Dia 02/06: 154.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda americana a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua.
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16 poucos dias depois) com o objetivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.
Em 2003, a sonda Mars Express,carregando o "lander" britânico Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT. Observações: As constelações parecem "girar" depressa quando passam o zénite - se as comparar cmo a direção "para baixo". Há apenas semana e meia, a Ursa Maior flutuava horizontalmente ao lusco-fusco, uma hora depois do pôr-do-Sol (vista a partir da latitude 40º N). Agora situa-se na diagonal a essa hora. Daqui a outra semana e meia estará apoiada verticalmente na sua "pega"!
Dia 03/06: 155.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1769, o capitão James Cook observa o trânsito de Vénus sob céus limpos no Tahiti.
Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias. Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez na história dos EUA, num passeio que durou aproximadamente 20 minutos.
Em 1966, lançamento da Gemini 9A. Observações: Conjunção inferior de Vénus, pelas 18:34.
"Cassiopeia" geralmente significa "Frio!" O final do outono e inverno são quando esta famosa constelação se situa bem alta (vista a partir de latitudes médias norte). Mas mesmo durante as quentes noites de junho, ainda se encontra baixa. Ao cair da noite, procure a constelação perto do horizonte a norte: um "W" largo. Quanto mais para norte o observador se encontrar, mais alta parecerá estar.
Dia 04/06: 156.º dia do calendário gregoriano. História: Em 781 AC era registado pela primeira vez um eclipse solar total na China.
Em 1769, um trânsito de Vénus é seguido cinco horas depois de um eclipse solar total, o intervalo de tempo mais curto para tais eventos na História.
Em 1783, os irmãos Montgolfier elevavam-se pela primeira vez no ar a bordo do seu balão de ar quente.
Em 1996, primeiro lançamento do Ariane 5, que explode após 20 segundos de voo. Transportava o satélite Cluster.
Em 2000, chega ao fim a missão do Observatório Compton, quando reentra na atmosfera da Terra. Os detritos restantes caem no Oceano Pacífico.
Em 2010, voo inaugural do Falcon 9, o foguetão da companhia SpaceX, lançado a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40, em Cabo Canaveral. Observações: Mercúrio na sua maior elongação este, pelas 14:30.
Após o cair da noite, é a vez da estrela de 1.ª magnitude, Antares, situar-se à mesma distância para baixo da Lua do que Espiga se situou na segunda. Espiga tem um tom azul pálido. Já Antares tem um tom alaranjado mais forte.
Curiosidades
No passado sábado, a NASA e a SpaceX lançaram com sucesso a Crew Dragon para o espaço com dois astronautas a bordo. É a primeira missão privada do seu género. No dia seguinte, a cápsula atracou com sucesso na ISS.
MAXI J1820+070: surto de buraco negro "apanhado" em vídeo
Imagem no visível e no infravermelho, de campo largo, em torno da posição de MAXI J1820+070 no céu (assinalado pela cruz).
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Universidade de Paris/M. Espinasse et al.; ótico/IR: PanSTARRS
Os astrónomos encontraram um buraco negro a lançar material quente para o espaço quase à velocidade da luz. Este surto foi capturado numa nova animação do Observatório de raios-X Chandra da NASA.
O buraco negro e a sua estrela companheira compõem o sistema chamado MAXI J1820+070, localizado na nossa Galáxia a cerca de 10.000 anos-luz da Terra. O buraco negro no sistema MAXI J1820+070 tem uma massa de aproximadamente 8 vezes a do Sol, identificando-o como um buraco negro de massa estelar, formado pela destruição de uma estrela massiva (isto em contraste com os buracos negros supermassivos que contêm milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol).
A estrela companheira que orbita o buraco negro tem cerca de metade da massa do Sol. A forte gravidade do buraco negro puxa material da estrela companheira para um disco que emite raios-X situado em torno de si próprio.
Enquanto parte do gás quente no disco cruza o "horizonte de eventos" (o ponto de não retorno) e cai no buraco negro, parte é expelida para longe do buraco negro num par de feixes curtos de material, ou jatos. Estes jatos estão apontados em direções opostas, lançados de fora do horizonte de eventos ao longo das linhas do campo magnético. As novas imagens do comportamento deste buraco negro são baseadas em quatro observações obtidas com o Chandra em novembro de 2018 e fevereiro, maio e junho de 2019, e foram relatadas num artigo liderado por Mathilde Espinasse da Universidade de Paris.
