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Edição n.º 1529
02/11 a 05/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
Observações: Procure Capella baixa a nordeste por estas noites. Procure o enxame das Plêiades a cerca de 3 punhos à distância do braço esticado para a sua direta. Estes mensageiros dos meses frios sobem cada vez mais alto com o passar da noite.
Para cima destes dois astros encontram-se as estrelas de Perseu, sobrepostas sobre a Via Láctea.

Dia 03/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.

Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio.
Observações: Marte brilha a sul depois do anoitecer. Procure a praticamente 1º este (esquerda) em busca de Delta Capricorni, com apenas 1/20 do seu brilho, a magnitude 2,8. Amanhã e segunda os astros estarão ainda mais próximos um do outro.

Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: Fomalhaut, a "Estrela de Outono", chega à sua altitude máxima no céu a Sul por volta das 20:30. O lado oeste do Grande Quadrado de Pégaso, bem acima, quase que aponta exactamente na sua direcção. Consegue observar o resto da ténue constelação de Peixe Austral?

Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas. 

Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar. 
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan.
Observações: Vega é ainda a estrela mais brilhante alta a oeste por estas noites. A estrela brilhante para cima de Vega é Deneb, que assinala a cauda do Cisne.

 
CURIOSIDADES

A Parker Solar Probe acaba de se tornar na nave mais próxima do Sol, quebrando o recorde estabelecido pela sonda Helios 2 em 1976. Também quebrou o recorde de nave humana mais veloz, em relação ao Sol, igualmente estabelecido pela Helios 2 em 1976.
 
MISSÃO DO TELESCÓPIO KEPLER CHEGA AO FIM
Esta ilustração mostra o caçador de exoplanetas da NASA, o telescópio espacial Kepler. A agência anunciou que o Kepler ficou sem combustível e está a ser reformado na sua órbita atual e segura, longe da Terra. O Kepler deixa um legado de mais de 2600 descobertas exoplanetárias.
Crédito: NASA/Wendy Stenzel/Daniel Rutter
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Depois de nove anos no espaço profundo a recolher dados que indicam que o nosso céu está apinhado com milhares de milhões de planetas escondidos - até mais planetas do que estrelas - o telescópio espacial Kepler da NASA ficou sem o combustível necessário para realizar mais operações científicas. A NASA decidiu reformar o observatório na sua órbita atual e segura, longe da Terra. O Kepler deixa assim um legado de mais de 2600 planetas descobertos para lá do nosso Sistema Solar, muitos dos quais podem ser lugares promissores para a vida.

"Como a primeira missão de caça exoplanetária da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expetativas e abriu o caminho para a nossa exploração e busca por vida no Sistema Solar e além," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. "Não só nos mostrou quantos planetas podem existir 'lá fora', como também desencadeou um campo de investigação totalmente novo e robusto que impressionou a comunidade científica. As suas descobertas científicas lançaram uma nova luz sobre o nosso lugar no Universo e iluminaram os mistérios e possibilidades tentadoras entre as estrelas."

O Kepler abriu os nossos olhos para a diversidade de planetas que existem na nossa Galáxia. A análise mais recente das descobertas do Kepler conclui que 20 a 50% das estrelas visíveis no céu noturno provavelmente terão planetas pequenos, possivelmente rochosos, de tamanho parecido à Terra, e localizados dentro da zona habitável. Isto significa que estão localizados a distâncias das suas estrelas-mãe onde a água líquida - um ingrediente vital para a vida como a conhecemos - pode acumular-se à superfície.

O tamanho mais comum de planeta que o Kepler encontrou não existe no nosso Sistema Solar - um mundo entre o tamanho da Terra e Neptuno - e temos muito a aprender sobre esses planetas. O Kepler também descobriu que a natureza produz frequentemente sistemas planetários "recheados", em alguns casos com tantos planetas em órbita íntima da sua estrela-mãe que o nosso próprio Sistema Solar interior parece escasso em comparação.

