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Edição n.º 1029
17/01 a 20/01/2014
 
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ACTIVIDADES

31.01.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.02.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/01: 17.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GPS2R explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento.

Observações: Assim que as estrelas aparecerem, vire-se para Norte e olhe para bem alto até Cassiopeia, orientada agora como um "M" achatado. Com o avançar da noite, baloiça-se para baixo a Noroeste, ficando de lado.

Dia 18/01: 18.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1896, H. L. Smith apresenta a primeira máquina capaz de gerar raios-X.
Em 1916, um meteorito condrito com 611 gramas atinge uma casa perto de Baxter em Stone County, no estado americano do Missouri.
Em 2000, o meteorito do Lago Tagish colide com a Terra.

Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior começa a subir desde o horizonte a Norte-Nordeste, após o lusco-fusco, até ficar apoiada sobre a sua "pega" a Nordeste por volta das 21 horas.

Dia 19/01: 19.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.

Também determinou a órbita de Urano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão.
Observações: Já alguma vez observou a Nebulosa do Caranguejo (M1) por um telescópio? E com binóculos? Esta ténue mancha difusa encontra-se perto das pontas dos chifres de Touro. Com magnitude 8,4, precisa de um céu escuro se estiver a usar um instrumento pequeno.

Dia 20/01: 20.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do electromagnetismo clássico, que ele referia como "electrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente eléctrica, o ampere, tem o seu nome.
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em Agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Observações: Por volta das 04:30, Saturno (actualmente situado na direcção da constelação de Balança) já se encontra relativamente alto a Sudeste para uma boa observação. Marte, mais alto a mais para a direita (na direcção da constelação de Virgem), é observável mais cedo.

 
CURIOSIDADES


A NASA está convidar as pessoas de todo o mundo a submeter os seus nomes, que serão colocados num microchip a bordo da sonda OSIRIS-REx. Esta voará até ao asteróide Bennu em 2016. A participação termina dia 30 de Setembro. Participe!

 
O DESPERTADOR MAIS IMPORTANTE DO SISTEMA SOLAR

Às 10 horas da próxima Segunda-feira, o despertador mais importante do Sistema Solar vai acordar a sonda espacial Rosetta da ESA.

A Rosetta está perseguindo o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e, desde o seu lançamento em 2004, fez três passagens pela Terra e uma por Marte com o objectivo de ganhar velocidade suficiente e colocar-se numa trajectória em direcção ao cometa. Ao longo do caminho também encontrou os asteróides Steins e Lutetia.

Operando apenas a energia solar, a sonda foi colocada em sono profundo em meados de 2011 enquanto viajava para longe do Sol e em direcção à órbita de Júpiter. Para se preparar para este sono prolongado, a Rosetta foi orientada de modo a que os seus painéis solares ficassem apontados para o Sol e com uma rotação minuto a minuto para estabilidade. Os seus únicos dispositivos ligados eram o computador e alguns aquecedores.

Impressão de artista da sonda Rosetta.
Crédito: ESA, AOES Medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Trinta e um meses depois, a órbita da Rosetta trouxe-a de volta até "apenas" 673 milhões de quilómetros do Sol, onde finalmente tem energia solar suficiente para alimentar todos os seus instrumentos. Está na hora de acordar.

O computador da Rosetta está programado para realizar uma sequência de eventos e restabelecer contacto com a Terra no dia 20 de Janeiro, começando com um "despertador" às 10:00 (hora de Portugal). Imediatamente depois, os seguidores de estrelas da sonda começam a aquecer, levando cerca de seis horas.

Em seguida, os seus propulsores serão disparados para parar a lenta rotação. Será feito um ligeiro ajuste na orientação da Rosetta para garantir que os painéis solares ainda estão directamente apontados para o Sol, antes que os seguidores estelares sejam ligados para determinar a atitude da nave espacial.

Assim que a atitude seja estabelecida, a Rosetta virar-se-á directamente para a Terra, ligará o seu transmissor e apontará a sua antena de alto-ganho para enviar o sinal que anuncia que está acordada. Por causa da grande distância da Rosetta - pouco mais de 807 milhões quilómetros da Terra - o sinal demorará 45 minutos até alcançar as estações terrestres. A primeira oportunidade para receber um sinal cá na Terra está prevista entre as 17:30 e as 18:30 (hora de Portugal).

