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  Astroboletim #2224  
  01/07 a 03/07/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 01/07: 182.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,2 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.
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O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Em 2013, descoberta da lua Hipocampo de Neptuno.
HOJE, NO COSMOS:
As duas estrelas mais brilhantes do verão, Arcturo e Vega, estão praticamente à mesma altura após o anoitecer: Arcturo a sudoeste, Vega a este. Arcturo costumava ser, das duas, a mais alta. Agora é Vega que retém esse título o resto do ano.

 

DIA 02/07: 183.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1967, os satélites de raios-gama Vela 3 e 4, lançados com a intenção de detetar explosões de bombas nucleares, tornam-se famosos pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objetivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.
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O primeiro encontro ocorreu a 13 de março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Em 2013, a União Astronómica Internacional dá os nomes Cérbero e Estige à 4.ª e 5.ª luas de Plutão, respetivamente.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 20:30.
Após o anoitecer, a Lua situa-se entre Espiga para a sua esquerda e Gamma Virginis, uma estrela dupla telescópica, para cima e para a sua direita.

 

DIA 03/07: 184.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.
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HOJE, NO COSMOS:
Julho é o mês de Escorpião: esta constelação brilha mais alto a sul após o anoitecer por estas noites. A sua estrela mais brilhante é a alaranjada Antares. Outras estrelas mais esbranquiçadas da secção superior de Escorpião estão perto de Antares e para cima e para a sua direita. O resto de Escorpião está para baixo e depois para a esquerda.
Três estrelas para a direita de Antares formam uma linha mais ou menos vertical: assinalam a cabeça de Escorpião. De cima para baixo, são Beta, Delta e a mais ténue Pi Scorpii.
Delta Sco, a do meio, é a mais brilhante das três. É uma variável irregular, uma subgigante azul com rápida rotação que liberta gás luminoso do seu equador. Também tem uma companheira mais pequena em órbita que parece desencadear atividade em intervalos de 10,5 anos. Assumida estável durante séculos, Delta duplicou inesperadamente de brilho em julho de 2000 e tem permanecido quase tão brilhante, com flutuações, durante os anos seguintes. Os astrónomos preveram que o sistema pudesse aumentar de atividade em 2022, quando a estrela companheira fizesse a sua terceira passagem pela primária desde 2000. Mas nada aconteceu. Ninguém sabe o que pode acontecer a seguir, nem quando.

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Webb investiga as origens estruturais das galáxias de disco
 
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Os astrónomos utilizaram dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA para analisar uma amostra de 111 galáxias vistas de lado. A análise da equipa sugere que a formação do disco espesso ocorre primeiro, seguindo-se a formação do disco fino. O momento em que este processo ocorre depende da massa da galáxia.
Crédito: NASA, ESA, CSA, T. Tsukui (Universidade Nacional Australiana)
 

As atuais galáxias de disco contêm frequentemente um disco exterior espesso e repleto de estrelas e um disco fino e incorporado de estrelas. Por exemplo, o disco espesso da nossa Galáxia, a Via Láctea, tem cerca de 3000 anos-luz de altura e o seu disco fino tem cerca de 1000 anos-luz de espessura.

Como e porque é que se forma esta estrutura de disco duplo? Ao analisar dados de arquivo de vários programas de observação do Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astrónomos está mais perto de obter respostas, bem como de compreender as origens das galáxias de disco em geral.

A equipa identificou cuidadosamente, verificou visualmente e analisou uma amostra estatística de 111 galáxias de disco vistas de lado em vários períodos - até há 11 mil milhões de anos atrás (ou aproximadamente 2,8 mil milhões de anos após o Big Bang). É a primeira vez que os cientistas investigam estruturas de discos espessos e finos a distâncias tão vastas, fazendo a ponte entre os observadores que investigam o Universo primitivo e os arqueólogos galácticos que procuram compreender a história da nossa própria Galáxia.

"Esta medição única da espessura dos discos com um elevado desvio para o vermelho, ou em alturas do início do Universo, é uma referência para o estudo teórico que só foi possível com o Webb", disse Takafumi Tsukui, autor principal do artigo científico e investigador da Universidade Nacional Australiana em Camberra. "Normalmente, as estrelas mais velhas do disco espesso são ténues, e as estrelas jovens do disco fino ofuscam toda a galáxia. Mas com a resolução do Webb e a sua capacidade única de ver através da poeira e de destacar as estrelas velhas e ténues, podemos identificar a estrutura de dois discos das galáxias e medir a sua espessura separadamente".

