Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1851  
  03/12 a 06/12/2021  
     
 
Efemérides

Dia 03/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1886 nascia Manne Siegbahn, físico sueco que recebeu o Prémio Nobel da Física em 1924 pelas "suas descobertas e pesquisas no campo da espectroscopia de raios-X".
Em 1904, Charles Dillon Perrine descobre a lua joviana Himalia.
Em 1958, o JPL era transferido do controlo do exército americano para o controlo da NASA.
Em 1971, a sonda soviética Mars 3 torna-se na primeira a aterrar com sucesso em Marte.
Em 1973, a Pioneer 10 enviava para a Terra as primeiras imagens de Júpiter.

Em 1974, voo rasante da sonda Pioneer 11 por Júpiter
Em 1999, a NASA perdia o contato com a Mars Polar Lander, minutos antes da entrada na atmosfera de Marte.
Em 2014, a JAXA (agência espacial japonesa) lança a sonda Hayabusa2, numa missão com a duração de seis anos e com o objetivo de recolher amostras de um asteroide.
Em 2015, a ESA lança com sucesso a LISA Pathfinder, uma nave desenhada para demonstrar tecnologia para observar ondas gravitacionais no espaço.
Observações: Vega ainda brilha razoavelmente alta a oeste-noroeste depois do anoitecer. A estrela mais brilhante para cima é Deneb, a cauda de Cisne. Ao cair da noite, o corpo e pescoço da ave estende-se para baixo e para a esquerda de Deneb. Pelas 23 horas sua cabeça fica como que "implantada" no horizonte a noroeste, formando uma cruz presa ao chão.

Dia 04/12: 338.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639, Jeremiah Horrocks fazia a primeira observação, de que há registo, de um trânsito de Vénus.
Em 1965, lançamento da missão Gemini 7.

Frank Borman e James A. Lovell Jr. completam um voo de 14 dias, ao todo 220 órbitas. A missão tinha dois objetivos: estudar os efeitos a longo-prazo do voo espacial e fazer o "rendezvous" com a Gemini 6
Em 1978, a sonda americana Pioneer/Venus torna-se na primeira a orbitar Vénus.
Em 1996, é lançada a Mars Pathfinder.
Em 1998, é lançado o módulo Unity, o segundo módulo da Estação Espacial Internacional.
Observações: Lua Nova, pelas 07:43.
Saturno está agora exatamente no ponto médio que separa Júpiter e Vénus no céu; procure o planeta ao final do lusco-fusco ou pouco depois. Embora Saturno tenha uma magnitude respeitável de 0,7, os outros dois planetas são bem mais brilhantes.

Dia 05/12: 339.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901, nascia Werner Heisenberg, físico teórico alemão e um dos pioneiros da mecânica quântica. Recebeu o prémio Nobel da Física em 1932.
Em 1990, a primeira fotografia (galáxia NGC 1232 em Erídano) tirada com o telescópio Keck é publicada no Los Angeles Times.
Em 2014, o primeiro voo de testes da nave Orion da NASA. 

Observações: Nesta altura do ano, a Ursa Maior está bastante baixa pouco depois do anoitecer. Está inteiramente escondida pelo horizonte se se encontrar a 25º N. Mas, pela meia-noite, a Ursa já está apoiada na sua "pega" e numa boa posição para observação a nordeste. Entretanto, bem acima, a "frigideira" da Ursa Menor desce com o passar da noite, para baixo e para a esquerda da Estrela Polar. Pelas 22 ou 23, apoia-se na Polar, como se esta fosse um prego celeste.

Dia 06/12: 340.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1586 nascia Niccolò Zucchi, astrónomo, físico e jesuita italiano. Pode ter sido o primeiro a ver as bandas de Júpiter (no dia 17 de maio de 1630), e reportou manchas em Marte em 1640. No seu livro, "Optica philosophia experimentis et ratione a fundamentis constituta", publicado em 1652-56, descrevia experiências ocorridas em 1616 com um espelho curvo em vez de uma lente como objetiva telescópica, o que pode ser a descrição mais antiga de um telescópio refletor.
Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.

Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte.
Observações: Será que já consegue observar a finíssima Lua Crescente, situada abaixo de Vénus e um pouco para a sua direita? Procure um horizonte desimpedido a sudoeste para esta observação.

 
 
   
VLT descobre o par de buracos negros supermassivos mais próximo da Terra encontrado até à data

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO (Observatório Europeu do Sul), os astrónomos descobriram o par de buracos negros supermassivos mais próximo da Terra encontrado até à data. Os dois objetos apresentam também uma separação muito mais pequena do que qualquer outro par destes objetos descoberto até agora, o que aponta para a sua eventual fusão num único buraco negro gigante.

