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Edição n.º 1488
12/06 a 14/06/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações: A Ursa Maior situa-se alta a noroeste assim que as estrelas ficam visíveis. As Guias da Ursa Maior, atualmente as estrelas mais baixas do asterismo da "frigideira", apontam para baixo e para a direita para a Polar.
Por cima da Estrela Polar, muito idêntica, está Kochab, a extremidade da "frigideira" da Ursa Menor. Kochab situa-se precisamente para cima da Polar ao anoitecer ou um pouco mais tarde. Quão precisamente consegue cronometrar este evento? Quão depressa consegue discernir uma mudança, talvez usando como guia um poste ou a aresta de um prédio?

Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
Observações: Lua Nova, pelas 20:43.
A brilhante e amarelada Arcturo, de magnitude 0, brilha bem alto a sudoeste por estas noites, para cima e para a direita de Júpiter. A forma de papagaio-de-papel de Boieiro estende-se para cima de Arcturo. O papagaio-de-papel é estreito, ligeiramente torto e mede 23º de altura: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Para este (esquerda) de Boieiro está Coroa Boreal.

Dia 14/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency). 
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.

Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana. 
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 01:14 e as 03:41.
Já consegue ver Mercúrio depois do pôr-do-Sol? Use Vénus e a Lua como guias. É uma observação bastante difícil.

 
CURIOSIDADES

A estrela tipo-Sol mais próxima é Tau Ceti, a menos de 12 anos-luz de distância. Tem apenas 78% da massa do Sol. Os astrónomos têm evidências da possível existência de quatro planetas em órbita, dois deles na zona habitável.
 
CHANDRA EXPLORA SISTEMA ESTELAR MAIS PRÓXIMO EM BUSCA DE POSSÍVEIS PERIGOS

Na busca da Humanidade por vida para lá do nosso Sistema Solar, um dos melhores lugares considerados pelos cientistas é Alpha Centauri, um sistema que contém as três estrelas mais próximas do Sol.

Um novo estudo que envolveu a monitorização de Alpha Centauri por mais de uma década pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA fornece notícias encorajadoras sobre um aspeto chave da habitabilidade planetária. O estudo indica que quaisquer planetas em órbita das duas estrelas mais brilhantes no sistema Alpha Cen provavelmente não serão atingidos por grandes quantidades de raios-X das suas estrelas hospedeiras. Os raios-X e os efeitos do "clima espacial" são nocivos para a vida desprotegida, diretamente através de doses elevadas de radiação e indiretamente através da remoção de atmosferas planetárias (um destino que se pensa ter acontecido em Marte).

Alpha Centauri é um sistema triplo localizado a pouco mais de 4,3 anos-luz, ou cerca de 4,1 biliões de quilómetros da Terra. Embora esta seja uma grande distância em termos terrestres, o sistema está muito mais perto do que a mais próxima estrela do tipo solar.

"Por estar relativamente perto, o sistema Alpha Centauri é visto por muitos como o melhor candidato a explorar em busca de sinais de vida," realça Tom Ayres, da Universidade do Colorado em Boulder. "A questão é, vamos encontrar planetas num ambiente propício à vida como a conhecemos?"

As estrelas no sistema Alpha Centauri incluem um par chamado "A" e "B" (abreviação AB) que orbitam relativamente perto uma da outra. Alpha Cen A é um gémeo semelhante ao nosso Sol em quase todos os sentidos, incluindo a idade, enquanto Alpha Cen B é um pouco menor e mais fraca, mas ainda bastante parecida com o Sol. O terceiro membro, Alpha Cen C (também conhecida como Proxima), é uma estrela anã vermelha muito mais pequena que viaja em redor do par AB numa órbita muito maior que a leva mais de mil vezes mais longe do par AB do que a distância Terra-Sol. Proxima atualmente detém o título de estrela mais próxima da Terra, embora AB esteja em segundo lugar.

