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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1932  
  13/09 a 15/09/2022  
     
 
Efemérides

Dia 13/09: 256.º dia do calendário gregoriano.
Observações: As estrelas assinalam que a estação está a mudar: chegámos àquela altura do ano quando, mesmo ao cair da noite, Cassiopeia está tão alta a nordeste quanto a Ursa Maior desceu a noroeste. Cassiopeia realça o céu norte ao início da noite durante a metade fria de outono e inverno do ano. A Ursa Maior toma esse lugar de destaque para as amenas e quentes noites de primavera e verão.
Quase no meio das duas constelações está a Estrela Polar.

Dia 14/09: 257.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1915 nascia John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers" e inventor do telescópio dobsoniano.

Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio - e explicar o que estão a ver." 
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objeto feito pelo Homem a lá chegar.
Em 2015, o LIGO faz a primeira observação direta de ondas gravitacionais com um instrumento na Terra, usando os interferómetros gémeos localizados em Livingston, Louisiana e em Hanford, Washington. O programa anunciou ou seus achados no dia 11 de fevereiro de 2016.
Observações: Aviste a Ursa Maior baixa a noroeste. Examine Mizar, a estrela do meio da "pega" da "frigideira". Consegue ver a sua íntima companheira Alcor? Dado que estamos na altura do ano em que Vega atravessa o zénite ao início da noite, é também quando Alcor está mesmo por cima de Mizar. Pois uma linha de Mizar, passando por Alcor, aponta sempre para Vega.
À medida que o dia passa para noite, Arcturo pisca a oeste. Está cada vez mais baixa a cada semana. De Arcturo, estende-se para cima e para a direita o padrão em forma de "papagaio-de-papel" da sua constelação de Boieiro. Para a direita, a noroeste, a Ursa Maior está ficando mais nivelada.

Dia 15/09: 258.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.
Em 2017, termina a missão da sonda Cassini em Saturno, fragmentando-se na atmosfera do planeta.

Observações: O Grande Quadrado de Pégaso sobe no céu a este. Procure-o acima do brilhante planeta Júpiter e talvez um pouco para a esquerda. Está apoiado num canto, como o faz sempre que está a este ou a oeste. Somente quando o Grande Quadrado está muito alto e mais ou menos a sul é que fica nivelado como uma caixa.
Tarde, estas noites, o planeta Marte domina o céu a este, brilhando mais do que Aldebarã para a sua direita. Nas primeiras horas da madrugada Betelgeuse, essencialmente da mesma cor que Marte e Aldebarã, surge para baixo desses dois astros.

 
 
   
Estas estrelas espiralam e fornecem uma janela para o Universo primitivo

Os astrónomos têm ficado perplexos ao encontrar estrelas jovens em espiral no centro de um enorme enxame de estrelas na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea. O braço exterior da espiral neste enorme berçário estelar de forma estranha - chamado NGC 346 - pode estar a alimentar a formação de estrelas num movimento de gás e estrelas em forma de rio. Esta é uma forma eficiente de alimentar o nascimento estelar, dizem os investigadores.

A Pequena Nuvem de Magalhães tem uma composição química mais simples do que a Via Láctea, tornando-a semelhante às galáxias encontradas no Universo mais jovem, quando os elementos mais pesados eram mais escassos. Devido a isto, as estrelas na Pequena Nuvem de Magalhães são mais quentes e esgotam o seu combustível mais depressa do que as estrelas na nossa Via Láctea. Embora seja homóloga do Universo primitivo, a 200.00 anos-luz de distância, a Pequena Nuvem de Magalhães é também uma das nossas vizinhas galácticas mais próximas.

 
Foto do enxame NGC 346, situado na Pequena Nuvem de Magalhães.
Crédito: NASA, ESA, A. James (STScI)
 

Aprender como as estrelas se formam na Pequena Nuvem de Magalhães fornece uma nova reviravolta na forma como uma tempestade de formação estelar pode ter ocorrido no início da história do Universo, quando estava a passar por um "baby boom" cerca de dois a três mil milhões de anos após o Big Bang (o Universo tem agora 13,8 mil milhões de anos).