Situado na galáxia NGC 7727, na direção da constelação de Aquário, o par de buracos negros supermassivos encontra-se a aproximadamente 89 milhões de anos-luz de distância da Terra. Apesar de parecer distante, este par bate por uma grande margem o recorde de proximidade de um sistema deste tipo, o qual era de 470 milhões de anos-luz, tornando-se assim o par de buracos negros conhecido mais próximo de nós.

 
Esta imagem mostra uma vista próxima (à esquerda) e uma vista alargada (à direita) dos dois núcleos galácticos brilhantes, cada um com um buraco negro supermassivo, em NGC 7727, uma galáxia situada a cerca de 89 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Aquário. Cada núcleo é composto por um grupo denso de estrelas com um buraco negro supermassivo no seu centro. Os dois buracos negros encontram-se em rota de colisão e formam o par destes objetos mais próximo de nós descoberto até à data. Trata-se também do par com a menor separação entre os dois buracos negros observada até agora — os objetos encontram-se separados de apenas 1600 anos-luz no céu.
A imagem da esquerda foi obtida com o instrumento MUSE montado no VLT, enquanto a da direita foi capturada pelo VST (VLT Survey Telescope), ambos instalados no Observatório do Paranal do ESO, no Chile.
Crédito: ESO/Voggel et al.; ESO/Equipas ATLAS do VST; reconhecimento - Universidade de Durham/CASU/WFAU
 

Os buracos negros supermassivos escondem-se no coração de galáxias massivas e quando duas destas galáxias se fundem, os seus buracos negros acabam em rota de colisão. O par em NGC 7727 bate também o recorde da separação mais pequena conhecida entre dois buracos negros supermassivos, já que os observamos separados por apenas 1600 anos-luz. "Esta é a primeira vez que descobrimos dois buracos negros supermassivos tão perto um do outro, na realidade separados por menos de metade da menor distância anteriormente conhecida para este tipo de objetos," disse Karina Voggel, astrónoma no Observatório de Estrasburgo, França e autora principal do estudo publicado online na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

"A pequena separação e velocidade dos dois buracos negros indica que estes objetos se irão fundir num único buraco negro gigante, provavelmente nos próximos 250 milhões de anos," acrescenta o coautor Holger Baumgardt, professor na Universidade de Queensland, Austrália. A fusão de buracos negros como estes pode explicar a existência dos mais massivos buracos negros que existem no Universo.

Voggel e a sua equipa conseguiram determinar as massas dos dois objetos ao observar como é que a atração gravitacional dos buracos negros influencia o movimento das estrelas que os circundam. O buraco negro maior, situado mesmo no centro de NGC 7727, tem uma massa de quase 154 milhões de vezes a massa do nosso Sol, enquanto o seu companheiro apresenta uma massa de 6,3 milhões de vezes a massa solar.

Esta é a primeira vez que foram medidas desta maneira as massas de um par de buracos negros supermassivos, algo apenas possível devido à proximidade deste sistema à Terra e às observações detalhadas que a equipa obteve no Observatório do Paranal, no Chile, com o MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), um instrumento montado no VLT do ESO, com o qual Voggel aprendeu a trabalhar durante o seu tempo de estudante no ESO. A medição das massas com o MUSE e a utilização de dados adicionais obtidos com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA permitiram à equipa confirmar que os objetos em NGC 7727 são, de facto, buracos negros supermassivos.

Os astrónomos já suspeitavam anteriormente que esta galáxia acolhia dois buracos negros, no entanto a sua presença não tinha ainda sido confirmada, uma vez que não se observam grandes quantidades de radiação altamente energética emitida na sua vizinhança, o que seria uma indicação segura da sua presença. "A nossa descoberta implica que podem existir muitas mais destas relíquias de galáxias fundidas que poderão conter muitos buracos negros massivos à espera de serem descobertos," diz Voggel, "o que poderá aumentar em 30% o número total de buracos negros supermassivos no Universo local."

A procura deste tipo de pares de buracos negros supermassivos escondidos irá certamente dar um grande passo em frente com o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, previsto para começar as suas operações mais para o final desta década no deserto chileno do Atacama. "Esta deteção de um par de buracos negros supermassivos é apenas o início," diz o coautor Steffen Mieske, astrónomo do ESO no Chile e Chefe das Operações Científicas no Paranal. "Com o instrumento HARMONI, que será montado no ELT, poderemos detetar objetos como este mas muito mais longínquos do que é atualmente possível. O ELT do ESO será por isso crucial para compreendermos estes objetos."