Um novo estudo que envolve a monitorização a longo prazo de Alpha Centauri pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA indica que quaisquer planetas em órbita das duas estrelas mais brilhantes não são provavelmente atingidos por grandes quantidades de raios-X. Isto é importante para a viabilidade da vida no sistema estelar mais próximo do Sistema Solar. A imagem no canto superior esquerdo foi obtida pelo Chandra no dia 2 de maio de 2017, vista em contexto com uma imagem ótica de campo largo obtida no solo. Alpha Centauri é um sistema estelar triplo localizado a pouco mais de 4 anos-luz da Terra.
Crédito: ótico - Zdenek Bardon; raios-X - NASA/CXC/Universidade do Colorado/T. Ayres et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados do Chandra revelam que as perspetivas de vida em termos de bombardeamento atual de raios-X são na verdade melhores em torno de Alpha Cen A do que em torno do Sol, e Alpha Cen B é apenas ligeiramente pior. Proxima, por outro lado, é um tipo de estrela anã vermelha ativa conhecida por libertar perigosas explosões de raios-X e provavelmente hostil à vida.

"Esta é uma notícia muito boa para Alpha Cen AB em termos da capacidade da vida (em qualquer um dos seus planetas) em sobreviver aos ataques de radiação das estrelas," comenta Ayres. "O Chandra mostra-nos que a vida deverá ter uma chance de luta nos planetas em torno de qualquer uma destas estrelas."

Apesar de já ter sido descoberto um planeta do tamanho da Terra em torno de Proxima, os astrónomos continuam à procura, sem sucesso, de exoplanetas em torno de Alpha Cen A e B. A caça exoplanetária em redor destas estrelas provou recentemente ser mais difícil devido à órbita do par, que aproximou as duas estrelas brilhantes uma da outra no céu na última década.

Para ajudar a determinar se as estrelas de Alpha Cen são hospitaleiras à vida, os astrónomos realizaram uma campanha de longo prazo na qual o Chandra observa as duas principais estrelas do sistema a cada seis meses desde 2005. O Chandra é o único observatório de raios-X capaz de resolver AB durante a sua atual aproximação orbital, a fim de determinar o que cada estrela está a fazer.

Estas medições a longo prazo capturaram os altos e baixos da atividade de raios-X de AB, análoga ao ciclo de 11 anos das manchas solares do Sol. Mostram que quaisquer planetas na zona habitável da estrela A receberiam uma dose mais pequena de raios-X, em média, do que planetas semelhantes em torno do Sol. Para a companheira B, a dose de raios-X para planetas na zona habitável é maior do que a do Sol, mas só por um fator de aproximadamente 5.

Em comparação, os planetas na zona habitável em torno de Proxima recebem uma dose média de raios-X cerca de 500 vezes maior que a da Terra e 50.000 vezes maior durante uma grande erupção estelar.

Além de iluminar a possível habitabilidade dos planetas de Alpha Cen, a história de raios-X do par AB, pelo Chandra, ajuda às explorações teóricas da atividade cíclica de raios-X do nosso Sol. A sua compreensão é fundamental para os perigos cósmicos como o Clima Espacial, que podem impactar a tecnologia da nossa civilização cá na Terra.

Tom Ayres apresentou estes resultados na 232.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Denver, no estado norte-americano do Colorado, e alguns dos resultados foram publicados na edição de janeiro de 2018 da revista científica Research Notes of the American Astronomical Society.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Research Notes of the American Astronomical Society)
Astronomy
Universe Today
Astronomy Now
PHYSORG
astrobiology web
Newsweek

Alpha Centauri:
Wikipedia

Proxima Centauri:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
MAIS OBJETOS MISTERIOSOS DETETADOS PERTO DO BURACO NEGRO SUPERMASSIVO DA VIA LÁCTEA

Os astrónomos descobriram vários objetos bizarros no Centro Galáctico que estão a esconder a sua verdadeira identidade por trás de uma cortina de poeira; parecem-se com nuvens de gás, mas comportam-se como estrelas.

