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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1706  
  14/07 a 16/07/2020  
     
     
 
Astronomia no Verão CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de julho:

17/07 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

24/07 - Marim, Olhão, a partir das 21:15, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim (atividade realizada pelo CCVAlg)

28/07 - Santa Catarina da Fonte do Bispo, a partir das 22:00, junto à Cooperativa Agrícola dos Produtores de Azeite de Santa Catarina da Fonte do Bispo (atividade realizada pelo CCVTavira)

31/07 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)

Atividades astronómicas planeadas para o mês de agosto:

04/08 - Castelo de Paderne, Albufeira, a partir das 21:15, junto ao Castelo de Paderne (atividade realizada pelo CCVAlg)

05/08 - Ruinas Romanas de Milreu, Estoi, a partir das 21:15, no interior do Núcleo Museológico das Ruínas Romanas de Milreu (atividade realizada pelo CCVAlg)

07/08 - Rocha da Pena, Loulé, a partir das 20:45, ponto de encontro no estacionamento do café Bar das Grutas, no início do caminho para a Rocha da Pena (atividade realizada pelo CCVAlg)

07/08 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

14/08 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar, encontro às 20:30 no cais de embarque junto à Porta Nova (cais das portas do mar) na muralha Villa Adentro (parte antiga da cidade de Faro); atividade com custo (atividade realizada pelo CCVAlg)

18/08 - Santa Rita - Vila Nova de Cacela, a partir das 22:00, junto à Aldeia de Santa Rita, Vila Nova de Cacela (atividade realizada pelo CCVTavira)

22/08 - Portela, São Brás de Alportel, a partir das 21:00, junto ao Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)

23/08 - Albufeira, Praia dos Salgados, a partir das 21:00, junto ao estacionamento da Praia dos Salgados (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Aldeia da Rocha Amarela, Esteval dos Mouros - Alte, Loulé, a partir das 20:30, no entroncamento à entrada de Esteval dos Mouros (atividade realizada pelo CCVAlg)

26/08 - Castro Marim, a partir das 21:30, no parque de estacionamento do Agrupamento de Escolas de Castro Marim (atividade realizada pelo CCVTavira)

(obrigatório utilizar equipamento de proteção individual - máscara ou viseira - e seguir as instruções de higienização e distanciamento social; número limitado de presenças nas atividades seguindo as atuais regras de segurança da DGS; todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição obrigatória)

 
     
 
Efemérides

Dia 14/07: 196.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.

New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte.
Observações: Júpiter em oposição. Isto é, na oposição oposta à do Sol, visto da perspetiva da Terra. É quando Júpiter está mais brilhante. Será o ponto mais brilhante do céu noturno durante os meses de julho e agosto, até Vénus nascer ao amanhecer.
Conhece as três duplas do topo de Escorpião? A cabeça da constelação de Escorpião - a fila quase vertical de três estrelas para cima e para a direita de Antares - está alta a sul por estas noites. A estrela de cima é Beta Scorpii ou Graffias, uma boa estrela dupla para telescópios.
A apenas 1º para baixo ou para baixo e para a esquerda (uma ponta de um dedo à distância do braço esticado) está o par largo Omega^1 e Omega^2 Scorpii, visível a olho nu, quase na vertical. Têm ambas magnitude 4. Os binóculos mostram a sua ligeira diferença de cor; são do tipo espectral B9 e G2.
Para cima e para a esquerda de Beta, a cerca de 1,6º, está Nu Scorpii (Jabbah), outro bom duplo telescópico. Ou melhor, triplo. Um alto poder de ampliação e um céu limpo e escuro revelam que o componente mais brilhante de Nu é ele próprio uma estrela dupla, com uma separação de 2 segundos de arco.

Dia 15/07: 197.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1943, nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.

Em 1972, a Pioneer 10 torna-se o primeiro objeto feito pelo Homem a viajar pela cintura de asteroides.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo (18, número não oficial) e Soyuz 19 que viriam a efetuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Foi a última missão de uma nave Apollo e da família de foguetões Saturn.
Observações: Plutão em oposição.
Aproveite a noite para observar Júpiter e Saturno, para a esquerda de Sagitário.

