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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1812  
  20/07 a 22/07/2021  
     
 

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu de Tavira no Parque do Palácio da Galeria

Nesta sessão de astronomia será feito um reconhecimento das constelações visíveis do céu noturno e com recurso a telescópio será possível observar planetas entre outros astros, tendo como palco o Parque do Palácio da Galeria em Tavira.

Itinerário: 21h00 - chegada participantes (na Camera Obscura)
21h10 - inicio vídeo-palestra - tema: Como efetuar uma observação do céu noturno (na Camera Obscura) 21h40 até às 23h00 - inicio observação astronómica com o uso de telescópio (no Parque do Palácio da Galeria)

Actividade gratuita

Idade Minima: 6 anos
Ponto de encontro: Camera Obscura
Hora: 21:00

Como chegar: Ao chegar a Tavira seguir para os Bombeiros Municipais de Tavira. Um vez perto do quartel de bombeiros virar para a Rua das Olarias e depois seguir pela calçada da galeria até ao destino final. Coordenadas GPS: 37.1255367382, -7.6522000374107

Datas:
01-08-2021 21:00 - Inscrição
02-08-2021 21:00 - Inscrição
08-08-2021 21:00 - Inscrição
09-08-2021 21:00 - Inscrição
15-08-2021 21:00 - Inscrição
16-08-2021 21:00 - Inscrição
22-08-2021 21:00 - Inscrição
23-08-2021 21:00 - Inscrição
29-08-2021 21:00 - Inscrição
30-08-2021 21:00 - Inscrição
02-09-2021 21:00 - Inscrição
03-09-2021 21:00 - Inscrição
(inscrição obrigatória)

Observação noturna do céu na Mata da Conceição

Nesta sessão de astronomia será feito um reconhecimento das constelações visíveis do céu noturno e com recurso a telescópio será possível observar planetas entre outros astros, tendo como palco a Mata da Conceição.
Esta actividade decorre na área protegida Mata da Conceição

Itinerário: Mata da Conceição

Actividade gratuita

Idade Minima: 6 anos
Ponto de encontro: Mata da Conceição, Tavira
Hora: 5 min antes da hora assinalada
Como chegar: Ao sair de Tavira, seguir pela EN125 em direção a VRSA. Ao chegar ao cruzamento entre Santa Rita/Mata da Conceição e Cacela Velha, virar em direção de Santa Rita/Mata da Conceição pela M1236.
Coordenadas GPS: 37.188989152239, -7.5706528367309

Data:
10-09-2021 21:30 - Inscrição
(inscrição obrigatória)

Programa em atualização
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2009, cientistas encontram evidências de outro objeto que bombardeou Júpiter, exatamente 15 anos após os primeiros impactos do cometa Shoemaker-Levy 9
Observações: A Lua brilha em Escorpião. A estrela para a sua direita é Antares, a mais brilhante da constelação.

Dia 21/07: 202.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1620, nascia Jean Picard, astrónomo francês, o primeiro a medir o raio da Terra com um grau de precisão razoável (6328,9 km, 0,44% mais pequeno que o valor moderno).
Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se o segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11 (20 de julho na América do Norte).

No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15 colide com a superfície da Lua ao tentar aterrar. 
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantis durante a missão STS-135.
Observações: Baixos a oeste ao lusco-fusco, Vénus está agora em conjunção com Régulo. A estrela tem apenas 1/140 do brilho do planeta, situada a cerca de 1,1º para baixo e para a sua esquerda.

Dia 22/07: 203.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1784, nascia Friedrich Bessel, astrónomo e matemático alemão, o primeiro a determinar a distância do Sol até outra estrela usando o método da paralaxe.

Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento, acabando por ter que ser destruída.
Observações: E se em vez de um Triângulo de Verão, tivéssemos um Quadrilátero de Verão? A acrescentar ao asterismo que tão bem conhecemos, estaria a estrela Rasalhague, a cabeça de Ofíuco.
Primeiro, identifique o Triângulo. Vire-se para este depois do anoitecer e olhe alto para Vega. A dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda está Deneb. A três ou quatro punhos para baixo e para a esquerda de Vega está Altair.
A seguir, Rasalhague. Ainda virado(a) para este, está a três punhos à distância do braço esticado para a direita de Vega e três punhos para cima e para a direita de Altair.
Claro, a estrela tem magnitude 2, sendo menos brilhante que as três estrelas do Triângulo. Mas se a incluirmos ficamos com um equilátero grande e achatado.

 
 
   
Explosões de raios-gama, oriundas de um magnetar, aparecem como previsto no ano passado

Os magnetares são objetos bizarros - estrelas de neutrões massivas e giratórias com campos magnéticos dos mais poderosos conhecidos, capazes de disparar breves explosões de ondas de rádio tão brilhantes que são visíveis por todo o Universo.

Uma equipa de astrofísicos descobriu agora outra peculiaridade dos magnetares: podem emitir rajadas de raios-gama de baixa energia num padrão nunca antes visto em qualquer outro objeto astronómico.

 
Impressão de artista de um "soluço" no campo magnético de um magnetar - uma estrela de neutrões altamente magnetizada - que produz uma poderosa explosão de raios-gama visível por toda a Galáxia. Físicos da Universidade da Califórnia em Berkeley descobriram um padrão invulgar nestes surtos que pode ajudar a determinar o mecanismo preciso que desencadeia os "soluços" e que cria os surtos de raios-gama suaves.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith, USRA/GESTAR
 

Não se sabe exatamente qual a razão para tal, pois também ainda mal conhecemos os próprios magnetares, com dúzias de teorias sobre como produzem surtos de rádio e raios-gama. O reconhecimento deste padrão invulgar de atividade de raios-gama pode ajudar os teóricos a descobrir os mecanismos envolvidos.

"Os magnetares, que estão ligados às FRBs ("fast radio bursts", inglês para rajadas rápidas de rádio), têm alguma coisa periódica no topo da sua aleatoriedade," disse o astrofísico Bruce Grossan, astrofísico no Laboratório de Ciências Espaciais da Universidade da Califórnia, em Berkeley. "Este é outro mistério em cima do mistério de como os surtos são produzidos."

Os investigadores - Grossan e o físico teórico e cosmólogo Eric Linder, do mesmo laboratório e também do Centro para Física Cosmológica de Berkeley, juntamente com o pós-doutorado Mikhail Denissenya da Universidade Nazarbayev no Cazaquistão - descobriram o padrão no ano passado em rajadas oriundas de um SGR ("soft gama repeater", inglês para repetidor gama suave), de nome SGR 1935+2154, que é um magnetar, uma fonte prolífica de explosões de raios-gama de baixa energia (ou suaves) e a única fonte conhecida de FRBs na nossa Galáxia, a Via Láctea. Eles descobriram que o objeto emite rajadas aleatoriamente, mas apenas dentro de janelas regulares de quatro meses, cada janela ativa separada por três meses de inatividade.

No dia 19 de março, a equipa colocou online uma pré-impressão do seu artigo científico alegando "comportamento em janela periódica" de rajadas de raios-gama suaves oriundos de SGR 1935+2154 e previu que estas rajadas recomeçariam novamente depois de dia 1 de junho - após um hiato de três meses - e que poderiam ocorrer durante quatro meses numa janela que termina dia 7 de outubro.

No dia 24 de junho, três semanas após o início da janela de atividade, foi observado o primeiro surto de SGR 1935+2154 após o intervalo previsto de três meses, e desde então foram observadas quase uma dúzia de outras explosões, incluindo uma dia 6 de julho, o dia em que o artigo científico foi publicado na revista Physical Review D.

"Estas novas explosões, dentro desta janela de tempo, indicam que a nossa previsão está certa", disse Grossan, que estuda transientes astronómicos altamente energéticos. "Provavelmente, mais importante, é que nenhuma explosão foi detetada entre as janelas desde que publicámos a nossa pré-impressão."

