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  Astroboletim #2182  
  04/02 a 06/02/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 04/02: 35.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1600, Tycho Brahe e Johannes Kepler encontram-se no castelo Benátky, a nordeste de Praga.
Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão
tombaugh
Também descobriu muitos asteroides.
Em 1932 era descoberto o asteroide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteroide 2824 Franke por Karl Wilhelm Reinmuth.
Em 2010, a equipa do Telescópio Espacial Hubble divulga novas imagens de Plutão e supreendem todos com alterações na superfície do planeta anão.
HOJE, NO COSMOS:
Júpiter atinge o seu ponto estacionário (o fim do seu movimento retrógrado) e volta ao seu movimento prógrado (para este) contra o fundo das estrelas.
A Lua brilha alta a sudoeste ao cair da noite, na direção da constelação de Carneiro. Procure as duas estrelas mais brilhantes da constelação a menos de um punho à distância do braço esticado para a direita do nosso satélite natural. Estas são Alpha e Beta Arietis, Hamal e Sheratan, de magnitudes 2,0 e 2,6. Cubra a Lua com a sua mão para reduzir o seu brilho.
Um pouco abaixo de Sheratan, consegue discernir Gamma Arietis (Mesarthim), de magnitude 3,9? É um bonito binário visível através de um telescópio. Ambas as componentes têm magnitude 4,6 e são brancas. Estão alinhadas quase precisamente na direção norte-sul, separadas por 7,4 segundos de arco.
O par está a 165 anos-luz de distância, e cada estrela é 40 vezes mais luminosa do que o Sol. Estão separadas pelo menos por 370 UA, pelo menos 12 vezes a separação de Neptuno ao Sol. De modo que cada uma pode ter um sistema planetário que não é perturbado pela outra. Mas ainda são muito jovens: têm apenas mais ou menos 34 milhões de anos.

 

DIA 05/02: 36.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano cuja investigação se focou na dinâmica das galáxias. 
Em 1963, Maarten Schmidt descobre enormes desvios para o vermelho em quasares. Schmidt deu ao objeto 3C 273 o termo objeto "quasi-estelar" ou quasar; milhares foram descobertos desde então. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objetivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1974, passagem da Mariner 10 por Vénus. A sonda mostra que as nuvens contornam o planeta em apenas 4 dias terrestres, embora o planeta propriamente dito demore 243 dias terrestres a completar uma rotação sobre o seu eixo.
Em 2002, o observatório solar RHESSI (Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager) finalmente chega ao espaço, a bordo de um foguetão Pegasus. 
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 08:02.
A Lua esta noite aproxima-se das Plêiades e chega até a ocultar algumas das suas estrelas, embora este evento não seja visível em Portugal.

 

DIA 06/02: 37.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.
titan
Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Em 2018, o foguetão Falcon Heavy da SpaceX faz o seu voo inaugural.
HOJE, NO COSMOS:
Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, brilha a sul após a hora de jantar. Num céu muito escuro a figura de Cão Maior é fácil de ver - o cão está em perfil, orientado para a direita e apoiado nas suas patas traseiras, com Sirius sendo a sua brilhante medalha da coleira - mas para a maioria de nós apenas as suas cinco estrelas mais brilhantes são visíveis através da poluição luminosa. Estas formam o asterismo do Cutelo. Sirius e Mirzam (a três dedos à distância do braço esticado para a sua direita) formam a parte da frente do cutelo, com Sirius brilhando no seu topo. Para baixo e para a esquerda de Sirius está a outra extremidade do cutelo, incluindo a sua pega curta, formada pelo triângulo de Adhara, Wezen e Aludra. Está a "cortar" para baixo e para a direita.

