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  Astroboletim #2219  
  13/06 a 16/06/2025  
     
 
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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol.
Data: 20 de junho de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe!
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 13/06: 164.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).
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Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, de magnitude 0, brilha com um pálido tom amarelo-alaranjado bem por cima das nossas cabeças a sul por estas noites. A forma da sua constelação, Boieiro, é parecida à de um papagaio-de-papel ligeiramente torto com 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

 

DIA 14/06: 165.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency). 
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.
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Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana. 
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa.
HOJE, NO COSMOS:
Nestes últimos dias antes do início do verão (o solstício ocorre às primeiras horas de dia 21), o Triângulo de Verão finalmente encontra-se a nordeste-este após o anoitecer. A sua estrela de topo é Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois ou três punhos à distância do braço esticado. Procure Altair para baixo e para a esquerda de Vega. Altair tem um brilho entre o de Vega e o de Deneb.

 

DIA 15/06: 166.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.
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A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
HOJE, NO COSMOS:
O planeta Marte vai, ao longo destes dias, passar perto da estrela Régulo, de Leão, a partir da perspetiva do céu da Terra. Olhe para oeste depois do cair da noite, poderá ver dois pontos brilhantes perto um do outro.

 

DIA 16/06: 167.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático soviético, conhecido pela sua teoria da expansão do Universo, regida por um conjunto de equações por ele desenvolvidas, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado norte-americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.
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O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteroide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias.
HOJE, NO COSMOS:
Repita a observação de Marte e de Régulo de ontem. Nota diferenças? Amanhã o Planeta Vermelho estará o mais perto da estrela mais brilhante da constelação de Leão (da perspetiva do céu da Terra).

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Descoberta a população de galáxias que impulsionou uma "remodelação" cósmica
 
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Os símbolos marcam a localização de galáxias jovens, de baixa massa, que "explodiram" com novas estrelas quando o Universo tinha cerca de 800 milhões de anos. Utilizando um filtro sensível a estas galáxias, o Telescópio Espacial James Webb da NASA obteve imagens das mesmas com a ajuda de uma lente gravitacional criada pelo enxame de galáxias Abell 2744. No total, foram encontradas 83 galáxias jovens, mas apenas as 20 aqui apresentadas (losangos brancos) foram selecionadas para um estudo mais aprofundado. A inserção amplia uma dessas galáxias. Ver aqui a imagem completa (atenção: tamanho de 103,1 MB), aqui a versão sem os losangos brancos (atenção: tamanho de 103,0 MB).
Crédito: NASA/ESA/CSA/Bezanson et al., 2024 e Wold et al., 2025
 

Os astrónomos, utilizando dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA, identificaram dezenas de pequenas galáxias que desempenharam um papel principal numa remodelação cósmica que transformou o Universo primitivo naquele que conhecemos hoje.

"Quando se trata de produzir luz ultravioleta, estas pequenas galáxias comportam-se como verdadeiros pesos pesados", disse Isak Wold, investigador assistente da Universidade Católica da América em Washington e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "A nossa análise destas galáxias minúsculas, mas poderosas, é 10 vezes mais sensível do que os estudos anteriores e mostra que existiam em número suficiente e tinham potência ultravioleta suficiente para impulsionar esta renovação cósmica".

Wold discutiu as suas descobertas na passada quarta-feira, na 246.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Anchorage, Alasca. O estudo tirou partido de imagens já existentes recolhidas pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb, bem como de novas observações feitas com o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph).

As galáxias minúsculas foram descobertas por Wold e pelos colegas de Goddard, Sangeeta Malhotra e James Rhoads, através da análise de imagens Webb captadas como parte do programa de observação UNCOVER (Ultradeep NIRSpec and NIRCam ObserVations before the Epoch of Reionization), liderado por Rachel Bezanson na Universidade de Pittsburgh, Pensilvânia.