Na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Denver, uma equipa de investigadores liderada por Anna Ciurlo, da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), anunciou os resultados que obtiveram usando 12 anos de dados obtidos pelo Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii.

"Estes objetos estelares empoeirados e compactos movem-se extremamente rápido e perto do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia. É fascinante vê-los a movimentarem-se ano após ano," comenta Ciurlo. "Como é que lá chegaram? No que se irão tornar? Devem ter uma história interessante para contar."

Os investigadores fizeram a sua descoberta obtendo medições espectroscópicas da dinâmica do gás do Centro Galáctico usando o instrumento OSIRIS (OH-Suppressing Infrared Imaging Spectrograph) do Observatório Keck.

Este cubo de dados espectrais tridimensionais foi produzido usando um software chamado OsrsVol (OSIRIS-Volume Display). Randy Campbell, líder de operações científicas do Observatório W. M. Keck, desenvolveu esta ferramenta de renderização personalizada de volume para separar G3, G4 e G5 da emissão de fundo. Assim que a análise 3D foi realizada, a equipa pôde distinguir claramente os objetos-G, o que lhes permitiu seguir o seu movimento e ver como se comportam em torno do buraco negro supermassivo.
Crédito: Observatório W. M. Keck
 

"Começámos este projeto pensando que se olhássemos cuidadosamente para a complicada estrutura de gás e poeira perto do buraco negro supermassivo, poderíamos detetar algumas mudanças subtis na forma e velocidade," explica Randy Campbell, chefe de operações científicas do Observatório Keck. "Foi bastante surpreendente detetar vários objetos que possuem movimentos e características muito distintas que os colocam na classe de objetos-G, ou objetos estelares empoeirados."

Os astrónomos descobriram objetos-G pela primeira vez perto do monstruoso buraco negro da Via Láctea há mais de uma década; G1 foi visto pela primeira vez em 2004 e G2 foi descoberto em 2012. Pensava-se que ambos os objetos eram nuvens de gás até que fizeram a sua maior aproximação do buraco negro supermassivo. G1 e G2, de alguma forma, conseguiram sobreviver à atração gravitacional do buraco negro, o que pode destruir as nuvens de gás.

"Se fossem nuvens de gás, G1 e G2 não teriam conseguido permanecer intactos," comenta Mark Morris, professor de astronomia da UCLA, coinvestigador principal e membro da GCOI (Galactic Center Orbits Initiative) da UCLA. "Nós pensamos que os objetos-G são estrelas inchadas - estrelas que se tornaram tão grandes que as forças de maré exercidas pelo buraco negro central podem puxar a matéria das suas atmosferas estelares quando as estrelas se aproximam o suficiente, mas têm um núcleo estelar com massa suficiente para permanecerem intactas. A questão é, então, porque é que são tão grandes?"

Parece que muita energia foi "despejada" nos objetos-G, fazendo com que inchassem e crescessem mais do que as estrelas típicas.

A GCOI pensa que estes objetos-G são o resultado de fusões estelares - onde duas estrelas que se orbitam uma à outra colidem devido à influência gravitacional do buraco negro gigante. Durante um longo período de tempo, a influência gravitacional do buraco negro altera as órbitas das estrelas binárias até que o par colide. O objeto combinado que resulta desta violenta fusão poderia explicar de onde veio este excesso de energia.

"No rescaldo de tal fusão, o objeto resultante estaria 'inchado' por um período de tempo bastante longo, talvez um milhão de anos, antes de se acalmar e parecer uma estrela de tamanho normal," realça Morris.

"Isto é o que acho mais emocionante," afirma Andrea Ghez, fundadora e diretora da GCOI. "Se estes objetos são, de facto, sistemas estelares duplos que se fundiram através da sua interação com o buraco negro supermassivo central, isso pode fornecer informações sobre um processo que pode ser responsável pelas recém-descobertas fusões de buracos negros de massa estelar detetadas através de ondas gravitacionais."

