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Edição n.º 1014
22/11 a 25/11/2013
 
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ACTIVIDADES

29.11.13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

30.11.13 - DESCOBRINDO O SOL 15:30 – 16:30 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/11: 326.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 nasce Chad Trujillo, co-descobridor do planeta anão Éris.

Observações: O ténue cometa ISON está descendo na direcção do Sol até ao periélio de dia 28 de Novembro. As próximas manhãs são a nossa última chance para o observar antes do encontro solar.
A Lua nasce por volta das 22:00 a Este, dependendo do local onde se encontra. Para cima encontra-se o planeta Júpiter e, para a esquerda, Pollulx e Castor. Para a direita da Lua brilha Procyon. Ainda mais distante na mesma direcção, está Sirius, a estrela mais brilhante do céu nocturno.

Dia 23/11: 327.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Observações: Trânsito de Europa, entre as 20:53 e as 23:43.

Dia 24/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639, Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: Neptuno na quadratura Este, pelas 17:39.
Estas noites sem Lua são uma óptima altura para tirar o telescópio do armário e explorar a Nebulosa do Véu e outros objectos menos conhecidos em Cisne, que está ainda bem alto a Oeste ao começo da noite.

Dia 25/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:28.

 
CURIOSIDADES


Se nós conseguíssemos ver tão bem quanto a câmara WFPC a bordo do Telescópio Hubble, seríamos capazes de ler as letras mais pequenas de um jornal a 1,5 km de distância!

 
COMETA ISON DESENVOLVE "ASAS"

Um ou mais fragmentos poderão ter-se separado do núcleo do Cometa ISON nos últimos dias. Duas estruturas tipo-asa no ambiente gasoso em redor do cometa, fotografadas por uma equipa de cientistas do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar e do Observatório Wendelstein da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, parecem indicar isso; as estruturas aparecem em imagens obtidas no final da semana passada. Este distanciamento de peças individuais de detritos pode possivelmente explicar o recente aumento de brilho do cometa.

O Cometa ISON tem decepcionado muitos astrónomos amadores ao longo da sua viagem até ao Sol. O brilho do cometa, que passará no dia 28 pela superfície do Sol a uma relativamente pequena distância de pouco mais de um milhão de quilómetros, não aumentou tanto quanto inicialmente se esperava. No final da semana passada, a luminosidade do ISON subiu dramaticamente com vários observadores a relatar um considerável aumento de brilho.

Uma possível indicação para a causa do surto é fornecida por imagens do cometa obtidas e avaliadas recentemente por cientistas do Observatório Wendelstein e do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar. Nos dias 14 e 16 de Novembro apontaram o seu telescópio para o cometa.

O cometa encontra-se no palco principal: esta imagem mostra o ambiente gasoso do Cometa ISON com duas estruturas tipo-asa que parecem um U alongado (seta). O núcleo é visto aqui como a mancha brilhante no centro para ilustração.
Crédito: Observatório Wendelstein/MPS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As análises mostram duas estruturas visíveis na atmosfera do cometa que se estendem a partir do núcleo como asas. Estas "asas" eram ainda bastante fracas a 14 de Novembro, mas dominavam claramente as imagens obtidas dois dias depois. "Tais estruturas ocorrem tipicamente após a separação de fragmentos individuais a partir do núcleo cometário," realça Hermann Böhnhardt do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar.

Tal como o núcleo do cometa, os seus fragmentos também libertam gás e poeira para o espaço. Se as emissões do cometa e dos fragmentos menores se encontram, é gerada uma espécie de camada separadora e por vezes tem um carácter tipo-asa. Se o aumento de brilho visto nos últimos dias foi também provocado pela divisão dos fragmentos, "isso não pode ser afirmado com certeza," acrescenta Böhnhardt. No entanto, esta relação foi comprovada noutros cometas.

As estruturas tipo-asa nas imagens não podem ser avistadas a olho nu, são necessários métodos numéricos para aparecerem em imagens processadas. Para este fim, os investigadores analisam o ambiente gasoso do cometa no computador em busca de mudanças de brilho. O uniforme pano de fundo da atmosfera do cometa é subtraído e deixa assim de eclipsar as frágeis estruturas. "As nossas computações indicam que ou apenas se dividiu uma única parcela, ou apenas poucos pedaços menores," afirma Böhnhardt.

Ainda não se sabe como o cometa irá comportar-se nas próximas semanas, quando der a volta ao Sol. "No entanto, a experiência passada mostra que os cometas que perdem fragmentos têm tendência para fazê-lo novamente," conclui o investigador cometário.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
Astronomy
Astronomy Now
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG
UPI

Cometa ISON:
Wikipedia
Centro de Planetas Menores da UAI
Gary W. Kronk's Cometography
Stereo Science Center

Cometas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
NASA

 
CHANDRA AJUDA A CONFIRMAR EVIDÊNCIAS DE JACTO NO BURACO NEGRO DA VIA LÁCTEA

Os astrónomos há muito tempo que procuram evidências de que Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da nossa Via Láctea, está produzindo um jacto de partículas de alta energia. Finalmente descobriram-no em novos resultados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do VLA (Very Large Array).