Os novos resultados mostram que o processo de formação estelar, ali, é semelhante ao da nossa própria Via Láctea.

Com apenas 150 anos-luz em diâmetro, NGC 346 contém a massa de 50.000 sóis. A sua forma intrigante e o seu rápido ritmo de formação estelar têm intrigado os astrónomos. Foi necessário o poder combinado do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO para desvendar o comportamento deste misterioso local de nidificação estelar.

"As estrelas são as máquinas que esculpem o Universo. Não teríamos vida sem estrelas e, no entanto, não compreendemos totalmente como se formam", explicou a líder do estudo Elena Sabbi do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. "Temos vários modelos que fazem previsões, e algumas destas previsões são contraditórias". Queremos determinar o que está a regular o processo de formação estelar, porque estas são as leis que também precisamos para compreender o que vemos nos primórdios do Universo".

Os investigadores determinaram o movimento das estrelas em NGC 346 de duas maneiras diferentes. Usando o Hubble, Sabbi e a sua equipa mediram as mudanças nas posições das estrelas ao longo de 11 anos. As estrelas nesta região movimentam-se a uma velocidade média de 3200 km/h, o que significa que em 11 anos se movem mais de 300 milhões de quilómetros. Isto é cerca do dobro da distância entre a Terra e o Sol.

Mas este enxame está relativamente distante, dentro de uma galáxia vizinha. Isto significa que o movimento observado é muito pequeno e, portanto, difícil de medir. Estas observações extraordinariamente precisas só foram possíveis graças à resolução requintada e à alta sensibilidade do Hubble. Além disso, a história de três décadas de observações do Hubble fornece uma base para os astrónomos seguirem movimentos celestes minuciosos ao longo do tempo.

A segunda equipa, liderada por Peter Zeidler do AURA/STScI para a ESA, usou o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT para medir a velocidade radial, que determina se um objeto se aproxima ou se afasta do observador.

"O que foi realmente espantoso é que utilizámos dois métodos completamente diferentes, com instalações diferentes, e basicamente chegámos à mesma conclusão de forma independente", disse Zeidler. "Com o Hubble, podemos ver as estrelas, mas com o MUSE também podemos ver o movimento do gás na terceira dimensão, e confirma a teoria de que tudo está a ir em espiral para o interior".

 
A espiral vermelha sobreposta à foto de NGC 346 traça o movimento das estrelas e do gás em direção ao centro. Os cientistas dizem que este movimento em espiral é a forma mais eficiente de alimentar a formação de estrelas a partir do exterior em direção ao centro do enxame.
Crédito: NASA, ESA, A. James (STScI)
 

Mas porquê uma espiral?

"Uma espiral é realmente a forma boa e natural de alimentar a formação estelar do exterior para o centro do enxame", explicou Zeidler. "É a forma mais eficiente de que estrelas e gás que alimentam mais formação estelar possam mover-se em direção ao centro".

Metade dos dados do Hubble para este estudo de NGC 346 são de arquivo. As primeiras observações foram feitas há 11 anos. Foram repetidas recentemente para rastrear o movimento das estrelas ao longo do tempo. Dada a longevidade do telescópio, o arquivo de dados do Hubble contém agora mais de 32 anos de dados astronómicos, alimentando estudos a longo prazo sem precedentes.

"O arquivo Hubble é realmente uma mina de ouro", disse Sabbi. "Há tantas regiões interessantes de formação estelar que o Hubble tem observado ao longo dos anos. Dado que o Hubble está a ter um desempenho tão bom, podemos de facto repetir estas observações. Isto pode realmente fazer avançar a nossa compreensão da formação estelar".