O projeto mapeou um enxame gigante de galáxias conhecido como Abell 2744, também chamado de Enxame de Pandora, situado a cerca de 4 mil milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação austral de Escultor. A massa do enxame forma uma lente gravitacional que amplia fontes distantes, aumentando o já considerável alcance do Webb.

Durante grande parte dos seus primeiros mil milhões de anos, o Universo esteve imerso numa névoa de gás hidrogénio neutro. Hoje, este gás está ionizado - despojado dos seus eletrões. Os astrónomos, que se referem a esta transformação como reionização, há muito que se interrogam sobre os tipos de objetos mais responsáveis: galáxias grandes, galáxias pequenas ou buracos negros supermassivos em galáxias ativas. Como um dos seus principais objetivos, o Webb da NASA foi especificamente concebido para responder a questões-chave sobre esta grande transição na história do Universo.

 
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À esquerda, uma vista infravermelha ampliada do enxame de galáxias Abell 2744, com três jovens galáxias "starburst" destacadas por losangos verdes. A coluna central mostra grandes planos de cada galáxia, juntamente com as suas designações, a quantidade de ampliação fornecida pela lente gravitacional do enxame, os seus desvios para o vermelho (mostrados como z - todos correspondem a uma idade cósmica de cerca de 790 milhões de anos) e a sua massa estimada de estrelas. À direita, as medições do instrumento NIRSpec do Telescópio Espacial James Webb da NASA confirmam que as galáxias produzem uma forte emissão na luz do oxigénio duplamente ionizado (barras verdes), indicando que está a ocorrer uma formação estelar explosiva.
Crédito: NASA/ESA/CSA/Bezanson et al., 2024 e Wold et al., 2025
 

Estudos recentes mostraram que pequenas galáxias com uma formação estelar vigorosa podem ter desempenhado um papel muito importante. Tais galáxias são raras atualmente, constituindo apenas cerca de 1% das que nos rodeiam. Mas eram abundantes quando o Universo tinha cerca de 800 milhões de anos, uma época que os astrónomos designam por desvio para o vermelho de 7, quando a reionização estava bem encaminhada.

A equipa procurou galáxias pequenas com a idade cósmica certa que mostrassem sinais de formação estelar explosiva, chamadas "starburst", nas imagens NIRCam do enxame.

"As galáxias de baixa massa reúnem menos gás hidrogénio neutro à sua volta, o que facilita a fuga da luz ultravioleta ionizante", disse Rhoads. "Da mesma forma, os episódios de formação estelar explosiva não só produzem luz ultravioleta abundante, como também esculpem canais na matéria interestelar de uma galáxia, o que ajuda esta luz a escapar".

Os astrónomos procuraram fontes fortes de um comprimento de onda específico de luz que significa a presença de processos altamente energéticos: uma linha verde emitida por átomos de oxigénio que perderam dois eletrões. Originalmente emitida como luz visível nos primórdios do cosmos, o brilho verde do oxigénio duplamente ionizado foi esticado para o infravermelho à medida que atravessava o Universo em expansão e eventualmente chegou aos instrumentos do Webb.

Esta técnica revelou 83 pequenas galáxias "starburst" tal como apareciam quando o Universo tinha 800 milhões de anos, ou cerca de 6% da sua idade atual de 13,8 mil milhões de anos. A equipa selecionou 20 destas galáxias para uma inspeção mais profunda usando o NIRSpec.

"Estas galáxias são tão pequenas que, para construir a massa estelar equivalente à da nossa Galáxia, a Via Láctea, seriam necessárias 2000 a 200.000 galáxias", disse Malhotra. "Mas somos capazes de as detetar graças à nossa nova técnica de seleção de amostras combinada com lentes gravitacionais".

