Dia 05/06: 157.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1819, nascia John Couch Adams, astrónomo e matemático inglês. É famoso por prever a existência e posição de Neptuno usando apenas a matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias entre a órbita de Úrano e as leis de Kepler e Newton. Ao mesmo tempo, para seu desconhecimento, os cálculos foram também feitos por Urbain Le Verrier, que ajudaria à localização do planeta em 1846.
Em 1965, nascia Michael E. Brown, cuja equipa descobriu muitos objectos trans-neptunianos, incluindo o planeta anão Éris, o único objeto desta categoria mais massivo que Plutão.
Refere-se a ele próprio como o homem que "matou Plutão", pois ajudou à sua demoção de planeta principal para anão.
Em 1995, é criado pela primeira vez um concentrado Bose-Einstein.
Em 2012, começa o último trânsito de Vénus do século XXI. Observações: Lua Cheia, pelas 20:12. Procure, para a direita do nosso satélite natural, a mais ou menos um punho à distância do braço esticado, a alaranjada Antares e as outras estrelas da parte superior de Escorpião.
Ainda consegue observar Mercúrio, ao lusco-fusco, para baixo de Pollux e Castor? A sua aparição atual está a chegar ao fim. A próxima [e boa] só terá lugar no inverno de 2021.
Dia 06/06: 158.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1580, nascia Godefroy Wendelin, astrónomo da Flandres (norte da Bélgica), que mediu a distância entre a Terra e o Sol usando o método de Aristarco de Samos (que resultou em 60% do valor verdadeiro) e que reconheceu que a terceira lei de Kepler também se aplicava aos satélites de Júpiter.
Em 1966, aterragem da Gemini 9.
Em 1971 era lançada a Soyuz 11, a primeira e única missão tripulada que acoplou com a primeira estação espacial, a Salyut 1.
A missão acabou em desastre a 30 de junho, quando a cápsula ficou despressurizada durante a reentrada, matando os cosmonautas a bordo.
Em 1983, lançamento da Venera 16, com destino Vénus. Observações: Marte na sua quadratura oeste, pelas 19:23.
Dia 07/06: 159.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1992, era lançado o EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer). Observações: Durante grande parte da primavera, a latitudes médias norte, a Via Láctea fica fora de vista. Mas observe agora a este. A rica extensão de Cassiopeia-Cefeu-Cisne-Águia da Via Láctea começa a nascer a este por estas noites, cada vez mais cedo e mais alta todas as semanas. Uma dica para observadores com poluição luminosa: encontra-se na horizontal para baixo de Vega, passa pelo Triângulo de Verão.
Dia 08/06: 160.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1625 nascia Giovanni Cassini.
Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9 (USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos. Observações: Depois da meia-noite (de dia 7 para 8), vire-se para sudeste e observe a Lua. Os pontos brilhantes para a sua esquerda são os planetas Júpiter e Saturno. À medida que a Terra gira e as horas passam os astros ficam mais altos no céu.
Curiosidades
O Braço de Orionte ou Local contém algumas das mais conhecidas estrelas do céu, como Rigel, Betelgeuse, Polaris ou Deneb. Também contém alguns dos mais famosos objetos do catálogo de Messier, como por exemplo M6, M7, M27, M42, M44, M45 ou M57.
Hubble faz descoberta surpreendente no Universo primitivo
Novos resultados do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA sugerem que a formação das primeiras estrelas e galáxias no início do Universo ocorreu mais cedo do que se pensava anteriormente. Uma equipa europeia de astrónomos não encontrou evidências da primeira geração de estrelas, conhecida como População III, até uma altura no passado em que o Universo tinha menos de mil milhões de anos.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
Novos resultados do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA sugerem que a formação das primeiras estrelas e galáxias no início do Universo ocorreu mais cedo do que se pensava anteriormente. Uma equipa europeia de astrónomos não encontrou evidências da primeira geração de estrelas, conhecida como População III, até uma altura no passado em que o Universo tinha apenas 500 milhões de anos.
A exploração das primeiras galáxias continua a ser um desafio significativo na astronomia moderna. Não sabemos quando ou como as primeiras estrelas e galáxias do Universo se formaram. Estas perguntas podem ser abordadas com o Telescópio Espacial Hubble através de observações profundas. O Hubble permite que os astrónomos vejam o Universo até 500 milhões de anos após o Big Bang.
