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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 355
6
de Outubro de 2007

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SPUTNIK - 50 ANOS DE LEGADO CIENTÍFICO

Dada a importância da efeméride, não é possível deixar de falar do Sputnik. Foi a 4 de Outubro de 1957, há cinquenta anos atrás que o chefe da equipa que projectou o Sputnik Sergey Korolyov terá observado um missil russo modificado ser lançado para o Espaço do Cazaquistão levando a bordo uma carga muito especial.

O Sputnik 1 (que em russo significa "companheiro viajante") tinha aproximadamente o tamanho de uma bola de basquetebol ao qual se associavam longas antenas e pesava cerca de 90 quilogramas. Estava equipado com dois radio transmissores que transmitiram para a Terra um bip constante durante os 21 dias que se seguiram. 

Exemplo de fotografia e respectiva legenda
O Sputnik 1.
Crédito: NASA
(Clique na imagem para ver maior)

Na altura muitos conservadores de pensamento mais simples pensaram que não havia qualquer utilidade no que havia sido conseguido pelos russos.

No entanto, ao nível político, o Sputnik espantou o Mundo e assustou os Estados Unidos da América. Em plena Guerra Fria mostrava que os EUA não eram a nação tecnologicamente mais avançada do mundo e obrigou os americanos a uma série de reformas que aceleraram a corrida espacial, como forma de exacerbar o seu patriotismo.

Foi, por isso mesmo, uma oportunidade para desenvolver novas tecnologias que fizeram avançar a engenharia de uma forma sem precedentes, que ao nível da construção de máquinas capazes transportar homens ao Espaço e até à Lua, bem como tecnologia que permitisse manter homens vivos no Espaço e comunicar com eles.

Para as pessoas com preocupações militares foi uma terrível dor de cabeça pensar que poderia haver gente a espiá-los do Espaço e eventualmente podendo mesmo atacá-los do Espaço.

Para os ambientalistas as fotografias que se seguiram do nosso planeta azul foram uma óptima ferramenta de propaganda. As imagens colhidas pelas missões Apollo em particular a "Blue Marble" tirada pela tripulação da Apollo 17 serviu para escrever dezenas de livros sobre a fragilidade do planeta e da necessidade de adaptação dos hábitos humanos ao do planeta.

A era espacial revelou a existência de um campo magnético da Terra e permitiu o desenvolvimento de tecnologia que permite ao Homem ir ao Espaço e voltar, utilizando o Espaço para construir grandes observatórios espaciais como Hubble, o COBE ou o WMAP, que permitiram que a astrofísica tivesse o nível evolutivo dos modelos que actualmente possui.

Mas, mais importante que tudo, a era espacial permitiu a melhoria das condições de vida na própria Terra. Os satélites meteorológicos permitem-nos antecipar o clima e tomar as precauções necessárias para combater as intempéries. Os satélites de comunicações permitem-nos hoje assistir em directo a eventos que se passam do outro lado do mundo, bem como comunicar por telemóvel a partir de quase qualquer ponto da Terra, de forma confortável, com quem quer que desejemos. A tecnologia GPS permite aos navios e aviões navegar de forma absolutamente segura, com uma tecnologia que se começa agora a generalizar nos automóveis.

Mas tão importante como a tecnologia colocada em órbita é a tecnologia que usamos no solo. As missões espaciais levaram ao desenvolvimento de tecnologia, como por exemplo, as pilhas de combustível que são necessárias para os motores a hidrogénio, que são fundamentais para o futuro ambiental do planeta quando se fala de diminuir as emissões de dióxido de carbono. Muita da Ciência associada a fenómenos espaciais e astronómicos, tem hoje aplicações na área da medicina, desenvolvidas sobretudo pelos físicos de partículas.

O legado do Sputnik assume, por isso, o crédito de ser a maior contribuição nos 50 anos que mais mudaram o Mundo.

Links:
Wikipedia
NASA
SPACE.com

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 

NGC 3603 - Crédito:NASA/ ESA/ STScI/Aura (The hubble heritage team)
Esta constitui mais uma extraordinária imagem do Telescópio Espacial Hubble (HST) que foi publicada esta semana pela Agência Espacial Europeia (ESA). O objecto fotografado é NGC 3603, uma das regiões de formação estelar mais espectaculares da Via Láctea situada no braço espiral de Carina a 20.000 anos-luz da Terra. Esta imagem mostra várias ocorrências em simultâneo. Algumas estrelas são autênticos monstros com dezenas de vezes a massa do Sol que brilham imensamente mas que têm vidas muito curtas. A enorme radiação emitida pelas estrelas do enxame abriu uma cavidade límpida na nebulosa de gases e poeiras. De acordo com os astrofísicos, as estrelas de maior massa encontram-se na parte central do enxame, havendo três que têm massas superiores ao que é teoricamente é possível. As de maior dimensão têm uma massa de 115 massas solares. Caso não se venha a confirmar que os dados da observação estão incorrectos (pois podem ser estrelas múltiplas a ser identificadas como uma única), os físicos teóricos têm aqui um novo quebra-cabeças para resolver.
Ver imagem em alta-resolução

 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 06/10: 279º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASA, Ulysses, a partir do vaivém Discovery. Em Fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica. Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão durará até 2007.

Dia 07/10: 280º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua. Estas fotografias foram reveladas a bordo. Foram depois "digitalizadas" e 17 foram enviadas através de sinais de rádio para estações terrestres a 18 de Outubro.
Observações: Vénus a 3ºS da Lua às 4h (hora local); Régulo a 0,2º S da Lua às 8 h(hora local); Saturno a 1,3º N da Lua às 17 h (hora local).

Dia 08/10: 281º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1873, nasce Ejnar Hertzsprung, astrónomo que na primeira década do século XX, provou a existência de estrelas gigantes e anãs e contribuiu juntamente com Russel para a formulação de um diagrama capaz de as identificar de forma simples.
Observações: A variável de período longo R Draconis atingirá o seu máximo (magnitude 7-8) por volta desta altura.

Dia 09/10: 282º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Existe uma ténue possibilidade de que as Dracónidas sejam visíveis por volta das 4-6h (hora local). Vénus a 3º S de Régulo às 12 h (hora local).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

O primeiro ser viva a ser lançado para o Espaço foi uma cadela chamada Laika.

 
 
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