Dados do disco espesso e do disco fino

Ao analisar estes 111 alvos ao longo do tempo cosmológico, a equipa conseguiu estudar galáxias de disco simples e galáxias de disco duplo. Os resultados indicam que as galáxias formam primeiro um disco espesso, seguido de um disco fino. O momento em que isto acontece depende da massa da galáxia: galáxias de massa elevada e de disco simples transitaram para estruturas de dois discos há cerca de 8 mil milhões de anos. Em contraste, as galáxias de baixa massa e de disco único formaram os seus discos finos incorporados mais tarde, há cerca de 4 mil milhões de anos.

"Esta é a primeira vez que é possível resolver discos estelares finos a um desvio para o vermelho mais elevado. O que é realmente novo é descobrir quando é que os discos estelares finos começam a surgir", disse Emily Wisnioski, coautora do artigo científico e da Universidade Nacional Australiana em Camberra. "Ver discos estelares finos, já formados há 8 mil milhões de anos, ou mesmo antes, foi surpreendente".

Uma época turbulenta para as galáxias

Para explicar esta transição de um disco único e espesso para um disco espesso e um disco fino, e a diferença de tempo entre as galáxias de alta e baixa massa, a equipa olhou para além da sua amostra inicial de galáxias vistas de lado e examinou dados que mostram o gás em movimento do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e de levantamentos terrestres.

Ao tomar em consideração o movimento dos discos de gás das galáxias, a equipa descobriu que os seus resultados se alinham com o cenário do "disco de gás turbulento", uma das três principais hipóteses que têm sido propostas para explicar o processo de formação de discos espessos e finos. Neste cenário, um disco de gás turbulento no Universo primitivo dá origem a uma intensa formação estelar, criando um disco estelar espesso. À medida que as estrelas se formam, elas estabilizam o disco de gás, que se torna menos turbulento e, como resultado, mais fino.

Uma vez que as galáxias massivas podem converter gás em estrelas de forma mais eficaz, assentam mais cedo do que as suas congéneres de baixa massa, resultando na formação mais precoce de discos finos. A equipa nota que a formação de discos espessos e discos finos não são eventos isolados: o disco espesso continua a crescer à medida que a galáxia se desenvolve, embora seja mais lento do que o ritmo de crescimento do disco fino.

Como isto é aplicável à "nossa casa"

A sensibilidade do Webb permite aos astrónomos observar, pela primeira vez, galáxias mais pequenas e mais ténues, análogas à nossa, em épocas precoces e com uma clareza sem precedentes. Neste estudo, a equipa observou que o período de transição de um disco espesso para um disco duplo espesso e fino coincide aproximadamente com a formação do disco fino da Via Láctea. Com o Webb, os astrónomos poderão continuar a investigar progenitoras semelhantes à Via Láctea - galáxias que teriam antecedido a Via Láctea - o que poderá ajudar a explicar a história da formação da nossa Galáxia.

No futuro, a equipa tenciona incorporar outros dados na sua amostra de galáxias vistas de lado.

"Embora este estudo distinga estruturalmente discos finos e espessos, ainda há muito mais que gostaríamos de explorar", disse Tsukui. "Queremos acrescentar o tipo de informação que normalmente se obtém para as galáxias próximas, como o movimento estelar, a idade e a metalicidade. Ao fazê-lo, podemos fazer a ponte entre os conhecimentos de galáxias próximas e distantes e aperfeiçoar a nossa compreensão da formação dos discos".

Estes resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Galáxia de disco:
Wikipedia
Disco espesso (Wikipedia)
Disco fino (Wikipedia)

Formação e evolução galáctica:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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STScI
STScI (website para o público)
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ESA/Webb
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Irá o asteroide 2024 YR4 colidir com a Lua?
 
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Impressão de artista de um asteroide. Esta imagem não pretende refletir as características de qualquer asteroide específico conhecido.
Crédito: ESA
 

O asteroide 2024 YR4 fez manchetes no início deste ano quando a sua probabilidade de colidir com a Terra em 2032 subiu para 3%. Embora um impacto na Terra tenha sido agora excluído, a história do asteroide continua.

