma substância invisível que é apenas detectada indirectamente através da sua influência gravitacional.

A descoberta aponta para a busca de evidências de ondas gravitacionais nascidas durante a rápida fase de "inflacção" do Universo, um resultado fundamental antecipado pela missão Planck da ESA.

Esta impressão de artista mostra como os fotões na Radiação Cósmica de Fundo são deflectidos por lentes gravitacionais à medida que viajam pelo Universo. As lentes gravitacionais criam pequenas distorções adicionais ao padrão das flutuações de temperaturas da Radiação Cósmica de Fundo. Uma pequena fracção é polarizada; um componente desta luz polarizada, modos-B, tem uma outra assinatura graças aos efeitos de lentes gravitacionais. Esta "impressão digital" foi descoberta pela primeira vez ao combinar dados do Telescópio do Pólo Sul com dados do Observatório Espacial Herschel da ESA.
Crédito: Colaboração ESA e Planck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta radiação relíquia do Big Bang - a Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas - foi impressa no céu quando o Universo tinha apenas 380.000 anos. Hoje, cerca de 13,8 mil milhões de anos depois, vemo-la como ondas de rádio por todo o céu a uma temperatura de apenas 2,7 graus acima do zero absoluto.

As pequenas variações nesta temperatura - que rondam algumas dezenas de milionésimo de grau - revelam flutuações de densidade no início do Universo correspondentes às sementes de galáxias e estrelas que vemos hoje. O mapa de todo o céu mais detalhado das variações de temperatura da Radiação Cósmica de Fundo foi revelado pelo Planck em Março.

Mas a Radiação Cósmica de Fundo contém muitas mais informações. Uma pequena fracção da radiação é polarizada, tal como a luz que vemos usando óculos polarizados. Esta luz polarizada tem dois padrões distintos: modos-E e modos-B.

Os modos-E foram detectados pela primeira vez em 2002 com um telescópio terrestre. Os modos-B, no entanto, são potencialmente muito mais excitantes para os cosmólogos, embora sejam muito mais difíceis de detectar.

Eles podem surgir de duas formas. A primeira envolve a adição de uma reviravolta para a luz que atravessa o Universo e é desviada por galáxias e matéria escura - um fenómeno conhecido como lente gravitacional.

O segundo tem as suas raízes bem enterradas na mecânica de uma fase muito rápida da enorme expansão do Universo, que os cosmólogos acreditam ter acontecido apenas durante uma minúscula fracção de segundo após o Big Bang - a "inflacção".

Os modos-E e os modos-B na polarização da Radiação Cósmica de Fundo (painéis à esquerda e à direita, respectivamente) e o potencial gravitacional da distribuição a larga-escala de matéria polarizada na Radiação Cósmica de Fundo pelo Telescópio do Pólo Sul e pelo Herschel (painel central).
Crédito: Imagem de D. Hanson, et al., 2013, Physical Review Letters, 111, 141301
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O novo estudo combinou dados do Telescópio do Pólo Sul e do Herschel para fazer a primeira detecção da polarização do modo-B na Radiação Cósmica de Fundo devido ao efeito de lentes gravitacionais.

"Esta medição foi possível graças a uma combinação inteligente e única de observações terrestres do Telescópio do Pólo Sul - que mediu a luz do Big Bang - com observações espaciais do Herschel, que é sensível às galáxias que traçam a matéria escura que provoca o efeito de lente gravitacional," afirma Joaquin Vieira, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que liderou a pesquisa do Herschel usada no estudo.

Ao usar as observações do Herschel, os cientistas mapearam o material de lente gravitacional ao longo da linha de visão e, em seguida, procuraram correlações entre esse padrão e a luz polarizada proveniente da Radiação Cósmica de Fundo, medida pelo Telescópio do Pólo Sul.

Observação conjunta do Telescópio do Pólo Sul (esquerda) e do Herschel (direita).
Crédito: Imagem de G. Holder et al., 2013, The Astrophysical Journal Letters, 771, L16
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É muito importante termos sido capazes de detectar este pequeno sinal de modo-B e é um bom presságio para a nossa capacidade de, finalmente, medir um tipo ainda mais evasivo do modo-B criado durante o Big Bang inflacionário," acrescenta Duncan Hanson da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, autor principal do artigo publicado esta semana na Physical Review Letters.

Os cientistas acreditam que durante a inflacção, colisões violentas entre aglomerados de matéria e entre matéria e radiação, deveriam ter criado um mar de ondas gravitacionais. Hoje em dia, essas ondas deveriam estar impressas num componente primordial do modo-B da Radiação Cósmica de Fundo.

A descoberta de tal sinal daria informações cruciais sobre o Universo muito jovem, bem antes do momento da criação da própria Radiação Cósmica de Fundo, e providenciaria a confirmação do cenário de inflacção.

Em 2014, novos resultados serão divulgadas pelo Planck da ESA, e o mais aguardado é saber se foram detectados modos-B primordiais. Entretanto, o Herschel ajudou a apontar o caminho.

"É muito bom ver este engenhoso uso dos dados do Herschel em conseguir a primeira detecção de lentes gravitacionais de modo-B na polarização da Radiação Cósmica de Fundo", afirma Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA. "Este trabalho mostra ainda outro uso do tesouro de dados do Herschel."

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Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
ESA - 2 (versão mais detalhada)
Physical Review Letters (requer subscrição)
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Astronomy
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Radiação cósmica de fundo:
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Lentes gravitacionais:
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Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
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Wikipedia

Telescópio do Pólo Sul:
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Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Enxame Galáctico Abell 1689
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA, ESA, Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA), J. Blakeslee (Programa de Astrofísica NRC Herzberg, Observatório Astrofísico Dominion) e H. Ford (JHU)
 
Esta nova imagem do Hubble mostra o enxame de galáxias Abell 1689. Combina dados visíveis e infravermelhos obtidos pelo instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble ao longo de uma exposição combinada que totaliza 34 horas para revelar este pedaço de céu em maior e mais marcante detalhe do que em observações anteriores. Esta imagem está salpicada com aglomerados brilhantes e dourados, estrelas brilhantes e galáxias espirais distantes. O material de algumas destas galáxias está sendo arrancado, dando a impressão que a galáxia "pinga" para o espaço circundante. Também são visíveis uma série de listras azuis, circulando e arqueando-se em torno das galáxias difusas no centro. Estas riscas são os sinais de um fenómeno cósmico conhecido como lente gravitacional. Abell 1689 é tão grande que dobra e deforma o espaço em seu redor, afectando a forma como a luz de objectos para lá do enxame viaja através do espaço. Estes riscos são as formas distorcidas de galáxias situadas por trás do enxame.
 

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