"Quando começámos a conceber esta missão, há 35 anos, não conhecíamos um único planeta para lá do nosso Sistema Solar," comenta William Borucki, investigador principal e que fundou a missão Kepler, agora aposentado do Centro de Pesquisa Ames da NASA, em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. "Agora que sabemos que os planetas existem por toda a parte, o Kepler colocou-nos num novo percurso que é promissor para as futuras gerações que explorem a nossa Galáxia."

Lançado no dia 6 de março de 2009, o telescópio espacial Kepler combinou técnicas de ponta na medição do brilho estelar com a maior câmara digital já equipada, à época, para observações espaciais. Originalmente posicionado para observar continuamente 150.000 estrelas numa região cravejada de estrelas do céu, na direção da constelação de Cisne, o Kepler fez o primeiro levantamento de planetas na nossa Galáxia e tornou-se a primeira missão da agência espacial a detetar planetas do tamanho da Terra nas zonas habitáveis das suas estrelas.

O telescópio espacial Kepler terminou a sua missão de recolher dados científicos incríveis. Aqui fica um apanhado dos feitos do Kepler.
Crédito: NASA/Ames/Wendy Stenzel
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A missão Kepler foi baseada num design muito inovador. Este tipo de ciência teve uma abordagem extremamente inteligente," comenta Leslie Livesay, diretora para astronomia e física do JPL da NASA, gerente do projeto Kepler durante o desenvolvimento da missão. "Existiram definitivamente desafios, mas o Kepler tinha uma equipa extremamente talentosa de cientistas e engenheiros que os superaram."

Quatro anos depois do início da missão, após os objetivos principais terem sido alcançados, as falhas mecânicas interromperam temporariamente as observações. A equipa da missão foi capaz de criar uma solução, mudando o campo de visão da nave mais ou menos a cada três meses. Isto permitiu uma missão estendida, de nome K2, que durou tanto quanto a primeira missão e elevou a contagem de estrelas estudadas para mais de 500.000.

A observação de tantas estrelas permitiu com que os cientistas entendessem melhor os comportamentos e propriedades estelares, informações críticas no estudo dos planetas que os orbitam. Novas investigações sobre as estrelas, com os dados do Kepler, também estão a melhorar outras áreas da astronomia, como a história da nossa Via Láctea e os estágios iniciais de explosões estelares chamadas supernovas, usadas para estudar a velocidade com que o Universo se expande. Os dados da missão estendida também foram imediatamente disponibilizados para o público e para a comunidade científica, permitindo descobertas a um ritmo incrível e estabelecendo um alto padrão para outras missões. Os cientistas devem passar uma década, ou mais, em busca de novas descobertas no tesouro de dados fornecidos pelo Kepler.

"Sabemos que a reforma do telescópio não é o fim das descobertas do Kepler," realça Jessie Dotson, cientista do projeto Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley. "Estou entusiasmada com as diversas descobertas que ainda estão por vir dos nossos dados e como as missões futuras se basearão nos resultados do Kepler."

Antes de aposentar a espaçonave, os cientistas puxaram o Kepler até ao seu potencial máximo, completando com sucesso múltiplas campanhas de observação e transmitindo valiosos dados científicos, mesmo após os avisos iniciais de baixo combustível. Os dados mais recentes, da Campanha 19, vão complementar os dados do mais novo caçador de exoplanetas da NASA, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), lançado em abril. O TESS baseia-se na fundação do Kepler, com novos lotes de dados na sua busca por planetas em órbita de cerca de 200.000 das estrelas mais brilhantes e próximas da Terra, mundos que mais tarde podem ser explorados por missões como a do Telescópio Espacial James Webb da NASA.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
O Legado do Telescópio Espacial Kepler da NASA: Mais Planetas do que Estrelas (NASA Ames via YouTube)
Presskit do Kepler (NASA)
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
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Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
AS OBSERVAÇÕES MAIS DETALHADAS DE MATÉRIA A ORBITAR PERTO DE UM BURACO NEGRO

Com o auxílio do GRAVITY, o instrumento extremamente sensível do ESO, uma equipa internacional de cientistas confirmou, como se supunha há muito tempo, que um buraco negro supermassivo se esconde no centro da Via Láctea. Novas observações mostram nodos de gás a deslocarem-se a velocidades de cerca de 30% da velocidade da luz, numa órbita circular logo a seguir ao horizonte de eventos do buraco negro, o que corresponde à primeira vez que se observa matéria a orbitar próximo do ponto de não retorno. Estas são também as observações mais detalhadas obtidas até à data de matéria a orbitar tão perto de um buraco negro.

