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CIENTISTAS "LIGAM OS PONTOS" ENTRE LUA GALILEANA E AS EMISSÕES AURORAIS EM JÚPITER
8 de abril de 2022

 


A nave espacial Juno da NASA voou através do intenso feixe de eletrões que viajam desde Ganimedes, a maior lua de Júpiter, até à sua pegada auroral no gigante gasoso. Os cientistas do SwRI utilizaram os dados resultantes para ligar a população de partículas que viajava ao longo do feixe com as emissões aurorais associadas e assim desvendar os misteriosos processos que criavam as luzes cintilantes.
Crédito: NASA/SwRI/JPL-Caltech/MSSS/Kevin M. Gill/Agência Espacial Italiana/INAF/Björn Jónsson/Universidade de Liège/Bertrand Bonfond/Vincent Hue

 

No dia 8 de novembro de 2020, a nave espacial Juno da NASA voou através de um intenso feixe de eletrões, viajando desde Ganimedes, a maior lua de Júpiter, até à sua pegada auroral sobre o gigante gasoso. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) utilizaram dados de instrumentos científicos da Juno para estudar a população de partículas a viajar ao longo da linha do campo magnético que liga Ganimedes a Júpiter, ao mesmo tempo que detetavam remotamente as emissões aurorais associadas para desvendar os processos misteriosos que criam as luzes cintilantes.

"As luas mais massivas de Júpiter criam cada uma as suas próprias auroras nos polos norte e sul de Júpiter," disse o Dr. Vincent Hue, autor principal de um artigo que divulga os resultados desta investigação. "Cada pegada auroral, como lhes chamamos, está magneticamente ligada à sua respetiva lua, como uma espécie de trela magnética ligada à própria lua que brilha no próprio Júpiter."

Tal como na Terra, Júpiter experiencia luz auroral em redor das regiões polares à medida que partículas da sua magnetosfera massiva interagem com as moléculas da atmosfera joviana. No entanto, as auroras de Júpiter são significativamente mais intensas que as da Terra e, ao contrário da Terra, as maiores luas de Júpiter também criam manchas aurorais. A missão Juno, liderada pelo Dr. Scott Bolton do SwRI, está a orbitar Júpiter numa órbita polar e voou através do "cordão" de eletrões que liga Ganimedes à sua pegada auroral associada.

"Antes da Juno, sabíamos que estas emissões podem ser bastante complexas, desde uma única mancha auroral até várias, que por vezes seguem uma cortina auroral a que chamamos cauda da pegada," disse o Dr. Jamey Szalay, coautor da Universidade de Princeton. "A Juno, voando extremamente perto de Júpiter, revelou que estas manchas aurorais são ainda mais complexas do que se pensava anteriormente."

Ganimedes é a única lua no nosso Sistema Solar que tem o seu próprio campo magnético. A sua mini-magnetosfera interage com a magnetosfera massiva de Júpiter, criando ondas que aceleram os eletrões ao longo das linhas do campo magnético do gigante gasoso, que podem ser medidas diretamente pela Juno.

Dois instrumentos da Juno, liderados pelo SwRI, o JADE (Jovian Auroral Distributions Experiment) e o UVS (Ultraviolet Spectrometer), forneceram dados chave para este estudo, que também foi apoiado pelo sensor de campo magnético da Juno construído no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.

"O JADE mediu os eletrões que viajavam ao longo das linhas do campo magnético, enquanto o UVS fotografava a mancha da pegada auroral relacionada," disse o Dr. Thomas Greathouse do SwRI, coautor deste estudo.

Desta forma, a Juno é capaz de medir a "chuva" de eletrões e observar imediatamente a luz UV que cria quando embate em Júpiter. As medições anteriores da Juno mostraram que grandes perturbações magnéticas acompanhavam os feixes de eletrões causando a pegada auroral. No entanto, desta vez, a Juno não observou perturbações semelhantes com o feixe de eletrões.

"Se a nossa interpretação estiver correta, isto é uma confirmação de uma teoria que desenvolvemos para explicar a morfologia das pegadas aurorais," disse o Dr. Bertrand Bonfond, coautor do estudo da Universidade de Liège na Bélgica. A teoria sugere que os eletrões acelerados em ambas as direções criam a dança multimancha das pegadas aurorais.

"A relação Júpiter-Ganimedes será mais explorada pela missão alargada da Juno, bem como pela futura missão JUICE da ESA," disse Hue. "O SwRI está a construir a próxima geração do instrumento UVS para a missão."

 

 

 

// SwRI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Liège (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Geophysical Research Letters)
// Cientistas "ligam os pontos" entre lua galileana e as emissões aurorais em Júpiter (SwRI via YouTube)

Saiba mais

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia
Auroras de Júpiter (Wikipedia)

Ganimedes:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Magnetosfera (Wikipedia)

Missão Juno:
NASA
SwRI
Twitter
Wikipedia

JUICE:
ESA
Wikipedia

 
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