DIA 04/10: 278.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.
Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço. HOJE, NO COSMOS:
O Grande Quadrado de Pégaso apoia-se num canto alto a este durante grande parte da noite. A dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita do Quadrado brilha Saturno, com luminosidade um pouco superior.
A partir do canto esquerdo do Grande Quadrado desloca-se a linha principal da constelação de Andrómeda: três estrelas (incluindo o canto) tão brilhantes quanto aquelas que formam o Quadrado de Pégaso. A linha estende-se para a esquerda e um pouco para baixo.
DIA 05/10: 279.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões.
Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 1958, nasce Neil deGrasse Tyson, astrofísico, cosmólogo, autor e comunicador científico americano.
Em 1984, Marc Garneau torna-se no primeiro canadiano no espaço, a bordo do vaivém Challenger.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orionte. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atração gravitacional das outras estrelas. HOJE, NO COSMOS:
Cerca de meia-hora após o pôr-do-Sol, encontre a fina Lua Crescente agrupada com Vénus muito baixos a sudoeste. Estão separados por menos de 4º. Ainda mais difícil de avistar é a ténue Alpha Librae, a menos de 1º para cima e para a direita de Vénus esta noite.
DIA 06/10: 280.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1903, nascia Ernest Walton, físico irlandês que ganhou o prémio Nobel por ter sido a primeira pessoa na história a dividir artificialmente o átomo, dando início à era nuclear.
Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASA, Ulysses, a partir do vaivém Discovery. Em fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica.
Completou a sua missão principal de vigiar os dois polos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o polo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão duraria até 2007.
Em 1995, é descoberto em 51 Pegasi o primeiro planeta a orbitar outra estrela que não o Sol. HOJE, NO COSMOS:
Depois da hora de jantar olhe logo acima do horizonte a nordeste - bem para baixo da constelação de Cassiopeia - para encontrar a brilhante Capella. A hora do nascer de Capella, e quão alta a encontrará, depende da latitude do observador. Quanto mais para norte estiver, mais cedo e mais alta estará.
DIA 07/10: 281.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1885, nascia Niels Bohr, físico que fez contribuições fundamentais na compreensão da estrutura atómica e da mecânica quântica, pela qual ganhou o prémio Nobel da Física.
Em 1958, o programa de voo espacial tripulado dos EUA muda de nome, para Projeto Mercury.
Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.
Em 2002, lançamento da missão STS-112, do vaivém espacial Atlantis.
Em 2008, o asteroide 2008 TC3 colide com a Terra, por cima do Sudão. É a primeira vez que se determina, antecipadamente, a colisão de um asteroide com o nosso planeta. HOJE, NO COSMOS:
A nossa Lua Crescente encontra-se hoje logo abaixo da estrela Antares, de Escorpião, a sudoeste ao anoitecer. O planeta Vénus encontra-se para a direita e um pouco para baixo do par.
Cientistas descobrem planeta em órbita da estrela individual mais próxima do Sol
Esta imagem artística mostra Barnard b, um planeta de massa inferior à da Terra que foi descoberto em órbita da estrela de Barnard. O seu sinal foi detetado com o instrumento ESPRESSO montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO e os astrónomos conseguiram ter a confirmação da sua existência através de dados obtidos com outros instrumentos. Uma deteção promissora anterior, de 2018, em torno da mesma estrela, não pôde ser confirmada a partir destes dados. Neste exoplaneta recém-descoberto, que tem pelo menos metade da massa de Vénus mas é demasiado quente para suportar água líquida à sua superfície, um ano dura pouco mais de três dias terrestres.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos descobriram um exoplaneta em órbita da estrela de Barnard, a estrela individual mais próxima do nosso Sol. Neste exoplaneta recém-descoberto, que tem pelo menos metade da massa de Vénus, um ano dura pouco mais de três dias terrestres. As observações da equipa também sugerem a existência de mais três candidatos a exoplanetas, em outras órbitas em torno desta estrela.
Localizada a apenas seis anos-luz de distância da Terra, a estrela de Barnard é o segundo sistema estelar mais próximo — depois do grupo de três estrelas de Alfa Centauri — e a estrela individual mais próxima de nós. Devido à sua proximidade, é um alvo primário na procura de exoplanetas semelhantes à Terra, mas, e apesar de uma deteção promissora em 2018, não tinha ainda sido confirmado nenhum planeta em órbita da estrela de Barnard.
