Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
Observação solar na Ilha de Tavira Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
18/07/2025, 10:00
22/08/2025, 10:00
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)
Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 18/07: 199.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1921, nascia John Glenn, que em 1962 se tornou no primeiro americano a orbitar a Terra (3 órbitas).
Em 1998, tornou-se, à altura, na pessoa mais velha a voar no espaço (77 anos), como membro da tripulação do vaivém Discovery (recorde agora ultrapassado).
Em 1965, lançamento do satélite russo Zond 3.
Em 1966, lançamento da Gemini 10 numa missão de 70 horas que inclui o acoplamento com um veículo de alvo Agena.
Em 1969, a Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.
Em 1997, a sonda Galileo descobre uma ténue atmosfera em Europa, o mundo oceânico de Júpiter. HOJE, NO COSMOS:
O "bule de chá" de Sagitário situa-se razoavelmente baixo a sul-sudeste após o cair da noite. É composto por estrelas de segunda e terceira magnitudes e tem aproximadamente o tamanho de um punho à distância do braço esticado. A sua pega está à esquerda e o vertedouro triangular à direita.
Com o avançar da noite, e com o avançar do verão, o "bule de chá" mover-se-á para oeste e começará a inclinar-se como que a servir chá do vertedouro.
DIA 19/07: 200.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1846 nascia Edward Pickering, espetroscopista americano pioneiro e diretor do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919.
Esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a coleção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1912, um meteorito com uma massa estimada de 190 kg explode sobre a cidade de Holbrook, no estado norte-americano do Arizona, provocando a queda de aproximadamente 16.000 fragmentos de detritos.
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do vaivém espacial Challenger na missão STS-51-L, que a 28 de janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento. HOJE, NO COSMOS:
Procure, a apenas a espessura de um dedo à distância do braço esticado para cima de Altair, a sua eterna companheira Tarazed (Gamma Aquilae), de modesta magnitude 2,7 em comparação com a esbranquiçada Altair de 0,7. Mas as aparências enganam. Altair parece tão brilhante porque é uma das nossas vizinhas estelares mais próximas, a apenas 17 anos-luz. Tarazed é uma estrela laranja gigante a aproximadamente 380 anos-luz - e é 170 vezes mais luminosa do que Altair!
DIA 20/07: 201.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.
A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter.
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2009, cientistas encontram evidências de outro objeto que bombardeou Júpiter, exatamente 15 anos após os primeiros impactos do cometa Shoemaker-Levy 9. HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer, aviste a Lua a este. Um pouco para baixo e para a sua esquerda está o enxame das Plêiades.
DIA 21/07: 202.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1620, nascia Jean Picard, astrónomo francês, o primeiro a medir o raio da Terra com um grau de precisão razoável (6328,9 km, 0,44% mais pequeno que o valor moderno).
Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se o segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11 (20 de julho na América do Norte).
No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15 colide com a superfície da Lua ao tentar aterrar.
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantis durante a missão STS-135. HOJE, NO COSMOS:
Observe novamente a Lua antes do amanhecer. Hoje está exatamente para cima do planeta Vénus. Um pouco para a sua direita está a alaranjada Aldebarã, mais ténue. E bem para baixo e para a esquerda do par, consegue avistar Júpiter?
Astrónomos observam pela primeira vez o nascimento de um novo sistema solar
Esta é HOPS-315, uma estrela bebé onde os astrónomos observaram evidências das primeiras fases de formação planetária. Esta imagem foi obtida com o ALMA, do qual o ESO é parceiro. Juntamente com dados do Telescópio Espacial James Webb, estas observações mostram que minerais quentes começam a solidificar-se.
A laranja vemos a distribuição do monóxido de carbono, que se afasta da estrela soprado por um vento em forma de borboleta. A azul, temos um jato estreito de monóxido de silício, também a afastar-se da estrela. Este tipo de ventos e jatos gasosos são comuns em torno de estrelas bebés como HOPS-315.
Em conjunto, as observações do ALMA e do JWST indicam que, para além destas características, existe também um disco de monóxido de silício gasoso em torno da estrela, que começa a condensar-se em silicatos sólidos: as primeiras fases de formação planetária.
Crédito: ALMA(ESO/NAOJ/NRAO)/M. McClure et al.