// ESO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Buracos negros supermassivos em rota de colisão (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
COSMOS
New Scientist
SpaceRef
ScienceDaily
science alert
Gizmodo
Público
SIC Notícias
SAPO
Observador
ZAP.aeiou

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGC 7727:
Wikipedia
Simbad

VLT:
ESO
Wikipedia

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Astrónomos observam novo tipo de estrela binária há muito tempo prevista

Investigadores do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian observaram um novo tipo de estrela binária que há muito tempo se teorizava existir. A descoberta finalmente confirma como um tipo raro de estrela no Universo se forma e evolui.

A nova classe estelar, descrita este mês na edição da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, foi descoberta pelo pós-doutorado Kareem El-Badry usando o Telescópio Shane no Observatório Lick, no estado norte-americano da Califórnia, e dados de vários levantamentos astronómicos.

 
Impressão de artista de um novo tipo de estrela binária: uma anã branca de massa pré-extremamente baixa (pré-MEB). A azul, a estrela está a perder massa para uma anã branca companheira e a fazer a transição para uma anã branca MEB.
Crédito: M. Weiss/Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian
 

"Observámos a primeira evidência física de uma nova população de estrelas binárias transicionais," diz El-Badry. "Isto é empolgante; é um elo evolucionário que faltava aos modelos de formação estelar binária e que procurávamos há muito tempo."

Um novo tipo de estrela

Quando uma estrela morre, há 97% de probabilidade de se tornar numa anã branca, um pequeno objeto denso que se contraiu e escureceu após queimar todo o seu combustível.

Mas, em casos raros, uma estrela pode tornar-se numa anã branca de massa extremamente baixa (MEB). Com menos de um-terço da massa do Sol, estas estrelas são um enigma: se os cálculos da evolução estelar estiverem corretos, todas as anãs brancas MEB pareceriam ter mais de 13,8 mil milhões de anos - mais velhas do que a idade do próprio Universo e, portanto, fisicamente impossíveis.

"O Universo não tem idade suficiente para fazer estas estrelas pela evolução normal," disse El-Badry, membro do Instituto para Teoria e Computação do Centro para Astrofísica.

Ao longo dos anos, os astrónomos concluíram que a única maneira de formar uma anã branca MEB é com a ajuda de uma companheira binária. A atração gravitacional de uma estrela companheira próxima poderia rapidamente (isto é, em menos de 13,8 mil milhões de anos) "corroer" uma estrela até se tornar numa anã branca MEB.

Mas as evidências deste cenário não são infalíveis.

Os astrónomos observaram estrelas massivas normais, como o nosso Sol, a acumularem matéria nas anãs brancas - algo a que se chama variáveis cataclísmicas. Também observaram anãs brancas MEB com companheiras anãs brancas normais. Não haviam, no entanto, observado a fase transicional de evolução, ou a transformação intermédia: quando a estrela perdeu a maior parte da sua massa e quase se contraiu para uma anã branca MEB.

Um elo evolucionário ausente

El-Badry costuma comparar a astronomia estelar com a zoologia do século XIX.

"Vamos para a selva e encontramos um organismo. Descrevemos quão grande é, quanto pesa - e depois prosseguimos para outro organismo," explica. "Vemos todos estes tipos diferentes de objetos e precisamos de reconhecer que estão todos interligados."

Em 2020, El-Badry decidiu "voltar à selva" em busca da estrela que há muito tempo iludia os cientistas: a anã branca pré-MEB (também conhecida como variável cataclísmica evoluída).

Usando novos dados do Gaia, o observatório espacial lançado pela ESA, e do ZTF (Zwicky Transient Facility) no Caltech, El-Badry reduziu mil milhões de estrelas a 50 potenciais candidatas.

O astrónomo enfatiza a importância dos dados públicos de levantamentos astronómicos para o seu trabalho. "Se não fossem projetos como o ZTF e o Gaia, que representam uma enorme quantidade de 'trabalho de bastidores' de centenas de pessoas - este trabalho não seria possível," realça.

El-Badry então fez observações detalhadas de 21 estrelas.

A estratégia de seleção funcionou. "100 por cento das candidatas eram estas pré-MEBs que estávamos à procura," disse. "Eram mais inchadas do que as MEBs. Também tinham forma de ovo porque a atração gravitacional da outra estrela distorce a sua forma esférica."

"Descobrimos o elo evolucionário entre duas classes de estrelas binárias - as variáveis cataclísmicas e as anãs brancas MEB - e encontrámos um número decente delas," acrescentou El-Badry.