Dia 16/07: 198.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 era lançada do cabo Kennedy.

Pousou na superfície lunar no dia 20 de julho de 1969, num local chamado Mar da Tranquilidade. Neil Armstrong (comandante do voo) e Edwin E. "Buzz" Aldrin (piloto do Módulo Lunar, chamado nesta missão de Eagle - Águia em inglês) tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar. Michael Collins (piloto do Módulo de Comando, chamado nesta missão de Columbia) permaneceu em órbita no Módulo de Comando.
Em 1994, o cometa Shoemaker-Levy 9 colide com Júpiter. Os impactos continuam até dia 22 de julho.
Observações: Estas noites sem Lua uma boa altura para ir à caça de objetos do céu profundo pouco conhecidos (e famosos, já agora) na Via Láctea, por exemplo, perto de Cisne e da sua estrela dupla Albireo.

 
 
   
Cientistas propõem plano para determinar se Planeta Nove é um buraco negro primordial
 
Impressão de artista dos surtos de acreção resultantes do encontro de um cometa da nuvem de Oort com um hipotético buraco negro no Sistema Solar exterior.
Crédito: M. Weiss
 

Cientistas da Universidade de Harvard e da BHI (Black Hole Initiative) desenvolveram um novo método para encontrar buracos negros no Sistema Solar exterior e, juntamente com ele, determinar de uma vez por todas a verdadeira natureza do hipotético Planeta Nove. O artigo, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters, destaca a capacidade do levantamento LSST (Legacy Survey of Space and Time) do futuro Observatório Vera C. Rubin para observar surtos de acreção, cuja presença pode provar ou descartar o Planeta Nove como um buraco negro.

O Dr. Avi Loeb, professor em Harvard, e Amir Siraj, estudante, desenvolveram o novo método para procurar buracos negros no Sistema Solar exterior, com base em surtos que resultam da perturbação de cometas intercetados. O estudo sugere que o LSST tem a capacidade de encontrar buracos negros observando surtos que resultam do impacto de pequenos objetos da nuvem de Oort.

"Nas proximidades de um buraco negro, pequenos corpos que se aproximam dele 'derreterão' como resultado do aquecimento da acumulação de gás do meio interestelar para o buraco negro," diz Siraj. "Depois de derreterem, os pequenos corpos estão sujeitos a perturbações de maré pelo buraco negro, seguidas da acreção do corpo perturbado pelas marés no buraco negro". Loeb acrescentou: "dado que os buracos negros são intrinsecamente escuros, a radiação que a matéria emite a caminho da 'boca' do buraco negro é a única maneira de iluminar este ambiente escuro."

As pesquisas futuras de buracos negros primordiais podem ser informadas pelo novo cálculo. "Este método pode detetar ou descartar buracos negros de massa planetária até à orla da nuvem de Oort, ou cerca de 100.000 UA," explicou Siraj. "Poderá ser capaz de colocar novos limites na fração de matéria escura contida nos buracos negros primordiais."

Espera-se que o LSST tenha a sensibilidade necessária para detetar surtos de acreção, enquanto a tecnologia atual não o consegue fazer sem orientação. "O LSST tem um amplo campo de visão, cobrindo o céu inteiro repetidamente e procurando surtos transientes," disse Loeb. "Outros telescópios são bons a apontar para um alvo conhecido, mas nós não sabemos exatamente onde procurar o Planeta Nove. Conhecemos apenas a ampla região em que pode residir". Siraj acrescentou: "A capacidade do LSST em examinar o céu duas vezes por semana é extremamente valiosa. Além disso, a sua profundidade sem precedentes permitirá a deteção de explosões resultantes de objetos impactantes relativamente pequenos, que são mais frequentes do que os grandes."

O novo artigo concentra-se no famoso Planeta Nove como o primeiro candidato à deteção. Assunto de muita especulação, a maioria das teorias sugere que o Planeta Nove é um planeta ainda por detetar, mas também pode sinalizar a existência de um buraco negro de massa planetária.

