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Edição n.º 1035
07/02 a 10/02/2014
 
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ACTIVIDADES

14.02.14 - LUA CHEIA DE "AMOR"
20:00 – 22:00 - Observação astronómica nocturna dedicada a dois satélites naturais no Sistema Solar: o nosso, completamente iluminado, e um outro que se esconderá atrás do seu planeta.
Pré-inscrição obrigatória: info@ccvalg.pt
Realização sujeita a condições meteorológicas favoráveis.
Cada casal entra pelo preço de um visitante. Preço: 2€ - adultos, 1€ - jovens.

28.02.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se pela atmosfera sobre a Argentina.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Esta estação, Júpiter torna o Triângulo de Inverno num Diamante de Inverno mais brilhante! A parte de baixo é constituída por Sirius, os seus dois lados por Betelgeuse e Procyon, e Júpiter forma o seu topo. O diamante está um pouco inclinado para a esquerda ao início da noite, depois apoia-se verticalmente a Sul pelas 22 horas (dependendo da sua localização).

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.
Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Em 1992, a sonda espacial Ulysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol.
Observações: Olhe para a direita da Lua à hora de jantar em busca de Aldebarã. Por baixo da Lua encontra-se a constelação de Orionte.
Trânsito de Ganimedes, entre as 22:50 e as 02:14 (já de dia 09).

Dia 09/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1913, é visível ao longo da costa Este do continente americano um grupo de meteoros, levando os astrónomos a concluir que a fonte foi um pequeno e de curta vida satélite natural da Terra.
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 faz a sua aterragem após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Em 1995, os astronautas do vaivém espacial Bernard A. Harris, Jr. e Michael Foale tornam-se no primeiro africano-americano e primeiro inglês, respectivamente a fazer passeios espaciais.
Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 02:02 e as 05:31.
Trânsito de Europa, entre as 22:00 e as 00:47 (já de dia 10).

Dia 10/02: 41.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2009, os satélites de comunicação Iridium 33 e Kosmos-2251 colidem em órbita, resultando na destruição de ambos.

Observações: Esta noite a Lua encontra-se aos pés de Gémeos. Para a sua esquerda está o brilhante planeta Júpiter e para a direita a constelação de Orionte.

 
CURIOSIDADES


Há muitas décadas que se suspeita que a Terra possa ter outros satélites naturais além da Lua. Já foram propostos alguns candidatos, entre eles quasi-satélites, asteróides trojanos e luas temporárias, mas sem provas definitivas, a Lua continua a ser o único satélite natural conhecido do nosso planeta.

 
A ANATOMIA DE UM ASTERÓIDE

Com o auxílio do NTT (New Technology Telescope) do ESO descobriu-se a primeira evidência de que os asteróides têm uma estrutura interna extremamente variada. Ao fazer medições muito precisas, os astrónomos descobriram que partes diferentes do asteróide Itokawa têm densidades diferentes. Descobrir o que se encontra no interior dos asteróides, para além de revelar segredos sobre a sua formação, pode também informar-nos sobre o que acontece quando corpos celestes colidem no Sistema Solar e dar-nos pistas sobre como se formam os planetas.

Com o auxílio de observações muito precisas obtidas a partir do solo, Stephen Lowry (Universidade de Kent, RU) e colegas mediram a velocidade à qual o asteróide próximo da Terra (25143) Itokawa roda e como é que esta taxa de rotação varia com o tempo, combinando seguidamente estas observações com trabalho teórico inovador sobre como é que os asteróides irradiam calor.