A descoberta deste novo exoplaneta — anunciada num artigo científico publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics — resulta de observações efetuadas nos últimos cinco anos com o VLT do ESO, localizado no Observatório do Paranal, no Chile. "Apesar de termos demorado tanto tempo, estivemos sempre confiantes de que íamos conseguir encontrar algo", disse Jonay González Hernández, investigador do IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias), em Espanha, e autor principal deste estudo. A equipa procurava sinais de possíveis exoplanetas existentes no interior da zona habitável ou temperada da estrela de Barnard — uma zona definida como podendo existir água líquida à superfície dos planetas que aí se encontram. As anãs vermelhas como a estrela de Barnard são muitas vezes observadas pelos astrónomos, uma vez que é mais fácil detetar planetas rochosos de baixa massa em órbita do que em torno de estrelas maiores do tipo do Sol.
Os astrónomos têm como alvo estrelas frias, como as anãs vermelhas, porque a sua zona temperada está muito mais próxima da estrela do que a das estrelas mais quentes, como o Sol. Isto significa que os planetas que orbitam dentro da sua zona temperada têm períodos orbitais mais curtos, permitindo aos astrónomos monitorizá-los ao longo de vários dias ou semanas, em vez de anos. Além disso, as anãs vermelhas são muito menos massivas do que o Sol, pelo que são mais facilmente perturbadas pela atração gravitacional dos planetas que as orbitam, oscilando, por isso, mais fortemente e tornando-se mais fáceis de detetar.
Representação gráfica das distâncias relativas entre as estrelas mais próximas e o Sol. A estrela de Barnard é o segundo sistema estelar mais próximo do Sol e a estrela individual mais próxima de nós.
Crédito: IEEC/Science-Wave – Guillem Ramisa
O exoplaneta recém-descoberto, Barnard b (é prática comum nomear exoplanetas pelo nome da sua estrela hospedeira adicionando-lhe uma letra minúscula: 'b' indica que se trata do primeiro planeta conhecido, 'c' do seguinte, e assim por diante. O nome Barnard b tinha sido, portanto, já dado a um candidato a planeta anteriormente registado em torno da estrela de Barnard, mas os cientistas não o conseguiram confirmar), está vinte vezes mais próximo da estrela de Barnard do que Mercúrio está do nosso Sol. Orbita a sua estrela em 3,15 dias terrestres e tem uma temperatura à superfície de cerca de 125 °C. "Barnard b é um dos exoplanetas de menor massa conhecidos e um dos poucos que conhecemos com uma massa inferior à da Terra. No entanto, este planeta encontra-se demasiado perto da sua estrela, mais perto do que a zona habitável", explica González Hernández. "Apesar desta estrela ser cerca de 2500º mais fria do que o nosso Sol, ainda assim a zona onde se encontra o planeta apresenta-se demasiado quente para a água se manter líquida à sua superfície."
A equipa utilizou o ESPRESSO, um instrumento de alta precisão concebido para medir a oscilação de uma estrela causada pela atração gravitacional de um ou mais planetas em sua órbita. Os resultados obtidos com estas observações foram confirmados com dados de outros instrumentos também especializados na procura de exoplanetas: o HARPS no Observatório de La Silla do ESO, o HARPS-N e o CARMENES. Os novos dados não confirmam, no entanto, a existência do candidato a exoplaneta registado em 2018.
Para além do planeta confirmado, os cientistas encontraram ainda indícios de mais três candidatos a exoplanetas em órbita da mesma estrela. Estes candidatos, no entanto, requerem observações adicionais com o ESPRESSO para serem confirmados. "Precisamos agora de continuar a observar esta estrela para confirmar os sinais dos outros candidatos," diz Alejandro Suárez Mascareño, investigador também do Instituto de Astrofísica das Canárias e coautor do estudo. "Mas a descoberta deste planeta, juntamente com outras descobertas anteriores, como Proxima b e d, mostra que a nossa vizinhança cósmica se encontra repleta de planetas de pequena massa."
