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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1952  
  22/11 a 24/11/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Quando acaba este ano?
Data: 7 de dezembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Por que é que não se chama ao mês 12 Dozembro? Esta e outras curiosidades anuais estarão em destaque na apresentação, que será seguida de observação noturna com telescópio se a meteorologia o permitir.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 22/11: 326.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1973 nasce Chad Trujillo, codescobridor do planeta anão Éris.

Observações: Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste nestas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda, apontando, como sempre, para Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas de Lira, perto de Vega, são duplas interessantes. Logo acima de Vega, está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, o Duplo-Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado.
Uns binóculos resolvem Epsilon facilmente. Já um telescópio de 4 polegadas, com uma ampliação de 100x ou mais, deverá resolver cada das componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta é também uma estrela dupla binocular; muito mais difícil, mas observável através de um telescópio.
E Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, a uma distância parecida, é um par binocular mais largo e mais fácil.

Dia 23/11: 327.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea é apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1972, a União Soviética faz a sua tentativa final de lançar com sucesso o foguetão N1
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Em 2015, o veículo espacial New Shepard da Blue Origin torna-se no primeiro foguetão a ser lançado com sucesso para o espaço e a regressar à Terra, numa aterragem controlada e vertical.

Observações: Lua Nova, pelas 22:57.
Esta é a altura do ano em que o Grande Quadrado de Pégaso flutua o mais alto ao início da noite. Procure-o para cima do planeta Júpiter.
O lado oeste (direito) do Grande Quadrado aponta bem para baixo até Fomalhaut a sul. O seu lado este aponta menos diretamente até Beta Ceti (Diphda), não tão longe.

Dia 24/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1639 (calendário juliano), Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: Não parece que o Sol já se põe o mais cedo possível? Poderá ter razão! Ainda estamos a algum tempo do solstício de inverno - mas o Sol põe-se o mais cedo possível por volta do dia 6 ou 7 de dezembro à latitude de Faro, Portugal. Hoje estamos a uns meros 2 minutos dessa hora.
Este desfasamento do solstício é balançado pelo oposto ao nascer-do-Sol: o Sol só nasce o mais tarde possível dia 4 de janeiro. Culpe a inclinação do eixo da Terra e a excentricidade da órbita.

 
     
 
Curiosidades


Dois cientistas da Universidade Johns Hopkins desenvolveram um novo mapa do Universo que mostra, pela primeira vez, toda a extensão do Universo conhecido com uma precisão inigualável e beleza indescritível. Inclui mais de duas décadas de dados recolhidos pelo SDSS (Sloan Digitized Sky Survey).
Pode consultar o mapa no link:
http://MapoftheUniverse.net

 
 
   
Telescópio Webb revela o nascimento de galáxias, como o Universo se tornou transparente

Um estudo liderado pela UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles), e publicado numa edição especial da revista The Astrophysical Journal, relata que as primeiras galáxias eram bolas de fogo cósmicas que convertiam gás em estrelas a velocidades estonteantes e em toda a sua extensão.

A investigação, baseada em dados do Telescópio Espacial James Webb, é o primeiro estudo sobre a forma e estrutura dessas galáxias. Mostra que não eram nada como as galáxias atuais em que a formação estelar está confinada a pequenas regiões, tais como na direção da constelação de Orionte na nossa própria Galáxia, a Via Láctea.

 
Duas das galáxias mais distantes vistas até à data podem ser vistas nestas imagens Webb das regiões exteriores do gigantesco enxame de galáxias Abell 2744. As galáxias não estão dentro do enxame, mas muitos milhares de milhões de anos-luz atrás dele.
A galáxia apresentada na imagem no centro superior é extraída da imagem à esquerda. Existiu apenas 450 milhões de anos após o Big Bang.
A galáxia apresentada na imagem no centro inferior é extraída da imagem à direita. Existiu 350 milhões de anos após o Big Bang.
Ambas as galáxias são vistas muito perto do Big Bang que ocorreu há 13,8 mil milhões de anos. Estas galáxias são minúsculas em comparação com a nossa Via Láctea, tendo apenas uma fração do seu tamanho, mesmo até a galáxia inesperadamente alongada vista na imagem do centro superior.
Crédito: NASA, ESA, CSA, T. Treu (UCLA)
 

"Estamos a ver galáxias formarem novas estrelas a um ritmo eletrizante", disse Tommaso Treu, o autor principal do estudo, professor de física e astronomia da UCLA. "A incrível resolução do Webb permite-nos estudar estas galáxias com detalhes sem precedentes e vemos toda esta formação estelar a ocorrer dentro das regiões destas galáxias".