Tipos semelhantes de galáxias no Universo atual, como as apelidadas "ervilhas", libertam cerca de 25% da sua luz ultravioleta ionizante para o espaço circundante. Se as galáxias "starburst" de baixa massa exploradas por Wold e pela sua equipa libertarem uma quantidade semelhante, podem ser responsáveis por toda a luz ultravioleta necessária para converter o hidrogénio neutro do Universo na sua forma ionizada.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
01/03/2024 - Webb descobre que as galáxias anãs reionizaram o Universo
17/02/2023 - Webb descobre novos detalhes no Enxame de Pandora
17/01/2023 - JWST revela ligações entre galáxias próximas e distantes

Enxame de Pandora (Abell 2744):
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Programa UNCOVER (Ultradeep NIRSpec and NIRCam ObserVations before the Epoch of Reionization):
GitHub

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Webb fotografa um exoplaneta gelado numa órbita estranha
 
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Esta imagem do exoplaneta 14 Herculis c foi obtida pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb da NASA. O símbolo de uma estrela marca a localização da estrela hospedeira 14 Herculis, cuja luz foi bloqueada por um coronógrafo no NIRCam (aqui representado por um círculo escuro delineado a branco).
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, W. Balmer (Universidade Johns Hopkins), D. Bardalez Gagliuffi (Amherst College)
 

Um sistema planetário descrito pelos cientistas como anormal, caótico e estranho tornou-se mais nítido com o Telescópio Espacial James Webb da NASA. Utilizando o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb, os investigadores conseguiram obter imagens de um dos dois planetas conhecidos que orbitam a estrela 14 Herculis, situada a 60 anos-luz da Terra, na nossa Via Láctea.

O exoplaneta, 14 Herculis c, é um dos mais frios fotografados até à data. Embora já tenham sido descobertos cerca de 6000 exoplanetas, apenas um pequeno número deles foi fotografado diretamente, sendo a maioria deles muito quentes (centenas ou mesmo milhares de graus Celsius). Os novos dados sugerem que 14 Herculis c, com aproximadamente 7 vezes a massa de Júpiter, tem uma temperatura de -3º C.

Os resultados da equipa foram submetidos à revista The Astrophysical Journal Letters e apresentados numa conferência de imprensa na passada terça-feira, durante a 246.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que decorreu em Anchorage, Alasca.

"Quanto mais frio é um exoplaneta, mais difícil é fotografá-lo, por isso este é um regime de estudo totalmente novo que o Webb desbloqueou com a sua sensibilidade extrema no infravermelho", disse William Balmer, coautor do novo artigo científico e estudante na Universidade Johns Hopkins. "Podemos agora aumentar o catálogo não só de exoplanetas jovens e quentes já fotografados, mas também de exoplanetas mais antigos que são muito mais frios do que tínhamos visto diretamente antes do Webb".

A imagem de 14 Herculis c, pelo Webb, também fornece informações sobre um sistema planetário diferente da maioria dos outros estudados em pormenor com o Webb e outros observatórios terrestres e espaciais. A estrela central, 14 Herculis, é quase como o Sol - é semelhante em idade e temperatura, mas um pouco menos massiva e mais fria.

Neste sistema, existem dois planetas - 14 Herculis b está mais perto da estrela e está coberto pela máscara coronográfica na imagem do Webb. Estes planetas não orbitam a estrela hospedeira no mesmo plano, como o nosso sistema solar. Ao invés, cruzam-se como um 'X', com a estrela no centro. Ou seja, os planos orbitais dos dois planetas estão inclinados um em relação ao outro num ângulo de cerca de 40 graus. Os planetas puxam um pelo outro enquanto orbitam a estrela.

Esta é a primeira vez que se obtém uma imagem de um exoplaneta num sistema tão desalinhado.

Os cientistas estão a trabalhar em várias teorias para explicar como é que os planetas deste sistema ficaram tão desalinhados. Um dos conceitos dominantes é que os planetas se dispersaram depois de um terceiro planeta ter sido violentamente ejetado do sistema no início da sua formação.

