Programa em atualização
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Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
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EFEMÉRIDES
DIA 04/08: 216.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1805, nascia William Rowan Hamilton, físico, astrónomo e matemático irlandês que fez contribuições importantes para a mecânica clássica, ótica e álgebra. A sua maior contribuição é talvez a reformulação das mecânicas Newtonianas, agora chamadas mecânicas Hamiltonianas. Este trabalho foi fundamental para o estudo do eletromagnetismo e para o desenvolvimento da mecânica quântica.
Em 2007, a NASA lançava o módulo de aterragem Phoenix, cujo objetivo era procurar moléculas de água no pólo norte de Marte. HOJE, NO COSMOS:
E se em vez de um Triângulo de Verão, tivéssemos um Quadrilátero de Verão? A acrescentar ao asterismo que tão bem conhecemos, estaria a estrela Rasalhague, a cabeça de Ofíuco.
Primeiro, identifique o Triângulo. Vire-se para este depois do anoitecer e olhe alto para Vega. A dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda está Deneb. A três ou quatro punhos para baixo e para a esquerda de Vega está Altair.
A seguir, Rasalhague. Ainda virado(a) para este, está a três punhos à distância do braço esticado para a direita de Vega e três punhos para cima e para a direita de Altair.
Claro, a estrela tem magnitude 2, sendo menos brilhante que as três estrelas do Triângulo. Mas se a incluirmos ficamos com um equilátero grande e achatado.
DIA 05/08: 217.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).
Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2).
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens.
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida.
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegou ao gigante gasoso em julho de 2016. HOJE, NO COSMOS:
A brilhante Vega passa o mais alto no céu pelas 23 horas, dependendo de quão para este ou oeste está o observador.
Quão perto passa do zénite depende de quão norte ou sul está o observador. Passa exatamente pelo zénite à latitude 39º N. Quão detalhadamente consegue ver isto só apenas olhando?
Deneb passa o mais alto no céu duas horas depois de Vega. Mas para ver Deneb exatamente no zénite, precisamos de estar mais para norte, a 45º N (sul da França, por exemplo).
DIA 06/08: 218.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte. HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior encontra-se na diagonal a noroeste após o cair da noite. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita, cerca de três punhos à distância do braço esticado, para encontrar a Polar (de segunda magnitude, não é muito brilhante) brilhando a norte no mesmo lugar de sempre.
A Estrela Polar é o fim da "pega" da "frigideira" da Ursa Menor. As outras partes da Ursa Menor que são apenas de brilho modesto são as duas estrelas que perfazem a outra extremidade da "frigideira": Kochab e e Pherkad, de segunda e terceira magnitudes, respetivamente. Nestas noites encontrá-las-á para cima e para a esquerda da Polar (a mais ou menos punho e meio). São chamadas as Guardiãs do Polo, dado que rodeiam sem cessar a Polar ao longo da noite e ao longo do ano.
DIA 07/08: 219.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1959, lançamento do Explorer 6 que, com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra a partir de órbita.
Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10,5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. A descoberta foi, alguns anos depois, colocada em causa. Atualmente, a NASA lista o exoplaneta como "confirmado". HOJE, NO COSMOS:
Já viu alguns dos (primeiros) meteoros das Perseídas? Alguns começam a aparecer no final de julho e depois vão crescendo em número até ao seu pico, que este ano está previsto para a noite de 12 para 13 de agosto. Nessa altura, o céu estará sem Lua, o que criará condições perfeitas para a observação de meteoros. A chuva das Delta Aquáridas, fraca e de longa duração, também está um pouco ativa durante este período. Em ambas, quanto mais tarde na noite, mais meteoros serão vistos.
Webb avista arcos gravitacionais no enxame de galáxias "El Gordo"
A imagem infravermelha, pelo Webb, do enxame de galáxias El Gordo revela centenas de galáxias, algumas nunca antes vistas com este nível de pormenor. El Gordo atua como uma lente gravitacional, distorcendo e ampliando a luz de galáxias distantes.