Linder compara a não deteção de surtos em janelas de três meses a uma pista-chave - o "incidente curioso" que um cão de guarda não ladrou à noite - que permitiu que Sherlock Holmes resolvesse um assassinato na história "O Estrela de Prata".

"Dados ausentes ou ocasionais são um pesadelo para qualquer cientista," realçou Denissenya, o primeiro autor do artigo e membro do Laboratório do Cosmos Energético na Universidade Nazarbayev, fundado há vários anos por Grossan, Linder e pelo laureado com o Prémio Nobel e cosmólogo da UC Berkeley George Smoot. "No nosso caso, foi crucial perceber que explosões ausentes, ou nenhuma explosão, também contam como informação."

A confirmação da sua previsão surpreendeu e entusiasmou os cientistas, que pensam que este pode ser um novo exemplo de um fenómeno - comportamento em janela periódica - que poderia caracterizar emissões de outros objetos astronómicos.

Minerando dados de satélite com 27 anos

No ano passado, os investigadores sugeriram que a emissão de FRBs - que normalmente duram alguns milésimo de segundo - de galáxias distantes pode ser agrupada num padrão de janela periódica. Mas os dados eram intermitentes e as ferramentas estatísticas e computacionais para estabelecer com firmeza tal afirmação com dados esparsos não estavam bem desenvolvidas.

 
Desde 2014, um magnetar na nossa Galáxia (SGR 1935+2154) tem emitido explosões de raios-gama suaves (estrelas no gráfico). Cientistas da UC Berkeley concluíram que ocorrem apenas durante certas janelas de tempo (secções verdes) mas que de algum modo foram bloqueadas durante outras janelas de tempo (secções vermelhas). Usaram este padrão para prever novos surtos a partir de 1 de junho de 2021 (secções com contornos a azul à direita) e, desde 24 de junho, foram detetados mais de uma dúzia (estrelas com contornos azuis): exatamente no intervalo de tempo previsto.
Crédito: Mikhail Denissenya
 

Grossan convenceu Linder a explorar se técnicas e ferramentas avançadas poderiam ser usadas para demonstrar que o comportamento em janela periódica - mas também ainda aleatório, dentro de uma janela de atividade - estava presente nos dados de explosões de raios-gama suaves do magnetar SGR 1935+2154. O instrumento Konus a bordo da nave espacial Wind, lançada em 1994, registou explosões de raios-gama suaves desse objeto - que também exibe FRBs - desde 2014 e provavelmente nunca perdeu um brilhante.

Linder, membro do Supernova Cosmology Project com sede no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, usou técnicas estatísticas avançadas para estudar o agrupamento, no espaço, de galáxias no Universo, e ele e Denissenya adaptaram estas técnicas para analisar o agrupamento de rajadas no tempo. A sua análise, a primeira a usar tais técnicas para eventos repetidos, mostrou uma periodicidade invulgar, em janelas distintas, de repetição muito precisa produzida por corpos giratórios ou em órbita, que a maioria dos astrónomos associa a um comportamento periódico.

"Até agora, observámos rajadas em 10 janelas periódicas desde 2014, e a probabilidade de que sejam na verdade aleatórias é de 3 em 10.000," disse, o que significa que há 99,97% de hipótese de estarem certos. Ele realçou que uma simulação Monte Carlo indicou que a chance de estarem a observar um padrão que não existe é provavelmente inferior a 1 em mil milhões.

A observação recente de cinco explosões dentro da sua janela temporal prevista, vista pela Wind e por outras sondas que monitorizam explosões de raios-gama, aumenta a sua confiança. No entanto, uma única explosão futura, observada fora da janela de tempo, refutaria toda a teoria ou faria com que refizessem completamente a sua análise.

"A parte mais intrigante e divertida, para mim, foi fazer previsões que podiam ser testadas no céu. Em seguida, corremos simulações contra padrões reais e aleatórios e descobrimos que realmente nos diziam mais sobre as explosões," disse Denissenya.