Treze das estrelas mostravam sinais de que ainda estavam a perder massa para a sua companheira, enquanto oito das estrelas pareciam já não estar a fazê-lo. Cada uma delas também era mais quente do que as variáveis cataclísmicas previamente observadas.

El-Badry planeia continuar a estudar as anãs brancas pré-MEB e pode virar-se para as outras 29 estrelas candidatas anteriormente descobertas.

Tal como os antropólogos modernos que preenchem as lacunas da evolução humana, El-Badry está surpreso com a rica diversidade de estrelas que pode surgir de ciência simples.

// Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Anãs brancas:
Wikipedia

Variável cataclísmica:
STScI
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
EDR3 do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

ZTF:
Caltech
ipac
Wikipedia

 
   
Astrónomos descobrem buraco negro estranhamente massivo numa galáxia satélite da Via Láctea

Astrónomos do Observatório McDonald, na Universidade do Texas em Austin, descobriram um buraco negro invulgarmente massivo no coração de uma das galáxias satélites anãs da Via Láctea, de nome Leo I. Quase tão massivo quanto o buraco negro da nossa Galáxia, a descoberta pode redefinir a nossa compreensão de como todas as galáxias - os blocos de construção do Universo - evoluem. O trabalho foi publicado numa edição recente da revista The Astrophysical Journal.

A equipa decidiu estudar Leo I devido à sua peculiaridade. Ao contrário da maioria das galáxias anãs que orbitam a Via Láctea, Leo I não contém muita matéria escura. Os investigadores mediram o perfil da matéria escura de Leo I - isto é, como a densidade da matéria escura muda desde as orlas externas da galáxia até ao centro. Fizeram isto medindo a sua atração gravitacional sobre as estrelas: quanto mais depressa as estrelas se movem, mais matéria está encerrada nas suas órbitas. Em particular, a equipa queria saber se a densidade da matéria escura aumenta em direção ao centro da galáxia. Também queriam saber se a medição do seu perfil seria compatível com os anteriores obtidos usando dados de telescópios mais antigos combinados com modelos de computador.

 
Astrónomos do Observatório McDonald descobriram que Leo I (inserção), uma minúscula galáxia satélite da Via Láctea (imagem principal), tem um buraco negro quase tão massivo quanto o da Via Láctea. Leo I é 30 vezes mais pequena que a Via Láctea. O resultado pode assinalar mudanças na compreensão dos astrónomos sobre a evolução das galáxias.
Crédito: ESA / Gaia / DPAC; SDSS (inserção)
 

Liderada pela recente doutorada da Universidade do Texas em Austin, María José Bustamante, a equipa inclui os astrónomos Eva Noyola, Karl Gebhardt e Greg Zeimann da mesma instituição de ensino, bem como colegas do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre na Alemanha.

Para as suas observações, usaram um instrumento único chamado VIRUS-W montado no Telescópio Harlan J. Smith de 2,7 metros situado no Observatório McDonald.

Quando a equipa introduziu os seus dados melhorados e modelos sofisticados num supercomputador do Centro de Computação Avançada da Universidade do Texas em Austin, obtiveram um resultado surpreendente.

"Os modelos 'gritam' que precisamos de um buraco negro no centro; realmente não precisamos de muita matéria escura," disse Gebhardt. "Temos uma galáxia muito pequena que está a 'cair' na Via Láctea, e o seu buraco negro é quase tão massivo quanto o da Via Láctea. A relação de massa é absolutamente enorme. A Via Láctea é dominante; o buraco negro de Leo I é quase comparável." O resultado é sem precedentes.

Os investigadores disseram que o resultado foi diferente dos estudos anteriores de Leo I devido a uma combinação de melhores dados e de melhores simulações de supercomputador. A região central e densa da galáxia permaneceu praticamente inexplorada em estudos anteriores, que se concentraram nas velocidades de estrelas individuais. O estudo atual mostrou que, para aquelas poucas velocidades obtidas no passado, havia um viés para velocidades mais baixas. Isto, por sua vez, diminuiu a quantidade inferida de matéria encerrada nas suas órbitas.

 
O Telescópio Harlan J. Smith de 2,7 metros situado no Observatório McDonald.
Crédito: Marty Harris/Observatório McDonald
 

Os novos dados estão concentrados na região central e não são afetados por esse viés. A quantidade de matéria inferida encerrada nas órbitas das estrelas disparou.

A descoberta pode abalar a compreensão dos astrónomos da evolução galáctica, pois "não há explicação para este tipo de buraco negro em galáxias anãs esferoidais," disse Bustamante.

