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Edição n.º 866
22/06 a 25/05/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 22/06: 174.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, a Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma, força Galileu a retirar a sua visão que o Sol, não a Terra, era o centro do Universo.

Em 1675 era fundado o Observatório Real de Greenwich
Em 1978 James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos em Flagstaff, Arizona, descobre o satélite de Plutão, Caronte, acerca do qual quase nada se sabia mais de uma década depois. Plutão foi também descoberto em Flagstaff (no Observatório Lowell) em 1930.
Observações: Aviste a Lua Crescente a Oeste ao lusco-fusco, e bem para a sua direita para encontrar Mercúrio, Pollux e Castor. Binóculos ajudam.

Dia 23/06: 175.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Cerca de 11º para cima da Lua está Régulo, a estrela mais brilhante da constelação de Leão.

Dia 24/06: 176.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1881, Sir William Huggins faz o seu primeiro espectro fotográfico de um cometa (1881 III) e descobre a emissão do cianogénio (CN) em comprimentos de onda do ultra-violeta, o que causa histeria em massa quando a Terra passa pela cauda do cometa Halley 29 anos mais tarde. 
Em 1915, nascia Fred Hoyle, astrónomo britânico.

É principalmente famoso pela sua contribuição para a teoria da nucleosíntese estelar e pela sua posição bastante controversa acerca de outros assuntos cosmológicos e científicos - particularmente pela sua rejeição da teoria do Big Bang, um termo originalmente da sua autoria. 
Em 1938, um meteorito de 450 toneladas atinge a Terra perto de Chicora, Pennsylvania, EUA.
Observações: Aproveite a noite para observar, com binóculos, os inúmeros enxames das constelações de Escorpião, Sagitário e Escudo (M4, M6, M7, M8, M11, M16, M17, M20, M21 e M22).

Dia 25/06: 177.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.

No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km!
Observações: O ponto brilhante e alaranjado para cima e um pouco para a esquerda da Lua esta noite é o planeta Marte.

 
CURIOSIDADES

O chão das crateras permanentemente à sombra no pólo sul da Lua, são os locais mais frios do Sistema Solar. Têm uma temperatura de -238º C, mais frias até que a superfície de Plutão.

 
INVESTIGADORES ESTIMAM CONTEÚDO DE GELO NA CRATERA SHACKLETON NO PÓLO SUL DA LUA

A sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA enviou dados que revelam que gelo poderá constituir até 22% do material superficial numa cratera localizada no pólo sul da Lua.

A equipa da NASA usou o altímetro laser da LRO para examinar o chão da cratera Shackleton. Descobriram que a base da cratera é mais brilhante que a das outras crateras vizinhas, o que é consistente com a presença de pequenas quantidades de gelo. Esta informação irá ajudar os investigadores a melhor compreender a formação das crateras e o estudo de áreas não cartografadas da Lua. Os resultados foram publicados na edição de ontem da revista Nature.

"As medições do brilho já nos confundem há dois anos," afirma Gregory Neumann do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland, co-autor do artigo. "Embora a distribuição do brilho não seja exactamente a que esperávamos, praticamente cada medição relacionada com o gelo e outros compostos voláteis na Lua é surpreendente, dadas as frias temperaturas cósmicas dentro das suas crateras polares."

Elevação (esquerda) e relevo sombreado (direita) da Shackleton, uma cratera com 21 km em diâmetro permanentemente à sombra e adjacente ao pólo sul lunar. A estrutura interior da cratera foi revelada com um modelo digital de elevação graças a mais de 5 milhões de medições feitas com o altímetro da LRO.
Crédito: NASA/Zuber, M. T. et al., Nature, 2012
 

A sonda mapeou a cratera Shackleton em detalhes sem precedentes, usando um laser para iluminar o interior da cratera e medir o seu albedo ou reflectância natural. A luz do laser mede até uma profundidade comparável ao seu comprimento de onda, cerca de um micrómetro. Isto representa um milionésimo de metro. A equipa também usou o instrumento para mapear o relevo do terreno da cratera com base no tempo que levou para o laser ser reflectido da superfície da Lua. Quanto mais tempo demorava, mais baixa era a elevação do terreno.