Com o auxílio do instrumento GRAVITY montado no Interferómetro do VLT (Very Large Telescope) do ESO, cientistas de um consórcio de instituições europeias, incluindo o ESO, observaram clarões de radiação infravermelha a ser emitidos pelo disco de acreção que rodeia Sagitário A*, o objeto massivo situado no coração da Via Láctea. Os clarões observados fornecem-nos uma confirmação, há muito tempo esperada, de que o objeto que se esconde no centro da nossa Galáxia é, como se tem assumido, um buraco negro supermassivo. Os clarões têm origem no material que está a orbitar perto do horizonte de eventos do buraco negro — o que faz destas observações as mais detalhadas obtidas até à data de matéria a orbitar tão próximo de um buraco negro.

Com o auxílio do GRAVITY, o instrumento extremamente sensível do ESO, uma equipa internacional de cientistas confirmou, como se supunha há muito tempo, que um buraco negro supermassivo se esconde no centro da Via Láctea. Novas observações mostram nodos de gás a deslocarem-se a velocidades de cerca de 30% da velocidade da luz, numa órbita circular logo a seguir ao horizonte de eventos do buraco negro de 4 milhões de massas solares, o que corresponde à primeira vez que se observa matéria a orbitar próximo do ponto de não retorno. Estas são também as observações mais detalhadas obtidas até à data de matéria a orbitar tão perto de um buraco negro. Esta visualização usa dados de simulações de movimentos orbitais de gás a deslocar-se numa órbita circular em torno do buraco negro, a uma velocidade de cerca de 30% da velocidade da luz.
Crédito: ESO/Consórcio Gravity/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar da matéria que compõe o disco de acreção — o cinturão de gás que rodeia Sagitário A* e que se desloca a velocidades relativistas — orbitar o buraco negro de forma segura, qualquer material que se aproxime demasiado é puxado para além do horizonte de eventos. O ponto mais próximo de um buraco negro onde a matéria pode orbitar sem ser puxada de forma definitiva para o seu interior é chamada a órbita estável mais interior e foi nesta zona que tiveram origem os clarões observados.

"É incrível poder realmente testemunhar material a orbitar um buraco negro a uma velocidade de 30% da velocidade da luz," refere Oliver Pfuhl, um cientista no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE). "A extrema sensibilidade do GRAVITY permitiu-nos observar os processos de acreção em tempo real com um detalhe sem precedentes."

Estas medições foram apenas possíveis graças a uma colaboração internacional e a instrumentação de vanguarda. O instrumento GRAVITY, que tornou possível este trabalho, combina a luz recolhida por quatro telescópios do VLT do ESO, criando assim um supertelescópio virtual de 130 metros de diâmetro, o qual foi utilizado para investigar a natureza de Sagitário A*.

Em julho deste ano, com o auxílio do GRAVITY e do SINFONI, outro instrumento montado no VLT, a mesma equipa de investigadores fez medições precisas na altura da passagem da estrela S2 pelo campo gravitacional extremo existente perto de Sagitário A* e revelou, pela primeira vez, os efeitos previstos pela teoria da relatividade geral de Einstein em meios tão extremos. Durante a passagem de S2 foi igualmente observada forte emissão infravermelha.

