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  Astroboletim #1591  
  07/06 a 10/06/2019  
     
 

28/06/19 - Noites Astronómicas em Tavira
22:00 - No dia 28 de junho, no Forte do Rato, realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira. Nesta sessão será possível identificar algumas constelações que nos farão companhia nas noites quentes de Verão. Teremos a oportunidade de observar os planetas gigantes gasosos do nosso sistema solar, Júpiter e as suas luas galileanas assim como Saturno e os seus anéis. Esta atividade é gratuita.
Local: Forte do Rato
Informações e incrições:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)

 
     
 
Efemérides

Dia 07/06: 158.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1992, era lançado o EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer).

Observações: Logo após o cair da noite, procure Régulo para cima e para a esquerda da Lua. A partir daí, trace o resto da constelação de Leão.

Dia 08/06: 159.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1625 nascia Giovanni Cassini

Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9(USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos.
Observações: Esta noite a Lua brilha perto de Régulo.
A estrela do meio da "pega" da "frigideira" de Ursa Maior é Mizar, que tem logo ao lado a pequena Alcor. De que lado de Mizar está a companheira Alcor? Como sempre, do lado de Vega! Que é agora a estrela mais brilhante a este. Se não conseguir discernir as duas estrelas, use binóculos.

Dia 09/06: 160.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.

Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes - morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910.
Observações: Neptuno na sua quadratura oeste, pelas 20:31.
Após o anoitecer, Vega é a estrela mais brilhante bem alta a este. Um pouco para baixo e para a sua esquerda está Epsilon Lyrae, de 4.ª magnitude, chamada de "duplo-duplo". Epsilon forma um canto de um triângulo quase equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo mede menos de 2º de lado, praticamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Os binóculos facilmente resolvem Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com 100x de ampliação já mostra os dois pares estelares de Epsilon.
Zeta Lyrae também é uma estrela dupla binocular; mais difícil através de binóculos, fácil através de um telescópio.
Delta Lyrae, para baixo de Zeta, é um par mais largo e fácil.

Dia 10/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, lançamento do Explorer 49, que foi colocado em órbita lunar e tinha o objetivo de recolher medições dos planetas, do Sol e da Galáxia no rádio.
Em 2003 era lançado o rover Spirit, começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em março de 2010.

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 06:59.
Júpiter em oposição, pelas 16:08.

 
     
 
Curiosidades


O buraco negro conhecido mais próximo da Terra pertence ao sistema binário A06200-00 (ou V616 Monocerotis, segundo a designação de estrelas variáveis). Está a mais ou menos 3300 anos-luz da terra.

 
 
   
Anel nublado e frio em torno do buraco negro supermassivo da Via Láctea
 
Impressão de artista do anel de gás interestelar frio em redor do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Novas observações do ALMA revelaram, pela primeira vez, esta estrutura.
Crédito: NRAO/AUI/NSF; S. Dagnello
 

Novas observações do ALMA revelam um disco nunca antes visto de gás interestelar frio envolvido em torno do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Este disco nublado dá aos astrónomos novas informações sobre o funcionamento da acreção: o desvio de material para a superfície de um buraco negro. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Através de décadas de estudo, os astrónomos desenvolveram uma imagem mais clara da vizinhança caótica e povoada em redor do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. O nosso Centro Galáctico está a aproximadamente 26.000 anos-luz da Terra e o buraco negro supermassivo, conhecido como Sagitário A*, tem 4 milhões de vezes a massa do nosso Sol. Sabemos agora que esta região está repleta de estrelas errantes, nuvens de poeira interestelar e um grande reservatório de gases fenomenalmente quentes e comparativamente mais frios. Pensa-se que estes gases orbitem o buraco negro num vasto disco de acreção que se estende a poucas décimas de um ano-luz do horizonte de eventos do buraco negro.

No entanto, até agora, os astrónomos só tinham conseguido fotografar a porção quente e ténue deste gás em acreção, que forma um fluxo aproximadamente esférico e que não mostra uma rotação óbvia. A sua temperatura está estimada em 10 milhões de graus Celsius, ou cerca de metade da temperatura do núcleo do nosso Sol. A esta temperatura, o gás brilha intensamente em raios-X, permitindo que seja estudado por telescópios de raios-X no espaço, até à escala de um-décimo de um ano-luz do buraco negro.