"A evolução inicial do nosso próprio Sistema Solar foi dominada pelo movimento e atração dos nossos gigantes gasosos", acrescentou Balmer. "Eles atiraram asteroides e reorganizaram outros planetas. Aqui, estamos a ver as consequências da cena de um crime planetário mais violento. Isto relembra-nos que algo semelhante poderia ter acontecido ao nosso próprio Sistema Solar e que os desfechos de pequenos planetas como a Terra são frequentemente ditados por forças muito maiores".

Compreendendo as características do planeta com o Webb

Os novos dados do Webb estão a dar aos investigadores mais informações não só sobre a temperatura de 14 Herculis c, mas também sobre outros pormenores da órbita e da atmosfera do planeta.

As descobertas indicam que o planeta orbita a cerca de 2,2 mil milhões de quilómetros da estrela hospedeira numa órbita altamente elíptica, ou em forma de bola de futebol americano, mais próxima do que as estimativas anteriores. Isto é cerca de 15 vezes mais longe do Sol do que a Terra. Em média, isto colocaria 14 Herculis c entre Saturno e Úrano no nosso Sistema Solar.

O brilho do planeta a 4,4 micrómetros, medido com o coronógrafo do Webb, combinado com a massa conhecida do planeta e a idade do sistema, sugere a existência de dinâmicas atmosféricas complexas.

"Se um planeta com uma certa massa se formou há 4 mil milhões de anos e depois arrefeceu ao longo do tempo por não ter uma fonte de energia que o mantivesse quente, podemos prever quão quente deverá estar hoje", disse Daniella C. Bardalez Gagliuffi do Amherst College, coautora do artigo científico com Balmer. "Informação adicional, como a perceção do brilho em imagens diretas, apoiaria, em teoria, esta estimativa da temperatura do planeta".

No entanto, o que os investigadores esperam nem sempre se reflete nos resultados. No caso de 14 Herculis c, o brilho neste comprimento de onda é mais fraco do que o esperado para um objeto com esta massa e idade. No entanto, a equipa de investigação consegue explicar esta discrepância. É a chamada química de desequilíbrio do carbono, algo frequentemente observado em anãs castanhas.

"Este exoplaneta é tão frio que as melhores comparações que temos e que estão bem estudadas são as anãs castanhas mais frias", explicou Bardalez Gagliuffi. "Nesses objetos, como no exoplaneta 14 Herculis c, vemos dióxido de carbono e monóxido de carbono a temperaturas onde deveríamos ver metano. Este facto é explicado pela agitação da atmosfera. As moléculas produzidas a temperaturas mais quentes na atmosfera inferior são rapidamente trazidas para a fria atmosfera superior".

Os investigadores esperam que a imagem Webb de 14 Herculis c seja apenas o início de uma nova fase na investigação deste estranho sistema.

Embora o pequeno ponto de luz obtido pelo Webb contenha uma grande quantidade de informação, futuros estudos espetroscópicos de 14 Herculis poderão melhor restringir as propriedades atmosféricas deste interessante planeta e ajudar os investigadores a compreender a dinâmica e as vias de formação do sistema.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

14 Herculis c:
NASA
ipac
Exoplanet.eu
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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As luas de Úrano surpreenderam os cientistas
 
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As cinco maiores luas de Úrano - por vezes chamadas de "luas clássicas" - aparecem numa linha irregular, aproximadamente diagonal, de cima à direita para baixo à esquerda. São designadas Titânia, Oberon, Umbriel, Miranda e Ariel. Também é visível a sombra de Ariel, que está sobreposta a Úrano. Anéis ténues e fantasmagóricos, semelhantes aos de Saturno, rodeiam o gigante gelado azul.
Crédito: ciência - NASA, ESA, STScI, Christian Soto (STScI); processamento - Joseph DePasquale (STScI)
 

Cientistas recorreram ao Telescópio Espacial Hubble da NASA para procurar evidências de um fenómeno e encontraram outro bem diferente.

A equipa de investigação estudou as quatro maiores luas do gigante gelado Úrano, o sétimo planeta a contar do Sol, procurando sinais de interações entre a sua magnetosfera e as superfícies das luas (a magnetosfera é uma região em torno de um corpo celeste onde as partículas com carga elétrica são afetadas pelo campo magnético do objeto astronómico).