As regiões centrais da nossa Galáxia, a Via Láctea, observadas no infravermelho próximo pelo instrumento NACO, montado no VLT do ESO. Ao seguir os movimentos das estrelas mais centrais ao longo de mais de 16 anos, os astrónomos puderam determinar a massa do buraco negro supermassivo que se esconde no centro da Galáxia.
Crédito: ESO/S. Gillessen et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estávamos a monitorizar de perto S2 e claro que, ao mesmo tempo, estávamos também atentos a Sagitário A*," explicou Pfuhl. "Durante as observações, tivemos a sorte de reparar em três clarões brilhantes emitidos perto da zona do buraco negro — foi uma coincidência fantástica!"

Esta radiação emitida por eletrões altamente energéticos situados muito perto do buraco negro, foi vista como três clarões brilhantes muito proeminentes e ajustava perfeitamente previsões teóricas para pontos quentes a orbitar perto de um buraco negro de 4 milhões de massas solares. Pensa-se que estes clarões têm origem nas interações magnéticas do gás muito quente que orbita próximo de Sagitário A*.

Reinhard Genzel, do MPE em Garching, na Alemanha, e que liderou o estudo explica: "Este sempre foi um dos nossos projetos de sonho, mas não ousávamos imaginar que poderia tornar-se possível tão cedo." Relativamente à suposição de longa data de que Sagitário A* seria um buraco negro supermassivo, Genzel conclui que "este resultado é uma confirmação retumbante do paradigma do buraco negro supermassivo."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/07/2018 - Primeiro teste bem sucedido da Relatividade Geral de Einstein realizado perto de buraco negro supermassivo
15/08/2017 - Indicações de efeitos relativistas em estrelas que orbitam o buraco negro supermassivo situado no centro da Galáxia 
10/12/2008 - Estudo sem precedentes segue estrelas em órbita do buraco negro supermassivo da Via Láctea

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
ESOcast 181 (ESO via YouTube)
Science
Astronomy
ScienceNews
Discover
ScienceDaily
COSMOS
Astronomy Now
PHYSORG
Scientific American
METRO
Newsweek

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

S2:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Teoria Geral da Relatividade:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia
GRAVITY (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM O GIGANTE QUE MOLDOU OS PRIMÓRDIOS DA VIA LÁCTEA
Impressão de artista de Encélado a ser devorado por uma galáxia parecida com a Via Láctea.
Crédito: René van der Woude, Mixr.nl
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há cerca de 10 mil milhões de anos, a Via Láctea fundiu-se com uma grande galáxia. As estrelas dessa parceira, de nome Gaia-Encélado, compõem a maior parte do halo da Via Láctea e também moldaram o seu espesso disco, dando-lhe a sua forma inchada. Uma descrição dessa megafusão, descoberta por uma equipa internacional liderada pela astrónoma Amina Helmi, da Universidade de Groninga, foi publicada na revista científica Nature.

As galáxias grandes como a nossa Via Láctea são o resultado de fusões entre galáxias mais pequenas. Uma questão notável é se uma galáxia como a Via Láctea é o produto de muitas fusões pequenas ou de algumas grandes. A professora de astronomia Amina Helmi, da Universidade de Groninga, passou a maior parte da sua carreira à procura de "fósseis" na nossa Via Láctea, que podem fornecer algumas pistas sobre a sua evolução. Ela usa a composição química, a posição e a trajetória das estrelas no halo para deduzir a sua história e, assim, identificar as fusões que criaram a jovem Via Láctea.

Segundo lançamento de dados do Gaia

O recente segundo lançamento de dados da missão do satélite Gaia, no passado mês de abril, forneceu à professora Helmi dados sobre cerca de 1,7 mil milhões de estrelas. Helmi esteve envolvida no desenvolvimento da missão Gaia durante cerca de vinte anos e fez parte da equipa de validação do segundo lançamento. Ela usou agora os dados para procurar vestígios de fusões no halo: "Nós esperávamos estrelas de galáxias fundidas no halo. O que não esperávamos era descobrir que a maioria das estrelas no halo têm uma origem partilhada numa fusão muito grande."