Treu dirige o projeto GLASS-JWST, pertencendo ao programa ERS (Early Release Science) do Webb, cujos primeiros resultados são o tema da edição especial da revista. Outro estudo conduzido pela UCLA, presente na edição, descobriu que as galáxias que se formaram logo após o Big Bang - em menos de mil milhões de anos - poderiam ter começado a queimar os restos de hidrogénio absorvente de fotões, dando luz a um Universo escuro.

"Até os nossos melhores telescópios tiveram dificuldade em confirmar as distâncias destas galáxias, por isso não sabíamos se tornavam o Universo transparente ou não", disse Guido Roberts-Borsani, investigador pós-doutorado da UCLA e líder do estudo. "O Webb está a mostrar-nos que não só consegue fazer o trabalho, como também o faz com uma facilidade surpreendente. Muda completamente o jogo".

Estas descobertas são duas de muitas descobertas de tirar o fôlego por astrofísicos que estão entre os primeiros a espreitar através de uma janela para o passado, janela esta recentemente aberta pelo Webb.

O Webb é o maior telescópio infravermelho [próximo] no espaço e a sua notável resolução fornece uma visão sem paralelo de objetos tão distantes que a sua luz demora milhares de milhões de anos a chegar à Terra. Embora estes objetos já tenham envelhecido, só a luz dos seus primeiros momentos teve tempo suficiente para viajar através do Universo e para acabar nos detetores do Webb. Como resultado, não só o Webb funciona como uma espécie de máquina do tempo - levando os cientistas de volta ao período pouco depois do Big Bang - como as imagens que está a produzir tornaram-se um álbum de família, com instantâneos de galáxias e estrelas infantis.

O GLASS-JWST foi um dos 13 projetos ERS selecionados em 2017 pela NASA para produzir rapidamente conjuntos de dados acessíveis ao público e para demonstrar e testar as capacidades dos instrumentos do Webb.

O projeto visa compreender como e quando a luz das primeiras galáxias "queimou" através do nevoeiro de hidrogénio deixado para trás pelo Big Bang - um fenómeno e período de tempo chamado Época da Reionização - e como o gás e elementos pesados estão distribuídos dentro e à volta das galáxias ao longo do tempo cósmico. Treu e Roberts-Borsani usam três dos inovadores instrumentos do Webb, dedicado ao infravermelho próximo, para fazer medições detalhadas de galáxias distantes no Universo primitivo.

A Época da Reionização é um período que continua a ser mal compreendido pelos cientistas. Até agora, os investigadores não tinham os instrumentos infravermelhos extremamente sensíveis necessários para observar galáxias que existiam na altura. Antes da reionização cósmica, o Universo primitivo permaneceu desprovido de luz porque os fotões ultravioletas das estrelas iniciais eram absorvidos pelos átomos de hidrogénio que saturavam o espaço.

Os cientistas pensam que, algures nos primeiros mil milhões de anos do Universo, a radiação emitida pelas primeiras galáxias e possivelmente pelos primeiros buracos negros fez com que os átomos de hidrogénio perdessem eletrões, ou ionizassem, impedindo que os fotões se "colassem" a eles e abrindo um caminho para que os fotões viajassem através do espaço. À medida que as galáxias começaram a ionizar bolhas cada vez maiores, o Universo tornou-se transparente e a luz pôde viajar livremente, como hoje acontece, permitindo-nos ver uma brilhante copa de estrelas e galáxias todas as noites.

A descoberta de Roberts-Borsani de que as galáxias se formaram mais depressa e mais cedo do que se pensava anteriormente poderá confirmar que foram as culpadas da reionização cósmica. O estudo também confirma as distâncias de duas das galáxias mais distantes conhecidas, utilizando uma nova técnica que permite aos astrónomos sondar o início da reionização cósmica.

// Universidade da Califórnia, Los Angeles (comunicado de imprensa)
// Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Entrevista a Tommaso Treu (via STScI)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
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Forbes
UPI
CNN
The Verge

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
GLASS-JWST (UCLA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Os misteriosos filamentos da Via Láctea têm "primos mais velhos e distantes"

O astrofísico Farhad Zadeh, da Universidade Northwestern, tem tido um grande interesse e fascínio por uma família de filamentos magnéticos em grande escala e altamente organizados, situados no centro da Via Láctea, desde que os descobriu no início da década de 1980.

Agora, quarenta anos depois, Zadeh permanece igualmente fascinado - mas talvez um pouco menos intrigado.