Investigadores internacionais identificaram, pela primeira vez, o momento em que planetas se começaram a formar em torno de uma estrela que não o Sol. Com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é parceiro, e do Telescópio Espacial James Webb, os astrónomos observaram a criação dos primeiros nódulos de matéria de formação planetária: minerais quentes que começam a solidificar-se. Esta descoberta marca a primeira vez que um sistema planetário é identificado numa fase tão precoce da sua formação, ao mesmo tempo que abre uma janela para o passado do nosso próprio Sistema Solar.
"Identificámos, pela primeira vez, o momento mais precoce em que se inicia a formação de um planeta em torno de uma estrela que não o nosso Sol", afirma Melissa McClure, professora da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e autora principal do novo estudo publicado na revista Nature.
A coautora Merel van 't Hoff, professora na Universidade de Purdue, EUA, compara a descoberta a "uma fotografia do Sistema Solar bebé", dizendo que "estamos a ver um sistema que se parece com o nosso Sistema Solar quando este se começou a formar".
Este sistema planetário recém-nascido está a surgir em torno de HOPS-315, uma protoestrela situada a cerca de 1300 anos-luz de distância da Terra e que é uma análoga do nosso Sol bebé. Os astrónomos observam frequentemente em torno destas estrelas bebés discos de gás e poeira, os chamados "discos protoplanetários", que são os locais onde se formam novos planetas. Embora já tenham sido observados anteriormente discos jovens com planetas recém-formados, massivos e semelhantes a Júpiter, McClure diz que "sempre soubemos que as primeiras partes sólidas dos planetas, ou 'planetesimais', têm de se formar em fases anteriores".
No nosso Sistema Solar, o primeiro material sólido a condensar-se em torno do Sol perto da atual localização da Terra encontra-se preso em meteoritos antigos. Os astrónomos datam estas rochas primordiais para determinar quando começou a formação do nosso Sistema Solar. Estes meteoritos estão cheios de minerais cristalinos que contêm monóxido de silício (SiO) e que podem condensar-se às temperaturas extremamente elevadas presentes nos discos planetários jovens. Com o tempo, estes sólidos recém-condensados juntam-se, lançando as sementes para a formação de planetas à medida que ganham tamanho e massa. Os primeiros planetesimais de tamanho quilométrico do Sistema Solar, que cresceram e se tornaram planetas como a Terra ou o núcleo de Júpiter, formaram-se logo após a condensação destes minerais cristalinos.
Esta imagem mostra jatos de monóxido de silício (SiO) a afastarem-se da estrela bebé HOPS-315. A imagem foi obtida pelo ALMA, do qual o ESO é parceiro.
O jato azul aproxima-se de nós enquanto o vermelho se afasta. Observações levadas a cabo com o Telescópio Espacial James Webb mostram SiO a mover-se com velocidades de cerca de 10 km/s. Contudo, os jatos de SiO observados pelo ALMA movem-se cerca de 10 vezes mais depressa, o que significa que o SiO que se move lentamente deve estar localizado numa pequena área em torno da estrela, mais ou menos do tamanho da cintura de asteroides à volta do nosso Sol, demasiado pequena para poder ser vista nesta imagem.
Além disso, a abundância de SiO gasoso medida no jato observado pelo ALMA é menor do que o esperado. Uma vez que a composição do jato deve ser semelhante à do disco de onde o jato emerge, isto significa que parte do SiO gasoso existente no disco está a condensar-se em material sólido.
Crédito: ALMA(ESO/NAOJ/NRAO)/M. McClure et al.
Com esta nova descoberta, os astrónomos encontraram evidências de que estes minerais quentes começam a condensar-se no disco protoplanetário de HOPS-315. Os resultados mostram que o SiO está presente em torno desta jovem estrela no seu estado gasoso, bem como no interior destes minerais cristalinos, sugerindo que começou agora a solidificar-se. "Este processo nunca tinha sido observado anteriormente num disco protoplanetário, ou em qualquer outro lugar fora do nosso Sistema Solar", explica o coautor do estudo Edwin Bergin, professor na Universidade de Michigan, EUA.
Estes minerais foram identificados pela primeira vez com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb, um projeto conjunto das agências espaciais norte-americana, europeia e canadiana. Para descobrir de onde vinham exatamente os sinais, a equipa observou o sistema com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), que é operado pelo ESO em conjunto com parceiros internacionais no deserto chileno do Atacama.