Impressão de artista da Rosetta a libertar o "lander" Philae até ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Após uma longa fase de mapeamento entre Agosto e Setembro de 2014, será escolhido um local de aterragem para o Philae levar a cabo medições "in situ" em Novembro. A imagem não está à escala; a sonda Rosetta mede 32 metros em diâmetro incluindo os painéis solares, enquanto o cometa deve ter aproximadamente 4 km em diâmetro.
Crédito: ESA-C. Carreau/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As antenas de rastreamento profundo ficarão a ouvir o sinal, começando com a estação de 70 metros da NASA em Goldstone, no estado americano da Califórnia, seguida (à medida que a Terra gira) pela estação de Canberra no leste da Austrália. A antena New Norcia de 35 metros da ESA, na Austrália Ocidental, será a próxima na linha de espera do sinal.

Assim que o sinal seja recebido, será retransmitido imediatamente para o Centro de Operações da ESA (ESOC - ESA’s Operations Centre) em Darmstadt, na Alemanha. Este emocionante momento será anunciado ao mundo imediatamente via a conta da Rosetta no Twitter, @ESA_Rosetta.

Assim que os controladores da missão verifiquem a saúde da Rosetta, cada um dos seus instrumentos científicos serão novamente ligados e verificados, um esforço que vai demorar vários meses, enquanto a sonda continua a percorrer os restantes 9 milhões de quilómetros que a separam do cometa.

Em Maio, a Rosetta vai fazer uma grande manobra de alinhamento de modo a alcançar o seu alvo cometário em Agosto. Se tudo correr bem, tornar-se-á na primeira missão espacial a encontrar-se com um cometa, a primeira a tentar fazer uma aterragem e a primeira a seguir um cometa à medida que este dá a volta ao Sol.

Os cometas são considerados os blocos de construção primitivos do Sistema Solar e provavelmente ajudaram a "semear" a Terra com água, e talvez até mesmo os ingredientes para a vida. Mas ainda permanecem muitas questões fundamentais sobre estes objectos enigmáticos, e através do estudo compreensivo e detalhado do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a Rosetta tem como objectivo desvendar os seus segredos.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica?
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Como a Rosetta acorda da hibernação (vídeo - ESA)
"Era Uma Vez..."
Rosetta (via YouTube - ESA)
SPACE.com
PHYSORG

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
Twitter
Como a Rosetta vai orbitar o cometa (YouTube - New Scientist)
Wikipedia

 
ENCONTRADO PRIMEIRO PLANETA EM TORNO DE UMA GÉMEA SOLAR PERTENCENTE A UM ENXAME ESTELAR

Os astrónomos utilizaram o detector de planetas HARPS do ESO, no Chile, assim como outros telescópios, para descobrir três planetas em torno de estrelas pertencentes ao enxame estelar aberto Messier 67. Embora mais de um milhar de planetas fora do Sistema Solar seja já conhecido, apenas alguns foram descobertos em enxames estelares. Curiosamente, um destes novos exoplanetas orbita uma estrela rara. Trata-se duma gémea solar - uma estrela que é, em todos os aspectos, praticamente idêntica ao Sol.

Sabemos hoje que os planetas que orbitam estrelas fora do Sistema Solar são muito comuns. Têm-se detectado planetas em torno de estrelas de várias idades e composições químicas, espalhados um pouco por todo o céu. No entanto, e até agora, têm-se encontrado muito poucos planetas no interior de enxames estelares, o que é relativamente estranho já que a maioria das estrelas nasce precisamente no seio destes enxames. Os astrónomos têm-se perguntado se este facto não significará que existe algo diferente na formação planetária em enxames estelares que explique esta estranha escassez.

Anna Brucalassi (Max Planck Institute for Extraterrestrial Physics, Garching, Alemanha), autora principal deste novo estudo, e a sua equipa quiseram investigar este assunto. "No enxame estelar Messier 67 as estrelas têm todas a mesma idade e composição do Sol, o que torna este local um laboratório perfeito para estudar quantos planetas se formam num ambiente tão populado e investigar se se formam essencialmente em torno de estrelas de maior ou de menor massa."

Impressão de artista que mostra um dos três planetas recentemente descobertos no enxame estelar M67. Neste enxame as estrelas têm todas cerca da mesma idade e composição química do Sol, o que faz deste local um laboratório perfeito para estudar quantos planetas se formam num ambiente tão populado. São conhecidos muito poucos planetas em enxames e este possui a particularidade adicional de estar a orbitar uma gémea solar - uma estrela que é, em todos os aspectos, praticamente idêntica ao Sol.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa utilizou o instrumento HARPS, o detector de planetas montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla. Os resultados foram complementados com observações efectuadas por outros observatórios do mundo. A equipa monitorizou cuidadosamente 88 estrelas seleccionadas no enxame Messier 67, durante um período de seis anos, procurando os pequeníssimos movimentos das estrelas, que se aproximam ou afastam da Terra, e que revelam a presença de planetas na sua órbita.

