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Edição n.º 852
04/05 a 07/05/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/05: 125.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançada a missão Magalhães para Vénus.

O seu objectivo era obter imagens de alta-resolução de toda a superfície do planeta. Tempo de duração da viagem: 1 ano, 3 meses e 6 dias. Depois uma missão carregada de êxitos, ordenou-se à sonda para penetrar na densa atmosfera do planeta a 11 de Outubro de 1994.
Observações: Saturno e Espiga posam mesmo por cima da Lua esta noite.

Dia 05/05: 126.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, Alan Shepard torna-se o primeiro americano no espaço, a bordo da nave Freedom 7

O seu voo sub-orbital dura 15 minutos.
Observações: Por volta das 22 horas, a brilhante Vega a Nordeste e a brilhante Capela a Noroeste, estarão exactamente à mesma altura. O momento deste balanço depende da sua localização na sua zona horária, especialmente quão para Este se encontra. Consegue determinar a hora exacta deste evento no seu local?

Dia 06/05: 127.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 04:35. Esta é a maior e mais próxima Lua Cheia de 2012 (8% mais próxima e maior que a média, mas não o suficiente para despertar atenção).

Dia 07/05: 128.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X Explorer 53. 
Em 1992, era lançado pela primeira vez o Space Shuttle Endeavour (STS-49).

Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto "voo rasante" por Ganimedes
Observações: Aproveite o início da noite para observar o planeta Vénus, baixo a Oeste-Noroeste. Consegue discernir a sua fase?

 
CURIOSIDADES


Actualmente, conhecem-se cerca de 9000 anãs brancas.

 
QUATRO ANÃS BRANCAS APANHADAS NO ACTO DE CONSUMIR PLANETAS TIPO-TERRA

Astrofísicos da Universidade de Warwick descobriram quatro anãs brancas rodeadas por poeira oriunda de corpos planetários despedaçados, que no passado tiveram composições parecidas à da Terra. Os cientistas publicaram os seus resultados num artigo da revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.

As anãs brancas são o estágio final da vida de estrelas como o nosso Sol, os núcleos residuais de material deixado para trás após se ter esgotado o combustível necessário às suas reacções nucleares. Usando o Telescópio Espacial Hubble para levar a cabo o maior estudo até à data da composição química das atmosferas de anãs brancas, os investigadores descobriram que os elementos mais frequentes na poeira em torno destas quatro anãs brancas são o oxigénio, magnésio, ferro e silício - os quatros elementos que constituem aproximadamente 93% da Terra.

No entanto, uma observação ainda mais importante foi a da que este material também contém uma proporção extremamente baixa de carbono, que coincide de perto com a da Terra e dos outros planetas rochosos em torno do Sol.

Material rochoso em órbita de uma anã branca (centro). As colisões transformam material maior em poeira, e parte cai na direcção da anã branca.
Crédito: Mark A. Garlick/space-art.co.uk/Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta é a primeira vez que tais baixas concentrações de carbono foram medidas nas atmosferas de anãs brancas poluídas por detritos. Não só é isto evidência clara de que estas estrelas tiveram no passado pelo menos um exoplaneta rochoso agora destruído, como também as observações devem mostrar a última fase da morte destes mundos.

A atmosfera de uma anã branca é constituída por hidrogénio e/ou hélio, por isso quaisquer elementos pesados que entrem na sua atmosfera são atraídos para dentro do núcleo e escondem-se em questão de dias graças à alta gravidade da anã. Dito isto, os astrónomos devem estar literalmente a observar a fase final da morte destes mundos à medida que o material espirala para o interior das anãs a quantidades de 1 milhão de quilogramas por segundo.

Não só são estas observações claras evidências de que as estrelas já tiveram corpos exoplanetários rochosos agora destruídos, como uma anã branca em particular, PG0843+516, pode também contar a história da destruição destes mundos.