O painel principal da imagem acima é uma imagem ótica e infravermelha de campo largo da Via Láctea pelo telescópio ótico PanSTARRS no Hawaii, com a posição de MAXI J1820+070 acima do plano da Galáxia assinalada por uma cruz. A inserção mostra uma animação que percorre as quatro observações do Chandra, em que o "dia 0" corresponde à primeira observação de 13 de novembro de 2018, cerca de quatro meses depois do lançamento do jato. MAXI J1820+070 é a brilhante fonte de raios-X no meio da imagem e as fontes de raios-X podem ser vistas a afastarem-se do buraco negro em jatos para norte e sul. MAXI J1820+070 é uma fonte pontual de raios-X, embora pareça ser muito maior do que um ponto porque é bastante mais brilhante do que as fontes de jato. O jato sul é demasiado fraco para ser detetado nas observações de maio e junho de 2019.
Qual é a velocidade a que os jatos de material se afastam do buraco negro? Do ponto de vista da Terra, parece que o jato norte está a mover-se a 60% da velocidade da luz, enquanto o jato sul está a viajar a 160% da velocidade luz, o que parece impossível!
Este é um exemplo de movimento superluminal, um fenómeno que ocorre quando algo viaja na nossa direção perto da velocidade da luz, ao longo de uma direção próxima da nossa linha de visão. Isto significa que o objeto viaja quase tão depressa na nossa direção quanto a luz que gera, dando a ilusão de que o movimento do jato é mais rápido do que a velocidade da luz. No caso de MAXI J1820+070, o jato sul está a apontar na nossa direção e o jato norte está a apontar para longe de nós, de modo que o jato sul parece estar a mover-se mais depressa do que o jato norte. A velocidade real das partículas nos dois jatos é superior a 80% da velocidade da luz.
Ilustração que mostra um buraco negro a puxar material de uma estrela companheira em íntima órbita. Parte deste gás quente no disco vai atravessar o "horizonte de eventos" (o ponto de não retorno) e cair para o buraco negro, e outra parte será expelida pelo buraco negro num par de feixes estreitos de material, ou jatos. Estes jatos têm direções opostas, lançados de fora do horizonte de eventos ao longo das linhas do campo magnético.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
Apenas dois outros exemplos de expulsões de alta velocidade foram observados em raios-X oriundos de buracos negros de massa estelar.
MAXI J1820+070 também foi observado no rádio por uma equipa liderada por Joe Bright, da Universidade de Oxford, que havia relatado anteriormente a deteção de movimento superluminal de fontes compactas baseado em apenas dados de rádio que se estendiam desde o lançamento dos jatos no dia 7 de julho de 2018, até ao final de 2018.
Dado que as observações do Chandra aproximadamente duplicaram o tempo de acompanhamento dos jatos, uma análise combinada dos dados de rádio e dos novos dados do Chandra, por Espinasse e pela sua equipa, forneceu mais informações. Isto inclui evidências de que os jatos estão a desacelerar à medida que se afastam do buraco negro.
A maior parte da energia nos jatos não é convertida em radiação, mas é libertada quando as partículas nos jatos interagem com o material circundante. Estas interações podem ser a causa da desaceleração dos jatos. Quando os jatos colidem com o material circundante no espaço interestelar, ocorrem ondas de choque - semelhantes às explosões sónicas provocadas por aeronaves supersónicas. Este processo gera energias maiores que as do LHC (Large Hadron Collider).
Os investigadores estimam que cerca de 200 mil biliões de quilogramas de material tenham sido expelidos pelo buraco negro nestes dois jatos lançados em julho de 2018. Esta quantidade de massa é comparável à que podia ficar acumulada no disco em torno do buraco negro no espaço de algumas horas, e é equivalente a cerca de mil Cometas Halley.
Os estudos de MAXI J1820+070 e sistemas similares prometem ensinar-nos mais sobre os jatos produzidos por buracos negros de massa estelar e como libertam a sua energia quando interagem com o ambiente.
As observações rádio realizadas com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e com o MeerKAT também foram usadas para estudar os jatos de MAXI J1820+070.
O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição mais recente da revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.
Hubble descobre que "distância" das estrelas mais brilhantes é crucial para preservar discos primordiais
Esta imagem mostra a brilhante peça central da homenagem ao 25.º aniversário do Hubble. Westerlund 2 é um enxame gigante com cerca de 3000 estrelas, localizado a 20.000 anos-luz de distância na direção da constelação da Quilha (ou Carina).