O último vislumbre do asteroide, ao desaparecer da vista dos telescópios mais poderosos da humanidade, deixou-o com 4% de hipóteses de colidir com a Lua a 22 de dezembro de 2032.

A probabilidade de um impacto lunar permanecerá agora estável até que o asteroide volte a ser avistado em meados de 2028. Descubra porque é que nos resta esta incerteza persistente e como é que o planeado telescópio espacial NEOMIR da ESA nos ajudará a evitar situações semelhantes no futuro.

O que é o asteroide 2024 YR4?

O asteroide 2024 YR4 foi descoberto a 27 de dezembro de 2024 com o telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) em Río Hurtado, no Chile.

Pouco depois da sua descoberta, os sistemas automatizados de alerta de asteroides determinaram que o objeto tinha uma pequena hipótese de impacto potencial com a Terra no dia 22 de dezembro de 2032.

O asteroide tem entre 53 e 67 metros de diâmetro. Em média, um asteroide desta dimensão atinge a Terra apenas uma vez em cada poucos milhares de anos e causaria danos graves numa cidade ou região.

As observações posteriores permitiram aumentar a probabilidade de impacto para cerca de 3%. Como resultado, o asteroide subiu para o topo da lista da ESA de asteroides que constituem um risco e captou a atenção global ao tornar-se o primeiro asteroide a desencadear uma resposta internacional coordenada de defesa planetária.

Observações adicionais feitas nos meses seguintes, incluindo as realizadas com o Telescópio Espacial James Webb, permitiram aos astrónomos medir com maior precisão a órbita do asteroide em torno do Sol.

 
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Imagem, pelo Webb, de uma observação obtida no início de março de 2025 do asteroide 2024 YR4 utilizando os seus instrumentos NIRCam (Near-Infrared Camera) e MIRI (Mid-Infrared Instrument). É, à data, o objeto mais pequeno alguma vez observado pelo Telescópio James Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Rivkin (JHUAPL)
 

Em março de 2025, dispunham de informação suficiente para excluir a hipótese de um impacto com a Terra em 2032.

Porque é que não detetámos 2024 YR4 mais cedo?

2024 YR4 foi descoberto pela primeira vez dois dias depois de já ter passado o seu ponto mais próximo da Terra. Não foi detetado mais cedo porque se aproximou da Terra pelo lado diurno do planeta, a partir de uma região do céu escondida pela luz brilhante do Sol.

Esta região do céu está escondida da vista dos telescópios óticos terrestres e é um ponto cego para os sistemas de alerta de asteroides.

A importância deste ponto cego ficou clara no dia 15 de fevereiro de 2013, quando o meteoro de Chelyabinsk, um asteroide de 20 metros e 13.000 toneladas, atingiu a atmosfera sobre os Montes Urais, na Rússia, a meio do dia. A explosão resultante danificou milhares de edifícios e cerca de 1500 pessoas ficaram feridas por estilhaços de vidro.

Poderíamos ter detetado 2024 YR4 mais cedo?

O satélite NEOMIR (Near-Earth Object Mission in the InfraRed) da ESA, cujo lançamento está previsto para o início da década de 2030, irá cobrir este importante ponto cego.

O NEOMIR será equipado com um telescópio infravermelho e posicionado no primeiro ponto de Lagrange (L1) do sistema Sol-Terra. Ao depender da luz infravermelha, em vez da luz visível, o NEOMIR pode detetar asteroides numa região do céu muito mais próxima do Sol. O NEOMIR irá procurar repetidamente nesta região as assinaturas térmicas de asteroides que se aproximem da Terra e que tenham pelo menos 20 metros de diâmetro - como 2024 YR4 e o meteoro de Chelyabinsk.

"Analisámos o desempenho do NEOMIR nesta situação e as simulações surpreenderam-nos", diz Richard Moissl, chefe do Gabinete de Defesa Planetária da ESA.

"O NEOMIR teria detetado o asteroide 2024 YR4 cerca de um mês mais cedo do que os telescópios terrestres. Isto teria dado aos astrónomos mais tempo para estudar a trajetória do asteroide e permitir-lhes-ia excluir muito antes qualquer hipótese de impacto com a Terra em 2032".

"Sendo um telescópio infravermelho, como o Webb, o NEOMIR também nos teria dado imediatamente uma estimativa muito melhor do tamanho do asteroide, o que é muito importante para avaliar a importância do perigo".