A GCOI (Galactic Center Orbits Initiative) tem sede na UCLA, com membros adicionais do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, do Observatório W. M. Keck e do TMT (Thirty Meter Telescope). Na imagem estão membros da GCOI em frente do Observatório keck em Maunakea, Hawaii, durante uma visita o ano passado.
Crédito: Observatório W. M. Keck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O que torna os objetos-G invulgares é o seu "inchaço". É raro uma estrela estar encoberta por uma camada de poeira e gás tão espessa que os astrónomos não conseguem ver a estrela diretamente. Só observam o invólucro brilhante de poeira. Para ver os objetos através do seu ambiente nebuloso, Campbell desenvolveu uma ferramenta chamada OsrsVol (OSIRIS-Volume Display).

"O OsrsVol permitiu-nos isolar estes objetos-G da emissão de fundo e analisar os dados espectrais em três dimensões: duas dimensões espaciais e a dimensão do comprimento de onda que fornece informações de velocidade," explica Campbell. "Assim que fomos capazes de distinguir os objetos num cubo de dados 3D, pudemos rastrear o seu movimento ao longo do tempo em relação ao buraco negro."

"O Observatório Keck observa o Centro Galáctico todos os anos, há já duas décadas, com alguns dos melhores instrumentos e tecnologias," afirma Ciurlo. "Só isso dá-nos um conjunto de dados com uma qualidade muito alta e consistente, o que nos permitiu aprofundar a análise dos dados."

Estas recém-descobertas fontes infravermelhas podem, potencialmente, ser objetos-G - G3, G4 e G5 - porque partilham as mesmas características físicas que G1 e G2.

A equipa vai continuar a seguir o tamanho e forma das órbitas dos objetos-G, o que poderá fornecer pistas importantes sobre a sua formação.

Os astrónomos estarão especialmente atentos quando esses objetos estelares compactos e empoeirados fizerem a sua maior aproximação ao buraco negro supermassivo. Isso permitirá com que observem ainda melhor o seu comportamento e verificarem se os objetos permanecem intactos como G1 e G2, ou se se tornam num lanche para o buraco negro supermassivo. Só então podem revelar sua verdadeira natureza.

"Teremos que esperar algumas décadas para que isto aconteça; cerca de 20 anos para G3 e décadas mais para G4 e G5," realça Morris. "Entretanto, podemos aprender mais sobre estas bolas inchadas, seguindo a sua evolução dinâmica com o OSIRIS."

"A compreensão dos objetos-G pode ensinar-nos muito sobre o ambiente fascinante e ainda misterioso do Centro Galáctico. Existem tantas coisas a acontecer que todos os processos localizados podem ajudar-nos a explicar como é que este ambiente extremo e exótico funciona," conclui Ciurlo.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica da Andaluzia (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
Universe Today
EarthSky
PHYSORG
Newsweek
Forbes
Gizmodo
ZAP.aeiou

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
COMO "PESAMOS" UMA GALÁXIA? ESPECIALMENTE A VIA LÁCTEA?
A maior vizinha da nossa Via Láctea, a Galáxia de Andrómeda, mede cerca de 220.000 anos-luz em diâmetro. Duas as suas galáxias satélite, M110 (em baixo à esquerda) e M32 (acima do bojo central de Andrómeda) são visíveis como duas manchas brilhantes e esbranquiçadas nesta imagem obtida pelo astrofotógrafo Adam Block.
Crédito: Adam Block
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com uma equipa de investigação liderada por Ekta Patel, da Universidade do Arizona, uma nova técnica para estimar a massa de galáxias promete resultados mais confiáveis, especialmente quando aplicada a grandes conjuntos de dados gerados por levantamentos atuais e futuros. Publicado na revista científica The Astrophysical Journal, o estudo é o primeiro a combinar os movimentos tridimensionais observados de várias galáxias satélites da Via Láctea com extensas simulações computacionais para obter uma estimativa de alta precisão da massa da nossa Galáxia.

