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Edição n.º 1405
25/08 a 28/08/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 25/08: 237.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1609, Galileu Galilei demonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que fornecem, à data, as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de JúpiterEuropa.

No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar
Observações: Olhe baixo para oeste, ao crepúsculo, em busca da Lua Crescente. Forma um triângulo com Júpiter e Espiga para baixo.

Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.

Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final. 
Observações: A Lua Crescente, cada vez mais espessa, aponta o seu lado redondo para baixo em direção a Júpiter, baixo ao lusco-fusco.
Mercúrio em conjunção inferior, pelas 21:39.

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 de Cabo Canaveral com destino a Vénus, onde chegou 15 semanas depois.

A 14 de dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34.773 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1985, lançamento da missão STS-51-I
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga que o Sol e que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação da Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.
Observações: Ao amanhecer, olhe para este e aviste aí o brilhante ponto, ponto este que é o planeta Vénus.

Dia 28/08: 240.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 Herschel descobria a lua de SaturnoEncélado.

Em 1859, uma tempestade geomagnética provoca auroras boreais tão fortes que puderam ser claramente observadas em partes dos EUA, Europa e até Japão.
Em 1993, "flyby" da sonda Galileu por Ida e Dactyl.
Observações: No ombro este de Ofíuco estão vários objetos binoculares interessantes, incluindo o enxame aberto IC 4665 e o evocativo asterismo de Taurus Poniatovii.

 
CURIOSIDADES


Sabia que além do Google Earth, também existe o Google Sky, o Google Moon e o Google Mars?

 
TELESCÓPIO WEBB IRÁ ESTUDAR OS "MUNDOS OCEÂNICOS" DO SISTEMA SOLAR

O Telescópio Espacial James Webb da NASA vai usar as suas capacidades infravermelhas para estudar os "mundos oceânicos" da lua de Júpiter, Europa, e da lua de Saturno, Encélado, somando às observações feitas pelos orbitadores Galileo e Cassini. As observações do Webb também podem ajudar a orientar futuras missões às luas geladas.

Possíveis resultados espectroscópicos de uma das plumas de água de Europa. Este é apenas um exemplo dos dados que o Webb poderá fornecer.
Crédito: NASA-GSFC/SVS, Telescópio Espacial Hubble, Stefanie Milam, Geronimo Villanueva
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Europa e Encélado estão na lista dos alvos escolhidos por observadores de tempo garantido, isto é, cientistas que ajudaram ao desenvolvimento do telescópio e, portanto, estão entre os primeiros a usá-lo para observar o Universo. Um dos objetivos científicos do telescópio é estudar planetas que possam ajudar a esclarecer as origens da vida, mas isto não significa apenas exoplanetas; o Webb também ajudará a desvendar os mistérios ainda detidos por objetos no nosso próprio Sistema Solar (de Marte para fora).

Geronimo Villanueva, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA Greenbelt, no estado norte-americano da Maryland, é o cientista principal das observações de Europa e Encélado pelo Webb. A sua equipa faz parte de um esforço maior para estudar o nosso Sistema Solar com o telescópio, liderado pela astrónoma Heidi Hammel, vice-presidente executiva da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy). A NASA selecionou Hammel como cientista interdisciplinar do Webb em 2002.

De particular interesse para os cientistas são as plumas de água que "rompem" as superfícies de Encélado e Europa, e que contêm uma mistura de vapor de água e substâncias orgânicas simples. As missões Cassini-Huygens e Galileo da NASA, e o Telescópio Espacial Hubble, já reuniram evidências de que estes jatos são o resultado de processos geológicos que aquecem grandes oceanos subterrâneos. "Nós escolhemos estas duas luas devido ao seu potencial para exibir assinaturas químicas de interesse astrobiológico," explica Hammel.

Villanueva e a sua equipa planeiam usar a câmara NIRCam (near-infrared camera) do Webb para captar imagens de alta resolução de Europa, que usarão para estudar a sua superfície e para pesquisar regiões quentes à superfície indicadoras de atividade de plumas e processos geológicos ativos. Assim que localizem uma pluma, passam a usar o NIRSpec (near-infrared spectrograph) e o MIRI (mid-infrared instrument) para analisar espectroscopicamente a composição da pluma.

As observações do Telescópio Espacial James Webb serão particularmente importantes para as plumas de Europa, cuja composição permanece em grande parte um mistério. "Será que são feitas de água gelada? Será que existe libertação de vapor de água? Qual é a temperatura das regiões ativas e a da água emitida?" pergunta Villanueva. "As medições do Webb vão permitir abordar essas questões com uma precisão sem precedentes."