 
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O observatório NEOMIR funcionará como um sistema de alerta precoce para detetar e monitorizar qualquer asteroide que se aproxime da Terra vindo da direção do Sol. O NEOMIR será colocado entre o Sol e a Terra, no primeiro ponto de Lagrange (L1). Utilizando um detetor infravermelho de alto desempenho, detetará objectos próximos da Terra com um diâmetro superior a 20 metros, pelo menos três semanas antes de um potencial impacto com a Terra.
Crédito: ESA/Pierre Carril
 

Irá o asteroide 2024 YR4 colidir com a Lua?

Em março de 2025, os astrónomos já tinham excluído a hipótese de um impacto na Terra em 2032. No entanto, as últimas observações do asteroide não conseguiram excluir outra possibilidade intrigante: um impacto lunar.

A probabilidade de o asteroide 2024 YR4 embater na Lua a 22 de dezembro de 2032 é agora de aproximadamente 4%, e esta probabilidade continuava a aumentar lentamente à medida que o asteroide desaparecia de vista.

No entanto, isto significa que existe uma probabilidade de 96% de o asteroide não embater na Lua.

Quando é que teremos a certeza?

Ficamos com uma situação interessante: existe agora um asteroide de 60 m com 4% de hipóteses de embater na Lua em 2032. Como o asteroide está agora demasiado longe para continuar a ser estudado, esta probabilidade permanecerá inalterada até que volte a ser visto em junho de 2028.

Quando voltar a ser visto, serão feitas novas observações e não demorará muito para que os astrónomos determinem com confiança se o asteroide irá, ou muito mais provavelmente, não irá, atingir a Lua a 22 de dezembro de 2032.

O que acontecerá se o asteroide atingir a Lua?

"Um impacto lunar continua a ser improvável e ninguém sabe quais seriam os seus efeitos exatos", diz Richard Moissl.

"Um asteroide desta dimensão embater na Lua é um evento muito raro e é ainda mais raro sabermos que vai acontecer. O impacto seria provavelmente visível da Terra, pelo que os cientistas ficarão muito entusiasmados com a perspetiva de o observar e analisar. Estou certo de que serão efetuadas simulações computacionais detalhadas nos próximos anos".

"Deixaria certamente uma nova cratera na superfície. No entanto, não seríamos capazes de prever com exatidão a quantidade de material que seria lançado para o espaço, ou se algum chegaria à Terra".

Nos próximos anos, à medida que a humanidade procura estabelecer uma presença prolongada na Lua, a monitorização do espaço em busca de objetos que possam atingir o satélite natural da Terra tornar-se-á cada vez mais importante.

Os pequenos objetos ardem na atmosfera da Terra como meteoros, mas a Lua não tem este escudo. Objetos com apenas dezenas de centímetros de tamanho podem representar um perigo significativo para os astronautas e para a infraestrutura lunar.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Asteroide 2024 YR4: da descoberta ao potencial impacto lunar (ESA Extras via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
11/04/2025 - Gemini South e JWST revelam segredos de invulgar asteroide próximo da Terra
28/02/2025 - Observações ajudam a excluir quase por completo o impacto do asteroide 2024 YR4

Asteroide 2024 YR4:
NASA
ESA
Wikipedia

Meteoro de Chelyabinsk :
Wikipedia

Objeto próximo da Terra:
Wikipedia
Lista de risco (ESA)

Asteroides:
The Nine Planets
Wikipedia

Sistema de alertas ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System):
Página principal
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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NEOMIR (Near-Earth Object Mission in the InfraRed):
ESA

 
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Os dados mais recentes do SPT assinalam uma "nova era" na medição da primeira luz do Universo
 
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Os cientistas divulgaram os primeiros dois anos de dados obtidos por uma câmara melhorada do SPT (South Pole Telescope), situado na Antártida, que mapeia o brilho remanescente do Big Bang.
Crédito: Kevin Zagorski
 

A luz mais antiga do universo tem estado a viajar pelo espaço desde logo após o Big Bang. Conhecida como radiação cósmica de fundo em micro-ondas, é impercetível ao olho humano. Mas se os cientistas a conseguirem captar, utilizando alguns dos detetores mais sensíveis alguma vez fabricados, pode dizer-nos como o nosso Universo se formou e evoluiu ao longo do tempo.