Uma equipa de investigadores europeus, liderada por Rachana Bhatawdekar da ESA, decidiu estudar a primeira geração de estrelas no início do Universo. Conhecidas como estrelas de População III (cujo nome surgiu porque os astrónomos já tinham classificado estrelas da Via Láctea como População I, estrelas como o Sol, ricas em elementos mais pesados, e População II, estrelas mais velhas com um conteúdo baixo de elementos pesados, encontradas no bojo e no halo da Via Láctea e em enxames globulares), estas estrelas foram forjadas a partir do material primordial que emergiu do Big Bang. As estrelas de População III devem ter sido formadas exclusivamente com hidrogénio, hélio e lítio, os únicos elementos que existiam antes dos processos nos núcleos dessas estrelas produzirem elementos mais pesados, como oxigénio, azoto, carbono e ferro.
Bhatawdekar e a sua equipa investigaram o Universo primitivo cerca de 500 milhões a mil milhões de anos após o Big Bang estudando o enxame MACSJ0416 e o seu campo paralelo com o Telescópio Espacial Hubble (com dados de suporte do Telescópio Espacial Spitzer da NASA e do VLT do ESO). "Não encontrámos evidências destas estrelas de primeira geração, ou População III, neste intervalo de tempo cósmico," disse Bhatawdekar acerca dos novos resultados.
Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o enxame galáctico MACS J0416. É um de seis enxames estudados pelo programa Frontier Fields do Hubble, que obteve as imagens mais profundas de lentes gravitacionais.
Os cientistas usam a luz intraenxame (visível a azul) para estudar a distribuição da matéria escura dentro do aglomerado.
Crédito: NASA, ESA e M. Montes (Universidade de Nova Gales do Sul, Sydney, Austrália)
Isto foi alcançado usando o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) e o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Telescópio Espacial Hubble, como parte do programa Frontier Fields do Hubble. Este programa (que observou seis distantes enxames galácticos de 2012 a 2017) produziu as observações mais profundas alguma vez feitas de enxames de galáxias e das galáxias localizadas atrás deles que foram ampliadas pelo efeito das lentes gravitacionais, revelando galáxias 10 a 100 vezes mais ténues do que as observadas anteriormente. As massas dos enxames galácticos em primeiro plano são grandes o suficiente para curvar e ampliar a luz dos objetos mais distantes atrás deles. Isto permite que o Hubble use estas lupas cósmicas para estudar objetos que estão para lá das suas capacidades operacionais nominais.
Bhatawdekar e a sua equipa desenvolveram uma nova técnica que remove a luz das galáxias brilhantes em primeiro plano que constituem estas lentes gravitacionais. Isto permitiu-lhes descobrir galáxias com massas mais baixas do que as observadas anteriormente com o Hubble, a uma distância correspondente a quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos. Neste ponto do tempo cósmico, a falta de evidências para populações estelares exóticas e a identificação de muitas galáxias de baixa massa suporta a sugestão de que estas galáxias são os candidatos mais prováveis à reionização do Universo. Este período de reionização no início do Universo é quando o meio intergaláctico neutro foi ionizado pelas primeiras estrelas e galáxias.
"Estes resultados têm profundas consequências astrofísicas, pois mostram que as galáxias devem ter-se formado muito antes do que pensávamos," disse Bhatawdekar. "Isto também apoia fortemente a ideia de que galáxias de baixa massa/ténues no início do Universo são responsáveis pela ionização."
Estes resultados, baseados num artigo científico anterior de 2019 e noutro artigo que será publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, também sugerem que a formação mais precoce de estrelas e galáxias ocorreu muito antes do que pode ser investigado com o Telescópio Espacial Hubble. Isto deixa uma área empolgante de investigação adicional para o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA - para estudar as primeiras galáxias do Universo.
Flash intenso do buraco negro da Via Láctea iluminou gás bem para lá da nossa Galáxia
Há cerca de 3,5 milhões de anos, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Via Láctea libertou uma enorme explosão de energia. Os nossos antepassados primitivos, que já percorriam as planícies africanas, provavelmente teriam testemunhado este surto como um brilho fantasmagórico bem alto na direção da constelação de Sagitário. Pode ter persistido durante um milhão de anos.