O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, atualmente em construção, irá transformar a área de investigação dos exoplanetas. O instrumento ANDES do ELT permitirá aos investigadores detetar mais destes pequenos planetas rochosos na zona temperada em torno de estrelas próximas, fora do alcance dos atuais telescópios, e estudar a composição das suas atmosferas.
TESS deteta trigémeas estelares que quebram recordes
Esta ilustração mostra o quão intimamente as três estrelas do sistema chamado TIC 290061484 se orbitam umas às outras. Se fossem colocadas no centro do nosso Sistema Solar, as órbitas de todas as estrelas estariam contidas num espaço mais pequeno do que a órbita de Mercúrio à volta do Sol. Os tamanhos das estrelas triplas e do Sol também estão à escala.
Crédito:
Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Astrónomos profissionais e amadores juntaram-se à inteligência artificial para descobrir um trio estelar inigualável chamado TIC 290061484, graças às "luzes estroboscópicas" cósmicas captadas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.
O sistema contém um conjunto de estrelas gémeas que se orbitam mutuamente a cada 1,8 dias e uma terceira estrela que orbita o par em apenas 25 dias. A descoberta bate o recorde do período orbital exterior mais curto para este tipo de sistema, estabelecido em 1956, em que uma terceira estrela orbitava um par interior em 33 dias.
"Graças à configuração compacta do sistema, visto de lado, podemos medir as órbitas, massas, tamanhos e temperaturas das suas estrelas", disse Veselin Kostov, investigador do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, EUA. "E podemos estudar como o sistema se formou e prever como poderá evoluir".
O artigo científico que descreve os resultados, liderado por Kostov, foi publicado no dia 2 de outubro na revista The Astrophysical Journal.
As cintilações na luz estelar ajudaram a revelar o trio íntimo, que se situa na direção da constelação de Cisne. O sistema é quase plano da nossa perspetiva. Isto significa que as estrelas se cruzam mesmo em frente umas das outras, ou eclipsam-se, enquanto orbitam. Quando isso acontece, a estrela mais próxima bloqueia parte da luz da estrela mais distante.
Utilizando a aprendizagem de máquina, os cientistas filtraram enormes conjuntos de dados sobre a luz das estrelas obtidos pelo TESS para identificar padrões de escurecimento que revelam eclipses. Depois, uma pequena equipa de cientistas cidadãos fez uma nova filtragem, baseando-se em anos de experiência e formação informal para encontrar casos particularmente interessantes.
Estes astrónomos amadores, que são coautores do novo estudo, conheceram-se como participantes num projeto online de ciência cidadã chamado Planet Hunters, que esteve ativo de 2010 a 2013. Mais tarde, os voluntários juntaram-se a astrónomos profissionais para criar uma nova colaboração chamada Visual Survey Group, que está ativa há mais de uma década.
"Procuramos principalmente assinaturas de sistemas multiestelares compactos, estrelas pulsantes invulgares em sistemas binários e objetos estranhos", disse Saul Rappaport, professor emérito de física no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, EUA. Rappaport é coautor do artigo científico e ajudou a dirigir o Visual Survey Group durante mais de uma década. "É excitante identificar um sistema como este, porque raramente são encontrados, mas podem ser mais comuns do que os registos atuais sugerem". É provável que muitos mais "salpiquem" a nossa Galáxia, à espera de serem descobertos.
Em parte porque as estrelas do recém-descoberto sistema orbitam quase no mesmo plano, os cientistas dizem que provavelmente é muito estável, apesar da sua configuração íntima (as órbitas do trio cabem numa área mais pequena do que a órbita de Mercúrio em torno do Sol). A gravidade de cada estrela não perturba demasiado as outras, como aconteceria se as suas órbitas estivessem inclinadas em direções diferentes.
Mas embora as suas órbitas se mantenham provavelmente estáveis durante milhões de anos, "ninguém vive aqui", disse Rappaport. "Pensamos que as estrelas se formaram em conjunto a partir do mesmo processo de crescimento, o que teria impedido a formação de planetas muito próximos de qualquer uma das estrelas." A exceção poderá ser um planeta distante a orbitar as três estrelas como se fossem uma só.
À medida que as estrelas interiores envelhecem, vão expandir e acabam por se fundir, desencadeando uma explosão de supernova dentro de 20 a 40 milhões de anos.
