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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 356
10 de Outubro de 2007
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RESOLVIDO MISTÉRIO DAS DUAS CARAS DE JAPETO

Cientistas da NASA estão em busca do lado escuro do misterioso Japeto, que parece ser o lar de um bizarro processo de "fuga", tranportando água gelada vaporizada a partir de áreas escuras até outras mais claras do satélite de Saturno.

Este modelo de "segregação térmica" pode explicar um grande número de detalhes da aparência bi-tonal, estranha e dramática da lua, revelada em espectaculares imagens recolhidas durante um recente voo rasante da sonda da NASA, Cassini, por Japeto.


Cassini captura a primeira imagem de alta-resolução do hemisfério brilhante da lua de Saturno neste mosaico de cores falsas. Aqui, é visível todo o hemisfério de Japeto.
Crédito: NASA/JPL/Space Sciente Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

Observações infravermelhas deste "flyby" confirmaram que o material escuro é quente o suficiente (aproximadamente -230 graus Fahrenheit ou 127 Kelvin) para haver uma libertação muito lenta de vapor de água a partir do gelo, e este processo é provavelmente um grande factor na determinação dos limites de brilho distintos.

"O lado de Japeto que está virado para a frente da sua órbita em torno de Saturno está sendo escurecido por um processo misterioso," disse John Spencer, cientista da equipa do espectómetro infravermelho da Cassini, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em Boulder, Colorado, EUA.

Usando vários instrumentos a bordo da Cassini, cientistas estão compondo uma história complexa de modo a explicar as faces brilhantes e escuras de Japeto. Mas ainda por compreender totalmente está o local de onde o material escuro origina. Será nativo ou vem de fora da lua? Há muito que se teoriza que este material não é originário de Japeto, mas ao invés foi derivado de outras luas orbitando a distâncias muito maiores de Saturno numa direcção oposta a Japeto.

No entanto, os cientistas estão agora convergindo na noção de que o processo de escurecimento começou de facto desta maneira, e que os efeitos térmicos subsequentemente aumentaram o contraste do que vemos hoje.

Esta imagem compara temperaturas do meio-dia na lua de Saturno, Japeto, registadas pelo espectómetro infravermelho da Cassini durante o voo rasante de 10 de Setembro de 2007, com imagens da mesma região registadas durante o mesmo "flyby" pelo sub-sistema científico de imagem da Cassini.
Crédito: NASA/JPL/GSFC/SwRI/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)

"É interessante considerar que uma ideia com mais de 30 anos poderá ainda ajudar a explicar as diferenças de brilho em Japeto," disse Tilmann Denk, cientista de imagem da Cassini na Universidade Free de Berlim, Alemanha. "O material que espirala de outras luas exteriores atinge Japeto de cabeça, e faz com que o lado orientado para a frente de Japeto pareça diferente que o resto da lua."

Uma vez que o lado principal esteja um pouco mais escuro, a segregação térmica pode acontecer rapidamente. Uma superfície escura irá absorver mais luz e aquecer, explica Spencer, e por isso a água gelada à superfície evapora-se. O vapor de água então condensa-se no ponto frio mais próximo, o que pode explicar os pólos de Japeto, e possivelmente áreas geladas mais brilhantes a latitudes mais baixas no lado da lua virado na direcção oposta da sua órbita. Por isso, este material escuro perde o seu gelo superficial e torna-se mais negro, e o material claro acumula gelo e torna-se mais brilhante, num processo de fuga.

Os cientistas dizem que isto resulta num tom monocromático em Japeto. Não existem tons de cinzento, apenas branco e muito escuro.

os dados ultravioletas também mostram um componente não-gelado nas regiões brilhantes e brancas de Japeto. Análises espectroscópicas irão revelar se a composição do material no hemisfério escuro é o mesmo que o material escuro presente dentro dos terrenos brilhantes.

"Os dados ultravioletas dizem-nos muito mais sobre onde a água gelada se encontra e onde o material gelado, que não é água, também se encontra. À primeira vista, as duas populações parecem não estar presentes no padrão que esperávamos, o que é muito interessante," disse Amanda Hendrix, cientista da Cassini na equipa de imagem do espectógrafo ultravioleta no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

Devido à presença de crateras muito pequenas que escavam o gelo brilhante, os cientistas também acreditam que o material escuro é fino, um resultado consistente com anteriores resultados de radar da cassini. Mas em algumas áreas locais poderá ser mais espesso. O material escuro parece estar situado por cima da região brilhante, também consistente com a ideia que é um resíduo deixado para trás pela água gelada sublimada.

Outros mistérios estão também a ser respondidos. Existem mais dados acerca da cadeia montanhosa que dá a Japeto a sua forma de "noz". Em vários lugares parece suavizado. Uma grande questão que ainda permanece é porque não dá a volta toda ao satélite. Terá sido parcialmente destruído depois de ter sido formado, ou nunca se extendeu totalmente em torno da lua? Os cientistas excluiram a hipótese de ser uma característica jovem devido à presença de crateras, indicando que é antiga. E os sulcos parecem demasiado sólidos e competentes para serem o resultado de um anel equatorial em torno da lua, colapsando na sua superfície. A teoria do anel não pode explicar características que se parecem com estruturas tectónicas nas novas imagens de alta resolução.

Ao longo dos próximos meses, os cientistas esperam aprender mais sobre os mistérios de Japeto.

Links:

Notícias relacionadas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (07/07/25)
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
Wired News
Science Daily
MSNBC
BBC News

Japeto:
SEDS.org
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Aurora, estrelas, meteoro, lago, Alaska - Crédito: Bud Kuenzli
Por vezes, depois dos seus olhos se adaptarem à escuridão, aparece um céu espectacular. Neste caso, um pitoresco lago situa-se à sua frente, uma espectacular aurora verde rodobia bem alto por cima de si, as estrelas brilham à distância, e, por um breve momento, um esplêndido meteoro rasga o céu. Este panorama de tirar a respiração foi digitalmente capturado o mês passado num dos Lagos Chena perto de North Pole, Alaska, EUA, e inclui o enxame aberto das Plêiades à direita da imagem. A imagem é invulgar não apenas por conter as muitas maravilhas que obteve simultaneamente, mas também porque os lagos mais para Norte tendem a congelar e a tornar-se não-reflectivos antes que um céu assim tão escuro possa ser fotografado.
Ver imagem em alta-resolução
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 10/10: 283º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço exterior.
Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Observações: Olhe para Oeste, bem, alto, depois do anoitecer. A estrela mais brilhante é Vega, a 25 anos-luz de distância. Ainda mais próxima do zénite, encontra-se Deneb, a mais ou menos 1500 anos-luz. O terceiro vértice do grande "Triângulo de Verão" é Altair, menos alto no céu a Sudoeste.

Dia 11/10: 284º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.
Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery.
Observações: Lua Nova, pela 05:01.

Dia 12/10: 285º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento do Voskhod 1.
Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus.
Observações: Durante as noites do final de Outubro, a famosa forma de W da constelação de Cassiopeia balança-se sobre exactamente uma ponta, alta a Nordeste, enquanto a Ursa Maior situa-se na horizontal mesmo por cima do horizonte a Norte-Noroeste.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Descobriu-se recentemente que a famosa Nebulosa de Orionte (M42), está na realidade 300 anos-luz mais perto do que se pensava. Ao invés dos 1565 anos-luz, está situada a 1270 anos-luz.
 
 
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