Estudos anteriores, usando uma variedade de telescópios, já haviam sugerido a existência de um jacto, mas estes relatos - incluindo a orientação dos jactos suspeitos - frequentemente contrariavam-se uns aos outros e nunca foram considerados definitivos.

"Durante décadas os astrónomos têm procurado um jacto associado com o buraco negro da Via Láctea. As nossas observações constituem o caso mais forte até agora para a existência deste jacto," realça Zhiyuan Li, da Universidade de Nanjing na China, autor principal de um estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal e já disponível on-line.

Composição de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/UCLA/Z. Li et al; Rádio: NRAO/VLA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os jactos de partículas de alta energia encontram-se por todo o Universo, em escalas grandes e pequenas. São produzidos por estrelas jovens e por buracos negros mil vezes maiores do que o buraco negro no centro da Via Láctea. Eles desempenham papéis importantes no transporte de energia para longe do objecto central e, a uma escala galáctica, na regulação da taxa de formação de novas estrelas.

"Nós estávamos ansiosos por encontrar um jacto de Sgr A* porque isso diz-nos a direcção do eixo de rotação do buraco negro. E isto dá-nos pistas importantes acerca da história do crescimento do buraco negro," realça Mark Morris da Universidade da Califórnia em Los Angeles, co-autor do estudo.

O estudo mostra que o eixo de rotação de Sgr A* aponta numa direcção paralela ao eixo de rotação da Via Láctea, o que indica aos astrónomos que o gás e poeira migraram progressivamente para Sgr A* ao longo dos últimos 10 mil milhões de anos. Se a Via Láctea tivesse colidido com grandes galáxias no seu passado recente e se os seus buracos negros se tivessem fundido com Sgr A*, o jacto poderia apontar em qualquer direcção.

O jacto parece estar "batendo" em gás perto Sgr A*, produzindo raios-X detectados pelo Chandra e emissão rádio observada pelo VLA. As duas evidências-chave do jacto são uma linha recta de gás que emite raios-X que aponta na direcção de Sgr A* e uma frente de choque -- semelhante a um "boom" sónico - vista em dados de rádio, onde o jacto parece atingir o gás. Adicionalmente, a assinatura de energia, ou espectro, em raios-X de Sgr A* assemelha-se com a de jactos oriundos de buracos negros supermassivos pertencentes a outras galáxias.

Os cientistas pensam que os jactos são produzidos quando material cai na direcção do buraco negro e é redireccionado para fora. Dado que se sabe que Sgr A* consome actualmente muito pouco material, não é de estranhar que o jacto pareça fraco. Não foi visto um jacto na direcção oposta, possivelmente por causa do gás ou poeira bloquear a linha de visão da Terra ou pela escassez de material com que abastecer o jacto.

A região em torno de Sgr A* é ténue, o que significa que o buraco negro tem estado tranquilo nas últimas centenas de anos. No entanto, um outro estudo pelo Chandra anunciado o mês passado mostrou que era, até então, pelo menos um milhão de vezes mais brilhante.

"Sabemos que este buraco negro gigante foi muito mais activo a consumir material no passado. Quando se mexer outra vez, o jacto poderá aumentar dramaticamente de brilho," afirma o co-autor Frederick K. Baganoff do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, EUA.

Os astrónomos sugeriram que bolhas gigantes de partículas altamente energéticas que se estendem para fora da Via Láctea e detectadas pelo Telescópio de raios-gama Fermi da NASA em 2008 são provocadas por jactos de Sgr A* alinhados com o eixo de rotação da galáxia. Os resultados mais recentes do Chandra apoiam esta explicação.

O buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea tem cerca de quatro milhões de vezes a massa do Sol e situa-se a mais ou menos 26.000 anos-luz da Terra. As observações do Chandra neste estudo foram obtidas entre Setembro de 1999 e Março de 2011, com uma exposição total que ronda os 17 dias.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2013/09/03 - Chandra apanha buraco negro da Via Láctea a rejeitar "comida"

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
PHYSORG
science 2.0

Sagitário A*:
Wikipedia
WolframAlpha
Chandra

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Buracos negros:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Os Jactos de NGC 1097
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
A enigmática galáxia espiral NGC 1097 brilha nos céus do Hemisfério Sul, a aproximadamente 45 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação da Fornalha. Os seus braços espirais azuis estão salpicados com regiões de formação estelar rosadas nesta colorida paisagem galáctica. Parecem ter enrolado uma pequena galáxia companheira por baixo e para a esquerda do centro, a cerca de 40.000 anos-luz do núcleo luminoso da espiral. No entanto, esta não é a característica mais peculiar de NGC 1097. A exposição muito profunda aponta para jactos misteriosos e ténues, mais facilmente vistos a estenderem-se para lá dos braços azulados em baixo e à direita. De facto, quatro jactos ténues são reconhecidos em imagens ópticas de NGC 1097. Os jactos traçam um X centrado no núcleo da galáxia, mas provavelmente não são originários de lá. Em vez disso, podem ser fósseis de correntes estelares, vestígios que sobram da captura e perturbação de uma galáxia muito mais pequena no passado da grande espiral. NGC 1097 é uma galáxia Seyfert, cujo núcleo abriga também um buraco negro supermassivo.
 

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