Com uma nova descoberta de filamentos semelhantes, mas situados noutras galáxias, Zadeh e seus colaboradores introduziram, pela primeira vez, duas explicações possíveis para as origens desconhecidas dos filamentos. Num novo artigo científico, publicado no início deste mês na revista The Astrophysical Journal Letters, Zadeh e os seus coautores propõem que os filamentos podem resultar de uma interação entre vento e nuvens em grande escala ou podem surgir de turbulência dentro de um campo magnético fraco.

"Nós já sabemos muito sobre os filamentos no nosso próprio Centro Galáctico, e agora os filamentos nas outras galáxias começam a aparecer como uma nova população de filamentos extragalácticos", disse Zadeh. "Os mecanismos físicos subjacentes a ambas as populações de filamentos são semelhantes, apesar dos ambientes serem muito diferentes. Os objetos fazem parte da mesma família, mas os filamentos fora da Via Láctea são primos mais velhos e distantes - primos mesmo muito distantes (no tempo e no espaço)".

Perito em radioastronomia, Zadeh é professor de física e astronomia na Faculdade Weinberg de Artes e Ciências da Universidade Northwestern e membro do CIERA (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics).

 
Os filamentos magnéticos em grande escala "derramam" para baixo a partir do jato de um buraco negro, localizado numa galáxia membro de um distante enxame.
Crédito: Rudnick e colaboradores, 2022
 

"Algo universal está a acontecer"

Os primeiros filamentos que Zadeh descobriu estendem-se até 150 anos-luz de comprimento, elevando-se perto do buraco negro central da Via Láctea. No início deste ano, Zadeh adicionou mais quase 1000 filamentos à sua coleção de observações. Nesse lote, os filamentos unidimensionais aparecem aos pares e agrupados, muitas vezes empilhados e igualmente espaçados, lado a lado como cordas numa harpa ou de lado como ondulações individuais numa cascata.

Usando observações de radiotelescópios, Zadeh descobriu que os filamentos mistificantes são constituídos por eletrões de raios cósmicos que giram ao longo de um campo magnético a uma velocidade próxima da velocidade da luz. Embora Zadeh esteja a montar o puzzle da sua composição, ainda se perguntava de onde vinham. Quando os astrónomos descobriram uma nova população para lá da nossa própria Galáxia, isso forneceu novas oportunidades para investigar os processos físicos no espaço que rodeia os filamentos.

Os filamentos recentemente descobertos residem dentro de um enxame de galáxias, um emaranhado concentrado de milhares de galáxias localizado a mil milhões de anos-luz da Terra. Algumas das galáxias dentro do enxame são radiogaláxias ativas, que parecem ser terreno fértil para a formação de filamentos magnéticos em grande escala. Quando Zadeh viu pela primeira vez estes filamentos recentemente descobertos, ficou espantado.

"Depois de estudar filamentos no nosso próprio Centro Galáctico durante todos estes anos, fiquei extremamente entusiasmado por ver estas estruturas tremendamente belas", disse. "Como encontrámos estes filamentos noutras partes do Universo, isso indica que algo universal está a acontecer".

Gigantes galácticos

Embora a nova população de filamentos pareça semelhante à da nossa Via Láctea, existem algumas diferenças fundamentais. Os filamentos fora da Via Láctea, por exemplo, são muito maiores - entre 100 a 10.000 vezes mais longos. São também muito mais antigos e os seus campos magnéticos são mais fracos. A maioria deles estão curiosamente "pendurados" - num ângulo de 90º - começando nos jatos de um buraco negro no vasto nada do meio intra-enxame, ou no espaço entre as galáxias do enxame.

Mas a população recentemente descoberta tem a mesma relação comprimento/largura que os filamentos da Via Láctea. E ambas as populações parecem transportar energia através dos mesmos mecanismos. Mais perto do jato, os eletrões dos filamentos são mais energéticos, mas perdem energia à medida que se deslocam mais para baixo no filamento. Embora o jato do buraco negro possa fornecer as partículas essenciais necessárias para criar um filamento, algo desconhecido deve estar a acelerar estas partículas ao longo de espantosas distâncias.

"Alguns deles têm tamanhos incríveis, até 200 quiloparsecs", disse Zadeh. "Isto é cerca de quatro ou cinco vezes o tamanho de toda a nossa Via Láctea. O notável é que os seus eletrões permanecem juntos numa escala tão longa. Se um eletrão viajasse à velocidade da luz ao longo do comprimento do filamento, demoraria 700.000 anos. E eles não viajam à velocidade da luz".