Agora, eras depois, os astrónomos estão a usar as capacidades únicas do Telescópio Espacial Hubble da NASA para descobrir ainda mais pistas sobre esta explosão cataclísmica. Olhando para os arredores da nossa Galáxia, descobriram que o "holofote" do buraco negro chegou tão longe no espaço que iluminou um vasto comboio de gás que segue as duas proeminentes galáxias satélites da Via Láctea: a Grande Nuvem de Magalhães (GNM) e a sua companheira, a Pequena Nuvem de Magalhães (PNM).
O surto do buraco negro foi provavelmente provocado por uma grande nuvem de hidrogénio com até 100.000 vezes a massa do Sol caindo sobre o disco de material que rodopia perto do buraco negro central. A explosão resultante enviou cones de intensa radiação ultravioleta acima e abaixo do plano da Galáxia e para as profundezas do espaço.
Ilustração de um enorme surto da vizinhança do buraco negro central da Via Láctea que enviou cones de intensa radiação ultravioleta acima e abaixo do plano da Galáxia e para o espaço. O cone de radiação expelido do polo sul da Via Láctea iluminou uma estrutura massiva de gás em forma de fita chamada Corrente de Magalhães. Este vasto comboio de gás acompanha as duas mais famosas galáxias satélites da Via Láctea: a Grande Nuvem de Magalhães e a sua companheira, a Pequena Nuvem de Magalhães. Os astrónomos estudaram linhas de visão a quasares bem para lá da Corrente de Magalhães e por trás de outra característica conhecida como Braço Principal, um "braço" gasoso e esfarrapado que precede a GNM e a PNM na sua órbita em torno da Via Láctea. Ao contrário da Corrente de Magalhães, o Braço Principal não mostrou evidências de ter sido iluminado pelo surto. O mesmo evento que provocou o surto de radiação também "arrotou" o plasma quente que agora está a elevar-se a cerca de 30.000 anos-luz acima e abaixo do plano da nossa Galáxia. Estas bolhas, visíveis apenas em raios-gama e com uma massa equivalente a milhões de sóis, são chamadas Bolhas de Fermi. Pensava-se que as Bolhas de Fermi e a Corrente de Magalhães eram separadas e que não tinham relação uma com a outra, mas agora parece que o mesmo flash poderoso do buraco negro central da nossa Galáxia desempenhou um papel em ambas.
Crédito: NASA, ESA e L. Hustak (STScI)
O cone de radiação que explodiu do polo sul da Via Láctea iluminou uma enorme estrutura gasosa em forma de fita chamada Corrente de Magalhães. O flash iluminou uma parte do fluxo, ionizando o seu hidrogénio (o suficiente para produzir 100 milhões de sóis) ao remover os átomos dos seus eletrões.
"O flash foi tão poderoso que iluminou o fluxo como uma árvore de Natal - foi um evento cataclísmico!" disse o investigador principal Andrew Fox do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore. "Isto mostra-nos que diferentes regiões da Galáxia estão ligadas - o que acontece no Centro Galáctico faz diferença no que acontece na Corrente de Magalhães. Estamos a aprender mais sobre como o buraco negro afeta a Galáxia e o seu ambiente."
A equipa de Fox usou as capacidades ultravioletas do Hubble para examinar o fluxo usando quasares de fundo - os núcleos brilhantes de galáxias ativas e distantes - como fontes de luz. O instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble pode ver as impressões digitais dos átomos ionizados na luz ultravioleta dos quasares. Os astrónomos estudaram as linhas de visão de 21 quasares bem para lá da Corrente de Magalhães e 10 por trás de outro elemento chamado Braço Principal, um "braço" gasoso e esfarrapado que precede a GNM e a PNM na sua órbita em torno da Via Láctea.
"Quando a luz do quasar passa pelo gás em que estamos interessados, parte da luz em comprimentos de onda específicos é absorvida pelos átomos na nuvem," disse Elain Frazer, do STScI, que analisou as linhas de visão e descobriu novas tendências nos dados. "Quando observamos o espectro de luz quasar em comprimentos de onda específicos, vemos evidências de absorção de luz que não veríamos se a luz não tivesse passado pela nuvem. A partir disto, podemos tirar conclusões sobre o próprio gás."
A equipa encontrou evidências de que os iões haviam sido criados na Corrente de Magalhães por um flash energético. A explosão foi tão poderosa que iluminou a corrente, embora esta estrutura esteja a cerca de 200.000 anos-luz do Centro Galáctico.