Além deste gás incandescente e quente, observações anteriores com telescópios de comprimento de onda milimétrico detetaram um grande reservatório de hidrogénio gasoso comparativamente mais frio (cerca de 10 mil graus Celsius) a poucos anos-luz em torno do buraco negro. A contribuição deste gás para o fluxo de acreção do buraco negro era anteriormente desconhecida.

 
Imagem ALMA do disco de hidrogénio gasoso em redor do buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia. As cores representam o movimento do gás em relação à Terra; a porção avermelhada move-se para longe, de modo que as ondas rádio detetadas pelo ALMA são ligeiramente esticadas, ou desviadas, para a porção "vermelha" do espectro; a cor azul representa gás que se move em direção à Terra, de modo que as ondas rádio são ligeiramente "amassadas", ou desviadas, para a porção "azul" do espectro.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), E. M. Murchikova; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

Embora o buraco negro do nosso Centro Galáctico seja relativamente calmo, a radiação em seu redor é forte o suficiente para fazer com que os átomos de hidrogénio continuem a perder e a recombinar-se com os seus eletrões. Esta recombinação produz um sinal distintivo de comprimento de onda milimétrico, que é capaz de atingir a Terra com muito poucas perdas no caminho. Com a sua notável sensibilidade e capacidade em ver detalhes, o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) foi capaz de detetar este ténue sinal de rádio e de produzir a primeira imagem do disco de gás mais frio que rodeia o buraco negro supermassivo da Via Láctea a apenas um-centésimo de ano-luz de distância, ou cerca de 1000 vezes a distância da Terra ao Sol. Estas observações permitiram que os astrónomos mapeassem a localização e rastreassem o movimento desse gás. Os investigadores estimam que a quantidade de hidrogénio neste disco frio é equivalente a um-décimo da massa de Júpiter, ou a 1/10.000 da massa do Sol.

Através do mapeamento dos desvios nos comprimentos de onda desta radiação de rádio devido ao efeito Doppler (a luz dos objetos que se movem em direção à Terra é ligeiramente desviada para a porção mais "azul do espectro enquanto a luz dos objetos que se movem para longe da Terra é ligeiramente desviada para a porção mais "vermelha"), os astrónomos puderam ver claramente que o gás está a girar em torno do buraco negro. Esta informação fornecerá novas informações sobre como os buracos negros devoram a matéria e a complexa interação entre um buraco negro e a sua vizinhança galáctica.

"Fomos os primeiros a fotografar este disco elusivo e a estudar a sua rotação," comentou Elena Murchikova, membro, em astrofísica, do Instituto de Estudos Avançados em Princeton, Nova Jersey, EUA. "Também estamos a estudar a acreção para o buraco negro. Isto é importante porque é o buraco negro supermassivo mais próximo. Mesmo assim, ainda não temos um bom entendimento de como funciona a acreção. Esperamos que estas novas observações do ALMA ajudem o buraco negro a ceder alguns dos seus segredos."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
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Gizmodo

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Dois planetas observados diretamente a crescer em torno de uma jovem estrela

Os astrónomos fotografaram diretamente dois exoplanetas que esculpem, gravitacionalmente, uma grande divisão dentro de um disco de formação planetária em redor de uma jovem estrela. Embora já tenham sido observados diretamente mais de uma dúzia de exoplanetas, este é apenas o segundo sistema multiplanetário a ser fotografado (o primeiro foi um sistema com quatro planetas em órbita da estrela HR 8799). Ao contrário de HR 8799, os planetas neste sistema ainda estão a crescer a partir da acreção de material do disco.

"Esta é a primeira deteção inequívoca de um sistema com dois planetas que criam uma lacuna no disco," comenta Julien Girard do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.

A estrela hospedeira, conhecida como PDS 70, está localizada a cerca de 370 anos-luz da Terra. A jovem estrela com 6 milhões de anos é um pouco mais pequena e menos massiva que o nosso Sol e ainda está a acumular gás. É rodeada por um disco de gás e poeira que tem uma grande abertura que se estende de mais ou menos 3 a 6,1 mil milhões de quilómetros.