Vista esquemática do estranho asteróide em forma de amendoim Itokawa. Ao fazer medições extremamente precisas com o auxílio do NTT do ESO e combinando esses dados com um modelo da superfície do asteróide, uma equipa de astrónomos descobriu que partes diferentes deste objecto têm densidades diferentes. O modelo da forma do asteróide utilizado nesta imagem baseia-se em dados obtidos pela sonda Hayabusa da Agência Espacial Japonesa (JAXA).
Crédito: ESO; reconhecimento: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Este pequeno asteróide é bastante intrigante uma vez que apresenta a estranha forma de um amendoim, como foi revelado pela sonda japonesa Hayabusa em 2005. Para investigar a sua estrutura interna, a equipa de Lowry utilizou, entre outras, imagens recolhidas entre 2001 e 2013 pelo NTT do ESO, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, para medir a variação do brilho do objecto à medida que este roda. Estes dados foram depois usados para deduzir o período de rotação do asteróide de modo muito preciso e determinar como é que este período varia com o tempo. Esta informação, quando combinada com a forma do asteróide, permitiu explorar o seu interior - revelando pela primeira vez a complexidade que se encontra no seu núcleo.

"Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteróide," explica Lowry. "Podemos ver que Itokawa tem uma estrutura extremamente variada - esta descoberta é um importante passo em frente na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar."

A rotação de um asteróide e de outros pequenos corpos no espaço pode ser afectada pela luz solar. Este fenómeno, conhecido por efeito Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), ocorre quando a radiação solar absorvida pelo objecto é re-emitida pela sua superfície sob a forma de calor. Quando a forma do asteróide é muito irregular, o calor não é irradiado de modo homogéneo, o que cria no corpo um binário, pequeno mas contínuo, que lhe muda a sua taxa de rotação.

Esta imagem muito detalhada mostra o estranho asteróide em forma de amendoim Itokawa. Esta imagem foi obtida pela sonda japonesa Hayabusa durante a sua aproximação ao asteróide em 2005.
Crédito: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de Lowry determinou que a taxa à qual o asteróide roda está lentamente a acelerar devido ao efeito YORP. A variação na velocidade de rotação é minúscula - uns meros 0,045 segundos por ano, no entanto este resultado é muito diferente do esperado e apenas pode ser explicado se as duas partes do objecto em forma de amendoim tiverem densidades diferentes.

Esta é a primeira vez que os astrónomos encontram evidências para uma estrutura interna dos asteróides extremamente variada. Até agora, as propriedades do interior dos asteróides apenas podiam ser inferidas através de medições globais aproximadas da densidade. Este resultado levou a muita especulação relativamente à formação de Itokawa. Uma possibilidade é que o asteróide se tenha formado a partir de duas componentes de um asteróide duplo depois de ter havido colisão e fusão dos dois objectos.

Lowry acrescenta, "Descobrir que os asteróides não têm interiores homogéneos tem implicações importantes, particularmente para os modelos de formação de asteróides binários. Este resultado poderá igualmente ser aplicado em trabalhos que visam diminuir as colisões de asteróides com a Terra ou em planos para futuras viagens a estes corpos rochosos."

Esta nova capacidade de sondar o interior de um asteróide é um importante passo em frente e pode ajudar-nos a desvendar muitos dos segredos destes objectos misteriosos.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
PHYSORG
Astronomy
science 2.0
SPACE.com
redOrbit
Space Daily
Forbes
UPI
AstroPT

Asteróide Itokawa:
Wikipedia

Asteróides:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
NASA
Wikipedia

Efeito Yarkovsky–O'Keefe–Radzievskii–Paddack:
Wikipedia

NTT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Sonda Hayabusa:
JAXA 
NASA
Universidade de Tohoku 
Wikipedia

 
KEPLER DESCOBRE UM PLANETA MUITO OSCILANTE

Imagine viver num planeta com estações tão erráticas que dificilmente conseguíamos saber o que vestir, se calções ou casaco. É o que se passa num estranho mundo descoberto pelo telescópio espacial Kepler da NASA.

O planeta, designado Kepler-413b, precessa (ou oscila) descontroladamente no seu eixo de rotação. A inclinação do eixo de rotação do planeta pode variar até 30 graus ao longo de 11 anos, levando a mudanças rápidas e irregulares nas estações. Em contraste, a precessão da Terra é de 23,5 graus ao longo de mais de 26.000 anos. Os investigadores estão espantados que este planeta distante precesse numa escala de tempo humana.