As observações com o Telescópio Espacial Webb da NASA/ESA/CSA devem ser capazes de resolver estrelas de massa inferior no enxame, dando uma visão mais holística da região. Ao longo da vida do Webb, os astrónomos poderão repetir esta experiência e medir o movimento das estrelas de baixa massa. Serão então capazes de comparar as estrelas de massa alta e as estrelas de massa baixa para finalmente aprenderem toda a extensão da dinâmica deste berçário.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)

 


Saiba mais

Formação estelar:
Wikipedia

NGC 346:
Wikipedia

Pequena Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

VLT:
ESO
Wikipedia

 
   
Estudo mostra que "mundos de água" podem ser tão comuns como as Terras

Uma investigação liderada pela Universidade de Chicago e pelo IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) mostrou a existência de exoplanetas com água e rocha em torno de estrelas anãs do tipo M, que são as mais comuns na Galáxia. Os resultados foram publicados na prestigiada revista Science.

Uma análise detalhada das massas e dos raios de todos os 43 exoplanetas conhecidos em torno de estrelas M, que constituem 80% das estrelas da Via Láctea, levou a uma descoberta surpreendente, inteiramente liderada pelos investigadores Rafael Luque, da Universidade de Chicago e do IAC, e Enric Pallé, do IAC e da Universidade de La Laguna.

 
Impressão de artista de uma estranha paisagem de um mundo de água.
Crédito: Pilar Montañés - @pilar.monro
 

"Descobrimos a primeira prova experimental de que existe uma população de mundos de água e que na realidade são quase tão abundantes como os planetas semelhantes à Terra", explica Luque. O estudo mostrou que muitos mais planetas do que se pensava anteriormente podem ter grandes quantidades de água, que podem atingir até 50% da massa total do planeta.

Quando os investigadores analisaram a amostra encontraram algo inesperado: as densidades de uma elevada percentagem dos planetas sugeriram que são demasiado leves em relação ao seu tamanho para serem formados inteiramente de rocha. Por este motivo, pensam que devem ser formados por metade rocha e por metade água, ou outras moléculas mais leves. "Descobrimos que é a densidade de um planeta e não o seu raio, como se pensava anteriormente, que separa os planetas secos dos húmidos", explica Luque.

No entanto, estes planetas estão tão próximos das suas estrelas que qualquer água à sua superfície deverá existir numa fase supercrítica de gás, o que aumentaria as suas dimensões. Assim, os cientistas pensam que, nesta população, a água está provavelmente ligada à rocha, ou em volumes fechados abaixo da superfície, em vez de fluir como nos oceanos ou rios. Estas condições seriam semelhantes às do satélite Europa de Júpiter, mas muito diferentes das que ocorrem no nosso próprio planeta. "A Terra é um planeta seco, ainda que a sua superfície esteja maioritariamente coberta de água, o que lhe confere um aspeto muito húmido. A água na Terra perfaz apenas 0,02% da sua massa total, enquanto nestes mundos de água corresponde a 50% da massa do planeta", observa Pallé.

 
Ilustração de um mundo de água, onde metade da sua massa é constituída por água. Tal como a nossa Lua, o planeta está ligado à sua estrela pelas forças das marés e mostra sempre a mesma face à sua estrela hospedeira.
Crédito: Pilar Montañés - @pilar.monro
 

Com esta descoberta, confirma-se, pela primeira vez, a existência de um novo tipo de exoplaneta. "Descobrimos que os pequenos planetas que orbitam este tipo de estrela podem ser classificados em três famílias distintas: planetas rochosos muito semelhantes à Terra, planetas com metade da sua massa constituídos por água que chamamos mundos de água e mini-Neptunos com grandes atmosferas de hidrogénio e/ou hélio", descreve Pallé.

Este achado contradiz a ideia amplamente defendida de que estes mundos ou são muito secos e rochosos, ou têm uma atmosfera muito extensa e ténue de hidrogénio e/ou hélio. Ao invés, este estudo sugere que, ao contrário dos planetas rochosos, estes mundos ricos em água formaram-se fora da chamada "linha da neve", ou seja, suficientemente longe da estrela para que a temperatura seja baixa o suficiente para que todos os compostos leves como a água solidificassem e formassem grãos de gelo sólido, e que depois migraram para mais perto da estrela. "A distribuição de tamanhos e densidades dos exoplanetas é uma consequência da formação de planetas a diferentes distâncias da estrela, e não da presença ou ausência de uma atmosfera", comenta Pallé.