A determinação da massa das galáxias desempenha um papel crucial em desvendar mistérios fundamentais sobre a arquitetura do Universo. Segundo os modelos cosmológicos atuais, a matéria visível de uma galáxia, como estrelas, gás e poeira, representa apenas 15% da sua massa. Pensa-se que os restantes 85% sejam matéria escura, um componente misterioso que nunca foi observado e cujas propriedades físicas permanecem largamente desconhecidas. A grande maioria da massa de uma galáxia (principalmente matéria escura) está localizada no seu halo, uma vasta região circundante que contém poucas, se algumas, estrelas e cuja forma é amplamente desconhecida.

Num modelo cosmológico amplamente aceite, os filamentos de matéria escura abrangem todo o Universo, atraindo matéria luminosa ("normal") com eles. Onde se cruzam, o gás e a poeira acumulam-se e coalescem em galáxias. Ao longo de milhares de milhões de anos, galáxias pequenas fundem-se para formar outras maiores, e à medida que crescem em tamanho a sua força gravitacional chega cada vez mais longe no espaço, atraem outras inúmeras galáxias pequenas, galáxias estas que se tornam satélites. As suas órbitas são determinadas pelas galáxias hospedeiras, assim como a atração gravitacional do Sol direciona o movimento dos planetas e corpos no Sistema Solar.

"Sabemos que o Universo está a expandir-se," diz Patel, estudante do 4.º ano do Departamento de Astronomia da Universidade do Arizona e do Observatório Steward. "Mas quando duas galáxias chegam perto o suficiente uma da outra, a sua atração mútua é maior do que a influência do Universo em expansão e começam a orbitar-se uma à outra em torno de um centro comum, como a nossa Via Láctea e a nossa vizinha mais próxima, a Galáxia de Andrómeda."

Impressão de artista do que acontece à medida que uma galáxia satélite se funde com a galáxia principal. Estas correntes estelares que arqueiam bem acima da Via Láctea são remanescentes de galáxias e enxames estelares, despedaçadas e dilaceradas pelos stresses gravitacionais da nossa Galáxia ao longo de milhares de milhões de anos. Prolongando-se por grande parte do céu a norte, as correntes estão situadas a 13.000-130.000 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt/SSC/Caltech
 

Embora Andrómeda esteja a aproximar-se da Via Láctea a 110 km/s, as duas só se vão fundir daqui a mais ou menos 4,5 mil milhões de anos. De acordo com Patel, o rastreamento do movimento de Andrómeda é "equivalente a ver o crescimento de um cabelo humano à distância da Lua."

Dado que é impossível "pesar" uma galáxia simplesmente olhando para ela - muito menos quando o observador está lá dentro, como é o caso da nossa Via Láctea - os investigadores deduzem a massa de uma galáxia estudando os movimentos de objetos celestes enquanto dançam em redor da galáxia hospedeira, liderados pela sua atração gravitacional. Tais objetos podem ser galáxias satélite ou correntes estelares criadas a partir da dispersão de galáxias antigas que chegaram demasiado perto da maior para permanecerem intactas.

Ao contrário de métodos anteriores normalmente usados para estimar a massa de uma galáxia, como a medição das velocidades e posições destes objetos, a abordagem desenvolvida por Patel e coautores usa o seu momento angular, que produz resultados mais confiáveis porque não muda com o tempo. O momento angular de um corpo no espaço depende tanto da sua distância como da velocidade. Dado que as galáxias satélites tendem a mover-se em redor da Via Láctea em órbitas elípticas, as suas velocidades aumentam à medida que se aproximam e diminuem à medida que se afastam. Como o momento angular é o produto tanto da posição como da velocidade, não há nenhuma mudança independentemente dos satélites estarem nas suas posições mais próximas ou mais distantes da suas órbitas.