Em adição à possível evidência de gelo, o mapa da Shackleton pelo grupo relevou uma cratera incrivelmente preservada que permaneceu relativamente intocada desde a sua formação há mais de três mil milhões de anos atrás. O chão da própria cratera está repleto de várias pequenas crateras, que podem ter-se formado como parte da colisão que criou a Shackleton.

A cratera, com este nome em honra ao explorador antárctico Ernest Shackleton, tem mais de 4 km em profundidade e mais de 21 em diâmetro. Tal como outras crateras no pólo sul da Lua, a pequena inclinação do eixo de rotação lunar faz com que o interior da cratera Shackleton esteja permanentemente à sombra e seja por isso extremamente fria.

"O interior da cratera é extremamente acidentado," afirma Maria Zuber, a investigadora principal da equipa, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge. "Não seria fácil andar por lá."

Este é um mapa de elevação da cratera Shackleton feito graças ao altímetro laser da sonda LRO. As cores falsas indicam altura, com o azul sendo partes mais baixas, e o vermelho/branco, as mais altas.
Crédito: NASA/Zuber, M.T. et al., Nature, 2012
 

Embora o chão da cratera seja relativamente brilhante, Zuber e seus colegas observaram que as suas paredes são ainda mais brilhantes. O achado foi ao início confuso. Os cientistas pensavam que se o gelo estivesse na cratera, seria no chão, onde não penetra luz solar directa. As paredes superiores da cratera Shackleton são ocasionalmente iluminadas, o que poderia evaporar algum gelo que estivesse aí acumulado. Uma teoria proposta pela equipa para explicar este facto é que os "terramotos lunares" -- movimentos sísmicos provocados por impactos de meteoritos ou pelo puxo gravitacional da Terra -- podem ter feito com que as paredes da Shackleton descamassem solo mais antigo e escuro, revelando solo mais recente e brilhante por baixo. O mapa de ultra-resolução da equipa de Zuber proporciona fortes evidências de gelo tanto no chão como nas paredes da cratera.

"Poderão existir várias explicações para o brilho observado na cratera," afirma Zuber. "Por exemplo, material mais recente poderá ter sido exposto ao longo das suas paredes, enquanto o gelo poderá ter sido misturado com o seu chão."

O objectivo inicial e primário da LRO era levar a cabo investigações que preparassem explorações lunares futuras. Lançada em Junho de 2009, a LRO completou a sua missão principal exploratória e está agora na parte científica da sua missão.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
MIT (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
New Scientist
SPACE.com
Discovery News
UPI.com
ars technica

Cratera Shackleton:
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia

Lunar Reconnaissance Orbiter:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa Anular de WR 134
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Don Goldman
 
Obtido com filtros de banda-estreita e larga, este colorido retrato cósmico cobre um campo de visão com aproximadamente o tamanho de uma Lua Cheia, dentro dos limites da constelação de Cisne. Realça a fronteira brilhante de uma nebulosa tipo-anel traçada pelo brilho do hidrogénio e oxigénio gasosos. Embebidos nas nuvens de gás e poeira interestelar da região, os brilhantes e complexos arcos são secções de bolhas ou conchas de material arrastado pelo vento oriundo da estrela Wolf-Rayet 134, ou WR 134, a estrela mais brilhante perto do centro da imagem. As estimativas da distância colocam WR 134 a mais ou menos 6000 anos-luz de distância, o que dá à fotografia uma largura de mais de 50 anos-luz. Despindo os seus invólucros exteriores através de poderosos ventos estelares, as massivas estrelas Wolf-Rayet queimam o seu combustível nuclear a uma velocidade tremenda e terminam as suas vidas numa fase final da evolução estelar conhecida como explosão de supernova. Os ventos estelares e o resto de supernova resultante enriquecem o material interestelar com elementos mais pesados, que irão depois ser incorporados nas gerações futuras de estrelas.
 

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