Há 3,5 milhões de anos - um mero piscar de olhos em termos de tempo cósmico - uma tremenda explosão abalou o centro da nossa Galáxia. Os nossos antepassados distantes, que já percorriam as planícies africanas, provavelmente teriam visto o surto resultante como um brilho fantasmagórico bem alto no céu noturno. Agora, os astrónomos usaram as capacidades únicas do Telescópio Espacial Hubble da NASA para descobrir ainda mais pistas desta explosão cataclísmica.
Crédito: NASA, ESA, G. Cecil (UNC, Chapel Hill) e J. DePasquale (STScI)
Ao contrário da Corrente de Magalhães, o Braço Principal não mostrou evidências de ter sido iluminado pelo surto. Isto faz sentido, porque o Braço Principal não está situado logo abaixo do polo galáctico sul, de modo que não foi banhado pela radiação da explosão.
O mesmo evento que provocou o surto de radiação também "arrotou" o plasma quente que agora está a elevar-se a cerca de 30.000 anos-luz acima e abaixo do plano da nossa Galáxia. Estas bolhas invisíveis, com uma massa equivalente a milhões de sóis, são chamadas Bolhas de Fermi. O seu brilho energético de raios-gama foi descoberto em 2010 pelo Telescópio de Raios-gama Fermi da NASA. Em 2015, Fox usou a espectroscopia ultravioleta do Hubble para medir a velocidade de expansão e a composição dos lóbulos em crescimento.
Agora, a sua equipa conseguiu estender o alcance do Hubble para lá das bolhas. "Sempre pensámos que as Bolhas de Fermi e a Corrente de Magalhães eram separadas, que não tinham relação e que faziam as suas próprias coisas em diferentes partes do halo da Galáxia" disse Fox. "Vemos agora que o mesmo flash poderoso do buraco negro central da nossa Galáxia desempenhou um papel importante em ambas."
Esta investigação só foi possível devido à capacidade ultravioleta única do Hubble. Devido aos efeitos de filtragem da atmosfera da Terra, a luz ultravioleta não pode ser estudada a partir do solo. "É uma região muito rica do espectro eletromagnético - existem muitas características que podem ser medidas no ultravioleta," explicou Fox. "Se trabalhamos com o visível e com o infravermelho, não as podemos ver. É por isso que precisamos de ir para o espaço para o fazer. Para este tipo de trabalho, o Hubble é único."
Os achados, que serão publicados na revista The Astrophysical Journal, foram apresentados durante uma conferência de imprensa dia 2 de junho na 236.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que este ano se realizou online.
Cientistas cidadãos avistam a mais próxima anã castanha jovem e com disco
Investigadores do MIT, da Universidade do Oklahoma e de outras instituições, com a ajuda de cientistas cidadãos, identificaram uma anã castanha com disco que é a mais jovem do seu tipo a cerca de 100 parsecs da Terra. A anã castanha, de nome W1200-7845 e ilustrada na imagem, parece ter o tipo de disco que pode, potencialmente, formar planetas.
Crédito: NASA/William Pendrill
As anãs castanhas são a "filha do meio" da astronomia, demasiado grandes para serem planetas, mas não grandes o suficiente para serem estrelas. Tal como as suas irmãs estelares, estes objetos formam-se a partir do colapso gravitacional de poeira e gás. Mas, em vez de se condensarem para formar o núcleo quente de uma estrela, as anãs castanhas encontram um equilíbrio mais "zen", atingindo de alguma forma um estado mais tranquilo e estável em comparação com as estrelas movidas a fusão nuclear.
As anãs castanhas são consideradas o elo que falta entre os planetas gigantes gasosos mais massivos e as estrelas mais pequenas e, dado que têm brilho relativamente baixo, têm sido difíceis de detetar no céu noturno. Tal como as estrelas, algumas anãs castanhas podem reter o disco turbulento de gás e poeira que sobrou da sua formação inicial. Este material pode colidir e acumular para formar planetas, embora não esteja claro exatamente que tipo de planetas as anãs castanhas podem gerar.