Crédito: imagem - NASA, ESA, CSA; ciência - Jose Diego (Instituto de Física de Cantabria), Brenda Frye (Universidade do Arizona), Patrick Kamieneski (Universidade Estatal do Arizona), Tim Carleton (Universidade Estatal do Arizona) e Rogier Windhorst (Universidade Estatal do Arizona); processamento de imagem - Alyssa Pagan (STSCI), Jake Summers (Universidade Estatal do Arizona), Jordan D'Silva (Universidade da Austrália Ocidental), Anton Koekemoer (STScI), Aaron Robotham (Universidade da Austrália Ocidental) e Rogier Windhorst (Universidade Estatal do Arizona)
Uma nova imagem do enxame de galáxias conhecido como "El Gordo" está a revelar objetos distantes e poeirentos nunca antes vistos, e a fornecer uma abundância de ciência fresca. A imagem infravermelha, obtida pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA, mostra uma variedade de galáxias de fundo invulgares e distorcidas, que apenas foram vislumbradas em imagens anteriores do Telescópio Espacial Hubble.
El Gordo é um enxame de centenas de galáxias que existia quando o Universo tinha 6,2 mil milhões de anos, o que faz dele um "adolescente cósmico". É o enxame mais massivo que se sabe ter existido nessa altura ("El Gordo" é espanhol para "O Gordo").
A equipa escolheu El Gordo porque funciona como uma lupa cósmica natural, através de um fenómeno conhecido como lente gravitacional. A sua poderosa gravidade dobra e distorce a luz dos objetos que se encontram atrás dele, tal como uma lente de óculos.
"A lente de El Gordo aumenta o brilho e amplia o tamanho das galáxias distantes. Este efeito de lente fornece uma janela única para o Universo distante", disse Brenda Frye da Universidade do Arizona. Frye é colíder do ramo PEARLS-Clusters da equipa PEARLS (Prime Extragalactic Areas for Reionization and Lensing Science) e autora principal de um dos quatro artigos que analisam as observações de El Gordo.
O Anzol
Na imagem de El Gordo, uma das características mais marcantes é um arco brilhante representado a vermelho no canto superior direito. Apelidada de "El Anzuelo" (O Anzol) por um dos alunos de Frye, a luz desta galáxia demorou 10,6 mil milhões de anos a chegar à Terra. A sua característica cor vermelha deve-se a uma combinação do avermelhamento devido à poeira da própria galáxia e do desvio para o vermelho cosmológico devido à sua distância extrema.
Ao corrigir as distorções criadas pelo efeito de lente, a equipa conseguiu determinar que a galáxia de fundo tem a forma de um disco, mas apenas 26.000 anos-luz de diâmetro - cerca de um-quarto do tamanho da Via Láctea. Também puderam estudar a história da formação estelar da galáxia, descobrindo que a formação estelar já estava a diminuir rapidamente no centro da galáxia, um processo conhecido como extinção.
"Fomos capazes de dissecar cuidadosamente o manto de poeira que envolve o centro da galáxia, onde as estrelas se estão a formar ativamente", disse Patrick Kamieneski da Universidade Estatal do Arizona, autor principal do segundo artigo. "Agora, com o Webb, podemos espreitar através desta espessa cortina de poeira com facilidade, permitindo-nos ver em primeira mão a formação de galáxias de dentro para fora."
Duas das características mais proeminentes na imagem incluem "A Magra", realçada na caixa A, e o Anzol, uma curva vermelha realçada na caixa B. Ambas são galáxias de fundo sob o efeito de lentes. As inserções à direita mostram vistas ampliadas de ambos os objectos.
Crédito: imagem - NASA, ESA, CSA; ciência - Jose Diego (Instituto de Física de Cantabria), Brenda Frye (Universidade do Arizona), Patrick Kamieneski (Universidade Estatal do Arizona), Tim Carleton (Universidade Estatal do Arizona), e Rogier Windhorst (Universidade Estatal do Arizona); processamento de imagem - Alyssa Pagan (STScI), Jake Summers (Universidade Estatal do Arizona), Jordan D'Silva (Universidade da Austrália Ocidental), Anton Koekemoer (STScI), Aaron Robotham (Universidade da Austrália Ocidental) e Rogier Windhorst (Universidade Estatal do Arizona)
A Magra
Outra característica proeminente na imagem do Webb é uma linha longa e fina como um lápis para a esquerda do centro. Conhecida como "La Flaca" (a Magra), é outra galáxia de fundo que sofre efeito de lente e cuja luz também demorou quase 11 mil milhões de anos a chegar à Terra.