 
A distribuição das densidades médias dos planetas em torno das estrelas M, na qual os diferentes tipos de planetas (planetas rochosos, mundos de água e mini-Neptunos) podem ser claramente distinguidos.
Crédito: IAC
 

Uma análise inovadora e um futuro promissor

Tal como a observação da população de uma cidade inteira pode revelar tendências que são difíceis de ver a nível individual, o estudo de uma população de planetas ajudou os cientistas a identificar padrões até agora desconhecidos. "Devido às incertezas nas massas e raios das nossas medições, um planeta individual pode por vezes enquadrar-se em mais do que uma categoria (terrestre, mundo de água, etc.). É quando observamos uma população de planetas, como fizemos aqui, que podemos trazer à tona os padrões de composições distintas e diferentes", explica Luque.

De acordo com os investigadores, os próximos passos a dar são compreender a estrutura interna dos mundos de água, o que significa descobrir onde a água está armazenada, e se estes planetas podem ter uma pequena atmosfera supercrítica e detetável de vapor de água. "Apenas os planetas nas zonas habitáveis em torno das estrelas M podem ser explorados atmosfericamente pelo Telescópio Espacial James Webb e pelos futuros telescópios terrestres extremamente grandes", explica Pallé.

"É também fundamental compreender se a nossa descoberta também se aplica às populações de pequenos planetas em torno de outros tipos de estrelas", sublinha Luque. "É mais difícil medir as massas exatas de pequenos planetas em torno de estrelas maiores, mas os dados deverão em breve ficar disponíveis utilizando a mais recente geração de espectrógrafos ultraestáveis", salienta.

O reino das novas descobertas exoplanetárias em torno de estrelas M pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, complementadas por medições das suas massas pelo espectrógrafo CARMENES no telescópio de 3,5 m em Calar Alto, Amería (Espanha), foram cruciais para que este trabalho se tornasse possível.

// IAC (comunicado de imprensa)
// Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Estrelas anãs do tipo M:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Mundos de água (Wikipedia)

 
   
Poderia a Terra ser ainda mais hospitaleira à vida?

De todos os planetas conhecidos, a Terra é tão amiga da vida como qualquer planeta poderia ser - ou será? Se a órbita de Júpiter mudasse, um novo estudo mostra que a Terra poderia ser mais hospitaleira do que é hoje.

Quando um planeta tem uma órbita perfeitamente circular em torno da sua estrela, a distância entre a estrela e o planeta nunca muda. A maioria dos planetas, contudo, tem órbitas "excêntricas" em torno das suas estrelas, o que significa que a órbita tem uma forma oval. Quando o planeta se aproxima da sua estrela, recebe mais calor, afetando o clima.

 
Os vários graus de excentricidade orbital em torno de uma estrela central.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Utilizando modelos detalhados baseados em dados do Sistema Solar como o conhecemos hoje, investigadores da Universidade da Califórnia em Riverside criaram um sistema solar alternativo. Neste sistema teórico, descobriram que se a gigantesca órbita de Júpiter se tornasse mais excêntrica, induziria, por sua vez, grandes mudanças na forma da órbita da Terra.

"Se a posição de Júpiter permanecesse a mesma, mas a forma da sua órbita mudasse, poderia de facto aumentar a habitabilidade deste planeta", disse Pam Vervoort, cientista planetária da UCR e autora principal do estudo.

Entre zero e 100 graus Celsius, a superfície da Terra é habitável para múltiplas formas de vida conhecidas. Se Júpiter empurrasse a órbita da Terra para se tornar mais excêntrica, partes da Terra aproximar-se-iam por vezes do Sol. Partes da superfície da Terra que agora estão congeladas ficariam mais quentes, aumentando as temperaturas na gama habitável.

Este resultado, agora publicado na revista The Astronomical Journal, vem refutar duas suposições científicas há muito defendidas sobre o nosso Sistema Solar.