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Juno deteta a mais poderosa atividade vulcânica em Io até à data
 
Um enorme ponto quente - maior do que o Lago Superior da Terra - pode ser visto logo à direita do polo sul de Io nesta imagem anotada obtida pelo gerador de imagens infravermelhas JIRAM a bordo da Juno da NASA no passado dia 27 de dezembro de 2024, durante um "flyby" pela lua joviana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM
 

Os cientistas da missão Juno da NASA descobriram um ponto quente vulcânico no hemisfério sul da lua de Júpiter, Io. O ponto quente não só é maior do que o Lago Superior da Terra, como também emite erupções seis vezes superiores à energia total de todas as centrais elétricas do mundo. A descoberta deste fenómeno gigantesco é cortesia do instrumento JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper) da Juno, contribuído pela Agência Espacial Italiana.

"A Juno fez dois 'flybys' muito próximos de Io durante a sua missão estendida", disse o investigador principal da missão, Scott Bolton do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas, EUA. "E ao passo que cada passagem forneceu dados desta lua atormentada que excederam as nossas expetativas, os dados desta última - e mais distante - realmente deixaram-nos espantados. Este é o evento vulcânico mais poderoso alguma vez registado no mundo mais vulcânico do nosso Sistema Solar - o que quer dizer alguma coisa".

A fonte do tormento de Io: Júpiter. Mais ou menos do tamanho da nossa Lua, Io está extremamente próxima do gigante gasoso e a sua órbita elíptica fá-la girar em torno de Júpiter uma vez a cada 42,5 horas. À medida que a distância varia, também varia a atração gravitacional do planeta, o que faz com que a lua seja incessantemente espremida. O resultado: a imensa energia resultante do aquecimento por fricção derrete partes do interior de Io, resultando numa série aparentemente interminável de plumas de lava e cinza expelidas para a atmosfera pelos cerca de 400 vulcões que se encontram na sua superfície.

Passagens rasantes

Concebido para captar a luz infravermelha (que não é visível ao olho humano) que emerge das profundezas de Júpiter, o JIRAM sonda a camada meteorológica do gigante gasoso, espreitando entre 50 a 70 quilómetros abaixo do topo das nuvens. Mas desde que a NASA prolongou a missão da Juno, a equipa também tem utilizado o instrumento para estudar as luas Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

Durante a sua missão estendida, a trajetória da Juno passa por Io de duas em duas órbitas, sobrevoando sempre a mesma parte da lua. A nave espacial passou perto de Io em dezembro de 2023 e em fevereiro de 2024, aproximando-se a 1500 quilómetros da sua superfície. O último "flyby" teve lugar dia 27 de dezembro de 2024, colocando a nave espacial a uma distância de cerca de 74.400 quilómetros da lua, com o instrumento de infravermelhos focado no hemisfério sul de Io.

O calor de Io

"O JIRAM detetou um evento de extrema brilho infravermelho - um enorme ponto quente - no hemisfério sul de Io, tão forte que saturou o nosso detetor", disse Alessandro Mura, coinvestigador da Juno do Instituto Nacional de Astrofísica em Roma. "No entanto, temos evidências de que o que detetámos são, na verdade, alguns pontos quentes espaçados que emitiram ao mesmo tempo, o que sugere um vasto sistema de câmaras magmáticas subterrâneas. Os dados suportam que esta é a erupção vulcânica mais intensa alguma vez registada em Io".

 
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Imagens de Io, captadas em 2024 pela câmara JunoCam a bordo da sonda Juno da NASA, mostram alterações significativas e visíveis na superfície (indicadas pelas setas) perto do polo sul da lua joviana. Estas alterações ocorreram entre o 66.º e o 68.º perijove, ou seja, o ponto da órbita da Juno em que esta está mais próxima de Júpiter.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento por Jason Perry
 

A equipa científica do JIRAM estima que a característica ainda sem nome se estende por 100.000 quilómetros quadrados. O anterior detentor do recorde era Loki Patera de Io, um lago de lava com cerca de 20.000 quilómetros quadrados. O valor total da potência do brilho do novo ponto quente mede bem mais de 80 biliões de watts.

A característica foi também captada pela JunoCam, a câmara visível da missão. A equipa comparou as imagens da JunoCam das duas passagens anteriores de Io com as que o instrumento recolheu dia 27 de dezembro. E embora estas imagens mais recentes tenham uma resolução mais baixa, uma vez que a Juno estava mais longe, as mudanças relativas na tonalidade da superfície em torno do ponto quente recém-descoberto eram claras. Tais mudanças na superfície de Io são conhecidas na comunidade científica planetária por estarem associadas a pontos quentes e atividade vulcânica.