 
Impressão de artista que mostra os dois exoplanetas gigantes em órbita da jovem estrela PDS 70. Estes planetas ainda estão a crescer através da acreção de material a partir de um disco circundante. No processo, esculpiram gravitacionalmente uma grande divisão no disco. A lacuna estende-se a distâncias equivalentes à distância das órbitas de Úrano e Neptuno no nosso Sistema Solar.
Crédito: J. Olmsted (STScI)
 

PDS 70 b, o planeta mais interior conhecido, está localizado dentro da divisão do disco a uma distância de aproximadamente 3,2 mil milhões de quilómetros da sua estrela, equivalente à órbita de Úrano no nosso Sistema Solar. A equipa estima que tenha uma massa 4 a 17 vezes superior à de Júpiter. Foi detetado pela primeira vez em 2018.

PDS 70 c, o planeta recém-descoberto, está localizado perto da orla externa da lacuna do disco, a cerca de 5,3 mil milhões de quilómetros da estrela, parecida à distância de Neptuno ao Sol. É menos massivo do que o planeta b, entre uma e dez vezes a massa de Júpiter. As duas órbitas planetárias estão perto de uma ressonância de 2 para 1, o que significa que o planeta interior orbita a estrela duas vezes no tempo que leva o planeta mais exterior a completar uma órbita.

A descoberta destes dois mundos é importante porque fornece evidências diretas de que a formação de planetas pode varrer material suficiente de um disco protoplanetário para criar uma lacuna observável.

"Com instalações como o ALMA, Hubble ou grandes telescópios óticos terrestres com óticas adaptativas, vemos discos com anéis e lacunas por toda a parte. A questão ainda em aberto é: existem aí planetas? Neste caso, a resposta é sim," explicou Girard.

 
PDS 70 é o único sistema multiplanetário a ser fotografado diretamente. Através de uma combinação de óticas adaptativas e de processamento de dados, os astrónomos foram capazes de cancelar a luz da estrela central (assinalada pela estrela branca) para revelar dois exoplanetas em órbita. PDS 70 b (em baixo, à esquerda) tem 4 a 17 vezes a massa de Júpiter, enquanto PDS 70 c (em cima, à direita) tem 1 a 10 vezes a massa de Júpiter.
Crédito: ESO e S. Haffert (Observatório de Leiden)
 

A equipa detetou PDS 70 c a partir do solo, usando o espectrógrafo MUSE acoplado ao VLT (Very Large Telescope) do ESO. A sua nova técnica depende da combinação da alta resolução espacial fornecida pelo telescópio de metros, equipado com quatro lasers, e da resolução espectral média do instrumento que permite cingir-se à luz emitida pelo hidrogénio, que é um sinal de acreção de gás.

"Este novo modo de observação foi desenvolvido para estudar galáxias e enxames estelares a uma maior resolução espacial. Mas este novo modo também é adequado para fotografar exoplanetas, que não foi de todo o objetivo principal científico do instrumento MUSE," explicou Sebastiaan Haffert do Observatório de Leiden, autor principal do estudo.

"Ficámos muito surpresos quando encontrámos o segundo planeta," comentou Haffert.

No futuro, o Telescópio Espacial James Webb da NASA poderá ser capaz de estudar este sistema e outros berçários planetários usando uma técnica espectral similar para se restringir a vários comprimentos de onda do hidrogénio. Isto permitirá que os cientistas possam medir a temperatura e a densidade do gás no disco, o que ajudaria a nossa compreensão do crescimento dos planetas gigantes. O sistema também pode ser alvo da missão WFIRST, que transportará uma demonstração tecnológica de um coronógrafo de alto desempenho que pode bloquear a luz da estrela a fim de revelar a luz mais fraca do disco circundante e dos planetas que o acompanham.

Estes resultados foram publicados na edição de 3 de junho da revista Nature.

// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (PDF)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
03/07/2018 - VLT obtém a primeira imagem confirmada de um planeta recém-nascido
13/11/2012 - Descoberta de gigante abertura em disco de estrela tipo-Sol pode indicar múltiplas planetas

Notícias relacionadas:
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CNN

PDS 70:
PDS 70 (Wikipedia)
PDS 70 b (Exoplanet.eu)
PDS 70 c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

WFIRST:
NASA
Wikipedia

 
   
Resolvendo o mistério do superaquecimento do Sol com a Parker Solar Probe
 

Gráfico do Sol.
Crédito: Universidade de Michigan

 

É um dos maiores e mais antigos mistérios que rodeiam, literalmente, o nosso Sol - porque é que a sua atmosfera exterior é mais quente do que a sua escaldante superfície?

Investigadores da Universidade de Michigan acreditam que possuem a resposta e esperam prová-lo com a ajuda da sonda Solar Parker Probe da NASA.

Daqui a aproximadamente dois anos, a sonda será a primeira nave feita pelo Homem a entrar na zona em torno do Sol onde o aquecimento parece fundamentalmente diferente daquilo já visto no espaço. Isto permitirá com que testem a sua teoria de que o aquecimento é devido a pequenas ondas magnéticas que viajam para a frente e para trás dentro da zona.

A resolução deste enigma permitiria aos cientistas melhor entender e prever o clima solar, que pode representar séries ameaças à rede elétrica da Terra. E o primeiro passo é determinar onde o aquecimento da atmosfera exterior do Sol começa e termina - um quebra-cabeças sem escassez de teorias.

"Seja qual for a física por trás desse superaquecimento, é um quebra-cabeças que nos olha nos olhos há 500 anos," disse Justin Kasper, professor de ciências climáticas e espaciais da Universidade de Michigan e investigador principal da missão Parker. "Daqui a apenas dois anos, a Parker Solar Probe finalmente revelará a resposta."

A teoria dos cientistas, e o modo como vão usar a sonda para a testar, foi apresentada num artigo publicado dia 4 de junho na revista The Astrophysical Journal Letters.

Nesta "zona de aquecimento preferencial", acima da superfície do Sol, as temperaturas sobem globalmente. Ainda mais bizarro, os elementos individuais são aquecidos a diferentes temperaturas, ou preferencialmente. Alguns iões mais pesados são superaquecidos até ficarem 10 vezes mais quentes do que o hidrogénio que está em toda a parte nesta área - mais quente que a superfície do Sol.

Estas altas temperaturas fazem com que a atmosfera solar cresça para muitas vezes o diâmetro do Sol e são a razão pela qual vemos a coroa estendida durante os eclipses solares. Nesse sentido, comentou Kasper, o mistério do aquecimento coronal é conhecido dos astrónomos há mais de meio milénio, mesmo que as altas temperaturas só tenham sido apreciadas apenas no último século.

Esta mesma zona apresenta "ondas Alfvén" hidromagnéticas que se movem para a frente e para trás entre a sua orla mais externa e a superfície do Sol. Na extremidade, chamada ponto de Alfvén, o vento solar move-se mais depressa do que a velocidade de Alfvén, e as ondas não podem mais viajar de volta para o Sol.

"Quando estamos abaixo do ponto de Alfvén, estamos nesta sopa de ondas," explicou Kasper. "As partículas carregadas são desviadas e aceleradas pelas ondas vindas de todas as direções."

Ao tentar estimar a que distância da superfície do Sol este aquecimento preferencial é interrompido, a equipa da Universidade de Michigan examinou décadas de observações do vento solar pela sonda Wind da NASA.

Eles observaram o quanto do aumento da temperatura do hélio, perto do Sol, era eliminado pelas colisões entre os iões no vento solar enquanto viajam até à Terra. A observação do decaimento da temperatura do hélio permitiu com que medissem a distância até à orla externa da zona.

"Pegamos em todos os dados e tratamo-los como um cronómetro para descobrir quanto tempo passou desde que o vento foi superaquecido," disse Kasper. "Dado que sabemos a velocidade a que esse vento se desloca, podemos converter a informação a uma distância."

Esses cálculos colocam a orla externa da zona de superaquecimento a cerca de 10 a 50 raios solares da superfície. Era impossível ser mais definitivo, pois alguns valores só podem ser adivinhados.

 
Gráfico que ilustra o ponto de Alfvén e as ondas Alfvén.
Crédito: Universidade de Michigan
 

Inicialmente, Kasper não pensou em comparar a sua estimativa da localização da zona com o ponto Alfvén, mas queria saber se havia uma localização fisicamente significativa no espaço que produz o limite externo.

