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Edição n.º 1509
24/08 a 27/08/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

24/08 - Observação astronómica noturna, Olhão, na Marina (Jardim dos Pescadores), a partir das 21:00

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/08: 236.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo  Mundo.
Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra.

Esta missão soviética tinha como objetivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua
Em 2006, a União Astronómica Internacional (UAI) redefine o termo "planeta", e Plutão é a partir daí considerado um planeta anão.
Observações: Após o cair da noite, e à medida que agosto chega ao fim, o Grande Quadrado de Pégaso situa-se a este, apoiando num canto. As suas estrelas são de apenas segunda e terceira magnitudes. Estendendo-se para a esquerda do canto esquerdo de Pégaso, está a linha principal da constelação de Andrómeda, constituído por três estrelas (incluindo o canto) com mais ou menos o mesmo brilho do que as estrelas que formam o Quadrado.

Dia 25/08: 237.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1609, Galileu Galilei demonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que fornecem, à data, as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de JúpiterEuropa.

No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar
Observações: No ombro este de Ofíuco estão vários objetos binoculares interessantes, incluindo o enxame aberto IC 4665 e o evocativo asterismo de Taurus Poniatovii.

Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.

Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final. 
Observações: Lua Cheia, pelas 12:56. Brilha bem para a esquerda de Marte esta noite; encontram-se nos lados opostos de Capricórnio.
Mercúrio na sua maior elongação oeste, 18º, pelas 22:10.

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 de Cabo Canaveral com destino a Vénus, onde chegou 15 semanas depois.

A 14 de dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34.773 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1985, lançamento da missão STS-51-I
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga que o Sol e que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação da Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.
Observações: A área entre as constelações de Sagitário e Escorpião é extremamente rica em objetos estelares. Porquê? Porque é na sua direção que está localizado o coração da nossa Via Láctea: o Centro Galáctico. Ao observar esta zona com uns meros binóculos poderá avistar muitos enxames abertos, alguns enxames globulares e algumas nebulosas.

 
CURIOSIDADES

Pela primeira vez, as pessoas de todo o mundo podem ver as comunicações em tempo real com quase 40 missões da NASA, graças a uma pequena equipa de estagiários. A NEN (Near Earth Network) da NASA tem mais de 15 antenas espalhadas pelo globo com o objetivo de receber dados espaciais recolhidos por satélites e sondas da agência. O site NEN Now mostra, em tempo real, simulações das manobras complicadas que estas antenas sofrem para se ligarem a satélites e missões espaciais, seguindo-os de horizonte a horizonte à medida que os dados são recebidos no chão.
 
HIPPARCOS E GAIA AJUDAM A DETERMINAR A MASSA DE BETA PICTORIS B

A massa de um exoplaneta muito jovem foi revelada pela primeira vez usando dados da missão Gaia da ESA e do seu satélite predecessor, o aposentado Hipparcos com um quarto de século.

Os astrónomos Ignas Snellen e Anthony Brown da Universidade de Leiden, na Holanda, deduziram a massa do planeta Beta Pictoris b a partir do movimento da sua estrela hospedeira durante um longo período de tempo, tanto com a ajuda do Gaia como com a do Hipparcos.

O planeta é um gigante gasoso parecido com Júpiter, mas, de acordo com a nova estimativa, é 9 a 13 vezes mais massivo. Orbita a estrela Beta Pictoris, a segunda estrela mais brilhante da constelação de Pintor.

O planeta só foi descoberto em 2008 em imagens captadas pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO do Chile. Tanto o planeta como a estrela só têm aproximadamente 20 milhões de anos - cerca de 225 vezes mais jovens do que o Sistema Solar. A sua tenra idade torna o sistema intrigante, mas também difícil de estudar usando métodos convencionais.

O planeta Beta Pictoris b é visível em órbita da sua estrela-mãe nesta composição obtida pelo telescópio de 3,6 metros do ESO e pelo instrumento NACO acoplado ao VLT de 8,2 metros do ESO. O sistema Beta Pictoris só tem 20 milhões de anos, é aproximadamente 225 vezes mais jovem do que o Sistema Solar. A observação deste sistema dinâmico e em rápida evolução pode ajudar os astrónomos a lançar luz sobre os processos de formação planetária e sobre os estágios iniciais da sua evolução.
Crédito: ESO/A-M. Lagrange et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"No sistema Beta Pictoris, o planeta acaba de se formar," comenta Ignas. "Portanto, podemos obter uma imagem de como os planetas se formam e de como se comportam nos estágios iniciais da sua evolução. Por outro lado, a estrela é muito quente, gira depressa e pulsa."