Este gráfico destaca as áreas de pesquisa de três missões de deteção de trânsitos: O futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) e o reformado Telescópio Espacial Kepler. O Kepler encontrou 13 sistemas estelares triplos triplamente eclipsantes, o TESS encontrou mais de 100 até agora e os astrónomos esperam que o Roman encontre mais de 1000.
Crédito:
Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Entretanto, os astrónomos estão à procura de estrelas triplas com órbitas ainda mais curtas. É difícil fazer isso com a tecnologia atual, mas uma nova ferramenta está a caminho.
As imagens do futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA serão muito mais pormenorizadas do que as do TESS. Na mesma área do céu coberta por um único pixel do TESS caberão mais de 36.000 pixéis do Roman. E, enquanto que o TESS observou todo o céu de uma forma ampla e superficial, o Roman penetrará profundamente no coração da nossa Galáxia, onde as estrelas se aglomeram, fornecendo uma amostra do núcleo em vez de percorrer toda a superfície.
"Sabemos pouco sobre muitas das estrelas no centro da Galáxia, à exceção das mais brilhantes", disse Brian Powell, coautor e cientista de dados no Centro Goddard. "A visão de alta resolução do Roman vai ajudar-nos a medir a luz de várias estrelas que normalmente parecem apenas uma, proporcionando o melhor olhar até agora sobre a natureza dos sistemas estelares na nossa Galáxia."
E dado que o Roman vai monitorizar a luz de centenas de milhões de estrelas como parte de um dos seus principais estudos, vai ajudar os astrónomos a encontrar mais sistemas estelares triplos em que todas as estrelas se eclipsam umas às outras.
"Estamos curiosos por saber porque é que não temos encontrado sistemas estelares como estes com períodos orbitais exteriores ainda mais curtos", disse Powell. "O Roman deverá ajudar-nos a encontrá-los e aproximar-nos dos seus limites."
O Telescópio Roman poderá também encontrar estrelas eclipsantes unidas em grupos ainda maiores - meia dúzia, ou talvez até mais, todas a orbitarem-se umas às outras como abelhas a zumbir à volta de uma colmeia.
"Antes dos cientistas terem descoberto sistemas triplos triplamente eclipsantes, não esperávamos que existissem", disse o coautor Tamás Borkovits, investigador sénior do Observatório Baja da Universidade de Szeged, na Hungria. "Mas quando os encontrámos, pensámos: porque não? O Roman também pode revelar categorias nunca antes vistas de sistemas e objetos que irão surpreender os astrónomos".
Investigadores descobrem uma supernova sob o efeito de lente gravitacional e confirmam a tensão de Hubble
Esta imagem, obtida pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb da NASA, do enxame de galáxias PLCK G165.7+67.0, também conhecido por G165, à esquerda, mostra o efeito de ampliação que um enxame em primeiro plano pode ter no Universo distante. O enxame em primeiro plano está a 3,6 mil milhões de anos-luz da Terra. A região ampliada à direita mostra a supernova H0pe triplamente observada (identificada com círculos brancos a tracejado) devido à lente gravitacional.Descarregar a imagem de resolução completa, com e sem etiquetas.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, B. Frye (Universidade do Arizona), R. Windhorst (Universidade do Estado do Arizona), S. Cohen (Universidade do Estado do Arizona), J. D'Silva (Universidade da Austrália Ocidental, Perth), A. Koekemoer (STScI), J. Summers (Universidade do Estado do Arizona)
A medição da constante de Hubble, o ritmo de expansão do Universo, é uma área de investigação ativa entre astrónomos de todo o mundo que analisam dados de observatórios terrestres e espaciais. O Telescópio Espacial James Webb da NASA já contribuiu para esta discussão em curso. No início deste ano, os astrónomos utilizaram dados do Webb contendo variáveis Cefeidas e supernovas do Tipo Ia, marcadores de distância fiáveis para medir o ritmo de expansão do Universo, para confirmar as medições anteriores do Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Agora, os investigadores estão a utilizar um método de medição independente para melhorar ainda mais a precisão da constante de Hubble - supernovas sob o efeito de lentes gravitacionais. Brenda Frye, da Universidade do Arizona, e uma equipa de muitos investigadores de diferentes instituições de todo o mundo, estão a liderar este esforço após a descoberta, pelo Webb, de três pontos de luz na direção de um enxame de galáxias distante e densamente povoado. A Dra. Frye explica mais acerca do que a equipa apelidou de Supernova H0pe e acerca da forma como os efeitos da lente gravitacional estão a fornecer informações sobre a constante de Hubble.