 
A comparação de tamanho entre Júpiter e a Terra mostra porque é que quaisquer mudanças no que toca ao gigante gasoso teriam efeitos no nosso planeta.
Crédito: NASA
 

"Muitos estão convencidos de que a Terra é o exemplo perfeito de um planeta habitável e que qualquer mudança na órbita de Júpiter, sendo o planeta massivo que é, só poderia ser má para a Terra", disse Vervoort. "Mostrámos que ambas as suposições estão erradas".

Os investigadores estão interessados em aplicar esta descoberta à procura de planetas habitáveis em torno de outras estrelas, os chamados exoplanetas.

"A primeira coisa que as pessoas procuram num rastreio exoplanetário é a zona habitável, a gama de distâncias até à estrela onde há energia suficiente para a existência de água líquida à superfície do planeta", disse Stephen Kane, astrofísico da UCR e coautor do estudo.

Durante a sua órbita, diferentes partes de um planeta recebem mais ou menos raios diretos, resultando no planeta ter estações do ano. Partes do planeta podem ser agradáveis durante uma estação, e extremamente quentes ou frias noutra.

"Ter água à superfície é uma primeira métrica muito simples, e não é responsável pela forma da órbita de um planeta, ou variações sazonais que um planeta possa ter", disse Kane.

 
Uma zona habitável, aqui vista a verde, é definida como a região em torno de uma estrela onde a água líquida, um ingrediente essencial para a vida tal como a conhecemos, poderia potencialmente estar presente.
Crédito: NASA-JPL/Caltech
 

Os telescópios existentes são capazes de medir a órbita de um planeta. Contudo, existem factores adicionais que podem afetar a habitabilidade, tais como o grau de inclinação de um planeta em direção a uma estrela ou para longe dela. A parte do planeta inclinada para longe da estrela receberia menos energia, fazendo com que ficasse mais fria.

Este mesmo estudo concluiu que se Júpiter fosse posicionado muito mais perto do Sol, induziria uma inclinação extrema na Terra, o que faria com que grandes secções da superfície da Terra ficassem congeladas.

É mais difícil medir a inclinação, ou a massa de um planeta, pelo que os investigadores gostariam de trabalhar para encontrar métodos que os ajudassem a estimar também esses factores.

Em última análise, o movimento de um planeta gigante é importante na procura de fazer previsões sobre a habitabilidade dos planetas noutros sistemas, bem como na procura de compreender a sua influência neste Sistema Solar.

"É importante compreender o impacto que Júpiter teve no clima da Terra ao longo do tempo, como o seu efeito na nossa órbita nos mudou no passado e como nos poderá mudar mais uma vez no futuro", disse Kane.

// Universidade da Califórnia, Riverside (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Terra:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
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  Explosões de estrelas massivas, atingindo a "espada" de Orionte, mapeadas em pormenores sem precedentes (via Observatório W. M Keck)
Astrónomos utilizaram o Observatório W. M. Keck no Hawaii para captar as imagens mais detalhadas e completas jamais tiradas da zona onde a famosa constelação de Orionte é atingida com radiação ultravioleta (UV) por enormes estrelas jovens. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Halo da Nebulosa Olho de Gato
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Crédito: Bray Falls
 
O que criou o halo invulgar à volta da Nebulosa Olho de Gato? Ninguém tem a certeza. O que é certo é que a Nebulosa Olho de Gato (NGC 6543) é uma das nebulosas planetárias mais conhecidas do céu. Embora sejam vistas simetrias assombrosas na região central brilhante, esta imagem foi obtida para apresentar o seu halo exterior intricadamente estruturado, que se estende ao longo de três anos-luz. As nebulosas planetárias há muito que são apreciadas como a fase final na vida de uma estrela semelhante ao Sol. Contudo, só recentemente se descobriu que algumas têm halos expansivos, provavelmente formados a partir de material lançado durante episódios anteriores da evolução da estrela. Apesar de se pensar que a fase de nebulosa planetária dure cerca de 10.000 anos, os astrónomos estimam que as porções filamentares exteriores do halo da Nebulosa Olho de Gato tenham entre 50.000 e 90.000 anos.
 
   
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