Uma erupção desta magnitude é suscetível de deixar assinaturas de longa duração. Outras grandes erupções em Io criaram características variadas, tais como depósitos piroclásticos (fragmentos de rocha expelidos por um vulcão), pequenos fluxos de lava que podem ser alimentados por fissuras e depósitos de plumas vulcânicas ricas em enxofre e dióxido de enxofre.

A Juno vai usar um próximo "flyby" mais distante de Io, dia 3 de março, para observar novamente o ponto quente e procurar mudanças na paisagem. Também podem ser possíveis observações terrestres desta região da lua.

"Embora seja sempre ótimo testemunhar eventos que reescrevem os livros de recordes, este novo ponto quente pode potencialmente fazer muito mais", disse Bolton. "A característica intrigante pode melhorar a nossa compreensão do vulcanismo não só em Io, mas também noutros mundos".

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Io:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Missão Juno:
NASA
SwRI
Wikipedia

 
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Fique a conhecer o SPHEREx, o mais recente telescópio espacial da NASA
 
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O observatório SPHEREx da NASA, aqui sendo submetido a testes na BAE Systems em Boulder, no estado americano do Colorado, em agosto de 2024. Com lançamento previsto para 27 de fevereiro de 2025, a missão fará o primeiro levantamento espetroscópico de todo o céu no infravermelho próximo, ajudando a responder a algumas das maiores questões da astrofísica.
Crédito: BAE Systems/NASA/JPL-Caltech
 

Com lançamento previsto para quinta-feira, 27 de fevereiro, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, no estado americano da Califórnia, o observatório espacial SPHEREx da NASA proporcionará aos astrónomos uma visão global do cosmos nunca antes vista. O SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer) mapeará todo o céu celeste em 102 cores infravermelhas, iluminando as origens do nosso Universo, as galáxias que o compõem e os principais ingredientes da vida na nossa própria Galáxia. Fique aqui a conhecer um pouco sobre a missão.

▪ O telescópio espacial SPHEREx vai lançar luz sobre um fenómeno cósmico chamado inflação
Apenas 10^-32 segundos após o Big Bang, o Universo aumentou de tamanho um quatrilião de vezes. Chamado inflação, este acontecimento quase instantâneo teve lugar há quase 14 mil milhões de anos e os seus efeitos podem ser encontrados atualmente na distribuição em grande escala da matéria no Universo. Ao mapear a distribuição de mais de 450 milhões de galáxias, o SPHEREx ajudará os cientistas a melhorar a nossa compreensão da física subjacente a este acontecimento cósmico extremo.

▪ O observatório vai medir o brilho coletivo de galáxias próximas e distantes
Os cientistas tentaram estimar a emissão total de luz de todas as galáxias ao longo da história cósmica, observando galáxias individuais e extrapolando para os biliões de galáxias do Universo. O telescópio espacial SPHEREx vai adotar uma abordagem diferente e medir o brilho total de todas as galáxias, incluindo galáxias demasiado pequenas, demasiado difusas ou demasiado distantes para serem facilmente detetadas por outros telescópios. A combinação da medição deste brilho global com os estudos de outros telescópios sobre galáxias individuais dará aos cientistas uma imagem mais completa de todas as principais fontes de luz do Universo.

▪ A missão vai procurar na Via Láctea os elementos essenciais para a vida
A vida, tal como a conhecemos, não existiria sem ingredientes básicos como a água e o dióxido de carbono. O observatório SPHEREx foi concebido para encontrar estas moléculas congeladas em nuvens interestelares de gás e poeira, onde se formam as estrelas e os planetas. A missão irá identificar a localização e a abundância destes compostos gelados na nossa galáxia, dando aos investigadores uma melhor noção da sua disponibilidade como matéria-prima para planetas em formação.

 
rho ophiuchi
Nuvens moleculares como esta, de nome Rho Ophiuchi, são coleções de gás frio e poeira no espaço onde se podem formar estrelas e planetas. O SPHEREx vai analisar estas regiões em toda a Via Láctea para medir a abundância da água gelada e de outras moléculas congeladas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

▪ É uma mais-valia para a frota de telescópios espaciais
Os telescópios espaciais, como o Hubble e o Webb, têm ampliado cuidadosamente muitos cantos do Universo para nos mostrar planetas, estrelas e galáxias em alta resolução. Mas algumas questões - como a quantidade de luz que todas as galáxias do Universo emitem coletivamente? - só podem ser respondidas olhando para o panorama geral. Para esse efeito, o observatório SPHEREx fornecerá mapas que abrangem todo o céu. Os objetos de interesse científico identificados pelo SPHEREx podem depois ser estudados em mais pormenor por telescópios específicos como o Hubble e o Webb.

▪ O observatório SPHEREx produzirá o mapa do céu mais colorido de sempre
O observatório SPHEREx "vê" a luz infravermelha. Indetetável ao olho humano, esta gama de comprimentos de onda é ideal para estudar estrelas e galáxias. Utilizando uma técnica chamada espetroscopia, o telescópio pode dividir a luz nas cores que a compõem (comprimentos de onda individuais), tal como um prisma cria um arco-íris a partir da luz solar, para medir a distância a objetos cósmicos e conhecer a sua composição. Com o mapa espetroscópico do SPHEREx em mão, os cientistas poderão detetar indícios de substâncias químicas, como a água gelada, na nossa Galáxia. Não só medirão a quantidade total de luz emitida pelas galáxias no nosso Universo, como também vão discernir o brilho total que foi emitido em diferentes pontos da história cósmica. E vão mapear a localização 3D de centenas de milhões de galáxias para estudar a forma como a inflação influenciou a estrutura atual em grande escala do Universo.

▪ O design em forma de cone da nave espacial ajuda-a a manter-se fria e a ver objetos ténues
O telescópio e os detetores infravermelhos da missão têm de funcionar a cerca de -210º C. Isto serve, em parte, para evitar que gerem o seu próprio brilho infravermelho, que poderia sobrepor-se à luz ténue de fontes cósmicas. Para manter as coisas frias e, ao mesmo tempo, simplificar o design e as necessidades operacionais da nave espacial, o SPHEREx baseia-se num sistema de arrefecimento totalmente passivo - não é utilizada qualquer eletricidade ou líquido de arrefecimento durante as operações normais. A chave para tornar este feito possível são três escudos de fotões em forma de cone que protegem o telescópio do calor da Terra e do Sol, bem como uma estrutura espelhada por baixo dos escudos para dirigir o calor do instrumento para o espaço. Estes escudos de fotões dão à nave espacial o seu contorno característico.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Explorando as origens do cosmos com o SPHEREx da NASA (JPL da NASA via YouTube)
// Como a missão SPHEREx vai mapear o cosmos (JPL da NASA via YouTube)

 


Quer saber mais?

SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer):
JPL/NASA
Caltech
Wikipedia

Inflação cósmica:
Wikipedia

 
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A Lua não está tão "geologicamente morta" como se pensava, revela um novo estudo
 
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Pequenas cristas no lado oculto da Lua (representadas a amarelo) revelam evidências que o nosso satélite natural pode não estar tão adormecido quanto se pensava anteriormente.
Crédito: Tom Watters, Instituição Smithsonian
 

Há décadas que os cientistas estudam a superfície da Lua para ajudar a compreender a sua complexa história geológica e evolutiva. Evidências dos mares lunares (áreas escuras e planas da Lua cheias de lava solidificada) sugerem que a Lua sofreu uma compressão significativa no seu passado distante. Os investigadores suspeitavam que as grandes cristas arqueadas no lado visível da Lua tinham sido formadas por contrações que ocorreram há milhares de milhões de anos - concluindo que os mares lunares permaneceram adormecidos desde então.