Os investigadores divulgaram medições sensíveis, sem precedentes, da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, resultantes de dois anos de observações com uma câmara melhorada do SPT (South Pole Telescope). O telescópio, localizado na Estação Amundsen-Scott da NSF (National Science Foundation), na Antártida, e financiado conjuntamente pela NSF e pelo Departamento de Energia dos EUA, foi concebido especificamente para mapear a luz muito ténue da radiação de fundo em micro-ondas.

Os resultados, divulgados no passado dia 25 de junho, são impressionantes - a precisão dos pormenores da radiação cósmica de fundo em micro-ondas excede a de todas as medições anteriores, mesmo as efetuadas a partir do espaço. Quando combinados com dados de outros telescópios terrestres, oferecem uma nova referência para restringir as possíveis respostas a questões importantes sobre o Universo.

"Este é um momento decisivo para a cosmologia da radiação de fundo em micro-ondas", disse Tom Crawford, diretor-adjunto do SPT e professor investigador na Universidade de Chicago. "É o início de uma nova era, em que a nossa compreensão do Universo será avançada em grande parte por experiências terrestres da radiação de fundo em micro-ondas".

As novas leituras fornecem um controlo cruzado do nosso modelo fundamental do Universo. À medida que forem sendo divulgados mais dados, estes irão aperfeiçoar vários testes de grandes questões pendentes na cosmologia, tais como a natureza da energia escura e o ritmo a que o Universo se está a expandir.

Restrições cósmicas

A radiação cósmica de fundo em micro-ondas, por vezes referida como o brilho remanescente do Big Bang, data de há mais de 13 mil milhões de anos, do período imediatamente após a formação do nosso Universo. Isto torna-a uma fonte de informação incrivelmente rica - se a conseguirmos avistar, claro.

Esta radiação é extremamente ténue, e as suas variações são ainda mais ténues. Para ter a possibilidade de a captar, é necessário um céu muito limpo e condições de observação perfeitamente secas, condições essas que se encontram na Antártida.

O SPT, gerido por uma colaboração liderada pela Universidade de Chicago, tem estado a mapear esta radiação desde 2007. Ao longo dos anos, foram instaladas várias câmaras no telescópio, mas a mais recente, conhecida como SPT-3G, tem mais detetores do que as versões anteriores. Os dados do mais recente resultado foram obtidos em 2019 e 2020 e representam os dois primeiros anos de observações da SPT-3G na sua potência total. Cobrem cerca de 1/25 do céu, mapeando-o com mais pormenor do que qualquer outra medição deste tipo.

 
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O céu extraordinariamente limpo e a atmosfera estável da Antártida permitem ao SPT captar a muito ténue radiação cósmica de fundo em micro-ondas.
Crédito: Kevin Zagorski
 

Uma das principais utilizações para estes dados é a de colocar restrições nas muitas possíveis respostas às nossas questões sobre o Universo, tais como a forma como se formou e as leis fundamentais que regem a sua evolução. Os dados fornecidos pela radiação cósmica de fundo em micro-ondas ajudam a orientar a procura de uma imagem coesa de tudo o que existe.

O melhor modelo atual para explicar a formação do cosmos é conhecido como Lambda-CDM. No entanto, estudos recentes têm revelado indícios tentadores de que o modelo Lambda-CDM pode não ser o quadro completo. Há também um debate em andamento sobre o ritmo de expansão do Universo, conhecido como "tensão de Hubble", que teria ramificações significativas para a nossa compreensão do Universo e na qual a radiação cósmica de fundo em micro-ondas desempenha um papel fundamental.

Os novos resultados do SPT, publicados num artigo científico codirigido por Etienne Camphuis, investigador pós-doutorado da equipa de Silva Galli no Instituto de Astrofísica de Paris do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), e Wei Quan do Laboratório Nacional Argonne (EUA), vêm reforçar significativamente esta imagem.

As descobertas confirmam a tensão de Hubble de forma independente com uma significância estatística muito elevada, disse o grupo, ao mesmo tempo que se mantêm consistentes com outras limitações da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, incluindo as da missão do satélite Planck e do ACT (Atacama Cosmology Telescope), no Chile.