Com os dados obtidos, os investigadores conseguiram determinar que os sinais químicos provêm de uma pequena região do disco em torno da estrela, equivalente à órbita da cintura de asteroides em torno do Sol. "Estamos de facto a ver estes minerais num local deste sistema extrassolar correspondente ao sítio onde os vemos nos asteroides do nosso Sistema Solar", diz o coautor Logan Francis, investigador de pós-doutoramento da Universidade de Leiden.
Por este motivo, o disco de HOPS-315 é um ótimo análogo para estudar a nossa própria história cósmica. Como diz Merel van 't Hoff, "este sistema é um dos melhores que conhecemos para sondar realmente alguns dos processos que aconteceram no nosso Sistema Solar", para além de oferecer também aos astrónomos uma nova oportunidade para estudar a formação planetária precoce, uma vez que pode ser usado como substituto dos sistemas solares recém-nascidos da Galáxia.
A astrónoma do ESO e gestora do ALMA na Europa, Elizabeth Humphreys, que não participou no estudo, comenta: "Fiquei muito impressionada com este estudo, que revela uma fase muito precoce da formação planetária, sugerindo que HOPS-315 pode ser usada para compreender melhor como o nosso próprio Sistema Solar se formou. Este resultado realça bem o poder combinado do JWST e do ALMA na exploração de discos protoplanetários".
Chandra descobre que exoplaneta bebé está a encolher
Ilustração que mostra um planeta da dimensão de Júpiter, no canto inferior esquerdo, a orbitar de perto uma ténue estrela vermelha. Novos dados do Chandra mostram que poderosos raios X da superfície da estrela estão a dilacerar a atmosfera do planeta, representada pela cauda azul. Os astrónomos usaram dados de raios X do Chandra (inserção) para medir a quantidade de raios X de TOI 1227 que estão a atingir o planeta. Estimam que o planeta está a perder uma massa equivalente a uma atmosfera terrestre completa a cada 200 anos, o que fará com que acabe por encolher do tamanho de Júpiter para um pequeno mundo estéril.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/RIT/A. Varga et al.; ilustração - NASA/CXC/SAO/M. Weiss; processamento da imagem - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
De acordo com um novo estudo do Observatório de raios X Chandra da NASA, um planeta bebé está a diminuir do tamanho de Júpiter, com uma atmosfera espessa, para um mundo pequeno e estéril.
Esta transformação está a acontecer à medida que a estrela hospedeira liberta uma avalanche de raios X que está a destruir a atmosfera do jovem planeta a um ritmo descomunal.
O planeta, denominado TOI 1227 b, orbita uma estrela anã vermelha situada a cerca de 330 anos-luz da Terra. TOI 1227 b está muito perto da sua estrela - a menos de um-quinto da distância a que Mercúrio orbita o Sol. O novo estudo mostra que este exoplaneta é um "bebé" com apenas 8 milhões de anos. Em comparação, a Terra tem cerca de 4,5 mil milhões de anos, ou seja, mais de 500 vezes mais velha. Este facto faz dele o segundo planeta mais jovem alguma vez observado a passar em frente da sua estrela hospedeira (também chamado trânsito). Anteriormente, outros cientistas estimaram que o planeta tinha cerca de 11 milhões de anos.
Uma equipa de investigadores descobriu que os raios X da sua estrela estão a bombardear TOI 1227 b e a rasgar a sua atmosfera a um ritmo tal que o planeta a perderá completamente dentro de cerca de mil milhões de anos. Nessa altura, o planeta terá perdido uma massa total equivalente a cerca de duas massas terrestres, contra a atual massa de 17 vezes a da Terra.
"É quase impossível imaginar o que está a acontecer a este planeta", disse Attila Varga, estudante de doutoramento no Instituto de Tecnologia de Rochester, em Nova Iorque, que liderou o estudo. "A atmosfera do planeta simplesmente não consegue suportar a elevada dose de raios X que está a receber da sua estrela".
A existência de vida é provavelmente impossível em TOI 1227 b, quer atualmente quer no futuro. O planeta está demasiado próximo da sua estrela para se enquadrar em qualquer definição de "zona habitável", um termo que os astrónomos usam para determinar se os planetas à volta de outras estrelas podem ter água líquida à sua superfície.