Este comportamento dificulta a tarefa dos astrónomos em medir com precisão a velocidade radial da estrela - a velocidade à qual parece mover-se periodicamente na direção da Terra e na direção oposta. Pequenas mudanças na velocidade radial de uma estrela, provocadas pela atração gravitacional de planetas na sua vizinhança, são regularmente usadas para estimar as massas de exoplanetas. Mas este método funciona principalmente para sistemas que já passaram pelos estágios iniciais da sua evolução.

No caso de Beta Pictoris b, os limites superiores da gama de massas do planeta foram obtidos antes de usar o método de velocidade radial. Para obter uma estimativa melhor, os astrónomos usaram um método diferente, tirando proveito das medições do Hipparcos e do Gaia que revelam a posição precisa e o movimento da estrela hospedeira do planeta no céu ao longo do tempo.

"A estrela move-se por diferentes razões," afirma Ignas. "Primeiro, a estrela orbita em torno do centro da Via Láctea, tal como o Sol. Da Terra, esse movimento parece linear quando projetado no céu. Chamamos a este movimento, 'movimento próprio'. Também existe o efeito de paralaxe, que é provocado pela Terra em órbita do Sol. Por causa disso, ao do longo do ano, vemos a estrela de ângulos ligeiramente diferentes."

E há ainda algo que os astrónomos descrevem como "pequenas oscilações" na trajetória da estrela no céu - desvios minúsculos da trajetória esperada provocados pela atração gravitacional do planeta em órbita da estrela. Esta é a mesma oscilação que pode ser medida através de mudanças na velocidade radial, mas ao longo de uma direção diferente - no plano do céu e não ao longo da linha de visão.

"Estamos a observar o desvio do esperado caso não houvesse um planeta e depois medimos a massa do planeta partir da significância deste desvio," explica Anthony. "Quanto mais massivo o planeta, mais significativo é o desvio."

Para poder fazer tal avaliação, os astrónomos precisam de observar a trajetória da estrela durante um período de tempo longo a fim de entender adequadamente o movimento próprio e o efeito de paralaxe.

Os astrónomos podem medir a massa dos exoplanetas observando pequenos desvios nas trajetórias esperadas das suas estrelas hospedeiras provocados pela atração gravitacional de planetas em órbita. Estes podem ser observados ou ao longo da linha de visão, registando pequenas mudanças na velocidade radial de uma estrela, ou no plano do céu, usando medições astrométricas. Para alcançar determinações mais precisas, as observações astrométricas requerem um período de muitos anos. Nesta imagem, a espiral tracejada mostra a evolução da trajetória de uma estrela observada a partir da Terra, provocada pela combinação da paralaxe e do movimento próprio. A banda castanha mostra a gama de desvios da trajetória da estrela provocada por um possível planeta em órbita.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão Gaia, desenhada para observar mais de mil milhões de estrelas na nossa Galáxia, será eventualmente capaz de fornecer informações sobre uma grande quantidade de exoplanetas. Nos 22 meses de observações incluídas no segundo lançamento de dados do Gaia, publicado em abril, o satélite registou a estrela Beta Pictoris cerca de 30 vezes. No entanto, isso não é suficiente.

"O Gaia vai encontrar milhares de exoplanetas, isso ainda está na nossa lista de tarefas por fazer," salienta Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA. "A razão pela qual os exoplanetas podem ser esperados apenas no final da missão é o facto de que, para medir a pequena oscilação que os exoplanetas provocam, precisamos de traçar a posição das estrelas durante vários anos."

A combinação das medições do Gaia com as da missão Hipparcos da ESA, que observou Beta Pictoris 111 vezes entre 1990 e 1993, levou a que Ignas e Anthony obtivessem o seu resultado muito mais depressa. Isto levou à primeira estimativa bem-sucedida da massa de um planeta jovem usando medições astrométricas.

"Combinando dados do Hipparcos e do Gaia, que têm uma diferença de tempo de mais ou menos 25 anos, obtemos um movimento próprio de longo prazo," realça Anthony.