 
Imagens rádio dos filamentos magnéticos. O filamento à esquerda é de uma outra galáxia. Com 100 quiloparsecs de comprimento, é maior do que os outros três filamentos da nossa Via Láctea, que medem 28 parsecs, 12 parsecs e 6 parsecs de comprimento, respetivamente.
Crédito: Rudnick e colaboradores, 2022
 

Possibilidades promissoras

No novo artigo científico, Zadeh e colaboradores teorizam que a origem dos filamentos poderá ser uma simples interação entre o vento galáctico e um obstáculo, tal como uma nuvem. À medida que o vento envolve o obstáculo, cria uma cauda semelhante à de um cometa por trás dele.

"O vento vem do movimento da própria galáxia à medida que gira", explicou Zadeh. "É como quando se coloca a janela fora de um carro em movimento. Não há vento lá fora, mas sente-se o ar a mover-se. Quando a galáxia se move, cria vento que pode estar a empurrar através de locais onde as partículas dos raios cósmicos estão bastante soltas. Varre o material e cria uma estrutura filamentar".

As simulações, contudo, fornecem outra possibilidade viável. Quando os investigadores simularam um meio ativo e turbulento, materializaram-se longas estruturas filamentares. À medida que as radiogaláxias se movem, explicou Zadeh, a gravidade pode afetar o meio e agitá-lo. O meio forma então turbilhões. Após o fraco campo magnético envolver estes turbilhões, pode ser esticado, dobrado e amplificado - eventualmente tornando-se filamentos alongados com um forte campo magnético.

Embora ainda permaneçam muitas questões por responder, Zadeh fica maravilhado com as novas descobertas.

"Todos estes filamentos para lá da nossa Galáxia são muito antigos. São quase de uma época diferente do nosso Universo e no entanto sinalizam aos habitantes da Via Láctea que existe uma origem comum para a formação dos filamentos. Penso que existe uma origem comum para a formação dos filamentos. Penso que isto é notável", disse o astrofísico Farhad Zadeh.

// Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
01/02/2022 - Revelados quase 1000 misteriosos filamentos no centro da Via Láctea
01/06/2021 - Filamentos magnetizados tecem uma espetacular tapeçaria galáctica

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS
Centro Galáctico (Wikipedia)

Radiogaláxia:
Wikipedia

Raios cósmicos:
Wikipedia

Ventos galácticos:
Wikipedia

 
   
Vulcanismo extremo pode ter alterado o clima de Vénus

Um novo artigo científico da NASA sugere que a atividade vulcânica, que durou centenas a milhares de séculos e que libertou quantidades massivas de material, pode ter ajudado a transformar Vénus de um mundo temperado e húmido para a estufa ácida que é hoje.

O artigo também discute estas "grandes províncias ígneas" na história da Terra que causaram várias extinções em massa no nosso próprio planeta há milhões de anos atrás.

 
Maat Mons é apresentado nesta perspetiva tridimensional, gerada por computador, da superfície de Vénus. O ponto de vista situa-se a 634 quilómetros para norte de Maat Mons, a uma altitude de 3 quilómetros. Os fluxos de lava estendem-se por centenas de quilómetros através das planícies fracturadas vistas em primeiro plano, até à base de Maat Mons. Os dados de radar de abertura sintética da missão Magellan da NASA foram combinados com altimetria de radar para desenvolver um mapa tridimensional da superfície. A escala vertical nesta perspectiva foi exagerada 10 vezes.
Crédito: NASA/JPL
 

"Ao compreender o registo de grandes províncias ígneas na Terra e em Vénus, podemos determinar se estes acontecimentos podem ter causado a atual condição de Vénus", disse o Dr. Michael J. Way, do GISS (Goddard Institute for Space Studies) da NASA em Nova Iorque. Way é o autor principal do artigo, publicado a 22 de abril na revista The Planetary Science Journal.

As grandes províncias ígneas são os produtos de períodos de vulcanismo em grande escala que duram dezenas de milhares ou até mesmo centenas de milhares de anos. Podem depositar cerca de 500.000 quilómetros cúbicos de rocha vulcânica à superfície. No limite superior, poderá significar rocha fundida suficiente para enterrar toda a Península Ibérica a quase um quilómetro de profundidade.