A estrela que alberga TOI 1227 b, de nome TOI 1227, tem apenas cerca de um-décimo da massa do Sol e é muito mais fria e ténue no visível. No entanto, em raios X, TOI 1227 é mais brilhante do que o Sol e está a sujeitar este planeta, na sua órbita muito próxima, a um ataque devastador. A massa de TOI 1227 b, embora não seja bem conhecida, é provavelmente semelhante à de Neptuno, mas o seu diâmetro é três vezes maior do que o de Neptuno (o que o torna semelhante em tamanho a Júpiter).
"Uma parte crucial da compreensão dos planetas para lá do nosso Sistema Solar é ter em conta a radiação altamente energética, como os raios X, que estão a receber”, disse o coautor Joel Kastner, também do mesmo instituto. "Pensamos que este planeta está inchado, ou inflado, em grande parte como resultado do ataque contínuo de raios X da estrela".
A equipa usou novos dados do Chandra para medir a quantidade de raios X da estrela que atingem o planeta. Usando modelos de computador dos efeitos destes raios X, concluíram que terão um efeito transformador, destruindo rapidamente a atmosfera do planeta. Estimam que o planeta está a perder uma massa equivalente a uma atmosfera terrestre completa a cada 200 anos.
"O futuro deste planeta bebé não parece promissor", disse o coautor Alexander Binks, da Universidade Eberhard Karls de Tubinga, na Alemanha. "TOI 1227 b pode encolher para cerca de um-décimo do seu tamanho atual e perderá mais de 10 por cento da sua massa".
Os investigadores utilizaram diferentes conjuntos de dados para estimar a idade de TOI 1227 b. Um método explorou medições do modo como a estrela hospedeira de TOI 1227 b se move no espaço, em comparação com populações próximas de estrelas com idades conhecidas. Um segundo método comparou o brilho e a temperatura da superfície da estrela com modelos teóricos de estrelas em evolução.
De todos os exoplanetas que os astrónomos encontraram com idades inferiores a 50 milhões de anos, TOI 1227 b destaca-se por ter o ano mais longo e a massa mais baixa.
O artigo científico que descreve estes resultados foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. Uma pré-impressão está disponível no site arXiv.
LIGO-Virgo-KAGRA deteta a fusão de buracos negros mais massiva até à data
Infográfico que detalha a nova fusão de buracos negros GW231123.
Crédito: Simona J. Miller/Caltech
A Colaboração LIGO-Virgo-KAGRA (LVK) detetou a fusão dos buracos negros mais massivos alguma vez observados através de ondas gravitacionais. A poderosa fusão produziu um buraco negro final com aproximadamente 225 vezes a massa do nosso Sol. O sinal, designado GW231123, foi detetado durante a quarta campanha de observação da rede LVK no dia 23 de novembro de 2023.
O LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) entrou para a história em 2015 quando fez a primeira deteção direta de ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo. Nesse caso, as ondas emanavam de uma fusão de buracos negros que resultou num buraco negro final com uma massa 62 vezes superior à do nosso Sol. O sinal foi detetado conjuntamente pelos detetores gémeos do LIGO, um localizado em Livingston, no estado norte-americano do Louisiana, e o outro em Hanford, Washington.
Desde então, a equipa do LIGO juntou-se a parceiros do detetor Virgo, na Itália, e do KAGRA (Kamioka Gravitational Wave Detetor), no Japão, para formar a Colaboração LVK. Estes detetores observaram coletivamente mais de 200 fusões de buracos negros na sua quarta campanha, e cerca de 300 no total desde o início da primeira em 2015.
Até agora, a fusão de buracos negros mais massiva - produzida por um evento que teve lugar em 2021 chamado GW190521 - tinha uma massa total de 140 vezes a do Sol.
No evento mais recente, GW231123, o buraco negro de 225 massas solares foi criado pela coalescência de buracos negros com massas aproximadamente 100 e 140 vezes superiores à do Sol.
Para além das suas massas elevadas, os buracos negros estão também a girar rapidamente.
"Este é o buraco negro binário mais massivo que observámos através de ondas gravitacionais e representa um verdadeiro desafio para a nossa compreensão da formação dos buracos negros", diz Mark Hannam da Universidade de Cardiff e membro da Colaboração LVK. "Buracos negros tão massivos são proibidos pelos modelos padrão de evolução estelar. Uma possibilidade é que os dois buracos negros deste par se tenham formado através de fusões anteriores de buracos negros mais pequenos".