Agora, investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), da Universidade do Oklahoma e de outras instituições, com a ajuda de cientistas cidadãos, identificaram uma anã castanha com disco que é a mais jovem do seu tipo a cerca de 100 parsecs da Terra. A anã castanha, de nome W1200-7845, parece ter o tipo de disco que pode, potencialmente, formar planetas. Tem aproximadamente 3,7 milhões de anos e fica a 102 parsecs, ou mais ou menos 332 anos-luz da Terra.
A esta distância, os cientistas poderão observar o jovem sistema com telescópios futuros de próxima geração, a fim de examinar as condições iniciais do disco de uma anã castanha e talvez aprender mais sobre o tipo de planeta que as anãs castanhas podem suportar.
O novo sistema foi descoberto através do Disk Detective, um projeto de "crowdsourcing" financiado pela NASA e hospedado pelo Zooniverse que fornece imagens de objetos no espaço para o público classificar, com o objetivo de selecionar objetos que provavelmente são estrelas com discos que podem, potencialmente, hospedar planetas.
Os cientistas apresentaram os seus achados, bem como uma nova versão do website Disk Detective, esta semana na reunião virtual da Sociedade Astronómica Americana.
"Dentro da nossa vizinhança solar"
Os utilizadores do site Diskdetective.org, lançado em 2014, podem vasculhar "flipbooks" - imagens do mesmo objeto no espaço, obtidas pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), que deteta emissões infravermelhas como radiação térmica emitida pelos remanescentes de gás e poeira nos discos estelares. Um utilizador pode classificar um objeto com base em certos critérios, como por exemplo se o objeto parece oval - uma forma que mais se assemelha a uma galáxia - ou redondo - um sinal de que o objeto é mais provavelmente uma estrela que hospeda um disco.
"Temos vários cientistas cidadãos a observar cada objeto e a dar a sua opinião independente, e confiamos na sabedoria do público para decidir o que provavelmente são galáxias e o que provavelmente são estrelas com discos em seu redor," diz o coautor do estudo Steven Silverberg, pós-doutorado do Instituto Kavli para Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT.
A partir daí, uma equipa científica, incluindo Silverberg, acompanha discos classificados pelo público, usando métodos mais sofisticados e telescópios para determinar se, de facto, são discos e quais as características que os discos podem ter.
No caso do recém-descoberto W1200-7845, os cientistas cidadãos classificaram o objeto como tendo um disco pela primeira vez em 2016. A equipa científica, incluindo Silverberg e Maria Schutte, estudante da Universidade do Oklahoma, examinou mais atentamente a fonte com um instrumento infravermelho acoplado aos telescópios Magellan de 6,5 metros do Observatório Las Campanas no Chile.
Com estas novas observações, determinaram que a fonte era, de facto, um disco em torno de uma anã castanha que vivia dentro de um "grupo em movimento" - um enxame de estrelas que tende a mover-se como um só pelo céu noturno. Na astronomia, é muito mais fácil determinar a idade de um grupo de objetos do que de um objeto sozinho. Dado que a anã castanha faz parte de um grupo em movimento que contém cerca de 30 estrelas, investigadores anteriores foram capazes de estimar uma idade média, cerca de 3,7 milhões de anos, que provavelmente também corresponde à idade da anã castanha.
W1200-7845 também está muito perto da Terra, a cerca de 102 parsecs de distância (aproximadamente 332 anos-luz), o que a torna na anã castanha jovem mais próxima já detetada. Para comparação, a estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, fica a 4,24 anos-luz de distância (W1200-7845 não é a anã castanha mais próxima, apenas a mais jovem, com disco, mais próxima; essa distinção pertence a Luhman 16, a cerca de 6,5 anos-luz).
"A esta distância, consideramos que está dentro do 'bairro solar'," diz Schutte. "Esta proximidade é muito importante, porque as anãs castanhas têm uma massa pequena e são inerentemente menos brilhantes do que outros objetos como estrelas. Portanto, quanto mais próximos estes objetos estiverem de nós, mais detalhes podemos observar."
À procura de Peter Pan
A equipa planeia observar W1200-7845 com outros telescópios, como o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile, que tem 66 antenas enormes que funcionam juntas como um poderoso telescópio para observar o Universo entre o rádio e o infravermelho. Nesta gama de comprimentos de onda, e com esta precisão, os investigadores esperam ver o próprio disco da anã castanha, para medir a sua massa e raio.