"Tudo começou com uma questão da equipa: 'O que são aqueles três pontos que não estavam lá antes? Poderá ser uma supernova?' Os pontos de luz, que não eram visíveis nas imagens obtidas pelo Hubble em 2015 do mesmo enxame, tornaram-se óbvios quando as imagens de PLCK G165.7+67.0 chegaram à Terra, provenientes do programa PEARLS (Prime Extragalactic Areas for Reionization and Lensing Science) do GTO (Guaranteed Time Observations) do Webb. A equipa realça que aquela pergunta foi a primeira a vir à mente por uma boa razão: 'O campo de G165 foi selecionado para este programa devido à sua elevada taxa de formação estelar de mais de 300 massas solares por ano, um atributo que se correlaciona com taxas mais elevadas de supernovas'.
"As análises iniciais confirmaram que estes pontos correspondiam a uma estrela em explosão, uma estrela com qualidades raras. Em primeiro lugar, trata-se de uma supernova do Tipo Ia, uma explosão de uma estrela anã branca. Este tipo de supernova é geralmente designado por 'vela padrão', o que significa que a supernova tinha um brilho intrínseco conhecido. Em segundo lugar, é uma lente gravitacional.
"A lente gravitacional é importante para esta experiência. A lente, que consiste num enxame de galáxias situado entre a supernova e nós, curva a luz da supernova em múltiplas imagens. Isto é semelhante à forma como um espelho triplo apresenta três imagens diferentes de uma pessoa sentada à sua frente. Na imagem do Webb, isto foi demonstrado mesmo diante dos nossos olhos, na medida em que a imagem do meio foi invertida em relação às outras duas imagens, um efeito de 'lente' previsto pela teoria.
"Para se obterem três imagens, a luz viajou ao longo de três trajetos diferentes. Como cada percurso tinha um comprimento diferente e a luz viajava à mesma velocidade, a supernova foi fotografada nesta observação Webb em três momentos diferentes durante a sua explosão. Na analogia com o espelho, houve um atraso no tempo em que o espelho da direita mostrava uma pessoa a levantar um pente, o espelho da esquerda mostrava o cabelo a ser penteado e o espelho do meio mostrava a pessoa a pousar o pente.
"As imagens triplas de supernovas são especiais: os atrasos de tempo, a distância da supernova e as propriedades da lente gravitacional produzem um valor para a constante de Hubble, ou H0. A supernova foi batizada SN H0pe porque dá aos astrónomos a esperança de compreender melhor o ritmo de expansão do Universo.
"Num esforço para explorar melhor SN H0pe, a equipa do PEARLS-Clusters pediu mais tempo de observação com o Webb, proposta esta que foi avaliada por peritos científicos em revisão anónima dupla e recomendada pelo Grupo de Políticas Científicas do Webb para observações DDT (Director's Discretionary Time). Em paralelo, foram adquiridos dados com o MMT, um telescópio de 6,5 metros no Monte Hopkins, e com o LBT (Large Binocular Telescope) no Monte Graham, ambos no Arizona, EUA. Ao analisar ambas as observações, a nossa equipa foi capaz de confirmar que SN H0pe está ancorada a uma galáxia de fundo, bem por trás do enxame, que existia 3,5 mil milhões de anos após o Big Bang.
"SN H0pe é uma das supernovas Tipo Ia mais distantes observadas até à data. Um outro membro da equipa fez outra medição do atraso temporal analisando a evolução da sua luz dispersa nas suas cores constituintes, ou 'espetro', a partir do Webb, confirmando a natureza Tipo Ia de SN H0pe.
"Sete subgrupos contribuíram com modelos de lentes que descrevem a distribuição de matéria 2D do enxame de galáxias. Uma vez que a supernova de Tipo Ia é uma vela padrão, cada modelo de lente foi 'classificado' pela sua capacidade de prever os atrasos de tempo e os brilhos da supernova em relação aos verdadeiros valores medidos.