A câmara infravermelha do Hubble atravessa o véu empoeirado que envolve o berçário estelar, dando aos astrónomos uma visão clara da densa concentração de estrelas no enxame central.
Crédito: NASA, ESA, Equipa do Arquivo Hubble (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI) e Equipa Científica de Westerlund 2
O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foi usado para realizar um estudo de três anos do denso, massivo e jovem enxame estelar Westerlund 2. A investigação descobriu que o material que envolve as estrelas perto do centro do enxame está misteriosamente desprovido de nuvens densas e grandes de poeira que seria de esperar formassem planetas em alguns milhões de anos. A sua ausência é causada pelas estrelas mais massivas e brilhantes do aglomerado, que corroem e dispersam os discos de gás e poeira das estrelas vizinhas. É a primeira vez que os astrónomos analisam um exame de estrelas extremamente denso para estudar quais os ambientes favoráveis à formação planetária.
Este estudo, entre 2016 e 2019, procurou investigar as propriedades de estrelas durante as suas fases evolutivas iniciais e rastrear a evolução dos seus ambientes circum-estelares. Estes estudos haviam sido anteriormente confinados às regiões de formação estelar mais próximas e de baixa densidade. Os astrónomos usaram agora o Telescópio Espacial Hubble para estender esta pesquisa, pela primeira vez, ao centro de um dos poucos enxames estelares e jovens na Via Láctea, Westerlund 2.
Os astrónomos descobriram que os planetas têm dificuldade em se formar nesta região central do enxame. As observações também revelam que as estrelas na periferia do enxame possuem imensas nuvens de poeira formadoras de planetas incorporadas nos seus discos. Para explicar porque algumas estrelas em Westerlund 2 têm dificuldade em formar planetas, enquanto outras não, os investigadores sugerem que isso se deve principalmente à localização. As estrelas mais massivas e brilhantes do enxame reúnem-se no núcleo. Westerlund 2 contém pelo menos 37 estrelas extremamente massivas, algumas com até 100 massas solares. A sua radiação ultravioleta intensa e ventos estelares semelhantes a furacões agem como "maçaricos" e desgastam os discos em torno das estrelas vizinhas, dispersando as gigantescas nuvens de poeira.
Esta imagem do enxame Westerlund 2 e dos seus arredores, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, foi divulgada para celebrar os 25 anos do Hubble em órbita e um quarto de século de novas descobertas, imagens impressionantes e ciência incrível.
A região central da imagem, que contém o enxame estelar, mistura dados óticos obtidos com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) e exposições no infravermelho próximo obtidas com o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3). A região circundante é composta por observações óticas obtidas pelo ACS.
Crédito: NASA, ESA, Equipa do Arquivo Hubble (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI) e Equipa Científica de Westerlund 2
"Basicamente, se tivermos estrelas monstruosas, a sua energia altera as propriedades dos discos," explicou a investigadora principal Elena Sabbi, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. "Podemos ainda ter um disco, mas as estrelas mudam a composição da poeira nos discos, de modo que é mais difícil criar estruturas estáveis que eventualmente levem aos planetas. Pensamos que a poeira ou evapora em 1 milhão de anos, ou muda de composição e tamanho de forma tão dramática que os planetas não têm os blocos de construção para se formarem."
Westerlund 2 é um laboratório único para estudar processos evolutivos estelares, porque está relativamente próximo, é bastante jovem e contém uma população estelar rica. O enxame reside num berçário estelar chamado Gum 29, localizado a aproximadamente 14.000 anos-luz de distância na direção da constelação Carina (ou Quilha). O berçário estelar é difícil de observar porque está cercado por poeira, mas o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble pode espiar através do véu empoeirado no infravermelho, dando aos astrónomos uma visão clara do enxame. A visão nítida do enxame foi usada para resolver e estudar a densa concentração de estrelas no enxame central.
"Com uma idade inferior a dois milhões de anos, Westerlund 2 abriga algumas das estrelas mais massivas e quentes da Via Láctea," disse o membro da equipa Danny Lennon do Instituto de Astrofísica das Canárias e da Universidade de La Laguna. "O ambiente deste enxame é, portanto, constantemente bombardeado por fortes ventos estelares e radiação ultravioleta destas gigantes que têm massas até 100 vezes a do Sol."