"A massa de um disco apenas informa a quantidade de material aí existente, o que nos pode dizer se existe formação planetária e que tipo de planetas é capaz de produzir," diz Silverberg. "Também podemos usar estes dados para determinar os gases no sistema e a composição do disco."
Entretanto, os investigadores estão a lançar uma nova versão do Disk Detective. Em abril de 2019, o site entrou em hiato, pois a sua plataforma, o popular portal de cientistas cidadãos Zooniverse, retirou brevemente a sua plataforma de software anterior em favor de uma versão atualizada. A plataforma atualizada levou Silverberg e colegas a reformular o Disk Detective. A nova versão, lançada esta semana, inclui imagens de um levantamento de todo o céu, PanSTARRS, que observa a maior parte do céu em alta resolução e no visível.
"Estamos desta vez a obter imagens mais atuais com diferentes telescópios e com melhor resolução espacial," diz Silverberg, que gere o novo site no MIT.
Ao passo que a versão anterior do site tinha como objetivo encontrar discos em torno de estrelas e de outros objetos, o novo site está desenhado para selecionar discos "Peter Pan" - discos de gás e poeira que devem ter idade suficiente para formar planetas, mas que por algum motivo ainda não o fizeram.
"Chamamo-los de discos Peter Pan porque parecem nunca crescer," acrescenta Silverberg.
A equipa identificou o seu primeiro disco Peter Pan com o Disk Detective em 2016. Desde então, foram encontrados outros sete, cada um com pelo menos 20 milhões de anos. Com o novo website, esperam identificar e estudar mais destes discos, o que pode ajudar a determinar as condições sob as quais os planetas, e possivelmente a vida, se podem formar.
"Os discos que encontrarmos serão lugares excelentes para procurar exoplanetas," diz Silverberg.
"Se os planetas demorarem mais tempo para se formar do que pensávamos anteriormente, a estrela que orbitam terá menos surtos energéticos quando finalmente se formarem. Se o planeta estiver menos exposto a estas explosões de radiação estelar do que em torno de uma estrela mais jovem, isso poderá afetar significativamente as nossas expetativas de descobrir aí vida."
Cientista planetário captura novas imagens de Fobos para ajudar a determinar as suas origens (via Universidade do Norte do Arizona)
As novas imagens da lua marciana, Fobos, dão aos cientistas novas informações sobre as propriedades físicas da lua e da sua composição. Fobos, que tem mais ou menos 25 km em diâmetro, foram capturadas pela sonda Mars Odyssey da NASA. Revistas em combinação com imagens anteriores, podem ajudar a resolver o debate se o corpo planetário ou é um "asteroide capturado" - puxado para uma órbita perpétua em torno de Marte - ou bocado antigo de Marte expelido da superfície por um impacto de meteorito. Ler fonte
Astrónomos descobrem arco de emissão ultravioleta, com 30 graus, centrado na Ursa Maior (via Universidade do Wisconsin em Whitewater)
Astrónomos anunciaram a descoberta de um arco fantasmagórico, quase perfeitamente circular, de emissão ultravioleta centrada na "pega" da Ursa Maior e com 30º. Tem apenas uma fração de um grau de espessura e é composto por gás interestelar comprimido e energizado. A fonte e a forma do arco indicam que é frente de choque de uma explosão estelar ou supernova que ocorreu 60º acima do plano nossa Galáxia, há aproximadamente 100.000 anos atrás e a uma distância de mais ou menos 600 anos-luz. Ler fonte
Imagens telescópicas de NGC 3628 mostram um disco galáctico inchado dividido por faixas de poeira escura. Obviamente, este retrato profundo da magnífica galáxia espiral vista de lado coloca na mente dos astrónomos a sua alcunha popular, a Galáxia do Hamburger. Também revela uma pequena galáxia vizinha, provavelmente um satélite de NGC 3628, e uma ténue mas extensa cauda de maré. A cauda prolongada estende-se por cerca de 30.000 anos-luz, mesmo até para lá da borda direita da imagem. NGC 3628 partilha a sua vizinhança no Universo local com outras duas grandes espirais, M65 e M66, num grupo também conhecido como Tripleto de Leão. As interações gravitacionais com as suas vizinhas cósmicas provavelmente são responsáveis pela criação da cauda das marés, bem como pela distorção do disco desta espiral. O tentador universo-ilha tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro e situa-se a 35 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de primavera, Leão.
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.
Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.