Este enxame situa-se a cerca de 2500 anos-luz de distância na constelação do Caranguejo e contém aproximadamente 500 estrelas. Muitas das estrelas do enxame são mais ténues do que as que são normalmente alvo de buscas de exoplanetas, por isso tentar detectar o sinal muito fraco dos possíveis planetas levou o HARPS aos seus limites.

Foram descobertos três planetas, dois em órbita de estrelas semelhantes ao Sol e um em órbita de uma estrela gigante vermelha, mais evoluída e de maior massa. Os primeiros dois planetas têm ambos um terço da massa de Júpiter e orbitam as suas estrelas hospedeiras em sete e cinco dias, respectivamente. O terceiro planeta demora 122 dias a completar a sua órbita e possui mais massa que Júpiter.

Esta imagem de grande angular do céu em torno do enxame estelar aberto Messier 67 foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2. O enxame aparece-nos como um grupo de muitas estrelas no centro da imagem. Messier 67 contém estrelas que têm todas cerca da mesma idade e composição química do Sol.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2; reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O primeiro destes planetas mostrou estar em órbita de uma estrela extraordinária - uma das mais similares gémeas solares identificada até hoje, praticamente idêntica ao Sol. Esta é a primeira gémea solar situada num enxame onde se encontrou um planeta em sua órbita.

Dois dos três planetas são do tipo "Júpiter quente" - planetas comparáveis a Júpiter em termos de tamanho, mas muito mais próximo das suas estrelas progenitoras e consequentemente muito mais quentes. Os três planetas situam-se mais perto das suas estrelas do que a zona habitável, local onde pode existir água no estado líquido.

"Estes novos resultados mostram que os planetas nos enxames estelares abertos são tão comuns como em torno de estrelas isoladas - no entanto, não são fáceis de detectar," acrescenta Luca Pasquini (ESO, Garching, Alemanha), co-autor do novo artigo científico que descreve este trabalho. "Os novos resultados contrastam com trabalho anterior que não conseguiu detectar planetas em enxames, mas corrobora com algumas observações mais recentes. Vamos continuar a observar este enxame para descobrir como é que as estrelas, com e sem planetas, diferem em massa e composição química."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
SPACE.com
Astronomy
PHYSORG
Astrobiology web
redOrbit
e! Science News
UPI.com
Público
Porto canal

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

M67:
Wikipedia
SEDS.org

Observatório de La Silla:
ESO
Telescópio de 3,6 metros (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Duo robótico chinês acorda da sua primeira e fria noite, retomam operações científicas lunares (via Universe Today)
Os históricos robôs lunares da China - o "lander" Chang'e 3 e o rover Yutu - acordaram do sono forçado de sobrevivência durante a primeira e longa fria noite lunar. Ambos foram colocados novamente em modo científico pela agência espacial chinesa durante o fim-de-semana passado. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Gegenschein no Chile
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (Observatório Las CampanasInstituto Carnegie)
 
Será que o céu nocturno é mais escuro na direcção oposta à do Sol? Não. Na verdade, um brilho fraco e raramente perceptível conhecido como "gegenschein" (alemão para "contra-luz") pode ser visto a 180º do Sol sob um céu extremamente escuro. O gegenschein é luz solar reflectida por pequenas partículas de poeira interplanetária. Estas partículas de poeira são "lascas" de asteróides, com milímetros de tamanho e que orbitam no plano da eclíptica. Acima está uma das fotos mais espectaculares já obtidas do gegenschein, capturada o ano passado. Aqui, uma exposição profunda de um céu extremamente escuro sobre o Observatório Las Campanas no Chile mostra o gegenschein de forma tão clara que até é visível um brilho envolvente. Os notáveis objectos de fundo incluem a Galáxia de Andrómeda, o enxame das Plêiades, a Nebulosa Califórnia, a cintura de Orionte mesmo por baixo da Nebulosa de Orionte e dentro do Loop de Barnard, bem como as brilhantes estrelas Rigel e Betelgeuse. O gegenschein distingue-se da luz zodiacal, perto do Sol, pelo alto ângulo de reflexão. Durante o dia pode ser visto um fenómeno similar ao gegenschein com o nome "glória", reflectido no ar ou em nuvens na direcção oposta à do Sol, a partir do ponto de vista de um avião.
 

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