Disco espesso

E foi o que encontrou. A assinatura química de muitas estrelas do halo era claramente diferente das estrelas "nativas" da Via Láctea. "E pertencem a um grupo bastante homogéneo, o que indica que partilham uma origem comum". Ao traçar a trajetória e a assinatura química, as "invasoras" destacam-se claramente. Helmi: "As estrelas mais jovens de Gaia-Encélado são na realidade mais jovens do que as estrelas nativas da Via Láctea no que é hoje a região do disco espesso. Isto significa que a progenitora deste disco espesso já estava presente quando a fusão ocorreu e Gaia-Encélado, devido ao seu grande tamanho, abanou-o e inchou-o."

Num artigo anterior, Helmi já havia descrito uma enorme "bolha" de estrelas que partilhavam uma origem comum. Agora, ela mostra que as estrelas dessa bolha no halo são os detritos da fusão da Via Láctea com uma galáxia que era um pouco mais massiva do que a Pequena Nuvem de Magalhães, há cerca de dez mil milhões de anos. A galáxia é chamada Gaia-Encélado, em honra ao Gigante Encélado que, na mitologia grega, nasceu de Gaia (a deusa da Terra) e Úrano (o deus do Céu).

Os dados sobre a cinemática, química, idade e distribuição espacial das estelas nativas da Via Láctea e os remanescentes de Gaia-Encélado lembraram Helmi de simulações realizadas por um ex-aluno de doutoramento, há aproximadamente dez anos. As suas simulações da fusão de uma galáxia grande em forma de disco com a jovem Via Láctea produziram uma distribuição de estrelas de ambos os objetos, que está em linha com os dados do Gaia. "Foi incrível ver os novos dados do Gaia e perceber que já tinha visto isto antes!," conclui a astrónoma.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
10/07/2018 - A "salsicha Gaia": a grande colisão que mudou a Via Láctea

Notícias relacionadas:
Universidade de Groninga (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Nature)
Artigo científico - 2 (The Astrophysical Journal Letters)
Professora Amina Helmi - Formação da Via Láctea (Universidade de Groninga via YouTube)
EurekAlert!
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
spaceref
PHYSORG
Science alert
ScienceDaily
National Geographic
Newsweek

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Antiga frente fria em Perseu (via ESA)
Uma gigantesca frente fria, no aglomerado de galáxias Perseus, foi observada por um trio de telescópios de raios-X. A antiga frente fria pode ser vista à esquerda da imagem, afastando-se da parte interna muito mais jovem e mais próxima do centro. Ler fonte
     
  Estrelas "zombie" regressam dos mortos (via Laboratório Nacional Lawrence Livermore)
Os buracos negros estão entre os objetos mais elusivos do Universo, mas uma investigação sugere que os remanescentes de estrelas mortas podem ser a chave para fazer a primeira observação da classe mais elusiva de buracos negros. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - R Leporis
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Mais conhecida como Estrela Carmesim de Hind, R Leporis é uma estrela rara no céu noturno do planeta Terra. Tem também um chocante tom avermelhado. O descobridor da estrela, o astrónomo inglês do século XIX, John Russell Hind, relatou que aparecia num telescópio "... como uma gota de sangue num campo negro". Localizada a 1360 anos-luz de distância na direção da constelação de Lebre, a estrela é uma variável do tipo Mira, mudando de brilho ao longo de um período de aproximadamente 14 meses. R Leporis é agora reconhecida como uma estrela de carbono, uma gigante vermelha muito fria e altamente evoluída com uma abundância extrema de carbono. O carbono extra nas estrelas de carbono é produzido pela fusão do hélio perto do núcleo estelar moribundo e é arrastado para as camadas mais externas das estrelas. Este arrastamento resulta na superabundância de moléculas de carbono simples como CO, CH, CN e C2. Embora seja verdade que as estrelas frias irradiem a maior parte da sua energia sob a forma de luz vermelha e infravermelha, as moléculas de carbono absorvem fortemente a pouca azul que resta e dão às estrelas de carbono uma cor vermelha excecionalmente profunda. R Leporis está a perder a sua atmosfera rica em carbono para o material interestelar circundante através de um forte vento estelar e pode estar perto da transição para uma nebulosa planetária.
 

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