"O Planeta Nove é uma explicação convincente para o agrupamento observado de alguns objetos para lá da órbita de Neptuno. Se a existência do Planeta Nove for confirmada através de uma pesquisa eletromagnética direta, será a primeira deteção de um novo planeta no Sistema Solar em dois séculos, sem contar com Plutão, disse Siraj, acrescentando que uma falha na deteção de luz do Planeta Nove - ou outros modelos recentes, como a sugestão de enviar sondas para medir a influência gravitacional - tornaria o modelo do buraco negro intrigante. "Tem havido muita especulação sobre explicações alternativas para as órbitas anómalas observadas no Sistema Solar exterior. Uma das ideias apresentadas foi a possibilidade de o Planeta Nove ser um buraco negro do tamanho de uma toranja com uma massa de cinco a dez vezes a da Terra."

O foco no Planeta Nove é baseado na importância científica sem precedentes que uma hipotética descoberta de um buraco negro de massa planetária no Sistema Solar teria, bem como no interesse continuado em entender o que existe por aí. "A periferia do Sistema Solar é o nosso quintal. Encontrar o Planeta Nove é como descobrir um primo a morar no barracão por trás da nossa casa, um primo que nunca conhecemos," disse Loeb. "Imediatamente levanta questões: porque é que está ali? Como é que obteve as suas propriedades? Será que moldou a história do Sistema Solar? Será que existem mais como ele?"

// Centro Harvard & Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
10/07/2020 - O poder coletivo dos corpos escuros e gelados do Sistema Solar
17/03/2020 - Descobertos novos planetas menores para lá de Neptuno
01/03/2019 - Mais suporte para o Planeta Nove
25/01/2019 - Órbitas misteriosas nos confins do Sistema Solar podem ser explicadas sem a existência do Planeta Nove
05/10/2018 - Descoberto novo objeto extremamente distante na procura do Planeta Nove
08/06/2018 - A gravidade coletiva, não o Planeta Nove, pode explicar as órbitas de "objetos isolados"
18/07/2017 - Novas evidências em suporte da hipótese do Planeta Nove
04/04/2017 - Estão a ser investigados quatro objetos desconhecidos na pesquisa pelo Planeta Nove
24/02/2017 - Novos dados sobre dois asteroides distantes dão pistas sobre possível "Planeta Nove"
21/10/2016 - Inclinação curiosa do Sol atribuída ao Planeta Nove
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Space Ref
Forbes

Observatório Vera C. Rubin:
Página principal
Wikipedia
LSST (página principal)

Planeta Nove:
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Como estrelas de neutrões em colisão podem lançar luz sobre os mistérios do Universo
 
Uma equipa internacional de investigadores descobriu um pulsar invulgar - um dos "faróis" de estrelas de neutrões giratórias e magnetizadas do espaço profundo que emite ondas de rádio altamente focadas dos seus polos magnéticos.
Crédito: Observatório de Arecibo/Universidade da Flórida Central, William Gonzalez and Andy Torres
 

Uma equipa internacional de investigadores do Centro para Ondas Gravitacionais e Cosmologia da Universidade da Virgínia Ocidental, EUA, fez uma importante descoberta de como podemos entender colisões de estrelas mortas e entender a expansão do Universo.

Descobriram um pulsar invulgar - um dos "faróis" de estrelas de neutrões giratórias e magnetizadas do espaço profundo que emite ondas de rádio altamente focadas dos seus polos magnéticos.

O pulsar recém-descoberto (conhecido como PSR J1913+1102) faz parte de um sistema binário - o que significa que está em órbita íntima com outra estrela de neutrões. A investigação foi publicada na revista Nature.

"As estrelas de neutrões binárias são relativamente raras, representando menos de 1% da população conhecida de pulsares de rádio," afirma Maura McLaughlin, professora de física e astronomia e uma das autoras do estudo. "As estrelas de neutrões nestes binários estão gradualmente a aproximar-se uma da outra, pois perdem energia devido à emissão de ondas gravitacionais, e eventualmente fundem-se numa explosão cataclísmica e formam um buraco negro."

As estrelas de neutrões são remanescentes estelares de uma supernova. São compostas da matéria mais densa conhecida - acumulando centenas de milhares de vezes a massa da Terra numa esfera do tamanho de uma cidade.