"Pense numa patinadora a fazer uma pirueta," explica Patel. "À medida que aproxima os braços do corpo, gira mais depressa. Por outras palavras, a sua velocidade muda, mas o seu momento angular permanece o mesmo durante todo o movimento."

O Grupo Local de galáxias inclui a Galáxia de Andrómeda, a cerca de 2,5 milhões de anos-luz da Terra, e um pequeno número de galáxias satélite\s que rodeiam a Via Láctea, algumas das quais foram usadas na investigação aqui descrita. Apenas uma fração das galáxias satélites conhecidas, tanto em torno da Via Láctea como em torno de Andrómeda, são aqui mostradas.
Crédito: Wikimedia Commons
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo, apresentado por Patel na passada quinta-feira, dia 7 de junho, na 232.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Denver, é o primeiro a examinar os movimentos tridimensionais de nove das 50 galáxias satélite conhecidas da Via Láctea e a comparar o seu momento angular a um Universo simulado com um total de 20.000 galáxias hospedeiras que se assemelham à nossa Galáxia. Juntas, essas galáxias simuladas hospedam cerca de 90.000 galáxias satélites.

A equipa de Patel chegou a uma massa para a Via Láctea de 0,96 biliões de massas solares. As estimativas anteriores colocavam a massa da Via Láctea entre 700 mil milhões e 2 biliões de massas solares. Os resultados também reforçam estimativas que sugerem que a Galáxia de Andrómeda (M31) é mais massiva do que a nossa Via Láctea.

Os autores esperam aplicar o seu método aos dados sempre crescentes à medida que ficam disponíveis graças a levantamentos galácticos atuais e futuros, como por exemplo o do observatório espacial Gaia e do LSST (Large Synoptic Survey Telescope). Segundo a coautora Gurtina Besla, professora assistente de astronomia na Universidade do Arizona, as restrições à massa da Via Láctea vão melhorar à medida que são obtidas novas observações que registam a velocidade de mais galáxias satélites e à medida que simulações da próxima geração fornecem resoluções mais altas, permitindo com que os cientistas obtenham estatísticas mais fiáveis para os satélites mais pequenos, as chamadas galáxias ultra-fracas.

"O nosso método permite-nos aproveitar as medições da velocidade de múltiplas galáxias satélites simultaneamente a fim de obter uma resposta para o que a teoria da matéria escura preveria de maneira robusta para a massa do halo da Via Láctea," acrescenta Besla. "É perfeitamente adequado para aproveitar o rápido crescimento atual dos conjuntos de dados observacionais atuais e dos recursos numéricos."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
As galáxias satélites da Via Láctea (Universidade do Arizona via YouTube)
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
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Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
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LSST:
Página oficial
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INVESTIGADORES DESCOBREM SISTEMA COM TRÊS PLANETAS DO TAMANHO DA TERRA

O IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) e a Universidade de Oviedo divulgaram a semana passada a descoberta de dois novos sistemas planetários. Um deles hospeda três planetas com o mesmo tamanho que a Terra.

As informações sobre estes novos exoplanetas foram obtidas a partir dos dados recolhidos pela missão K2 do satélite Kepler da NASA, que teve início em novembro de 2013. O trabalho, que será publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revela a existência de dois novos sistemas planetários detetados a partir dos eclipses que produzem na luz estelar das suas respetivas estrelas. Na equipa de investigação liderada por Javier de Cos da Universidade de Oviedo e Rafael Rebolo do IAC, participam, juntamente com investigadores destes dois centros, outros da Universidade de Genebra e do GTC (Gran Telescopio Canarias).

Impressão de artista de um sistema planetário com três exoplanetas rochosos do tamanho da Terra.
Crédito: Gabriel Pérez Díaz, SMM (Instituto de Astrofísica das Canárias)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O primeiro sistema exoplanetário está localizado em redor da estrela K2-239, caracterizada pelos cientistas como uma anã vermelha do tipo M3V a partir de observações feitas com o GTC, no Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma). Está situada na direção da constelação do Sextante a 50 parsecs (cerca de 160 anos-luz) do Sol. Tem um sistema compacto de pelo menos três planetas rochosos de tamanho semelhante à Terra (1,1, 1,0 e 1,1 raios terrestres) que orbitam a estrela a cada 5,2, 7,8 e 10,1 dias, respetivamente.