Quanto ao que causa este padrão, Grossan e Linder apenas podem adivinhar. Pensa-se que os SGRs de magnetares envolvam sismos estelares, talvez desencadeados por interações entre a crosta da estrela de neutrões e o seu intenso campo magnético. Os magnetares giram uma vez a cada poucos segundos e, se a rotação for acompanhada por uma precessão - uma oscilação na rotação - isso pode fazer com que a fonte de emissão da explosão aponte para a Terra apenas dentro de uma determinada janela de tempo. Outra possibilidade, disse Grossan, é que uma nuvem densa e giratória de material obscurante pode rodear o magnetar, mas tem uma espécie de orifício que só permite que as rajadas saiam e atinjam a Terra periodicamente.

"No ponto atual do nosso conhecimento sobre estas fontes, não podemos dizer realmente qual é," salientou Grossan. "Este é um fenómeno rico que provavelmente será estudado por muito tempo."

Linder concorda e realça que os avanços foram feitos graças à polinização cruzada entre técnicas de observações astrofísicas de alta energia e cosmologia teórica.

"Vamos continuar a observar, a aprender e até mesmo a 'ouvir mais cães à noite'."

// UC Berkeley (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Physical Review D)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
31/07/2020 - Estrela morta emite mistura de radiação nunca antes vista

SGR 1935+2154:
Simbad
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

FRB ("Fast Radio Burst"):
Wikipedia
Catálogo de FRBs (Universidade Swinburne)

SGR ("Soft Gamma Repeater"):
Wikipedia

Wind:
NASA
Wikipedia

 
   
Observatório Las Cumbres descobre atividade no maior cometa já descoberto

Um recém-descoberto visitante das orlas externas do nosso Sistema Solar demonstrou ser o maior cometa conhecido de todos os tempos, graças aos telescópios de resposta rápida do Observatório Las Cumbres. O objeto, denominado Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) em honra aos seus dois descobridores, foi anunciado pela primeira vez no sábado, dia 19 de junho de 2021. C/2014 UN271 foi descoberto graças ao reprocessamento de quatro anos de dados do DES (Dark Energy Survey), que foi realizado com o telescópio Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, entre 2013 e 2019. Aquando do anúncio da descoberta, não havia indicação de que este era um objeto ativo. As expetativas ficaram imediatamente lá em cima entre os astrónomos. C/2014 UN271 era proveniente dos confins frios do Sistema Solar, de modo que foram necessárias imagens rápidas para descobrir: quando é que o recém-descoberto cometa começaria a mostrar uma cauda?

 
O Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein), visto aqui numa composição a cores falsas obtida pelo telescópio de 1 metro do Observatório Las Cumbres em Sutherland, África do Sul, dia 22 de junho de 2021. A nuvem difusa é a cabeleira do cometa.
Crédito: LOOK/Observatório Las Cumbres
 

O Observatório Las Cumbres foi capaz de determinar rapidamente se o objeto havia se tornado um cometa ativo nos três anos desde que foi visto pela primeira vez pelo DES. "Dado que o novo objeto estava bem para sul e era muito fraco, sabíamos que não haviam muitos outros telescópios que pudessem observá-lo," disse o Dr. Tim Lister, cientista do Observatório Las Cumbres. "Felizmente, temos uma rede de telescópios robóticos espalhados por todo o mundo, especialmente no hemisfério sul, e fomos capazes de obter imagens rapidamente graças aos nossos telescópios na África do Sul," explicou Tim Lister.

As imagens de um dos telescópios de 1 metro do Observatório, situado no Observatório Astronómico da África do Sul, chegaram por volta das 21:00 PDT de dia 21 de junho (08:00 de terça-feira dia 22, em Portugal). Astrónomos da Nova Zelândia, membros do projeto LOOK (LCO Outbursting Objects Key), foram os primeiros a observar o novo cometa.

"Como somos uma equipa espalhada por todo o mundo, simplesmente aconteceu ser a minha tarde, enquanto os outros dormiam. A primeira imagem mostrou o cometa escondido por trás do rasto de um satélite e fez doer o meu coração. Mas as outras eram detalhadas o suficiente e 'woah', : lá estava ele, definitivamente uma linda manchinha difusa, nada nítido como as estrelas no campo de visão!", disse a Dra. Michele Bannister da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. A análise das imagens do Observatório Las Cumbres mostrou uma cabeleira difusa em torno do objeto, indicando que estava ativo e era, de facto, um cometa, embora ainda esteja a uma distância notável de aproximadamente 2,9 mil milhões de quilómetros, o dobro da distância de Saturno ao Sol.