Não muito longe de La Flaca está outra galáxia sob efeito de lente. Quando os investigadores examinaram essa galáxia de perto, encontraram uma única estrela gigante vermelha que apelidaram de Quyllur, que é o termo quechua para estrela.
Anteriormente, o Hubble tinha encontrado outras estrelas que sofrem efeito de lente (como Earendel), mas eram todas supergigantes azuis. Quyllur é a primeira estrela gigante vermelha individual observada a mais de mil milhões de anos-luz da Terra. Estas estrelas, num desvio para o vermelho elevado, só são detetáveis usando os filtros infravermelhos e a sensibilidade do Webb.
"É quase impossível ver estrelas gigantes vermelhas com lentes a menos que se vá para o infravermelho. Esta é a primeira que encontrámos com o Webb, mas esperamos que haja muitas mais", disse Jose Diego do Instituto de Física de Cantabria, Espanha, autor principal de um terceiro artigo sobre El Gordo.
Grupo de galáxias e manchas
Outros objetos da imagem obtida pelo Webb, embora menos proeminentes, são igualmente interessantes do ponto de vista científico. Por exemplo, Frye e a sua equipa (que inclui nove estudantes, desde o ensino secundário a estudantes universitários) identificaram cinco galáxias com lentes múltiplas que parecem ser um enxame de galáxias bebé formado há cerca de 12,1 mil milhões de anos. Há mais uma dúzia de galáxias candidatas que podem também fazer parte deste enxame distante.
"Embora sejam necessários dados adicionais para confirmar a existência de 17 membros neste enxame, podemos estar a assistir à formação de um novo enxame de galáxias mesmo à frente dos nossos olhos, pouco mais de mil milhões de anos após o Big Bang", disse Frye.
Um último artigo examina galáxias muito ténues, semelhantes a manchas, conhecidas como galáxias ultradifusas. Como o nome sugere, estes objetos, que estão espalhados pelo enxame de El Gordo, têm as suas estrelas muito espalhadas pelo espaço. A equipa identificou algumas das galáxias ultradifusas mais distantes alguma vez observadas, cuja luz viajou 7,2 mil milhões de anos para chegar até nós.
"Examinámos se as propriedades destas galáxias são diferentes das galáxias ultradifusas que vemos no Universo local e, de facto, vemos algumas diferenças. Em particular, são mais azuis, mais jovens, mais extensas e mais uniformemente distribuídas pelo enxame. Isto sugere que viver no ambiente do enxame durante os últimos 6 mil milhões de anos teve um efeito significativo nestas galáxias", explicou Timothy Carleton da Universidade do Estado do Arizona, autor principal do quarto artigo.
"As lentes gravitacionais foram previstas por Albert Einstein há mais de 100 anos. No enxame de El Gordo, vemos o poder das lentes gravitacionais em ação," concluiu Rogier Windhorst da Universidade Estatal do Arizona, investigador principal do programa PEARLS. "As imagens PEARLS de El Gordo são de uma beleza fora do comum. E mostraram-nos como o Webb pode abrir a arca do tesouro de Einstein".
O artigo de Frye et al. foi publicado na revista The Astrophysical Journal. O artigo de Kamieneski et al. foi aceite para publicação na mesma revista. O artigo de Diego et al. foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics. O artigo de Carleton et al. foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.
Novo algoritmo deteta o seu primeiro asteroide "potencialmente perigoso"
Imagens da descoberta pelo levantamento ATLAS, com 2022 SF289 visível nas caixas vermelhas.
Crédito:
ATLAS/Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii/NASA
Um algoritmo de descoberta de asteroides - concebido para descobrir asteroides próximos da Terra para o futuro levantamento de 10 anos do céu noturno do Observatório Vera C. Rubin - identificou o seu primeiro asteroide "potencialmente perigoso", um termo para as rochas espaciais na vizinhança da Terra que os cientistas gostam de manter debaixo de olho. O asteroide com cerca de 180 metros de comprimento, designado 2022 SF289, foi descoberto durante um teste do algoritmo com o levantamento ATLAS no Hawaii. A descoberta de 2022 SF289, que não representa qualquer risco para a Terra num futuro previsível, confirma que o algoritmo de próxima geração, conhecido como HelioLinc3D, pode identificar asteroides próximos da Terra com menos observações e mais dispersas do que as exigidas pelos métodos atuais.
"Ao demonstrar a eficácia real do software que o Rubin vai usar para procurar milhares de asteroides potencialmente perigosos ainda desconhecidos, a descoberta de 2022 SF289 torna-nos a todos mais seguros", disse Ari Heinze, cientista do Rubin, o principal criador do HelioLinc3D e investigador da Universidade de Washington.
O Sistema Solar é o lar de dezenas de milhões de corpos rochosos que vão desde pequenos asteroides que não ultrapassam alguns metros, até planetas anões do tamanho da nossa Lua. Estes objetos são remanescentes de uma era com mais de quatro mil milhões de anos, quando os planetas do nosso sistema se formaram e assumiram as suas posições atuais.
A maior parte destes corpos são distantes, mas alguns orbitam perto da Terra e são conhecidos como objetos próximos da Terra, ou NEOs (sigla inglesa para "near-Earth objects"). Os mais próximos - os que têm uma trajetória que os leva a cerca de 8 milhões de quilómetros da órbita da Terra, ou cerca de 20 vezes a distância da Terra à Lua - merecem uma atenção especial. Estes "asteroides potencialmente perigosos", ou PHAs (sigla inglesa para "potentially hazardous asteroids"), são sistematicamente procurados e monitorizados para garantir que não vão colidir com a Terra, um acontecimento potencialmente devastador.
Os cientistas procuram PHAs utilizando sistemas de telescópios especializados como o ATLAS, financiado pela NASA, dirigido por uma equipa do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii. Fazem-no tirando imagens de partes do céu pelo menos quatro vezes por noite. Uma descoberta é feita quando se nota que um ponto de luz se move inequivocamente em linha reta ao longo da série de imagens. Os cientistas descobriram cerca de 2350 PHAs usando este método, mas estimam que pelo menos outros tantos aguardam descoberta.
Imagem que mostra a órbita de 2022 SF289 (verde) na sua maior aproximação à Terra (órbita a azul). As órbitas de Vénus e Marte podem ser vistas a laranja e vermelho, respetivamente.
Crédito:
Joachim Moeyens/Universidade de Washington/OpenSpace
A partir do seu pico nos Andes chilenos, o Observatório Vera C. Rubin vai juntar-se à caça destes objetos no início de 2025. Financiado principalmente pela NSF (National Science Foundation) dos EUA e pelo Departamento de Energia dos EUA, as observações do Rubin aumentarão drasticamente o ritmo de descoberta de PHAs. O Rubin irá varrer o céu com uma rapidez sem precedentes, com o seu espelho de 8,4 metros e a sua grande câmara de 3200 megapixéis, visitando zonas no céu duas vezes por noite, em vez das quatro vezes necessárias para os telescópios atuais. Mas com esta nova "cadência" de observação, os investigadores precisam de um novo tipo de algoritmo de descoberta para detetar com fiabilidade as rochas espaciais.
A equipa de software do Sistema Solar do Rubin, no Instituto DiRAC da Universidade de Washington, tem trabalhado para desenvolver esse código. Trabalhando com o astrofísico do Smithsonian e professor da Universidade de Harvard, Matthew Holman, que em 2018 foi pioneiro numa nova classe de algoritmos de busca de asteroides heliocêntricos, Heinze e Siegfried Eggl, ex-investigador da Universidade de Washington que agora é professor assistente na Universidade do Illinois em Urbana-Champaign, desenvolveram o HelioLinc3D: um código que poderia encontrar asteroides no conjunto de dados do Rubin. Com o Rubin ainda em construção, Heinze e Eggl quiseram testar o HelioLinc3D para ver se conseguia descobrir um novo asteroide nos dados existentes, um asteroide com demasiado poucas observações para ser descoberto pelos algoritmos convencionais atuais.
John Tonry e Larry Denneau, astrónomos principais do ATLAS, forneceram os seus dados para um teste. A equipa do Rubin pôs o HelioLinc3D a pesquisar estes dados e, no dia 18 de julho de 2023, detetou o seu primeiro PHA: 2022 SF289, inicialmente observado pelo ATLAS no dia 19 de setembro de 2022, a uma distância de 21 milhões de quilómetros da Terra.
Em retrospetiva, o ATLAS tinha observado 2022 SF289 três vezes em quatro noites distintas, mas nunca as quatro vezes necessárias numa só noite para ser identificado como um novo NEO. Mas é precisamente nestas ocasiões que o HelioLinc3D se destaca: combinou com sucesso fragmentos de dados das quatro noites e fez a descoberta.
"Qualquer levantamento terá dificuldade em descobrir objetos como 2022 SF289 que estão perto do seu limite de sensibilidade, mas o HelioLinc3D mostra que é possível recuperar estes objetos ténues desde que sejam visíveis durante várias noites", disse Denneau. "Isto, de facto, dá-nos um telescópio 'maior e melhor'".
Observações adicionais de 2022 SF289 obtidas pelo levantamento ZTF (Zwicky Transient Facility).
Crédito:
Joachim Moeyens/Universidade de Washington/Instituto de Asteroides B612
Outros levantamentos também não detetaram 2022 SF289, porque estava a passar em frente dos ricos campos estelares da Via Láctea. Mas, sabendo agora onde procurar, observações adicionais pelo Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System) e pelo CSS (Catalina Sky Survey) confirmaram rapidamente a descoberta. A equipa usou a plataforma ADAM do Instituto de Asteroides B612 para recuperar outras observações não reconhecidas pelo ZTF (Zwicky Transient Facility), apoiado pela NSF.
2022 SF289 está classificado como um NEO do tipo Apollo. A sua maior aproximação coloca-o a 225.000 quilómetros da órbita da Terra, mais perto do que a Lua. O seu diâmetro de 180 metros é suficiente para ficar classificado como "potencialmente perigoso". Mas, apesar da sua proximidade, as projeções indicam que não há perigo de atingir a Terra num futuro próximo. A sua descoberta foi anunciada na Circular Eletrónica MPEC 2023-O26 de Planetas Menores da União Astronómica Internacional.
Atualmente, os cientistas conhecem 2350 PHAs, mas esperam que existam mais de 3000 ainda por descobrir.
"Isto é apenas uma pequena amostra do que esperar do Observatório Rubin daqui a menos de dois anos, quando o HelioLinc3D estará a descobrir um objeto como este todas as noites", disse Mario Jurić, cientista do Rubin, diretor do Instituto DiRAC, professor de astronomia na Universidade de Washington e líder da equipa por detrás do HelioLinc3D. "Mas, mais amplamente, é uma previsão da próxima era da astronomia com uso intensivo de dados. Do HelioLinc3D aos códigos assistidos por IA (inteligência artificial), a próxima década de descobertas será uma história de avanços tão grandes nos algoritmos como nos novos e poderosos telescópios."
Impressão de artista de um asteroide metálico.
Crédito: Universidade Estatal do Arizona/Peter Rubin
Investigadores da Universidade de Yale poderão ter resolvido um enigma de longa data sobre a razão pela qual certos meteoritos metálicos apresentam vestígios de um campo magnético - uma descoberta que poderá lançar luz sobre a formação de dínamos magnéticos no núcleo dos planetas.
O magnetismo planetário é fundamental para compreender tanto a estrutura interna como a evolução de muitos corpos celestes. Os núcleos da Terra, de Mercúrio e de duas luas de Júpiter, Ganimedes e Io, por exemplo, geram todos campos magnéticos detetáveis. E há vestígios de magnetismo antigo encontrados em Marte e na nossa Lua.
Mas também há meteoritos - pequenas rochas espaciais que caíram para a Terra - que contêm indícios de magnetismo. Os cientistas afirmam que alguns meteoritos ferrosos contêm remanescentes de um campo magnético gerado internamente - o que não deveria ser possível. Embora se pense que os meteoritos de ferro representem os núcleos metálicos dos asteroides (pequenos corpos planetários), não se espera que estes núcleos tenham as características internas altamente específicas necessárias para gerar e registar simultaneamente magnetismo.
Num novo estudo, os cientistas Zhongtian Zhang e David Bercovici propõem que, sob certas condições, as colisões entre asteroides podem levar à formação de asteroides metálicos que podem gerar um campo magnético e registar o magnetismo através dos seus próprios materiais. Pequenos fragmentos destes asteroides, com vestígios de magnetismo, poderiam cair na Terra como meteoritos.
O estudo foi publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).
"Já há algum tempo que tinha conhecimento deste quebra-cabeças", disse Zhang, estudante do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias de Yale e primeiro autor do estudo. "Quando vim para Yale e discuti potenciais direções de investigação com o Dave, um dos artigos que ele me enviou era sobre a observação do paleomagnetismo em meteoritos ferrosos."