Também acentuam uma anomalia que surgiu recentemente no nosso quadro cosmológico - a discordância entre as restrições à radiação cósmica de fundo em micro-ondas e as dos levantamentos em grande escala dos movimentos das galáxias (particularmente os resultados recentes do DESI, ou Dark Energy Spectroscopic Instrument).

À medida que mais dados do SPT-3G forem sendo disponibilizados, continuarão a constituir uma forma independente e cada vez mais poderosa de testar hipóteses.

"Se houver realmente um afastamento do modelo padrão, poderemos vê-lo com muito mais força com os próximos conjuntos de dados", disse Quan. "Se for um sinal real, será ampliado".

Padrão de ouro a partir do solo

Anteriormente, o padrão de ouro para as medições da radiação cósmica de fundo em micro-ondas eram os dados do satélite Planck, obtidos há mais de uma década. Agora, os novos dados do SPT, quando combinados com os dados do ACT, estabelecem um novo padrão - um momento pelo qual muitos no campo têm estado à espera, disseram os cientistas.

Os telescópios espaciais, como o Planck, têm a vantagem de ter uma visão mais nítida, uma vez que a atmosfera da Terra não está a perturbar a visão.

Mas é substancialmente mais fácil operar um telescópio a partir do solo. É muito mais fácil criar um instrumento complexo que funcione mesmo num local tão inóspito como a Antártida do que conceber algo que tenha de sobreviver a um lançamento de foguetão e às condições do espaço. "Se algo se avariar num telescópio terrestre, podemos ir lá e repará-lo", disse Brad Benson, professor associado de astronomia e astrofísica na Universidade de Chicago e diretor de operações do SPT. "Não é possível fazer isso no espaço".

Os avanços nos detetores e no design estão finalmente a permitir que os telescópios terrestres igualem ou rivalizem com os dados do Planck.

"Durante anos, o Planck definiu efetivamente, por si só, o nosso modelo cosmológico", disse Camphuis. "No entanto, em ciência, é importante confirmar as medições. Com o SPT e o ACT, temos agora um conjunto quase totalmente independente de medições com um poder de restrição semelhante".

Estes novos resultados representam menos de um-quarto dos dados obtidos com a SPT-3G no SPT.

"Isto é apenas o início", disse Crawford. "A imagem só vai ficar mais interessante".

// Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)

 


Quer saber mais?

Universo:
Radiação cósmica de fundo em micro-ondas (Wikipedia)
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

SPT (South Pole Telescope):
Página principal
Wikipedia
SPT-3G (Fermilab)

ACT (Atacama Cosmology Telescope):
Página principal (Universidade de Princeton)
Wikipedia

Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Arquivo do Legado Planck (ESA)
Wikipedia

 
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Também em destaque
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  Rover Curiosity começa a estudar formações reticuladas (via NASA)
Novas imagens do rover Curiosity da NASA mostram as primeiras imagens, de perto, de uma região que os cientistas só tinham observado anteriormente a partir de órbita. As imagens e os dados recolhidos já estão a levantar novas questões sobre a forma como a superfície marciana se alterou há milhares de milhões de anos. O Planeta Vermelho já teve rios, lagos e possivelmente um oceano. Embora os cientistas não saibam bem porquê, a água acabou por secar e o planeta transformou-se no deserto frio que é hoje. Ler fonte
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Álbum de fotografias
A Face Oculta da Lua

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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/GSFC/Universidade do Estado do Arizona/Lunar Reconnaissance Orbiter
 
Sofrendo bloqueio de marés, o que lhe confere uma rotação síncrona, a Lua apresenta sempre o mesmo lado visível aos habitantes do planeta Terra. No entanto, a partir de órbita lunar, a face oculta da Lua pode também tornar-se familiar. De facto, esta imagem nítida, um mosaico obtido pela câmara de grande angular da LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), está centrada no lado oculto do nosso satélite natural. Parte de um mosaico global composto por mais de 15.000 imagens adquiridas entre novembro de 2009 e fevereiro de 2011, a versão de maior resolução mostra características a uma escala de 100 metros por pixel. Surpreendentemente, a superfície áspera e desgastada do lado oculto parece muito diferente da superfície do lado visível, coberta de mares lunares escuros e lisos. Uma explicação provável é o facto de a crosta do lado oculto ser mais espessa, tornando mais difícil que o material fundido do interior alcance a superfície e forme mares escuros e lisos.
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