"Para evitar enviesamentos, os resultados foram ocultados destes grupos independentes e revelados uns aos outros no dia e hora anunciados numa 'revelação em direto'. A equipa apresenta o valor da constante de Hubble como 75,4 quilómetros por segundo por megaparsec, mais 8,1 ou menos 5,5 [um parsec equivale a 3,26 anos-luz de distância]. Esta é apenas a segunda medição da constante de Hubble com este método e a primeira vez usando uma vela padrão. O investigador principal do programa PEARLS comentou: 'Esta é uma das grandes descobertas do Webb e está a levar a uma melhor compreensão deste parâmetro fundamental do nosso Universo'.
"Os resultados da nossa equipa são impactantes: O valor da constante de Hubble corresponde a outras medições no Universo local e está, de certa forma, em tensão com os valores obtidos quando o Universo era jovem. As observações do Ciclo 3 do Webb irão melhorar as incertezas, permitindo restrições mais sensíveis do valor de H0."
Nota: este texto realça ciência em curso, que ainda não passou pelo processo de revisão por pares.
"Paisagem" magnética de Mercúrio foi mapeada em 30 minutos (via ESA)
Quando a BepiColombo passou por Mercúrio durante o seu "flyby" em junho de 2023, encontrou uma variedade de características no campo magnético do pequeno planeta. Estas medições fornecem uma amostra tentadora dos mistérios que a missão deverá investigar quando chegar à órbita do planeta mais interior do Sistema Solar. Ler fonte
Webb da NASA revela jatos invulgares de gás volátil no centauro gelado 29P (via STScI)
À semelhança da criatura mitológica da Grécia Antiga com o mesmo nome, os centauros no contexto da astronomia encontram-se numa fase dinâmica intermédia: deixam as suas órbitas distantes e estáveis para lá de Neptuno e migram para o Sistema Solar interior, ao mesmo tempo que entram numa fase cometária ativa. Tendo sido armazenados durante milhares de milhões de anos nos confins gelados do Sistema Solar exterior, preservam informações fundamentais sobre o nascimento do nosso Sistema Solar, que são revelados de forma única quando começam a descongelar lentamente nesta fase transiente. Utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astrónomos observou o Centauro 29P/Schwassmann-Wachmann 1, um dos objetos mais ativos e intrigantes do Sistema Solar exterior. O elevado grau de detalhe captado pelo telescópio levou à descoberta de novos jatos de gás, até então desconhecidos, que estão a ajudar a informar as teorias sobre a formação dos centauros e dos planetas. Ler fonte
Equipa descobre dióxido de carbono e peróxido de hidrogénio na lua de Plutão, Caronte (via SwRI)
Uma equipa liderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) detetou, pela primeira vez, dióxido de carbono e peróxido de hidrogénio na superfície gelada da maior lua de Plutão, Caronte, utilizando observações do Telescópio Espacial James Webb. Estas descobertas vêm juntar-se ao inventário químico conhecido de Caronte, previamente identificado por observações terrestres e espaciais, que inclui água gelada, espécies contendo amoníaco e os materiais orgânicos responsáveis pela coloração cinzenta e vermelha de Caronte. Ler fonte
É a maior galáxia satélite da nossa Galáxia, a Via Láctea. Se vive no hemisfério sul, a Grande Nuvem de Magalhães (GNM) é bastante visível, estendendo-se por cerca de 10 graus no céu noturno, o que é 20 vezes maior do que a Lua Cheia, na direção da constelação austral de Dourado. Estando apenas a cerca de 160.000 anos-luz de distância, podem ser vistos muitos pormenores da estrutura da GNM, como a sua barra central e o seu único braço espiral. A GNM contém inúmeros berçários estelares onde estão a nascer novas estrelas, que aparecem a rosa na imagem em destaque. É o lar da Nebulosa da Tarântula, a região de formação estelar atualmente mais ativa em todo o Grupo Local, uma pequena coleção de galáxias próximas dominada pelas enormes galáxias de Andrómeda e Via Láctea. Estudos da GNM e da Pequena Nuvem de Magalhães (PNM), por Henrietta Swan Leavitt, levaram à descoberta da relação período-luminosidade das estrelas variáveis Cefeidas que são usadas para medir distâncias no Universo próximo.
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