Vários anos mais tarde, Zhang estava a fazer investigação sobre os chamados asteroides "pilha de escombros", que são criados quando as forças gravitacionais fazem com que os fragmentos das colisões de asteroides se voltem a formar em novas combinações.
Esse trabalho inspirou Zhang e Bercovici a considerar a questão de saber se o fenómeno "pilha de escombros" poderia ser relevante para a geração de um campo magnético.
A modelagem dos investigadores sugere que, após a colisão de um asteroide, é possível que se formem novos asteroides com grande teor metálico, com um núcleo interno frio, rodeado por uma camada externa líquida mais quente. Quando o núcleo mais frio começa a retirar calor da camada exterior e elementos mais leves, como o enxofre, são libertados, a convecção tem início - que, por sua vez, cria um campo magnético.
De acordo com o seu modelo, este tipo de dínamo poderia gerar um campo magnético durante vários milhões de anos, o que seria o tempo suficiente para que a sua presença fosse detetada em meteoritos ferrosos pelos cientistas, milhares de milhões de anos mais tarde.
"Há várias peças neste puzzle para as quais Zhongtian concebeu uma solução criativa e inteligente", disse Bercovici, professor de Ciências da Terra e Planetárias na Faculdade de Artes e Ciências de Yale.
"Por exemplo, a ideia de um núcleo 'pilha de escombros' é realmente como deixar cair cubos de gelo num metal fundido", disse Bercovici. "Não podem ser demasiado grandes nem demasiado pequenos. Mas há um tamanho ótimo que é suficientemente pequeno para arrefecer no espaço, mas que também se afunda suficientemente depressa no metal derretido e se acumula no centro para formar um núcleo interno como o da Terra, pelo menos durante algum tempo".
O financiamento da investigação provém de um subsídio da NASA atribuído à Universidade Estatal do Arizona, a instituição que lidera a missão Psyche. Bercovici é um coinvestigador da missão.
Rover marciano Curiosity enfrenta a sua escalada mais díficil de sempre (via NASA)
No dia 5 de agosto, o rover Curiosity da NASA assinalará o seu 11.º ano em Marte fazendo o que faz melhor: estudar a superfície do Planeta Vermelho. O intrépido robot investigou recentemente um local apelidado de "Jau", que está repleto de dúzias de crateras de impacto. Raramente os cientistas conseguiram ver de perto tantas crateras marcianas num só local. Estima-se que a maior tenha pelo menos o comprimento de um campo de basquetebol, embora a maioria seja muito mais pequena. Ler fonte
Erupção solar gigante sentida na Terra, na Lua e em Marte (via ESA)
Uma ejeção de massa coronal irrompeu do Sol no dia 28 de outubro de 2021 e espalhou-se por uma área tão vasta que Marte e a Terra, embora em lados opostos do Sol e separados por cerca de 250 milhões de quilómetros, receberam um fluxo de partículas energéticas. É a primeira vez que um fenómeno solar é medido simultaneamente nas superfícies da Terra, da Lua e de Marte, como se refere num artigo da revista Geographical Research Letters. A erupção foi detetada por uma frota internacional de naves espaciais, incluindo o ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA, o rover Curiosity da NASA, o "lander" lunar Chang'e-4 da agência espacial chinesa, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA e o orbitador terrestre Eu:CROPIS da DLR. Ler fonte
Porque é que Fobos é tão escura? Fobos, a maior e mais interior das duas luas marcianas, é a lua mais escura de todo o Sistema Solar. A sua órbita e cor invulgares indicam que pode ser um asteroide capturado, composto por uma mistura de gelo e rocha escura. Esta imagem a cores de Fobos, perto da orla de Marte, foi captada no final de 2021 pela sonda Mars Express da ESA, atualmente em órbita de Marte. Fobos é uma lua com muitas crateras e estéril, com a sua maior cratera localizada no lado oculto. A partir de imagens como esta, foi determinado que Fobos está coberta por talvez um metro de poeira solta. Fobos orbita tão perto de Marte que, de alguns locais, parece nascer e pôr-se duas vezes por dia, enquanto que de outros locais não é visível de todo. A órbita de Fobos em torno de Marte está continuamente a decair - é provável que se fragmente e que os seus pedaços caiam na superfície marciana dentro de cerca de 50 milhões de anos.
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