O resultado é ainda mais importante já que os astrónomos têm vindo a usar galáxias como Leo I, classificada como uma "galáxia anã esferoidal", há 20 anos para entender como a matéria escura é distribuída dentro das galáxias, acrescentou Gebhardt. Este novo tipo de fusão entre buracos negros também dá aos observatórios de ondas gravitacionais um novo sinal para procurar.

"Se a massa do buraco negro de Leo I for alta, isso pode explicar como os buracos negros crescem em galáxias massivas," disse Gebhardt. Isto porque, ao longo do tempo, conforme galáxias pequenas como Leo I caem em galáxias maiores, o buraco negro da galáxia mais pequena funde-se com o da galáxia maior, aumentando a sua massa.

Contruído por uma equipa do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre na Alemanha, o VIRUS-W é o único instrumento no mundo atualmente capaz de fazer este tipo de estudo de perfil da matéria escura. Noyola realçou que muitas das galáxias anãs vistas a partir do hemisfério sul são boas candidatas, mas nenhum telescópio do hemisfério sul está equipado para tal. No entanto, o GMT (Giant Magellan Telescope), agora em construção no Chile foi, em parte, projetado para este tipo de trabalho. A Universidade do Texas em Austin é parceira fundadora do GMT.

// Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)
// Observatório McDonald (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Leo I:
SEDS
Wikipedia

Galáxia satélite:
Wikipedia

Galáxias satélites da Via Láctea:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Uma chamada telefónica unilateral em Marte (via ESA)
No passado mês de novembro, a sonda Mars Express da ESA realizou uma série de testes experimentais de comunicação com o rover chinês Zhurong. A Mars Express capturou com sucesso os dados enviados "às cegas" pelo rover e retransmitiu-os para a Terra, de onde foram encaminhados para a equipa da Zhurong na China. Ler fonte
     
  Novo esforço de investigação lança mais luz sobre colisões entre buracos negros (via Universidade do Oregon)
Embora a luz não possa escapar da gravidade monstruosa de um buraco negro, isso não impediu os investigadores de dar um grande passo à frente no esforço de revelar os seus segredos. Na semana passada, a equipe do LIGO lançou o maior catálogo de dados de ondas gravitacionais até o momento, detalhando 35 novas colisões de sua última colerecolhata de dados. Ler fonte
     
  Plumas de água em Europa? A Europa Clipper vai descobrir (via NASA)
Em 2005, imagens de uma brilhante pluma, em erupção a partir da superfície da lua de Saturno Encélado, captivaram o mundo. A coluna gigante de vapor, partículas de gelo e moléculas orgânicas pulverizadas da região polar sul da lua sugeriram que há um oceano de água líquida por baixo da camada de gelo de Encélado e confirmou que a lua é geologicamente ativa. A pluma também empurrou Encélado e outros mundos no Sistema Solar externo, sem atmosferas e longe do calor do Sol, para o topo da lista da NASA de lugares para procurar sinais de vida. Os cientistas agora estão a preparar-se para uma missão a outro mundo oceânico coberto de gelo com possíveis plumas: a lua de Júpiter, Europa. Com lançamento previsto para 2024, a nave espacial Europa Clipper da NASA vai estuar a lua desde o seu interior profundo até à sua superfície a fim de determinar se possui ingredientes que a tornam um lar viável para a vida. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Uma Banda Azul numa "Lua de Sangue"
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Angel Yu
 
O que faz com que uma banda azul atravesse a Lua durante um eclipse lunar? A banda azul é real, mas geralmente muito difícil de ver. No entanto, a imagem HDR aqui apresentada, do eclipse lunar da semana passada - fotografada a partir de Yancheng, China - foi processada digitalmente para igualar o brilho da Lua e exagerar as cores. A cor cinza em baixo e à direita é a cor natural da Lua, iluminada diretamente pela luz solar. A parte superior esquerda da Lua não está iluminada diretamente pelo Sol, pois está a ser eclipsada - está na sombra da Terra. Esta zona tem um brilho fraco graças à luz do Sol que passou pela atmosfera da Terra. Esta parte da Lua é vermelha pela mesma razão que o pôr-do-Sol da Terra é avermelhado: porque o ar dispersa mais luz azul do que vermelha. A invulgar banda azul é diferente - a sua cor é criada pela luz do Sol que passou alto na atmosfera da Terra, onde a luz vermelha é melhor absorvida pelo ozono do que a azul. Dia 4 de dezembro vai ocorrer um eclipse total do Sol, mas infelizmente a totalidade será visível apenas do polo sul da Terra.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2021 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt