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  Astroboletim #1629  
  18/10 a 21/10/2019  
     
 
Efemérides

Dia 18/10: 291.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objetos gelados, conhecida como centauros, que reside no Sistema Solar exterior. 
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste depois do anoitecer. Para baixo e para a direita, cerca de 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz do Dragão. O resto da ténue cabeça da constelação de Dragão fica um pouco para trás. Dragão está sempre a olhar para Vega.
As estrelas da constelação a que Vega pertence - Lira - também elas ténues em comparação com Vega - estendem-se agora 7º para a esquerda da estrela.

Dia 19/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares e da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte. 
Observações: Vega brilha alta a oeste depois do cair da noite. Igualmente alta está Altair a sudoeste, mas não tão brilhante. Logo para cima e para a direita de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, aviste a alaranjada Tarazed. Descendo a partir de Tarazed temos a constelação de Águia.

Dia 20/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).

Observações: Maior elongação de este Mercúrio, pelas 01:03.
Procure Capella baixa a nordeste por estes dias. Procure também as Plêiades cerca de três punhos à distância do braço esticado para a sua direita. Estes mensageiros dos meses frios sobem no céu com o passar da noite.

Dia 21/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 13:39.
Pico da chuva de meteoros das Oriónidas, antes do amanhecer de dia 22.

 
     
 
Curiosidades


As constelações do hemisfério sul da Quilha, Popa e Vela formam Argo Navis, o navio usado por Jasão e os Argonautas para resgatar o Tosão de Ouro.

 
 
   
ALMA testemunha formação planetária em ação
 
Impressão de artista do gás que flui como uma cascata para uma abertura num disco protoplanetário, provavelmente provocado por um planeta em formação.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

Pela primeira vez, os astrónomos que usam o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) testemunharam os movimentos 3D de gás num disco protoplanetário. Em três locais do disco em torno de uma jovem estrela chamada HD 163296, o gás flui como uma cascata para aberturas que são provavelmente provocadas por planetas em formação. Estes fluxos gasosos há muito que foram previstos e influenciam diretamente a composição química das atmosferas dos planetas. Esta investigação foi publicada na edição mais recente da revista Nature.

Os locais de nascimento dos planetas são discos feitos de gás e poeira. Os astrónomos estudam estes chamados discos protoplanetários a fim de entender os processos de formação planetária. As incríveis imagens destes discos, obtidas com o ALMA, mostram lacunas distintas e características anulares na poeira, que podem ser provocadas por planetas bebés.

Para ter mais certeza de que os planetas provocam estas divisões, e para ter uma visão completa da formação planetária, os cientistas estudam o gás nos discos, além da poeira. Noventa e nove por cento da massa de um disco protoplanetário é gás, dos quais o monóxido de carbono (CO) é o componente mais brilhante, e o ALMA pode observá-lo.

No ano passado, duas equipas de astrónomos demonstraram uma nova técnica de caça planetária usando este gás. As equipas mediram a velocidade do gás monóxido de carbono que gira em redor da jovem estrela HD 163296. Distúrbios localizados nos movimentos do gás revelaram três padrões semelhantes a planetas no disco.

 
Os cientistas mediram o movimento do gás (setas) num disco protoplanetário em três direções: girando em torno da estrela, aproximando-se ou afastando-se da estrela, e para cima e para a baixo no disco. A inserção mostra uma ampliação de onde um planeta em órbita da estrela empurra o gás e a poeira, criando uma divisão.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, B. Saxton
 

Neste novo estudo, o autor principal Richard Teague da Universidade do Michigan e a sua equipa usaram novos dados ALMA de alta resolução do projeto DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project) para estudar em mais detalhe a velocidade do gás. "Com os dados de alta fidelidade deste programa, conseguimos medir a velocidade do gás em três direções, em vez de apenas uma," disse Teague. "Pela primeira vez, medimos o movimento do gás em todas as direções possíveis. Girando, aproximando-se ou afastando-se da estrela, e para cima ou para baixo no disco."

Teague e colegas viram o gás movendo-se das camadas superiores em direção ao meio do disco em três locais diferentes. "O que provavelmente acontece é que um planeta em órbita em redor da estrela empurra o gás e a poeira para o lado, abrindo uma lacuna," explicou Teague. "O gás acima da divisão entra em colapso como uma cascata, provocando um fluxo giratório de gás no disco."

Esta é a melhor evidência, até à data, de que realmente existem planetas em formação em torno de HD 163296. Mas os astrónomos não podem dizer com 100% de certeza que os planetas provocam o fluxo de gás. Por exemplo, o campo magnético da estrela também pode provocar distúrbios no gás. "De momento, apenas a observação direta dos planetas podia descartar as outras opções. Mas os padrões deste gás são únicos e, muito provavelmente, apenas os planetas podem provocá-los," disse o coautor Jaehan Bae, do Instituto Carnegie para Ciência, que testou esta teoria com uma simulação de computador do disco.

As posições dos três planetas previstos neste estudo correspondem aos resultados do ano passado. Estão provavelmente localizados a 87, 140 e 237 UA (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância média da Terra ao Sol). Calculou-se que o planeta mais próximo de HD 163296 tem metade da massa de Júpiter e o planeta mais distante tenha o dobro da massa de Júpiter.

 
Uma simulação de computador que mostra que os padrões de fluxo gasoso são únicos e muito provavelmente provocados por planetas em três locais do disco. Os planetas em órbita da estrela empurram o gás e a poeira, criando aberturas. O gás por cima destas lacunas colapsa como uma cascata, criando um fluxo giratório de gás no disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), J. Bae; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

Os fluxos de gás da superfície para o plano médio do disco protoplanetário foram previstos no final da década de 1990. Mas esta é a primeira vez que os astrónomos os observam. Além de serem úteis para detetar planetas bebés, estes fluxos também podem esculpir a nossa compreensão de como os planetas gigantes gasosos obtêm as suas atmosferas.

"Os planetas formam-se na camada intermédia do disco, no chamado plano médio. Este é um lugar frio, protegido da radiação estelar," explicou Teague. "Nós pensamos que estas aberturas provocadas pelos planetas trazem gás mais quente das camadas externas e quimicamente mais ativas do disco e que este gás irá formar a atmosfera do planeta."

Teague e a sua equipa não esperavam poder ver este fenómeno. "O disco em torno de HD 163296 é o maior e o mais brilhante disco que podemos ver com o ALMA," salientou Teague. "Mas foi uma grande surpresa ver estes fluxos de gás com tanta nitidez. Os discos parecem ser muito mais dinâmicos do que pensávamos."

"Isto dá-nos uma imagem muito mais completa da formação dos planetas do que jamais sonhámos," disse o coautor Ted Bergin da Universidade de Michigan. "Ao caracterizar estes fluxos, podemos determinar como nascem os planetas como Júpiter e caracterizar a sua composição química durante o nascimento. Podemos ser capazes de usar isto para rastrear o local de nascimento destes planetas, pois podem mover-se durante a formação."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
31/05/2019 - Planetas gigantes e cometas "à luta" no disco circum-estelar em torno de HD 163296
15/06/2018 - ALMA descobre trio de planetas bebés em torno de estrela recém-nascida
16/12/2016 - ALMA encontra evidências convincentes de dois planetas recém-nascido em redor de jovem estrela

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ALMA observa fluxos contra-intuitivos em torno de buraco negro
 
Impressão de artista do coração da galáxia NGC 1068, que alberga um buraco negro que se alimenta ativamente, escondido por trás de uma nuvem de gás e poeira em forma de anel. O ALMA descobriu dois fluxos gasosos em contrarotação em torno do buraco negro. As cores na imagem representam o movimento do gás: o azul é material que se move na nossa direção, o vermelho é material que se afasta de nós.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

No centro de uma galáxia chamada NGC 1068, um buraco negro supermassivo esconde-se dentro uma espessa nuvem de poeira e gás em forma de anel. Quando os astrónomos usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para estudar esta nuvem em mais detalhe, fizeram uma descoberta inesperada que poderá explicar porque é que os buracos negros supermassivos cresceram tão depressa no início do Universo.

"Graças à espetacular resolução do ALMA, medimos o movimento do gás nas órbitas mais interiores em redor do buraco negro," explica Violette Impellizzeri do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), que trabalha com o ALMA no Chile e é a autora principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Surpreendentemente, encontrámos dois discos de gás girando em direções opostas."

Os buracos negros supermassivos já existiam quando o Universo era jovem, apenas mil milhões de anos após o Big Bang. Mas exatamente como estes objetos extremos, cujas massas atingem milhares de milhões de vezes a massa do Sol, tiveram tempo para crescer tanto, é uma questão importante entre os astrónomos. Esta nova descoberta do ALMA pode fornecer uma pista. "Os fluxos de gás contragiratórios são instáveis, o que significa que as nuvens caem no buraco negro mais depressa do que num disco com uma única direção de rotação," disse Impellizzeri. "Esta pode ser uma maneira pela qual um buraco negro cresce rapidamente."

NGC 1068 (também conhecida como Messier 77) é uma galáxia espiral a aproximadamente 47 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Baleia. No seu centro está um núcleo galáctico ativo, um buraco negro supermassivo que se alimenta ativamente de um disco giratório e fino de gás e poeira, também conhecido como disco de acreção.

 
Imagem ALMA que mostra dois discos de gás que se movem em direções opostas em torno do buraco negro da galáxia NGC 1068. As cores na imagem representam o movimento do gás: o azul é material que se move na nossa direção, o vermelho é material que se afasta de nós. Os triângulos brancos foram acrescentados para mostrar o gás acelerado que é expelido do disco interior - formando uma nuvem espessa que esconde o buraco negro.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), V. Impellizzeri; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
 

Observações anteriores do ALMA revelaram que o buraco negro está a engolir material e a expelir gás a velocidades incrivelmente altas. Este gás expelido do disco de acreção provavelmente contribui para ocultar a região em redor do buraco negro dos telescópios óticos.

Impellizzeri e a sua equipa usaram a incrível capacidade de ampliação do ALMA para observar o gás molecular em redor do buraco negro. Inesperadamente, encontraram dois discos de gás contragiratórios. O disco interno mede 2-4 anos-luz e segue a rotação da galáxia, ao passo que o disco externo (também conhecido como toro) mede 4-22 anos-luz e gira na direção oposta.

"Não esperávamos ver isto porque o gás que entra no buraco negro normalmente gira apenas numa direção," disse Impellizzeri. "Algo deve ter perturbado o fluxo, porque é impossível que uma parte do disco comece a girar para trás sozinha."

A contrarotação não é um fenómeno invulgar no espaço. "Vemos isto em galáxias, geralmente a milhares de anos-luz dos seus centros galácticos," explicou o coautor Jack Gallimore da Universidade Bucknell, em Lewisburg, no estado norte-americano da Pensilvânia. "A contrarotação resulta sempre da colisão ou interação entre duas galáxias. O que torna este resultado notável é que vemos contrarotação a uma escala muito menor, a dezenas de anos-luz em vez de a milhares de anos-luz do buraco negro central."

Os astrónomos pensam que o fluxo oposto em NGC 1068 pode ser provocado por nuvens de gás que caíram da galáxia hospedeira, ou por uma pequena galáxia, que passava numa órbita contrária, capturada no disco.

De momento, o disco externo parece estar numa órbita estável em redor do disco interno. "Isto vai mudar quando o disco externo começar a cair no disco interno, o que poderá ocorrer após algumas órbitas ou algumas centenas de milhares de anos. Os fluxos giratórios do gás vão colidir e tornar-se instáveis, e os discos vão provavelmente colapsar num evento luminoso quando o gás molecular cair no buraco negro. Infelizmente, não estaremos cá para testemunhar estes fogos-de-artifício," concluiu Gallimore.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
22/12/2015 - NuSTAR revela donut cósmico "grumoso" em redor de buraco negro

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A Via Láctea roubou várias galáxias minúsculas da sua vizinha

Assim como a Lua orbita a Terra, e a Terra orbita o Sol, as galáxias orbitam-se umas às outras de acordo com as previsões da cosmologia.

Por exemplo, descobriram-se até agora mais de 50 galáxias satélites em órbita da nossa própria Via Láctea. A maior delas é a Grande Nuvem de Magalhães, ou GNM, uma grande galáxia anã que se assemelha a uma nuvem fraca no céu noturno do hemisfério sul.

Uma equipa de astrónomos, liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside, descobriu que várias das galáxias pequenas - ou "anãs" - que orbitam a Via láctea provavelmente foram roubadas da GNM, incluindo várias anãs ultraténues, mas também galáxias satélites relativamente brilhantes e conhecidas, como a Anã de Carina e a Anã de Fornalha.

Os investigadores fizeram a descoberta usando novos dados recolhidos pelo telescópio espacial Gaia dos movimentos de várias galáxias próximas e contrastando-os com simulações hidrodinâmicas cosmológicas de ponta. A equipa da UC Riverside usou as posições no céu e as velocidades previstas do material, como matéria escura, acompanhando a GNM, descobrindo que pelo menos quatro galáxias anãs ultrafracas e duas anãs clássicas, Carina e Fornalha, já foram satélites da Grande Nuvem de Magalhães. Durante o processo de fusão, no entanto, a mais massiva Via Láctea usou o seu poderoso campo gravitacional para destruir a GNM e roubar estas galáxias satélites, relataram os cientistas.

 
Laura Sales (direita), professora assistente de física e astronomia na UC Riverside, e Ethan Jahn, estudante.
Crédito: UCR/grupo de Sales)
 

"Estes resultados são uma confirmação importante dos nossos modelos cosmológicos, que preveem que as pequenas galáxias anãs no Universo também devem estar cercadas por uma população de companheiras galácticas ainda mais ténues," disse Laura Sales, professora assistente de física e astronomia, que liderou a equipa de investigação. "Esta é a primeira vez que somos capazes de mapear a hierarquia da formação da estrutura destas anãs ténues e ultraténues."

Os resultados têm implicações importantes para a massa total da GNM e também para a formação da Via Láctea.

"Se tantas anãs vieram com a GNM apenas recentemente, isso significa que as propriedades da população de satélites da Via Láctea há apenas mil milhões de anos era radicalmente diferente, impactando o nosso conhecimento de como as galáxias mais fracas se formam e evoluem," disse Sales.

Os resultados do estudo aparecem na edição de novembro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

As galáxias anãs são galáxias pequenas que contêm entre alguns milhares e alguns milhares de milhões de estrelas. Os cientistas usaram simulações de computador do projeto FIRE (Feedback In Realistic Environments) para mostrar que a GNM e galáxias parecidas hospedam inúmeras galáxias anãs minúsculas, muitas das quais não contêm estrelas - apenas matéria escura, um tipo de matéria que os cientistas pensam constituir a maior parte da massa do Universo.

 
Visualização das simulações usadas no estudo. Em cima e à esquerda temos matéria escura a branco. Em baixo e à direita temos uma GNM simulada com estrelas e gás e várias companheiras galácticas mais pequenas.
Crédito: UCR/Ethan Jahn
 

"O alto número de pequenas galáxias anãs parece sugerir que o conteúdo de matéria escura da GNM é bastante grande, o que significa que a Via Láctea está a passar pela fusão mais massiva da sua história, com a GNM, sua parceira, fornecendo até um-terço da massa do halo de matéria escura da Via Láctea - o halo de material invisível que rodeia a nossa Galáxia," disse Ethan Jahn, o primeiro autor do artigo e estudante que pertence ao grupo de investigação de Sales.

Jahn explicou que o número de pequenas galáxias anãs que a GNM hospeda poderá ser maior do que os astrónomos estimaram anteriormente e que muitas dessas pequenas satélites não têm estrelas.

"As galáxias pequenas são difíceis de medir e é possível que algumas galáxias anãs ultraleves já conhecidas estejam de facto associadas à GNM," disse. "Também é possível que se descubram novas galáxias ultraténues associadas com a GNM."

As galáxias anãs podem ser satélites de galáxias maiores, ou podem estar "isoladas", existindo por si próprias e independentes de qualquer objeto maior. Jahn explicou que a GNM costumava ser isolada, mas que foi capturada pela gravidade da Via Láctea e agora é uma galáxia satélite.

"A Grande Nuvem de Magalhães continha pelo menos sete galáxias satélites, incluindo a Pequena Nuvem de Magalhães no céu do hemisfério sul, antes de serem capturadas pela Via Láctea," explicou.

A equipa vai agora estudar como as galáxias satélites do tamanho da GNM formam as suas estrelas e como a formação estelar se relaciona com a quantidade de matéria escura que possuem.

"Será interessante ver se se formam de maneira diferente dos satélites da Via Láctea," comentou Jahn.

// UC Riverside (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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(clique na imagem para ver versão maior; aqui para ver versão animada)
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA)
 
Em destaque temos uma imagem do cometa interestelar 2I/Borisov, captada no dia 12 de outubro de 2019 pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. O Hubble revela uma concentração central de poeira em torno do núcleo gelado e sólido. O Cometa 2I/Borisov é apenas o segundo objeto interestelar que se conhece a passar pelo nosso Sistema Solar. Em 2017, o primeiro visitante interestelar identificado, de nome 'Oumuamua, passou a 38 milhões de quilómetros do Sol antes de sair do Sistema Solar. 'Oumuamua parecia uma rocha simples, mas Borisov é mais ativo, mais como um cometa. O Hubble fotografou 2I/Borisov a uma distância de aproximadamente 420 milhões de quilómetros da Terra. O cometa está a viajar em direção ao Sol e fará a sua maior aproximação à nossa estrela no dia 7 de dezembro, ao dobro da distância Terra-Sol.
 
   
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