Em particular, a equipa previu que, com base nas interações com a magnetosfera de Úrano, os lados "dianteiros" destas luas com acoplamento de maré, ou seja, que têm sempre o mesmo lado voltado para o planeta, seriam mais brilhantes do que os lados "traseiros", sempre virados para o lado oposto. Isto dever-se-ia ao escurecimento da radiação dos seus lados ocultos [para o planeta] por partículas carregadas, tais como eletrões presos na magnetosfera de Úrano.

Em vez disso, não encontraram evidências de escurecimento nos hemisférios traseiros das luas, e evidências claras de escurecimento dos lados dianteiros das luas exteriores. Isto surpreendeu a equipa e indica que a magnetosfera de Úrano pode não interagir muito com as suas grandes luas, contrariando os dados existentes recolhidos nos comprimentos de onda do infravermelho próximo.

A nítida visão ultravioleta e as capacidades espetroscópicas do Hubble foram fundamentais para permitir à equipa investigar as condições da superfície destas luas e revelar a surpreendente descoberta, apresentada no passado dia 10 de junho na 246.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, em Anchorage, Alasca.

O complicado ambiente magnético do "estranho" Úrano

As quatro luas deste estudo - Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon - sofrem acoplamento de maré, de modo que mostram sempre o mesmo lado para o planeta Úrano. A ideia era que as partículas carregadas presas ao longo das linhas do campo magnético atingissem principalmente o lado oculto de cada lua, o que escureceria esse hemisfério.

"Úrano é esquisito, por isso sempre foi incerto o quanto o campo magnético interage com os seus satélites", explicou o investigador principal Richard Cartwright do JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory). "Para começar, tem uma inclinação de 98 graus em relação à eclíptica".

Isto significa que Úrano está dramaticamente inclinado em relação ao plano orbital dos planetas. Úrano viaja muito lentamente à volta do Sol, de lado, à medida que completa a sua órbita de 84 anos terrestres.

"Aquando do 'flyby' da Voyager 2, a magnetosfera de Úrano estava inclinada cerca de 59 graus em relação ao plano orbital dos satélites. Por isso, há uma inclinação adicional do campo magnético", explicou Cartwright.

Como Úrano e as suas linhas de campo magnético giram mais depressa do que as suas luas orbitam o planeta, passam constantemente por elas. Se a magnetosfera de Úrano interagir com as suas luas, as partículas carregadas deverão atingir preferencialmente a superfície dos hemisférios traseiros.

Estas partículas carregadas, bem como os raios cósmicos da nossa Galáxia, devem escurecer os hemisférios traseiros de Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon e possivelmente gerar o dióxido de carbono detetado nestas luas. A equipa esperava que, especialmente no caso das luas interiores Ariel e Umbriel, estes hemisférios fossem mais escuros do que os lados dianteiros nos comprimentos de onda do ultravioleta e no visível.

Mas não foi isso que descobriram. Ao que parece, os hemisférios dianteiro e traseiro de Ariel e Umbriel são de facto muito semelhantes em termos de brilho. No entanto, os investigadores observaram uma diferença entre os hemisférios das duas luas exteriores, Titânia e Oberon - não as luas que esperavam.

Como insetos num para-brisas

Ainda mais estranho é o facto de a diferença de brilho ser o oposto do que esperavam. As duas luas exteriores têm hemisférios dianteiros mais escuros e mais vermelhos do que os hemisférios traseiros. A equipa pensa que a poeira de alguns dos satélites irregulares de Úrano está a cobrir os lados dianteiros de Titânia e Oberon.

Os satélites irregulares são corpos naturais que têm órbitas grandes, excêntricas e inclinadas em relação ao plano equatorial do seu planeta. Micrometeoritos estão constantemente a atingir as superfícies dos satélites irregulares de Úrano, libertando pequenos pedaços de material para órbita do planeta.