Sabbi e a sua equipa descobriram que das quase 5000 estrelas em Westerlund 2 que têm massas entre 0,1 e 5 vezes a massa do Sol, 1500 delas mostram flutuações dramáticas de luminosidade, o que é comumente aceite como devido à presença de grandes estruturas empoeiradas e planetesimais. O material em órbita bloquearia temporariamente parte da luz estelar, provocando flutuações no brilho. No entanto, o Hubble detetou a assinatura de partículas de poeira apenas em torno de estrelas fora da região central. Não detetaram estas quedas de brilho em estrelas que residem dentro de 4 anos-luz do centro.
Esta imagem, pelo DSS (Digitized Sky Survey), mostra o enxame estelar Westerlund 2 seus arredores. Uma imagem de Westerlund 2 foi divulgada para celebrar o 25.º aniversário do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.
Crédito: NASA, ESA, DSS2
"Nós pensamos que são planetesimais ou estruturas em formação," explicou Sabbi. "Estas podem ser as sementes que eventualmente estabelecem planetas em sistemas mais evoluídos. Estes são os sistemas que não vemos perto de estrelas muito massivas. Só os vemos em sistemas fora do centro."
Graças ao Hubble, os astrónomos podem agora ver como as estrelas acretam em ambientes parecidos aos do Universo primitivo, onde os enxames eram dominados por estrelas monstruosas. Até agora, o ambiente estelar próximo e mais bem conhecido, que contém estrelas massivas, é a região de formação estelar na Nebulosa de Orionte. No entanto, Westerlund 2 é um alvo mais rico devido à sua maior população estelar.
"Westerlund 2 fornece-nos estatísticas muito melhores sobre como a massa afeta a evolução das estrelas, quão rapidamente evoluem e vemos a evolução dos discos estelares e a importância do feedback estelar na modificação das propriedades destes sistemas," disse Sabbi. "Podemos usar todas estas informações para informar modelos de formação planetária e de evolução estelar."
Este enxame será um alvo excelente para observações de acompanhamento com o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, um observatório infravermelho. O Hubble ajudou os astrónomos a identificar as estrelas que possuem possíveis estruturas planetárias. Com o Telescópio Webb, os cientistas serão capazes de estudar quais os discos em torno de estrelas que não estão a acretar material e quais os discos que ainda têm material que pode dar azo a planetas. O Webb também vai estudar a química dos discos em diferentes fases evolutivas e observar como mudam, para ajudar os astrónomos a determinar qual o papel do ambiente na sua evolução.
"Uma conclusão importante deste trabalho é que a poderosa radiação ultravioleta de estrelas massivas altera os discos em torno das estrelas vizinhas," disse Lennon. "Se isto for confirmado com medições do Telescópio Espacial James Webb, este resultado também poderá explicar porque é que os sistemas planetários são raros em enxames globulares massivos e antigos."
Imagem do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS), obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA no dia 23 de abril de 2020. O Hubble conseguiu resolver aproximadamente 25 fragmentos do cometa nesta imagem.
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA), Q. Ye (Universidade de Maryland)
A Solar Orbiter da ESA irá atravessar as caudas do Cometa ATLAS durante os próximos dias. Embora a recém-lançada aeronave não estivesse, neste momento, programada para receber dados científicos, especialistas da missão trabalharam para garantir que os quatro instrumentos mais relevantes fossem ligados durante o singular encontro.
A Solar Orbiter foi lançada no dia 10 de fevereiro de 2020. Desde então, e com exceção de uma breve desativação devida à pandemia de coronavírus, cientistas e engenheiros têm vindo a realizar uma série de testes e rotinas de configuração conhecidas como comissionamento.
A data de conclusão desta fase foi fixada a 15 de junho, para que a sonda pudesse estar totalmente funcional para a sua primeira passagem próxima ao Sol, ou periélio, em meados de junho. No entanto, a descoberta do encontro casual com o cometa tornou as coisas mais urgentes.
A missão Solar Orbiter da ESA vai enfrentar o Sol a partir do interior da órbita de Mercúrio na sua maior aproximação.
Crédito: ESA/ATG medialab
O voo fortuito pela cauda de um cometa é um evento raro para uma missão espacial, algo que os cientistas sabem que aconteceu anteriormente apenas seis vezes em missões que não estavam especificamente em perseguição a cometas. Todos esses encontros foram descobertos nos dados da aeronave após o evento. A próxima travessia da Solar Orbiter é a primeira prevista com antecedência.