As duas estrelas de neutrões vão colidir daqui a cerca de 500 milhões de anos, libertando quantidades surpreendentes de energia na forma de luz e ondas gravitacionais.

Mas o pulsar recém-descoberto é invulgar porque as massas das suas duas estrelas de neutrões são bem diferentes - uma muito maior que a outra.

"Há apenas alguns anos atrás, detetaram-se ondas gravitacionais e radiação eletromagnética da fusão de duas estrelas de neutrões," disse McLaughlin. "Isto revolucionou a nossa visão das fusões de estrelas de neutrões. Para procurar mais destes eventos, os astrónomos têm que usar modelos que assumem algumas propriedades das estrelas de neutrões e, até agora, estes modelos assumem que as duas estrelas de neutrões em fusão têm massas iguais. No entanto, a descoberta mostra que as estrelas de neutrões nestes sistemas podem ter massas muito diferentes. Isto tem que ser tido em conta na maneira como se procuram estes objetos e também fornece informações sobre o modo como estes binários se formam."

Na descoberta também esteve envolvido o estudante Nihan Pol, que deverá terminar o seu doutoramento em astrofísica este verão.

Pol serviu como colíder na parte da síntese populacional desta descoberta com Ben Perera, ex-aluno da Universidade da Virgínia Ocidental. Pol ajudou a desenvolver o software usado para a análise. O resultado dessa análise é que cerca de uma em cada dez fusões observadas de duas estrelas de neutrões será de um sistema como J1913+1102.

"A universidade tem o maior grupo de investigação de estrelas de neutrões/pulsares dos EUA, talvez até do mundo, e foi realmente muito bom para o meu desenvolvimento profissional," comentou Pol. "É muito emocionante estar envolvido neste tipo de investigação, onde encontramos sistemas novos e exóticos que têm implicações não apenas no estudo da evolução estelar e nos sistemas binários de estrelas de neutrões, mas também no campo relativamente novo da astrofísica das ondas gravitacionais. Estes grandes projetos internacionais fornecem uma oportunidade para aprender como comunicar e colaborar com colegas de todo o mundo e para trabalhar em conjunto para produzir ciência incrível."

Este sistema assimétrico dá aos cientistas a confiança de que as fusões de estrelas de neutrões duplas vão fornecer pistas vitais sobre mistérios não resolvidos na astrofísica - incluindo uma determinação mais precisa do ritmo de expansão do Universo, conhecida como constante de Hubble.

A descoberta foi feita usando o radiotelescópio Arecibo em Porto Rico.

// Universidade da Virgínia Ocidental (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Universidade de East Anglia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
ScienceDaily
Popular Science
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Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Observatório de Arecibo:
Página oficial
Wikipedia

 
   
As missões marcianas dos Emiratos Árabes Unidos e da China
 
Impressão de artista da sonda marciana Al-Amal dos Emiratos Árabes Unidos.
Crédito: EMM (Emirates Mars Mission)/MBRSC
 

Os Emiratos Árabes Unidos e a China vão em breve fazer parte do clube restrito de países e agências espaciais com sondas marcianas. Juntar-se-ão assim aos EUA, Índia, antiga União Soviética e à ESA.

A nave espacial Al-Amal ("Esperança" em português) tem lançamento previsto para dia 15 de julho a partir do Centro Espacial Tanegashima no Japão. O objetivo da missão é fornecer uma imagem compreensiva da dinâmica meteorológica da atmosfera de Marte e pavimentar o caminho para mais descobertas científicas. Mas a sonda Al-Amal também é a base de um objetivo muito maior - construir uma colónia em Marte nos próximos 100 anos.

Al-Amal tem 1350 kg; mais ou menos o tamanho de um SUV. Demorará sete meses a viajar 493 milhões de quilómetros até Marte, a tempo de comemorar o 50.º aniversário da união dos Emiratos em 2021.

Assim que alcance Marte, colocar-se-á numa órbita de 55 horas, com uma velocidade média de 121.000 km/h, e o contacto com o comando e centro de controle nos EAU será limitado a 6-8 horas duas vezes por semana. A missão tem uma duração prevista de 687 dias - um ano marciano.