O cometa tem um diâmetro estimado em mais de 100 km, mais de três vezes o tamanho do recordista anterior de maior núcleo cometário, o Cometa Hale-Bopp, descoberto em 1995. Este cometa não deverá ficar visível a olho nu: permanecerá um objeto telescópico porque a sua menor distância ao Sol será ainda para lá de Saturno. Dado que o Cometa C/2014 UN271 foi descoberto tão longe, os astrónomos terão mais de uma década para o estudar. Este atingirá o periélio em janeiro de 2031.

 
Diagrama orbital que mostra o percurso do Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) pelo Sistema Solar. A órbita do cometa é vista a cinzento quando está para baixo do plano dos planetas e a branco quando está acima do plano.
Crédito: NASA
 

Assim sendo, Tim Lister e os demais astrónomos do Projeto LOK terão bastante tempo para usar os telescópios do Observatório Las Cumbres para estudar C/2014 UN271. O Projeto LOOK continua a observar o comportamento de um grande número de cometas e como a sua atividade evolui à medida que se aproximam do Sol. Os cientistas também estão a usar a capacidade de resposta rápida do Observatório Las Cumbres para obter observações muito rapidamente quando um cometa dá início à sua atividade.

"Há agora um grande número de levantamentos, como o ZTF (Zwicky Transient Facility) e o próximo Observatório Vera C. Rubin, que monitorizam partes do céu todas as noites. Estes levantamentos podem fornecer alertas caso um dos cometas mude subitamente de brilho. De seguida, podemos acionar os telescópios robóticos para obtermos dados mais detalhados e uma visão mais longa do cometa em mudança enquanto o levantamento se desloca para outras áreas do céu," explica Tim Lister. "Os telescópios robóticos e o software sofisticado do Observatório Las Cumbres permitem-nos obter imagens de um novo evento até 15 minutos após um alerta. Isto permite-nos realmente estudar estes surtos conforme evoluem."

// Observatório Las Cumbres (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein):
NASA/JPL
Wikipedia

Cometas:
Wikipedia

Observatório Las Cumbres:
Página principal
Wikipedia

Colaboração DES:
Página principal
Wikipedia

 
   
Fogo-de-artifício galáctico: novas imagens do ESO revelam estruturas impressionantes em galáxias próximas

Uma equipa de astrónomos divulgou novas observações de galáxias próximas que parecem fogos-de-artifício cósmicos coloridos. As imagens, obtidas com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostram diferentes componentes das galáxias em cores distintas, permitindo assim aos astrónomos localizar estrelas jovens e o gás que as rodeia, aquecido pelas próprias estrelas. Ao combinar estas novas observações com dados do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, a equipa ajuda a lançar nova luz sobre os processos que levam o gás a formar estrelas.

Os astrónomos sabem que as estrelas nascem em nuvens de gás, mas o que dá origem à formação estelar, e como é que as galáxias como um todo participam neste processo, permanece um mistério. Para compreender este fenómeno, uma equipa de investigadores observou várias galáxias próximas com telescópios poderosos, tanto a partir do solo como do espaço, mapeando as diferentes regiões galácticas envolvidas no nascimento das estrelas.

 
Esta imagem combina observações das galáxias próximas NGC 1300, NGC 1087, NGC 3627 (em cima, da esquerda para a direita), NGC 4254 e NGC 4303 (em baixo, da esquerda para a direita) obtidas com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no VLT do ESO (Very Large Telescope) do ESO. Cada imagem individual é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
As imagens foram obtidas no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução a galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

"Pela primeira vez conseguimos resolver unidades individuais de formação estelar para uma grande variedade de localizações e meios numa amostra que representa bem os diferentes tipos de galáxias," diz Eric Emsellem, astrónomo do ESO na Alemanha e autor principal do artigo científico que descreve este rastreio, levado a cabo no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS). "Conseguimos observar de forma direta o gás que leva ao nascimento das estrelas, vemos as jovens estrelas propriamente ditas e testemunhamos a sua evolução ao longo de diversas fases."