Impressão de artista do interior "cortado" da crosta de Encélado, que mostra que a atividade hidrotermal pode ser a causa das plumas de água à superfície da lua.
Crédito: NASA-GSFC/SVS, NASA/JPL-Caltech/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para Encélado, Villanueva explicou que tendo em conta que essa lua é quase 10 vezes mais pequena que Europa, a partir do ponto de vista do Webb, não será possível captar imagens de alta resolução da sua superfície. No entanto, o telescópio ainda poderá analisar a composição molecular das plumas de Encélado e realizar uma ampla análise das suas características. A maior parte do terreno da lua já foi mapeado pela sonda Cassini, que passou cerca de 13 anos a estudar Saturno e os seus satélites.

Villanueva advertiu que, enquanto ele e a sua equipa planeiam usar o NIRSpec para procurar assinaturas orgânicas (como metano, metanol e etano) nas plumas de ambas as luas, não há garantia que consigam apanhar estas emissões intermitentes "no ato", nem que as emissões tenham uma composição orgânica significativa. "Nós só esperamos deteções se as plumas estiverem particularmente ativas e se forem ricas em materiais orgânicos," realça Villanueva.

A evidência de vida nas plumas poderá ser ainda mais evasiva. Villanueva explicou que embora o desequilíbrio químico nas plumas (uma abundância ou escassez inesperada de certos produtos químicos) possa ser um sinal dos processos naturais da vida microbiana, também pode ser provocado por processos geológicos naturais.

Embora o Telescópio Espacial James Webb possa não ser capaz de responder, concretamente, à pergunta se os oceanos subterrâneos das luas contêm vida, Villanueva disse que será capaz de melhor caracterizar as regiões ativas das luas que possam merecer estudos mais aprofundados. As missões futuras, como a Europa Clipper da NASA, cujo principal objetivo é determinar se Europa é habitável, vão poder usar os dados do Webb para escolher locais privilegiados para observação.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
Astrobiology Magazine

Europa:
NASA
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Galileo:
NASA
Wikipedia

Europa Clipper:
NASA
Wikipedia

 
A MELHOR IMAGEM DE SEMPRE DA SUPERFÍCIE E ATMOSFERA DE UMA ESTRELA
Com o auxílio do Interferómetro do Very Large Telescope do ESO, os astrónomos construíram esta imagem notável da superfície da estrela supergigante vermelha Antares. Trata-se da imagem mais detalhada de sempre desde objeto, ou de qualquer outra estrela que não o Sol.
Crédito: ESO/K. Ohnaka
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do Interferómetro do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos construíram a imagem mais detalhada de sempre de uma estrela — a estrela supergigante vermelha Antares. Os astrónomos criaram também o primeiro mapa de velocidades do material na atmosfera da estrela — pela primeira vez para uma estrela diferente do Sol — revelando turbulência inesperada na enorme atmosfera extensa de Antares. Os resultados foram publicados na revista Nature.

A olho nu, a famosa estrela brilhante Antares resplandece num tom vermelho forte, situada no coração da constelação do Escorpião. Trata-se de uma estrela supergigante vermelha enorme e relativamente fria nos estágios finais da sua vida, a caminho de se tornar uma supernova.

Uma equipa de astrónomos liderada por Keiichi Ohnaka da Universidade Católica del Norte, no Chile, usou o Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI) do ESO, situado no Observatório do Paranal, no Chile, para mapear a superfície de Antares e medir os movimentos do material da superfície. Trata-se da melhor imagem de sempre da superfície e atmosfera de uma estrela diferente do Sol.

O VLTI é uma infraestrutura única que combina a luz recolhida por até 4 telescópios, sejam os Telescópios Principais de 8,2 metros, sejam os mais pequenos Telescópios Auxiliares, para formar um telescópio virtual equivalente a um único espelho de 200 metros de diâmetro. Este método permite resolver pequenos detalhes muito para além do que seria possível com apenas um telescópio individual.