A sonda tem três instrumentos científicos:

  • EMIRS (Emirates Mars Infrared Spectrometer), um espectrómetro infravermelho para obter medições da atmosfera inferior e analisar a estrutura da temperatura;
  • EXI (Emirates eXploration Imager), uma câmara de alta resolução capaz de obter imagens com uma resolução espacial superior a 8 km. Irá medir propriedades de elementos químicos, nomeadamente o ozono, na atmosfera de Marte;
  • EMUS (Emirates Mars Ultraviolet Spectrometer), um espectrómetro ultravioleta que irá medir os níveis de oxigénio e hidrogénio na atmosfera superior.

A China, por outro lado e seguindo o sucesso do seu programa lunar, vai lançar a sua missão Tianwen-1 (nome de um antigo poema chinês, "Questões Celestiais" em português) durante a janela de 20 a 25 de julho, a partir do Centro de Lançamentos Xichang. É composta por um orbitador, um módulo de aterragem e rover a energia solar.

 
Impressão de artista do rover marciano da missão chinesa Tianwen-1.
Crédito: Administração Estatal Chinesa de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional
 

Não é a primeira tentativa da China em alcançar Marte: este país juntou-se à Rússia em 2011 durante a missão Fobos-Grunt, contendo o Yinghuo-1, que seria o primeiro orbitador marciano chinês. No entanto, a propulsão principal da nave falhou em lançá-la para a sua viagem até Marte, permanecendo em órbita da Terra até reentrar na atmosfera em janeiro de 2012.

O "lander" Tianwen-1 vai usar um para-quedas, retrofoguetes e um airbag para aterrar em Utopia Planitia, Marte.

A missão planeia obter mapas da superfície a partir de órbita, recolher amostras do solo para análise, procurar evidências de vida presente e passada e analisar o ambiente do Planeta Vermelho. A missão atual também servirá para demonstrar tecnologias necessárias para uma missão de recolha e envio de amostras prevista para a década de 2030.

Se tudo correr como esperado, a missão Tianwen-1 chegará a órbita de Marte também em fevereiro de 2021. A concha metálica que contém o veículo libertar-se-á da sonda para aterrar na superfície no dia 23 de abril.

 


Saiba mais

Missão Al-Amal:
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Tianwen-1:
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Marte:
CCVAlg - Astronomia
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Também em destaque
  Descobertas duas anãs castanhas bizarras com a ajuda de cientistas cidadãos (via JPL NASA)
Os participantes do projeto Backyward Worlds: Planet 9 ajudaram os cientistas a descobrir as anãs castanhas usando dados do satélite NEOWISE juntamente com observações de todo o céu recolhidas entre 2009 e 2011 sob o seu nome anterior, WISE. Chamam aos objetos recém-descobertos "as primeiras subanãs extremos do tipo-T". Têm aproximadamente 75 vezes a massa de Júpiter e mais ou menos 10 mil milhões de anos. São as anãs castanhas mais parecidas com planetas já vistas na população de estrelas velhas da Via Láctea. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - As Caudas do Cometa NEOWISE
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Miloslav Druckmuller (Universidade de Tecnologia de Brno)
 
O Cometa NEOWISE (C/2020 F3) está agora a varrer os céus do hemisfério norte. As suas caudas em desenvolvimento estendem-se por cerca de seis graus neste campo telescópico, fotografado a partir de Brno, República Checa, antes do amanhecer de dia 10 de julho. Empurrada pela pressão da própria luz do Sol, a cauda larga e amarelada de poeira é a mais fácil de ver. Mas a imagem também captura uma cauda mais fraca e mais azulada, separada da poeira refletiva do cometa. A cauda mais ténue é uma cauda iónica, formada quando iões da cabeleira do cometa são arrastados para fora por campos magnéticos no vento solar e fluorescem à luz solar. Neste retrato nítido do nosso novo visitante oriundo do Sistema Solar exterior, as caudas do cometa NEOWISE lembram as caudas ainda mais brilhantes do Hale Bopp, o Grande Cometa de 1997.
 
   
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