Esta estrela destacou-se do resto do grupo graças à sobreabundância relativa dos elementos ferro, níquel e enxofre na poeira descoberta na sua atmosfera. O ferro e o níquel encontram-se nos núcleos dos planetas terrestres, à medida que se afundam para o centro devido à gravidade durante a formação planetária, tal como o enxofre graças à sua afinidade química com o ferro.

Assim sendo, os investigadores acreditam que estão a observar a anã branca PG0843+516 no próprio acto de engolir este material do núcleo de um planeta rochoso grande o suficiente para atravessar a fase de diferenciação, um processo parecido ao que separou o núcleo e o manto da Terra.

Três passos da destruição planetária.
Crédito: Mark A. Garlick/space-art.co.uk/Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O professor Boris Gänsicke do Departamento de Física da Universidade de Warwick, que liderou o estudo, afirma ser provável que o processo destrutivo que originou os discos de poeira em torno destas anãs brancas distantes, surja um dia no nosso próprio Sistema Solar.

"O que estamos actualmente a ver nestas anãs brancas a várias centenas de anos-luz de distância pode muito bem ser um presságio do futuro muito distante da Terra. À medida que estrelas como o nosso Sol chegam ao final da sua vida, incham para se tornarem em gigantes vermelhas quando o combustível nuclear nos seus núcleos se esgota."

"Quando isto acontecer no nosso próprio Sistema Solar, daqui a milhares de milhões de anos, o Sol engolirá os planetas mais interiores, Mercúrio e Vénus. Não se sabe se a Terra irá sofrer o mesmo destino durante a sua fase de gigante vermelha - mas mesmo que sobreviva, a sua superfície ficará torriscada."

"Durante esta transformação do Sol em anã branca, irá perder uma grande quantidade de massa, e todos os planetas irã mover-se para fora. Isto irá destabilizar as órbitas e levar a colisões entre os corpos planetários, tal como aconteceu nos primeiros dias instáveis do nosso Sistema Solar."

"Isto poderá até destruir planetas terrestres por inteiro, formando grandes quantidades de asteróides, alguns dos quais terão composições químicas semelhantes às do núcleo planetário. No nosso Sistema Solar, Júpiter provavelmente sobrevive incólume à evolução final do Sol, e espalhará asteróides, novos e velhos, na direcção da anã branca."

"É inteiramente provável que em PG0843+516 estejamos a ver a acreção de tais fragmentos feitos a partir de material do núcleo de um exoplaneta terrestre."

A equipa da Universidade de Warwick estudou mais de 80 anãs brancas até algumas centenas de anos-luz do Sol, usando o instrumento COS (Cosmic Origin Spectrograph) a bordo do Telescópio Hubble.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
UPI.com
Wired Science

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M106
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Composição dos dados - Dados de Arquivo do HubbleAdrian Zsilavec, Michelle Qualls, Adam Block / NOAO / AURA / NSF; Processamento -  André van der Hoeven
 
Perto da Ursa Maior e rodeada pelas estrelas de Cães de Caça, esta maravilha celeste foi descoberta em 1781 pelo astrónomo francês Pierre Mechain. Mais tarde, foi acrescentada ao catálogo do seu amigo e colega, Charles Messier, como M106. Os telescópios modernos revelam-na como um universo-ilha: uma galáxia espiral com cerca de 30.000 anos-luz de diâmetro localizada a apenas 21 milhões de anos-luz de distância. Com proeminentes correntes de poeira e um brilhante núcleo central, esta composição colorida realça os jovens enxames estelares azuis e os berçários estelares avermelhados que traçam os braços espirais da galáxia. O retrato de alta-resolução da galáxia é um mosaico de dados obtidos pela câmara ACS do Hubble, combinados com dados obtidos na Terra. M106 (também conhecida como NGC 4258) é um exemplo vizinho da classe Seyfert de galáxias activas, vista ao longo de todo o espectro, desde o rádio até aos raios-X. As energéticas galáxias activas são alimentadas por matéria que cai para o gigantesco buraco negro central.
 

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