Foi observado por Geraint Jones, do UCL Mullard Space Science Laboratory, Reino Unido, que tem 20 anos de história a investigar estes encontros. Descobriu a primeira travessia acidental da cauda em 2000, enquanto investigava uma estranha perturbação nos dados registados pela sonda solar Ulysses da ESA/NASA, em 1996. Este estudo revelou que a sonda havia passado pela cauda do Cometa Hyakutake, também conhecido como "O Grande Cometa de 1996". Logo após o anúncio, Ulysses cruzou a cauda de outro cometa e depois um terceiro em 2007.
No início deste mês, ao perceber que a Solar Orbiter estaria a 44 milhões de quilómetros a jusante do cometa C/2019 Y4 (ATLAS) dentro de algumas semanas, Geraint alertou imediatamente a equipa da ESA.
Ciência extra
O conjunto de dez instrumentos da Solar Orbiter que vão estudar o Sol. Existem dois tipos: in situ e sensoriamento remoto. Os instrumentos in situ vão medir as condições em torno da própria sonda. Os instrumentos de sensoriamento remoto medem o que está a acontecer a grandes distâncias. Juntos, ambos os conjuntos de dados podem ser usados para criar uma imagem mais completa do que está a acontecer na coroa do Sol e do vento solar.
Crédito: ESA-S. Poletti
A Solar Orbiter está equipada com um conjunto de 10 instrumentos de sensoriamento remoto e in situ para investigar o Sol e o fluxo de partículas carregadas que este liberta para o espaço - o vento solar. Felizmente, os quatro instrumentos in situ também são perfeitos para detetar as caudas do cometa, porque medem as condições ao redor da aeronave e, assim, podem enviar dados sobre os grãos de poeira e as partículas eletricamente emitidas pelo cometa. Estas emissões criam as duas caudas do cometa: a cauda de poeira, que é deixada para trás na órbita do cometa, e a cauda de iões que aponta diretamente para o Sol.
A Solar Orbiter cruzou a cauda de iões do cometa ATLAS entre 31 de maio e 1 de junho e vai cruzar a cauda de poeira a 6 de junho. Se a cauda de iões for densa o suficiente, o magnetómetro da Solar Orbiter (MAG) poderá detetar a variação do campo magnético interplanetário devido à sua interação com iões na cauda do cometa, enquanto o instrumento SWA (Solar Wind Analyser) poderá capturar diretamente algumas partículas da cauda.
Os componentes principais de um cometa - núcleo, cabeleira, invólucro de hidrogénio, poeira e caudas de plasma - indicando a sua composição, tamanhos relativos e localização.
Uma versão mais longa deste infográfico, incluindo uma ilustração do principal reservatório de cometas do Sistema Solar, foi publicada em 2014.
O diagrama é representativo e não está à escala.
Crédito: ESA
Quando a Solar Orbiter cruzar a cauda de poeira, dependendo da sua densidade - o que é extremamente difícil de prever - é possível que um ou mais grãos minúsculos de poeira atinjam a aeronave a velocidades de dezenas de quilómetros por segundo. Embora não haja risco significativo para a aeronave, os grãos de poeira serão vaporizados no impacto, formando pequenas nuvens de gás ou plasma eletricamente carregado, os quais podem ser detetados pelo instrumento RPW (Radio and Plasma Waves).
"Um encontro inesperado como este oferece uma missão com oportunidades e desafios únicos, mas isso é bom! Oportunidades como esta fazem parte da aventura da ciência," diz Günther Hasinger, Diretor de Ciências da ESA.
Um desses desafios era que parecia improvável que todos os instrumentos estivessem prontos a tempo devido ao comissionamento. Agora, graças a um esforço especial das equipas de instrumentos e da equipa de operações de missão da ESA, todos os quatro instrumentos no local estarão ligados e a recolher dados, mesmo que em determinados momentos os instrumentos precisem voltar ao modo de comissionamento, de modo a garantir que o prazo de 15 de junho é cumprido.
"Com estas advertências, estamos prontos para o que o Cometa ATLAS tem para nos dizer," diz Daniel Müller, Cientista do Projeto Solar Orbiter da ESA.
Esperar o inesperado
O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA forneceu aos astrónomos a melhor imagem até agora da fragmentação do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS). O telescópio resolveu aproximadamente 30 fragmentos do cometa no dia 20 de abril e 25 no dia 23 de abril.