Emsellem, que também tem afiliação à Universidade de Lyon, França, e a sua equipa divulgaram agora o mais recente conjunto de retratos galácticos, obtidos com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. Os investigadores utilizaram o MUSE para observar estrelas recém-nascidas e o gás quente que as rodeia, o qual é iluminado e aquecido pelas próprias estrelas, tornando-se assim numa prova concreta da ocorrência de formação estelar.

 
Esta imagem obtida com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a galáxia próxima NGC 4303, uma galáxia em espiral com uma barra de estrelas e gás no seu centro, situada a aproximadamente 55 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Virgem. A imagem é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
A imagem foi obtida no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução de galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

As novas imagens MUSE estão agora a ser combinadas com observações das mesmas galáxias obtidas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e divulgadas no início deste ano. O ALMA, que está localizado no Chile, é especialmente adequado para mapear nuvens de gás frio — as partes das galáxias que fornecem material para a formação de estrelas.

Ao combinar imagens MUSE e ALMA, os astrónomos podem examinar as regiões galácticas onde está a ocorrer formação estelar e compará-las aos locais onde se espera que este fenómeno ocorra, de modo a compreenderem melhor o que ativa, estimula ou trava o nascimento de novas estrelas. As imagens resultantes são deslumbrantes, fornecendo-nos informações espetacularmente coloridas sobre as maternidades estelares das nossas galáxias vizinhas.

"Há tantos mistérios que queremos desvendar," diz a coautora deste estudo Kathryn Kreckel da Universidade de Heidelberg na Alemanha. "Será que as estrelas nascem mais frequentemente em regiões específicas das suas galáxias hospedeiras — e, se sim, porquê? E, após o seu nascimento, será que a sua evolução influencia a formação de novas gerações de estrelas?"

 
Esta imagem obtida com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a galáxia próxima NGC 4254, uma galáxia em espiral de "grande design" situada a aproximadamente 45 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Cabeleira de Berenice. A imagem é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
A imagem foi obtida no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução de galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

Os astrónomos serão agora capazes de responder a estas questões graças à riqueza da informação contida nos dados do MUSE e do ALMA que a equipa PHANGS obteve. O MUSE recolhe espectros — os "códigos de barra" que os astrónomos analisam para desvendar as propriedades e a natureza dos objetos cósmicos — em cada localização do seu campo de visão, fornecendo assim muito mais informação do que os instrumentos tradicionais. No âmbito do projeto PHANGS, o MUSE observou 30.000 nebulosas de gás quente e recolheu cerca de 15 milhões de espectros de diferentes regiões galácticas. As observações ALMA, por sua vez, permitiram aos astrónomos mapear cerca de 100.000 regiões de gás frio em 90 galáxias próximas, produzindo um atlas de maternidades estelares do Universo próximo com uma nitidez sem precedentes.

 
Esta imagem obtida com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a galáxia próxima NGC 3627, uma galáxia em espiral situada a aproximadamente 31 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Leão. A imagem é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
A imagem foi obtida no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução a galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

Para além de observações do ALMA e do MUSE, o projeto PHANGS conta também com dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. Os vários observatórios foram selecionados de modo a permitirem à equipa observar as nossas galáxias vizinhas em diferentes comprimentos de onda (visível, infravermelho próximo e rádio), com cada domínio de comprimentos de onda a revelar partes distintas das galáxias observadas. "Esta combinação de dados permite-nos investigar as várias fases da formação estelar — desde a formação de maternidades estelares, passando pela formação das estrelas propriamente dita, até à destruição final das maternidades por parte das estrelas recém-nascidas — com mais detalhe do que seria possível com observações individuais," explica o coautor do estudo Francesco Belfiore do INAF-Arcetri em Florença, Itália. "Esta é a primeira vez que conseguimos reunir um conjunto tão completo de dados, com imagens suficientemente nítidas para podermos distinguir nuvens, estrelas e nebulosas individuais, que apontam para a formação estelar."