Esta imagem artística mostra a estrela supergigante vermelha Antares na constelação do Escorpião. Com o auxílio do Interferómetro do Very Large Telescope do ESO, os astrónomos construíram a imagem mais detalhada de sempre desta estrela — ou de qualquer outra diferente do Sol. Com os mesmos dados, os astrónomos criaram também o primeiro mapa de velocidades do material na atmosfera de uma estrela que não o Sol.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Como é que estrelas como Antares perdem massa tão depressa na fase final da sua evolução é um dos problemas com que nos deparamos há mais de meio século," disse Keiichi Ohnaka, que é também o autor principal do artigo científico que descreve estes resultados. "O VLTI é a única infraestrutura que nos permite medir diretamente os movimentos do gás na atmosfera extensa de Antares — um passo crucial na resolução deste problema. O desafio seguinte consiste em identificar o fenómeno que dá origem aos movimentos turbulentos observados."

Usando os novos resultados, a equipa criou o primeiro mapa de velocidades a duas dimensões da atmosfera de uma estrela que não o nosso Sol. Para isso, os investigadores utilizaram o VLTI com três dos Telescópios Auxiliares e um instrumento chamado AMBER para fazer imagens da superfície de Antares num pequeno intervalo de comprimentos de onda infravermelhos. A equipa usou seguidamente estes dados para calcular a diferença entre a velocidade do gás atmosférico em posições diferentes na estrela e a velocidade média de toda a estrela, o que deu origem a um mapa da velocidade relativa do gás atmosférico ao longo de todo o disco de Antares — algo pioneiro para uma estrela que não o Sol.

Com o auxílio do Interferómetro do Very Large Telescope do ESO, os astrónomos construíram este mapa dos movimentos do material existente na superfície da estrela supergigante vermelha Antares. Trata-se do primeiro mapa de velocidades para uma estrela diferente do Sol. Nas regiões vermelhas o material afasta-se de nós e nas regiões azuis o material aproxima-se. A região vazia em torno da estrela não é uma estrutura real, mostrando apenas locais onde não foi possível medir as velocidades.
Crédito: ESO/K. Ohnaka
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos descobriram gás turbulento de baixa densidade muito mais longe da estrela do que o previsto e concluíram que este movimento não deve resultar da convecção (processo pelo qual material frio desce e material quente sobe num movimento circular. Este processo ocorre na Terra nas correntes atmosféricas e oceânicas, mas também faz deslocar gás nos interiores estelares), ou seja, de deslocações de larga escala da matéria, responsáveis pela transferência de energia desde o núcleo até à atmosfera exterior de muitas estrelas. Os investigadores concluíram que um novo processo, atualmente desconhecido, pode ser necessário para explicar estes movimentos nas atmosferas extensas de supergigantes vermelhas como Antares.

"No futuro, esta técnica observacional pode ser aplicada a diferentes tipos de estrelas para estudar as suas superfícies e atmosferas com um detalhe sem precedentes. Até agora este tipo de estudo limitava-se apenas ao Sol," conclui Ohnaka. "O nosso trabalho traz à astrofísica estelar uma nova dimensão e abre uma janela totalmente nova à observação das estrelas."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
SPACE.com
spaceref

Antares:
Simbad
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  O móvel choque em arco de Marte (via ESA)
À medida que as partículas energéticas do vento solar viajam através do espaço interplanetário, o seu movimento é modificado por objetos no seu caminho. Um novo estudo, baseado em dados do orbitador Mars Express da ESA, lança nova luz sobre uma interação surpreendente entre o planeta Marte e as partículas supersónicas no vento solar. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Águia e o Cisne
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Josep Drudis
 
A Nebulosa da Águia e a Nebulosa do Cine abrangem esta ampla paisagem estelar, uma vista telescópica na direção do braço espiral de Sagitário e do centro da nossa Galáxia, a Via Láctea. A Águia, também conhecida como M16, está no topo e M17, o Cisne, na parte inferior da imagem que mostra nuvens cósmicas como regiões mais brilhantes de formação estelar ativa. Encontram-se ao longo do braço espiral coberto com uma característica emissão avermelhada do hidrogénio atómico gasoso e nebulosas de poeira escura. M17, também chamada Nebulosa Omega, situa-se a mais ou menos 5500 anos-luz de distância, enquanto M16 está a aproximadamente 6500 anos-luz. Os centros de ambas as nebulosas são locais de ampliações bem conhecidas da formação estelar pelo Telescópio Espacial Hubble. Neste mosaico que se estende por cerca de 3 graus no céu, os dados de imagem de banda estreita foram usados para melhorar as regiões centrais da Águia e do Cisne. As asas estendidas da Nebulosa da Águia abrangem quase 120 anos-luz. O Cisne mede mais de 30 anos-luz.
 

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