Ao longo de milhões de anos, este material poeirento move-se para dentro em direção a Úrano e eventualmente atravessa as órbitas de Titânia e de Oberon. Estas luas exteriores varrem a poeira e apanham-na principalmente nos seus hemisférios dianteiros, que estão virados para o planeta. É como os insetos que batem no para-brisas do carro quando se conduz numa autoestrada.

Este material faz com que Titânia e Oberon tenham hemisférios dianteiros mais escuros e mais avermelhados. Estas luas exteriores protegem efetivamente as luas interiores Ariel e Umbriel da poeira, razão pela qual os hemisférios das luas interiores não mostram uma diferença de brilho.

"Vemos a mesma coisa a acontecer no sistema de Saturno e provavelmente também no sistema de Júpiter", disse o coinvestigador Bryan Holler do STScI (Space Telescope Science Institute). "Esta é uma das primeiras evidências que vemos de uma troca de material semelhante entre os satélites uranianos".

"E isso apoia uma explicação diferente", disse Cartwright. "É a recolha de poeira. Eu nem sequer esperava entrar nessa hipótese, mas os dados surpreendem-nos sempre".

Com base nestas descobertas, Cartwright e a sua equipa suspeitam que a magnetosfera de Úrano pode ser bastante tranquila, ou pode ser mais complicada do que se pensava anteriormente. Talvez estejam a ocorrer interações entre as luas de Úrano e a magnetosfera, mas por alguma razão, não estão a causar assimetria nos hemisférios como os investigadores suspeitavam. A resposta exigirá mais investigação sobre o enigmático Úrano, a sua magnetosfera e as suas luas.

// STScI (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia
Magnetosfera de Úrano (Wikipedia)

Ariel:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Umbriel:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Titânia:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Oberon:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Solar Orbiter obtém as primeiras imagens dos polos do Sol (via ESA)
Graças à sua nova órbita inclinada em torno do Sol, a nave espacial Solar Orbiter da ESA tornou-se a primeira a obter imagens dos polos do Sol fora do plano da eclíptica. O ângulo de visão único da Solar Orbiter vai mudar a nossa compreensão do campo magnético do Sol, do ciclo solar e do funcionamento do clima espacial. Ler fonte
     
  Encontrada, no espaço profundo, a maior molécula aromática (via NRAO)
Uma equipa de químicos e astrónomos fez uma descoberta inovadora no campo da astroquímica: a identificação do cianocoroneno, o maior HAP (Hidrocarboneto Aromático Policíclico) alguma vez detetado no espaço. Esta molécula, composta por sete anéis de benzeno interligados e um grupo ciano (C₂₄H₁₁CN), foi encontrada na fria e escura nuvem molecular TMC-1, uma região conhecida pela sua rica química e por ser um berço de novas estrelas. Ler fonte
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Álbum de fotografias
As 25 Estrelas Mais Brilhantes do Céu Noturno

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tragoolchitr Jittasaiyapan
 
Sabe o nome de algumas das estrelas mais brilhantes? É provável que sim, apesar de algumas estrelas brilhantes terem nomes tão antigos que remontam quase ao início da linguagem escrita. Muitas culturas do mundo têm os seus próprios nomes para as estrelas mais brilhantes, e é cultural e historicamente importante recordá-los. No entanto, no interesse de uma comunicação global clara, a União Astronómica Internacional (UAI) começou a utilizar nomes padronizados para as estrelas. Na imagem em destaque, a cores verdadeiras, temos as 25 estrelas mais brilhantes do céu noturno, atualmente vistas por humanos, juntamente com os seus nomes reconhecidos pela UAI. Alguns nomes têm significados interessantes, incluindo Sirius ("brilhante" em latim), Vega ("caindo" em árabe) e Antares ("rival de Marte" em grego). É provável que até conheça o nome de pelo menos uma estrela demasiado ténue para entrar nesta lista: Polaris.
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