 
Esta imagem obtida com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a galáxia próxima NGC 1087, uma galáxia em espiral situada a aproximadamente 80 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Baleia. A imagem é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
A imagem foi obtida no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução a galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

O trabalho levado a cabo no âmbito do projeto PHANGS será melhorado por futuros telescópios e instrumentos, tais como o Telescópio Espacial James Webb da NASA. Os dados obtidos com este telescópio irão estabelecer uma base ainda melhor para observações que serão executadas com o futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, o qual se prevê que comece a operar mais para o final desta década e que nos fornecerá assim um olhar ainda mais detalhado das estruturas das maternidades estelares.

"Tão extraordinário quanto o PHANGS possa ser, a resolução dos mapas produzidos é apenas suficiente para identificar e separar nuvens de formação estelar individuais, não sendo suficientemente boa para observarmos com detalhe o que está a acontecer no seu interior," explica Eva Schinnerer, líder do grupo de investigação do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, e investigadora principal do projeto PHANGS. "Novos esforços observacionais levados a cabo pela nossa equipa, e outras pessoas, começam a esticar estes limites, ou seja, temos décadas de descobertas excitantes à nossa frente."

 
Esta imagem obtida com o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a galáxia próxima NGC 1300, uma galáxia em espiral com uma barra de estrelas e gás no seu centro, situada a aproximadamente 61 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Erídano. A imagem é uma combinação de observações obtidas a diferentes comprimentos de onda da luz com o intuito de mapear populações estelares e gás quente. O brilho dourado corresponde principalmente a nuvens de hidrogénio, oxigénio e enxofre ionizados, que assinalam a presença de estrelas recém-nascidas, enquanto as regiões azuladas no fundo revelam a distribuição de estrelas ligeiramente mais velhas.
A imagem foi obtida no âmbito do projeto PHANGS (Physics at High Angular resolution in Nearby GalaxieS), que leva a cabo observações de alta resolução a galáxias próximas, com telescópios que cobrem uma grande parte do espectro electromagnético.
Crédito: ESO/PHANGS
 

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Amostra de imagens PHANGS (arquivo do ESO)
// ESOcast Light 239: Fogos-de-artifício cósmico revelam estrelas recém-nascidas (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
11/06/2021 - Cartógrafos cósmicos mapeiam Universo próximo revelando a diversidade de galáxias formadoras de estrelas

Galáxias:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia
Berçários estelares (Wikipedia)

Projeto PHANGS:
Página principal
STScI

VLT:
ESO
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias - A Galáxia de Andrómeda no Ultravioleta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechGALEX
 
Qual é o aspeto da Galáxia de Andrómeda no ultravioleta? Dominam as jovens estrelas azuis que rodeiam o centro galáctico. A uns meros 2,5 milhões de anos-luz de distância, a Galáxia de Andrómeda, também conhecida como M31, realmente está ao "virar da esquina" no que toca a galáxias grandes. Abrangendo cerca de 230.000 anos-luz, foram necessários 11 campos de imagem diferentes do telescópio espacial GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA para produzir este magnífico retrato da galáxia espiral no ultravioleta em 2003. Embora os seus braços espirais se destaquem nas imagens obtidas no visível, os braços espirais parecem-se mais como anéis no ultravioleta. Os anéis são locais de intensa formação estelar e foram interpretados como evidência de que Andrómeda colidiu com a sua vizinha mais pequena, a galáxia elíptica M32, há mais de 200 milhões de anos. A Galáxia de Andrómeda e a nossa própria Galáxia, a Via Láctea, são os membros mais massivos do Grupo Local de galáxias e pensa-se que vão colidir daqui a vários milhares de milhões de anos - talvez na época em que a atmosfera do nosso Sol se expandir para engolir a Terra.
 
   
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