Dave Reitze, o diretor executivo do LIGO no Caltech, afirma: "Esta observação demonstra mais uma vez como as ondas gravitacionais estão a revelar de forma única a natureza fundamental e exótica dos buracos negros em todo o Universo".
Um sistema que bate recordes
A elevada massa e a rotação extremamente rápida dos buracos negros de GW231123 empurram os limites da tecnologia de deteção de ondas gravitacionais e os modelos teóricos atuais. A extração de informação precisa do sinal exigiu a utilização de modelos que têm em conta a intrincada dinâmica dos buracos negros em alta rotação.
"Os buracos negros parecem estar a girar muito depressa - perto do limite permitido pela teoria da relatividade geral de Einstein", explica Charlie Hoy, da Universidade de Portsmouth e membro do LVK. "Isso torna o sinal difícil de modelar e interpretar. É um excelente caso de estudo para fazer avançar o desenvolvimento das nossas ferramentas teóricas".
Os investigadores continuam a aperfeiçoar a sua análise e a melhorar os modelos utilizados para interpretar estes fenómenos extremos. "Serão necessários anos para a comunidade desvendar completamente este intrincado padrão de sinais e todas as suas implicações", diz Gregorio Carullo, da Universidade de Birmingham e membro do LVK. "Apesar de a explicação mais provável continuar a ser a fusão de buracos negros, cenários mais complexos poderão ser a chave para decifrar as suas características inesperadas. Tempos excitantes à nossa frente!"
Investigando os limites da astronomia de ondas gravitacionais
Os detetores de ondas gravitacionais, como o LIGO, o Virgo e o KAGRA, foram concebidos para medir distorções minúsculas no espaço-tempo causadas por eventos cósmicos violentos. A quarta série de observações começou em maio de 2023, e as observações adicionais da primeira metade da campanha (até janeiro de 2024) serão publicadas no final do verão.
"Este evento leva as nossas capacidades de instrumentação e de análise de dados ao limite do que é atualmente possível", afirma Sophie Bini, investigadora pós-doutorada no Caltech e membro do LVK. "É um exemplo poderoso de quanto podemos aprender com a astronomia de ondas gravitacionais - e de quanto mais há para descobrir".
Uma enorme nuvem molecular escondida na Via Láctea (via NRAO)
Uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma enorme nuvem de gás e poeira localizada numa região pouco conhecida da nossa Via Láctea. Tem cerca de 60 parsecs - ou 200 anos-luz de comprimento. Os investigadores utilizaram o GBT (Green Bank Telescope) para espreitar uma nuvem molecular conhecida como M4.7-0.8, apelidada de nuvem "Midpoint". As suas observações revelaram uma região dinâmica e repleta de atividade, incluindo potenciais locais de formação de novas estrelas. Ler fonte
Astrónomos descobrem que muitos exoplanetas podem ser maiores do que se pensava (via Universidade da Califórnia em Irvine)
Numa nova investigação, astrónomos descrevem como mais de 200 exoplanetas conhecidos são provavelmente muito maiores do que se pensava anteriormente. Trata-se de uma descoberta que poderá alterar os mundos distantes que os investigadores consideram como potenciais hospedeiros de vida extraterrestre. Ler fonte
Álbum de fotografias NGC 2685: A Galáxia da Hélice
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stefan Thrun
O que é que se passa com esta galáxia? NGC 2685 é uma galáxia de anel polar - um tipo raro de galáxia com estrelas, gás e poeira a orbitar em anéis perpendiculares ao plano de um disco galáctico fino. Esta configuração bizarra pode ter sido causada pela fortuita captura de material de outra galáxia por uma galáxia em disco, com os detritos capturados a serem colocados num anel giratório. Ainda assim, as propriedades observadas de NGC 2685 sugerem que a estrutura em hélice é notavelmente antiga e estável. Nesta vista nítida do sistema peculiar também conhecido como Arp 336 ou galáxia da Hélice, os estranhos anéis perpendiculares são fáceis de localizar à medida que passam em frente do disco galáctico, juntamente com outras estruturas exteriores perturbadas. NGC 2685 tem cerca de 50.000 anos-luz de diâmetro e fica a 40 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação da Ursa Maior.
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