Depois de ler que o ponto Alfvén e outras superfícies foram observadas a expandir e a contrair com a atividade solar, Kasper e o coautor Kristopher Klein, ex-pós-doc da mesma Universidade e novo docente da Universidade do Arizona, retrabalharam a sua análise procurando mudanças, ano após ano, em vez de considerar toda a missão da sonda Wind.

"Para minha surpresa, o limite externo da zona de aquecimento preferencial e o ponto Alfvén moveram-se de maneira totalmente previsível, apesar de serem cálculos completamente independentes," disse Kasper. "Sobrepomos os gráficos um sobre o outro e fazem exatamente a mesma coisa ao longo do tempo."

Então, será que o ponto Alfvén marca a fronteira externa da zona de aquecimento? E o que está exatamente a mudar sob o ponto de Alfvén que superaquece iões pesados? Devemos saber nos próximos dois anos. A Parker Solar Probe levantou voo em agosto de 2018 e já teve o seu primeiro encontro com o Sol em novembro de 2018 - aproximando-se já do Sol mais do que qualquer outro objeto feito pelo Homem.

Nos próximos anos, a Parker aproximar-se-á cada vez mais a cada passagem até que caia abaixo do ponto de Alfvén. No seu artigo, Kasper e Klein preveem que deve entrar na zona de aquecimento preferencial em 2021, à medida que a fronteira se expande com o aumento da atividade solar. De seguida, NASA terá informações diretas da fonte para responder a todos os tipos de perguntas de longa data.

"Com a Parker Solar Probe, vamos poder determinar definitivamente, através de medições locais, quais os processos que levam à aceleração do vento solar e ao aquecimento preferencial de certos elementos," disse Klein. "As previsões neste artigo sugerem que estes processos estão a operar abaixo da superfície de Alfvén, uma região perto do Sol que nenhuma nave ainda visitou, o que significa que estes processos preferenciais de aquecimento nunca foram medidos diretamente."

Kasper é o investigador principal da Investigação SWEAP (Solar Wind Electrons Alphas and Protons) da Parker Solar Probe. Os sensores da SWEAP recolhem partículas do vento solar e coronais durante cada encontro para medir a velocidade, temperatura e densidade e esclarecem o mistério do aquecimento.

// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Resolvendo o mistério escaldante do Sol (Michigan Engineering via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
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Onda Alfvén:
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Vento solar:
NASA
SWPC/NOAA
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Sol:
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Wikipedia
Ejeção de massa coronal (Wikipedia)
Tempestades solares e clima espacial - FAQ (NASA)

Parker Solar Probe:
NASA
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias - As Nuvens Interestelares de Orionte
(clique na imagem para ver versão maior; aqui para a versão legendada)
Crédito: Andrew Klinger
 
A constelação de Orionte é muito mais do que três estrelas seguidas. É uma direção no espaço, rica em nebulosas impressionantes. Para melhor apreciar esta faixa bem conhecida no céu, uma nova imagem de longa exposição foi obtida ao longo de várias noites em janeiro, fevereiro e março. Depois de 23 horas de exposição, e inúmeras horas de processamento de imagem, foi produzido o mosaico em destaque, apresentado à luz do hidrogénio, oxigénio e enxofre, com 40 vezes o diâmetro angular da Lua. Dos muitos detalhes interessantes que se tornaram visíveis, um que chama particularmente a atenção é o Loop de Barnard, o brilhante arco laranja-vermelho vivo logo à direita do centro da imagem. A Nebulosa da Roseta não é a nebulosa gigante laranja à esquerda do centro da imagem - que é uma nebulosa maior, mas menos conhecida, apelidada de Anel de Meissa. A Nebulosa da Roseta, no entanto, é visível: é a brilhante nebulosa laranja, azul e branca perto do fundo da imagem. A brilhante estrela alaranjada logo à esquerda do centro da imagem é Betelgeuse, enquanto a estrela azul brilhante no canto superior direita é Rigel. Em relação às tais três famosas estrelas que cruzam a Cintura de Orionte - nesta imagem podem ser difíceis de localizar, mas um olho perspicaz encontra-as no centro da imagem.
 
   
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