Hoje, Vénus tem temperaturas superficiais que rondam em média os 464º C e uma atmosfera com cerca de 90 vezes a pressão da Terra ao nível do mar. De acordo com o estudo, as enormes erupções vulcânicas podem ter dado início a estas condições infernais algures na história antiga de Vénus. Em particular, a ocorrência de várias dessas erupções num curto espaço de tempo geológico (um milhão de anos) poderia ter levado a um efeito de estufa que deu início à transição do planeta de húmido e temperado para quente e seco.

Oitenta por cento da superfície total de Vénus está coberta por grandes campos de rocha vulcânica solidificada, disse Way. "Embora ainda não estejamos certo da frequência com que ocorreram os acontecimentos que criaram estes campos, devemos ser capazes de a estimar estudando a própria história da Terra".

A vida na Terra sofreu pelo menos cinco grandes eventos de extinção em massa desde a origem da vida multicelular há cerca de 540 milhões de anos, cada um dos quais dizimando mais de 50% da vida animal em todo o planeta. Segundo este estudo e outros anteriores, a maioria destes eventos de extinção foram causados ou exacerbados pelos tipos de erupções que produzem grandes províncias ígneas. No caso da Terra, as perturbações climáticas provocadas por estes eventos não foram suficientes para causar um efeito de estufa extremo como ocorreu em Vénus, por razões que Way e outros cientistas ainda estão a trabalhar para determinar.

As próximas missões da NASA a Vénus, programadas para o final desta década - a missão DAVINCI (Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging) e a missão VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy) - visam estudar a origem, história e estado atual de Vénus em detalhes sem precedentes.

"Um objetivo principal da DAVINCI é melhor determinar a história da água em Vénus e quando esta pode ter desaparecido, fornecendo mais informações sobre como o clima de Vénus mudou ao longo do tempo", disse Way.

A missão DAVINCI precederá a VERITAS, um orbitador concebido para investigar a superfície e o interior de Vénus, para melhor compreender a sua história vulcânica e volátil e, assim, o percurso de Vénus até ao seu estado atual. Os dados de ambas as missões podem ajudar os cientistas a melhor determinar o registo exato de como Vénus pode ter passado de húmido e temperado para seco e escaldante. Pode também ajudar-nos a compreender melhor como o vulcanismo aqui na Terra afetou a vida no passado e como poderá a continuar a fazê-lo no futuro.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Vénus:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Vulcanismo em Vénus (Wikipedia)

Efeito de estufa:
Wikipedia

Extinção em massa:
Wikipedia

DAVINCI (Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging):
NASA
Wikipedia

VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, And Spectroscopy):
JPL/NASA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Como o instrumento NIRSpec do Webb abriu 200 janelas para as nossas origens (via ESA)
A astronomia é impulsionada por grandes questões e não há muitas outras maiores do que imaginar como é que as primeiras estrelas e galáxias começaram a formar-se - dando eventualmente origem à nossa própria existência. As respostas estão enterradas no distante Universo, tão distante que a luz viajou milhares de milhões de anos para nos alcançar, transportando as imagens das primeiras galáxias. Este período inicial, apenas 200 milhões de anos após o Big Bang, está para lá do já impressionante alcance dos telescópios anteriores. Graças ao Telescópio Espacial James Webb, pode agora ser visto. Ler fonte
     
  Rover Perseverance investiga intrigante leito rochoso (via NASA)
O rover Perseverance da NASA começou a explorar uma área a que a equipa científica chama "Yori Pass" perto da base do antigo delta do rio da Cratera Jezero. Há vários meses que estão ansiosos por explorar a região, depois de terem avistado uma rocha semelhante a uma de onde o Perseverance recolheu amostras em julho. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - NGC 7380: A Nebulosa do Feiticeiro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ioan Popa
 
Que forças estão a ser exercidas na Nebulosa do Feiticeiro? Gravitação forte o suficiente para formar estrelas, e ventos estelares e radiações poderosas o suficiente para criar e dissolver torres de gás. Localizada a apenas 8000 anos-luz de distância, a Nebulosa do Feiticeiro, na imagem em destaque, rodeia o jovem enxame aberto NGC 7380. Visualmente, a interação de estrelas, gás e poeira criou uma forma que parece a alguns um fictício feiticeiro medieval. A região de formação estelar estende-se por 100 anos-luz, fazendo-a a parecer maior do que a Lua no céu. A Nebulosa do Feiticeiro pode ser localizada com um pequeno telescópio na direção da constelação do Rei da Etiópia (Grécia Antiga), Cefeu. Embora a nebulosa possa durar apenas alguns milhões de anos, algumas das estrelas que estão a ser formadas podem viver mais do que o nosso Sol.
 
   
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