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Edição n.º 804
18/11 a 21/11/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de Dezembro de 1993. A partir de Janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de teste. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 15:10.

Dia 19/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no Sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua.
Em 1999, a China lança a primeira missão Shenzhou não tripulada para órbita às 22:30 GMT.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos
Observações: A partir da 01:30 de dia 18 para 19 e até cerca das 4 da manhã, é possível observar telescopicamente a sombra de Europa passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 20/11: 324.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1889 nasce Edwin Hubble, astrónomo americano.

Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de Slipher, Hubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya.
Observações: A partir das 03:30 da noite de 19 para 20, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 21/11: 325.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, é publicado o artigo de Einstein que revela a relação entre a energia e a massa. Isto leva à fórmula da equivalência massa-energia, E=mc^2.
Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72.

Em 1999, ocorreu a aproximação máxima pela Terra do asteróide 1998 YW3 (0,382 UA).  
Observações: Vega, em Lira, permanece a estrela mais brilhante no céu a Oeste-Noroeste por estas noites. Mais para cima, a estrela brilhante é Deneb em Cisne.

 
CURIOSIDADES


A sonda Galileu descobriu a lua Dactyl em torno do asteróide 243 Ida.

 
DADOS DE SONDA DA NASA MOSTRAM EVIDÊNCIAS DE ÁGUA LÍQUIDA EM EUROPA

Dados de uma sonda planetária da NASA providenciaram aos cientistas evidências do que parece ser um corpo de água líquida, igual em volume aos Grandes Lagos da América do Norte, por baixo da superfície gelada da lua de Júpiter, Europa.

Os dados sugerem que existe uma troca importante entre a concha gelada de Europa e o oceano por baixo. Esta informação pode alargar os argumentos de que o oceano global subsuperficial de Europa representa um potencial habitat para a vida noutro local do Sistema Solar. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

"Os dados abrem novas possibilidades," afirma Mary Voytek, director do Programa de Astrobiologia da NASA na sede da agência em Washington, EUA. "No entanto, cientistas pelo mundo inteiro vão querer estudar com mais atenção esta análise e rever os dados antes de podermos apreciar a implicação destes resultados."

O "Grande Lago" de Europa. Cientistas especulam que existem muitos mais em regiões superficiais da concha gelada do satélite.
Crédito: Britney Schmidt/Dead Pixel FX/Universidade do Texas em Austin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Galileu da NASA, lançada pelo vaivém Atlantis em 1989 com destino Júpiter, produziu inúmeras descobertas e providenciou aos cientistas décadas de dados para analisar. A Galileu estudou Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, e algumas das suas luas.

Um das suas descobertas mais importantes foi a inferência de um oceano global de água salgada por baixo da superfície de Europa. Este oceano é profundo o suficiente para cobrir toda a superfície de Europa e contém mais água líquida do que a soma de todos os oceanos da Terra. No entanto, à distância do Sol, a superfície do oceano está completamente gelada. A maioria dos cientistas pensa que esta crosta gelada mede dezenas de quilómetros de espessura.

"Tem havido discussão na comunidade científica acerca da espessura da concha gelada: se for muito espessa, isso é mau para a biologia. Isto significa que a superfície não está a comunicar com o oceano por baixo," afirma Britney Schmidt, autora principal do artigo e pós-doutorada do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, em Austin, EUA. "Agora, vemos evidências de que é uma espessa concha gelada e que pode ter grandes lagos superficiais. Isto pode significar que o oceano de Europa é mais habitável."

Schmidt e a sua equipa focaram-se em imagens, obtidas pela Galileu, de duas características irregulares aproximadamente circulares na superfície de Europa denominadas terrenos caóticos. Com base em processos similares vistos na Terra -- em plataformas de gelo e por baixo de glaciares sobre vulcões -- desenvolveram um modelo com quatro passos para explicar a formação das características. O modelo resolve várias observações contraditórias. Algumas parecem sugerir que a concha gelada é espessa. Outras sugerem que é fina.

Europa, vista pela sonda Galileu. São visíveis planícies de gelo brilhante, rachas que correm para o horizonte, e zonas escuras que provavelmente contêm gelo e poeira.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta recente análise mostra que as características caóticas da superfície de Europa podem ser formadas por mecanismos que envolvem trocas importantes entre a concha gelada e o lago gelado por baixo. Isto providencia um mecanismo ou modelo para a transferência de nutrientes e energia entre a superfície e o vasto oceano global já inferido por baixo da concha gelada. Pensa-se que isto aumente o potencial para a vida na lua.

Os autores do estudo têm boas razões para acreditar que o seu modelo está correcto, com base em observações de Europa obtidas pela Galileu e cá na Terra. Mesmo assim, dado que os lagos inferidos estão vários quilómetros por baixo da superfície, a única confirmação da sua presença terá que vir de uma futura sonda desenhada para estudar a concha gelada. Tal missão foi considerada como a segunda mais importante pelo Conselho de Pesquisa dos EUA e está sendo estudada pela NASA.

"Estes novos conhecimentos acerca dos processos em Europa não teriam sido possíveis sem as observações, ao longo dos últimos 20 anos, de camadas geladas e glaciares da Terra," afirma Don Blankenship, co-autor e cientista do Instituto de Geofísica dos EUA, onde lidera estudos das camadas geladas do planeta.

A Galileu foi a primeira sonda a medir directamente a atmosfera de Júpiter e a conduzir observações de longo-termo do sistema joviano. A sonda foi a primeira a passar por um asteróide e a descobrir a lua de um asteróide. A NASA prolongou a missão três vezes, para tirar vantagem das capacidades científicas únicas da Galileu, e finalmente foi colocada num percurso de colisão com a atmosfera de Júpiter em Setembro de 2003, para eliminar quaisquer hipóteses de colidir com Europa.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Texas (comunicado de imprensa)
Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature - requer subscrição)
SPACE.com
COSMOS
Spaceflight Now
New Scientist
Universe Today
National Geographic
ScienceNews
Discovery News
YouTube
BBC News

Europa:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda Galileu:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - De Plêiades às Híades
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo
 
Esta vista cósmica prolonga-se por quase 20 graus na constelação de Touro. Começa nas Plêiades e acaba nas Híades, dois dos melhores enxames estelares do céu do planeta Terra. À esquerda, o bonito enxame aberto das Plêiades, a aproximadamente 400 anos-luz. Numa cena familiar, as estrelas do enxame brilham através de nuvens de poeira que espalham luz estelar. À direita, o enxame das Híades, com a forma de V, é mais espaçado em comparação com o mais compacto M45 para a direita, e situa-se bem mais perto, a cerca de 150 anos-luz de distância. Claro, as estrelas do enxame das Híades parecem estar ancoradas pela brilhante Aldebarã, uma gigante vermelha com um tom amarelado. Mas na realidade Aldebarã situa-se apenas a 65 anos-luz de distância, na linha de visão entre a Terra e o enxame das Híades apenas por acaso. As ténues nuvens de poeira no limite da Nuvem Molecular de Touro são também evidentes por todo este mosaico composto por 12 imagens. O campo-largo da imagem inclui também a jovem estrela T Tauri e a nebulosa variável de Hind, situada no céu cerca de 4 graus para a esquerda de Aldebarã.
 

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