"Este movimento próprio também contém o componente provocado pelo planeta em órbita. O Hipparcos, por si só, não teria sido capaz de encontrar este planeta porque a estrela pareceria solitária e perfeitamente normal a não ser que a tivéssemos observado por muito mais tempo.

"Agora, combinando o Gaia e o Hipparcos, e observando a diferença a curto e a longo prazo no movimento próprio, podemos ver o efeito do planeta sobre a estrela."

O resultado representa um passo importante para uma melhor compreensão dos processos envolvidos na formação planetária e antecipa as empolgantes descobertas de exoplanetas que serão alcançadas pelos futuros lançamentos de dados do Gaia.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature Astronomy)
Nature
SPACE.com
Astronomy Now
PHYSORG

Beta Pictoris b:
Wikipedia

Beta Pictoris:
Solstation 
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Satélite Hipparcos:
ESA
Wikipedia

Paralaxe:
Wikipedia
Paralaxe estelar (Wikipedia)

Velocidade radial:
Wikipedia

 
ÁGUA GELADA CONFIRMADA NOS POLOS DA LUA
A imagem mostra a distribuição do gelo superficial no polo sul (esquerda) e no polo norte (direita) da Lua, detetado pelo instrumento M3 da NASA. O azul representa as localizações do gelo, sobrepostas sobre uma imagem da superfície lunar, onde o tom cinza corresponde a temperaturas (tons escuros correspondem a áreas mais frias e tons mais claros correspondem a zonas mais quentes). O gelo está concentrado nos locais mais frios e escuros, nas sombras das crateras. Esta é a primeira vez que os cientistas observam diretamente evidências definitivas de água gelada na superfície da Lua.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Nas partes mais escuras e mais frias das suas regiões polares, uma equipa de cientistas observou diretamente evidências definitivas de água gelada na superfície da Lua. Esses depósitos de gelo estão distribuídos de forma irregular e podem ser antigos. No polo sul, a maioria da água gelada está concentrada nas crateras lunares, enquanto o gelo no polo norte está mais amplamente distribuído, mas é mais escasso.

Uma equipa de cientistas, liderada por Shuai Li da Universidade do Hawaii e da Universidade de Brown e que inclui Richard Elphic do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia, usou dados do instrumento M3 (Moon Mineralogy Mapper) da NASA para identificar três assinaturas específicas que definitivamente comprovam a existência de água gelada na superfície da Lua.

O instrumento M3, a bordo da sonda Chandrayaan-1, lançada em 2008 pela ISRO (Indian Space Research Organization), a agência espacial da Índia, estava equipado para confirmar a presença de gelo na Lua. Recolheu dados que não só captaram as propriedades refletivas que esperávamos do gelo, mas também foi capaz de medir diretamente a maneira distinta como as suas moléculas absorvem a luz infravermelha, de modo que pode diferenciar entre água líquida, vapor e gelo sólido.

A maior parte do gelo recém-descoberto encontra-se nas sombras de crateras perto dos polos, onde as temperaturas mais quentes nunca sobem acima dos -157º. Devido à inclinação muito pequena do eixo de rotação da Lua, a luz solar nunca alcança estas regiões.

As observações anteriores encontraram indiretamente possíveis sinais de água gelada superficial no polo lunar sul, mas estes podiam ter sido explicados por outros fenómenos, como por exemplo solo lunar invulgarmente refletivo.

Com gelo suficiente à superfície - nos primeiros milímetros - a água pode ser utilizada como recurso para expedições futuras para explorar e até permanecer na Lua, e é potencialmente mais fácil de aceder do que a água detetada por baixo da superfície da Lua.

Aprender mais sobre este gelo, como lá chegou e como interage com o maior ambiente lunar será um foco fundamental da NASA e parceiros comerciais, à medida que se esforçam para regressar e explorar o nosso vizinho mais próximo, a Lua.

Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences de dia 20 de agosto de 2018.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Proceedings of the National Academy of Sciences)
Astronomy
SPACE.com
Astrobiology Magazine
EarthSky
New Scientist
Discover
SpaceDaily
PHYSORG
Astronomy Now
Scientific American
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ZAP.aeiou

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia
Água Lunar (Wikipedia)

 
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ISASJAXA, Equipa Hayabusa2
 
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