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA), Q. Ye (Universidade de Maryland)
Outro desafio envolve o comportamento do cometa. O Cometa ATLAS foi descoberto no dia 28 de dezembro de 2019. Durante os meses seguintes, ficou tão brilhante que os astrónomos se questionaram se seria visível a olho nu em maio.
Infelizmente, no início de abril o cometa fragmentou-se. Como resultado, o seu brilho também caiu significativamente, roubando as vistas aos observadores do céu. Uma fragmentação adicional, em meados de maio, diminuiu ainda mais o cometa, tornando-o menos provável de ser detetado pela Solar Orbiter.
Embora as probabilidades de deteção tenham diminuído, ainda vale a pena fazer o esforço, de acordo com Geraint.
"A cada encontro com um cometa, aprendemos mais sobre estes intrigantes objetos. Se a Solar Orbiter detetar a presença do Cometa ATLAS, aprenderemos mais sobre como os cometas interagem com o vento solar e podemos verificar, por exemplo, se as nossas expectativas em relação ao comportamento da cauda de poeira estão de acordo com os nossos modelos," explica. "Todas as missões que encontram cometas fornecem peças do quebra-cabeças."
Geraint é o principal investigador da futura missão Comet Interceptor da ESA, que consiste em três naves espaciais e está programada para ser lançada em 2028. A missão fará um sobrevoo muito mais próximo de um cometa ainda desconhecido que será selecionado entre os cometas recém-descobertos mais perto do tempo do lançamento (ou mesmo depois disso).
Tocar ao de leve o Sol
A viagem da Solar Orbiter em torno do Sol.
Crédito: ESA-S. Poletti
Atualmente, a Solar Orbiter está a circular a nossa estrela-mãe entre as órbitas de Vénus e Mercúrio, com o seu primeiro periélio a ocorrer a 15 de junho, a cerca de 77 milhões de quilómetros do Sol. Nos próximos anos, ficará muito mais próximo, dentro da órbita de Mercúrio, a cerca de 42 milhões de quilómetros da superfície solar. Enquanto isso, o Cometa ATLAS já está lá, aproximando-se do seu próprio periélio a 31 de maio, a cerca de 37 milhões de quilómetros do Sol.
"Este cruzamento da cauda também é emocionante porque ocorrerá, pela primeira vez, a distâncias tão próximas do Sol, com o núcleo do cometa dentro da órbita de Mercúrio," diz Yannis Zouganelis, Cientista Adjunto do Projeto Solar Orbiter da ESA.
Compreender o ambiente de poeira na região mais interna do Sistema Solar é um dos objetivos científicos da Solar Orbiter.
"Os cometas próximos do Sol, como o Cometa ATLAS, são fontes de poeira na heliosfera interna e, portanto, este estudo não apenas nos ajudará a entender o cometa, mas também o ambiente de poeira da nossa estrela," acrescenta Yannis.
Olhar para um objeto gelado em vez do Sol escaldante é certamente uma maneira emocionante - e inesperada - para a Solar Orbiter iniciar a sua missão científica, mas essa é a natureza da ciência.
"A descoberta científica baseia-se num bom planeamento e acaso. Nos três meses desde o lançamento, a equipa da Solar Orbiter já provou que está pronta para os dois," diz Daniel.
Dados do ESO mostram que estrelas quentes “sofrem” de manchas magnéticas gigantes (via ESO)
Com o auxílio dos telescópios do ESO, os astrónomos descobriram manchas gigantes na superfície de estrelas extremamente quentes escondidas em enxames estelares. Estas estrelas não sofrem apenas de manchas magnéticas, algumas apresentam também eventos de super-erupções, explosões de energia vários milhões de vezes mais energéticas que erupções semelhantes no Sol. Esta descoberta, publicada na revista Nature Astronomy, ajuda os astrónomos a perceber melhor estas estrelas intrigantes e abre portas para a resolução de outros mistérios da astronomia estelar. Ler fonte
Fusões entre galáxias despoletam atividade no seu núcleo (via SRON)
Os núcleos galácticos ativos (NGAs) desempenham um papel crucial na evolução das galáxias. Os astrónomos usaram agora uma amostra recorde de galáxias para confirmar que as fusões galácticas têm um efeito positivo na "ignição" dos NGAs. Também foram capazes de compilar cerca de dez vezes mais imagens de fusões galácticas do que estudos anteriores usando um algoritmo de aprendizagem de máquina. Ler fonte
Álbum de fotografias - O Centro Ativo da Neublosa da Lagoa
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