A outra estrela anã vermelha chamada K2-240 tem duas super-Terras com aproximadamente o dobro do tamanho do nosso planeta. A temperatura atmosférica das anãs vermelhas, em torno das quais estes planetas orbitam, é de 3450 e 3800 K, respetivamente, quase metade da temperatura do Sol. Os investigadores estimam que todos os planetas descobertos têm temperaturas superficiais dezenas de graus acima da temperatura da Terra devido à forte radiação que recebem nestas órbitas próximas em torno das suas estrelas.

As futuras campanhas de observação com o JWST (James Webb Space Telescope) vão caracterizar a composição das atmosferas dos planetas descobertos. As observações espectroscópicas com o instrumento ESPRESSO, instalado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, ou com espectrógrafos futuros no GTC ou em novas instalações astronómicas com o ELT (Extremely Large Telescope) ou o TMT (Thirty Meter Telescope), serão cruciais para determinar as massas, densidades e propriedades físicas destes planetas.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
ScienceDaily
PHYSORG

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

GTC (Gran Telescopio Canarias):
Página principal
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

TMT (Thirty Meter Telescope):
Pagina oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Fermi celebra 10 anos de descobertas (via NASA)
No dia 11 de junho, o Telescópio Espacial de raios-Gama Fermi da NASA celebrou uma década de raios-gama, a forma mais energética de luz no cosmos, para estudar buracos negros, estrelas de neutrões e outros objetos e eventos cósmicos extremos. Ler fonte
     
  Fusões galácticas tumultuosas são melhores a "acender" buracos negros(via Universidade do Colorado em Boulder)
O que é necessário para "acender" um buraco negro supermassivo? Um novo estudo explorou essa questão e descobriu que as colisões violentas podem ser mais eficazes na ativação dos buracos negros do que em fusões mais pacíficas. Ler fonte
     
  Juno resolve mistério de 39 anos dos relâmpagos de Júpiter (via NASA)
Desde que a Voyager 1 da NASA passou por Júpiter em março de 1979 que os cientistas se perguntavam acerca da origem dos relâmpagos de Júpiter. Esse encontro confirmou a existência de relâmpagos jovianos, teorizados há séculos. Mas quando o explorador venerado por lá passou, os dados mostraram que os sinais de rádio associados com relâmpagos não coincidiam com os detalhes dos sinais de rádio produzidos por relâmpagos cá na Terra. Cientistas da missão Juno descrevem os modos pelos quais os relâmpagos em Júpiter são análogos aos da Terra. Apesar disso, em certos aspetos, os dois tipos de relâmpagos são completamente opostos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa do Olho de Gato pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHEICEquipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA)
 
Para alguns, pode parecer o olho de um gato. A fascinante Nebulosa do Olho de Gato, no entanto, fica a três mil anos-luz da Terra, através do espaço interestelar. Uma nebulosa planetária clássica, o Olho de Gato (NGC 6543) representa uma fase final, breve, mas gloriosa, na vida de uma estrela parecida com o Sol. A estrela central e moribunda desta nebulosa pode ter produzido o padrão simples e exterior de conchas concêntricas empoeiradas, expulsando as suas camadas exteriores numa série de convulsões regulares. Mas a formação das belas estruturas internas e mais complexas não é bem compreendida. Vista com imensa clareza nesta imagem do Telescópio Espacial Hubble digitalmente aperfeiçoada, o olho verdadeiramente cósmico mede mais de meio ano-luz em diâmetro. Claro, olhando para o Olho de Gato, os astrónomos podem muito bem estar vendo o futuro do nosso Sol, destinado a entrar na sua própria fase de evolução em nebulosa planetária... daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.
 

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