Kepler-413b está localizado a 2300 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cisne. Orbita um par de anãs laranja e vermelha a cada 66 dias. A órbita do planeta em torno do sistema binário também parece oscilar, porque o plano da sua órbita está inclinado 2,5 graus em relação ao plano da órbita do par estelar. Vista a partir da Terra, a órbita oscilante move-se para cima e para baixo continuamente.

Esta ilustração mostra a órbita invulgar do planeta Kepler-413b em torno de par de anãs laranja e vermelha. A órbita do planeta oscila em torno das estrelas centrais ao longo de 11 anos, um efeito chamado precessão.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Kepler descobre planetas ao examinar diminuições de brilho numa estrela ou estrelas quando um planeta transita, ou passa em frente delas. Normalmente, os trânsitos planetários funcionam como um relógio. Os astrónomos descobriram a oscilação quando descobriram um padrão invulgar no trânsito de Kepler-413b.

"Olhando para os dados do Kepler ao longo de 1500 dias, vimos três trânsitos nos primeiros 180 dias - um trânsito a cada 66 dias - e depois tivemos 800 dias sem trânsitos. Seguidamente, vimos mais cinco trânsitos," realça Veselin Kostov, investigador principal da observação. Kostov está ligado ao STScI (Space Telescope Science Institute) e à Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado americano de Maryland. O próximo trânsito visível a partir da perspectiva da Terra só está previsto para 2020. Isto porque a órbita move-se para cima e para baixo, um resultado da oscilação que faz com que por vezes não transite as estrelas quando visto da Terra.

Os astrónomos estão ainda tentando explicar o porquê deste planeta estar desalinhado com as suas estrelas. Podem existir outros corpos planetários no sistema que inclinaram a órbita. Ou pode até existir uma terceira estrela vizinha, uma companheira visual que está ligada gravitacionalmente ao sistema e que exerce influência sobre ele.

"Presumivelmente, existem por aí planetas como este que não vemos porque encontramo-nos num período desfavorável," realça Peter McCullough, membro da equipa, também do STScI e da Universidade Johns Hopkins. "E isso é uma das coisas que Veselin investiga: será que existe uma maioria silenciosa que não estamos vendo?"

Mesmo com as suas mudanças de estação, Kepler-413b é demasiado quente para a vida como a conhecemos. Dado que orbita muito perto das estrelas, as suas temperaturas são demasiado elevadas para a água existir no estado líquido à sua superfície, o que o torna inabitável. É também um "super Neptuno" - um gigante gasoso com uma massa cerca de 65 vezes superior à da Terra - portanto, não existe uma superfície que a possa suportar.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy
Sky & Telescope
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
science 2.0
Scientific American
National Geographic
io9

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 2683: Galáxia Espiral de Lado
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Telescópio Subaru (NAOJ), Telescópio Espacial Hubble; Composição, processamento e direitos de autor: Robert Gendler
 
A galáxia espiral NGC 2683 tem uma barra no seu centro? Sendo tão parecida com a nossa própria Galáxia barrada, podemos achar que sim. No entanto, é vista quase de lado, por isso é difícil dizer com certeza. De qualquer modo, este esplêndido universo-ilha, catalogado como NGC 2683, situa-se a uns meros 20 milhões de anos-luz na direcção da constelação do Lince. NGC 2683 é vista quase de lado nesta imagem cósmica que combina dados e imagens do telescópio terrestre Subaru e do telescópio espacial Hubble. Ao fundo são visíveis galáxias mais distantes. O invulgarmente brilhante núcleo galáctico é formado por uma grande população de estrelas velhas e amareladas. Os braços espirais têm correntes de poeira em silhueta, pontilhadas com tons azulados, indicadores de jovens enxames nas regiões de formação estelar desta galáxia.
 

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