No entanto, um novo estudo revela que o que se encontra por baixo da superfície lunar pode ser mais dinâmico do que se pensava. Dois cientistas da Instituição Smithsonian e uma geóloga da Universidade de Maryland descobriram que pequenas cristas localizadas no lado oculto da Lua eram notavelmente mais jovens do que as cristas estudadas anteriormente no lado visível. As suas descobertas foram publicadas na revista The Planetary Science Journal no passado dia 21 de janeiro de 2025.

"Muitos cientistas pensam que a maior parte dos movimentos geológicos da Lua ocorreram há dois mil milhões e meio, talvez três mil milhões de anos", disse Jaclyn Clark, investigadora do Departamento de Geologia da Universidade de Maryland, EUA. "Mas estamos a ver que estas formas tectónicas de relevo estiveram recentemente ativas ao longo dos últimos mil milhões de anos e podem ainda estar ativas hoje. Estas pequenas cristas dos mares parecem ter-se formado nos últimos 200 milhões de anos, o que é relativamente recente, tendo em conta a escala de tempo da Lua".

Utilizando técnicas avançadas de mapeamento e modelação, a equipa encontrou 266 pequenas cristas, até então desconhecidas, no lado oculto da Lua. De acordo com os investigadores, as cristas aparecem tipicamente em grupos de 10 a 40 em regiões vulcânicas que provavelmente se formaram há 3,2-3,6 mil milhões de anos em áreas estreitas onde podem existir pontos fracos na superfície da Lua. Para estimar a idade destas pequenas cristas, os investigadores usaram uma técnica chamada contagem de crateras. Descobriram que as cristas eram notavelmente mais jovens do que outras características nas suas imediações.

"Essencialmente, quanto mais crateras uma superfície tiver, mais velha é; a superfície tem mais tempo para acumular mais crateras", explicou Clark. "Depois de contar as crateras à volta destas pequenas cristas e de ver que algumas delas atravessam crateras de impacto existentes, pensamos que estas formas de relevo estiveram tectonicamente ativas nos últimos 160 milhões de anos".

Curiosamente, Clark notou que as cristas do lado oculto eram semelhantes em estrutura às encontradas no lado visível da Lua, o que sugere que ambas foram criadas pelas mesmas forças, provavelmente uma combinação do encolhimento gradual da Lua e mudanças na órbita lunar. As missões Apollo detetaram, há décadas, sismos lunares superficiais; as novas descobertas sugerem que estas pequenas cristas podem estar relacionadas com atividade sísmica semelhante. Aprender mais sobre a evolução da superfície lunar pode ter implicações importantes para a logística de futuras missões à Lua.

"Esperamos que as futuras missões à Lua incluam ferramentas como o radar de penetração no solo, para que os investigadores possam compreender melhor as estruturas por baixo da superfície lunar", disse Clark. "Saber que a Lua ainda é geologicamente dinâmica tem implicações muito reais para o local onde planeamos colocar os nossos astronautas, equipamentos e infraestruturas".

// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)

 


Quer saber mais?

Lua:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Programa Apollo:
NASA
Wikipedia

 
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Álbum de fotografias
A Nebulosa Variável NGC 2261

ngc 2261
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tommy Lease (Sociedade Astronómica de Denver)
 
A nuvem interestelar de poeira e gás captada nesta nítida fotografia telescópica muda de aspeto de forma notável em períodos tão curtos como algumas semanas. Descoberta há mais de 200 anos e catalogada como NGC 2261, a estrela brilhante R Monocerotis encontra-se na ponta da nebulosa em forma de leque. Com cerca de um ano-luz de comprimento e a 2500 anos-luz de distância, NGC 2261 foi estudada no início do século passado pelo astrónomo Edwin Hubble e a misteriosa nuvem cósmica é agora mais conhecida como a Nebulosa Variável de Hubble. O que é que faz com que a nebulosa de Hubble seja variável? NGC 2261 é composta por uma nebulosa de reflexão empoeirada que se estende a partir da estrela R Monocerotis. A principal explicação para a variabilidade afirma que nós densos de poeira obscurecedora passam perto de R Mon e lançam sombras móveis sobre as nuvens de poeira no resto da Nebulosa Variável de Hubble.
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