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Edição n.º 1047
21/03 a 24/03/2014
 
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ACTIVIDADES

28.03.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

29.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela, podendo incluir outras atividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/03: 80.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira nova brilhante do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0,2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1905, Albert Einstein publica a sua teoria sobre a relatividade especial.
Em 1965, a NASA lança a Ranger 9, a última numa série de sondas lunares não tripuladas.
Observações: Passagem de Saturno pela Lua - mínimo de 0,2º entre os dois astros, pelas 03:00 (ocultação noutras partes do mundo, ver stream no YouTube).
O grande "Diamante de Inverno" deste ano - Júpiter em cima, Sirius em baixo, Procyon e Betelgeuse formando os cantos esquerdo e direito - persiste na Primavera. Encontra-se direito, a Sul após o pôr-do-Sol, e inclina-se para Oeste à medida que a noite avança.

Dia 22/03: 81.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1394 nascia Ulugh Beg, astrónomo da dinastia Timúrida, que construíu o Observatório Ulugh Beg em Samarkand, considerado por muitos um dos melhores observatórios do mundo islâmico e o maior da Ásia Central (à data).
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander, compilador de catálogos estelares que estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1982, lançamento da missão STS-3, do vaivém Columbia
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp faz a sua maior aproximação à Terra.

Observações: Maior elongação Oeste de Vénus (47º), pelas 20:00. Estes dias constituem a melhor altura para observar Vénus (como "Estrela da Manhã"), antes do nascer-do-Sol.

Dia 23/03: 82.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1749 nascia Pierre-Simon Laplace, astrónomo e matemático francês, cujo trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da astronomia matemática e estatística.

Desenvolveu a hipótese nebular para a origem do Sistema Solar e foi um dos primeiros cientistas a postular a existência de buracos negros e a noção de colapso gravitacional.
Em 1840 era tirada a primeira fotografia (daguerreótipo) da Lua.
Em 1912 nascia Wernher Von Braun. Foi um importante pioneiro no desenvolvimento dos foguetões e da exploração espacial entre os anos 30 e 70.
Em 1965, os EUA lançavam a Gemini 3 até à órbita da Terra transportando os astronautas Virgil (Gus) Grissom e John W. Young. Grissom e Young orbitaram a Terra três vezes. A nave Gemini era maior que as cápsulas Mercury, com um peso de 4,200 kg, e transportava dois astronautas em vez de um. A Gemini 3 era a primeira missão tripulada do programa Gemini, depois de dois testes de voo não-tripulados.
Em 2001, a estação Mir, com 15 anos, é removida de órbita e trazida até à Terra num espectáculo de fogo e fumo, para descansar nas profundezas do Oceano Pacífico Sul, perto das Ilhas Fiji.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 20:53 e as 00:17 (já de dia 24).
Trânsito de Io, entre as 22:57 e as 01:16 (já de dia 24).

Dia 24/03: 83.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1835 nascia Joseph Stefan, físico austríaco, o primeiro a determinar um valor sensível para a temperatura da superfície do Sol (5430º C).
Em 1893 nascia Walter Baade.

Foi o primeiro a resolver as companheiras da Galáxia de Andrómeda em objectos individuais e a desenvolver o conceito de população estelar em galáxias.
Em 1965, a sonda Ranger 9, equipada com instrumentos para converter os seus sinais numa forma adequada para televisão, envia imagens da Lua até aos lares antes de colidir com a superfície.
Em 1993, descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 01:46.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 02:01 e as 05:35.

 
CURIOSIDADES


Titã é a segunda maior lua do Sistema Solar (depois de Ganimedes).

 
 
HERSCHEL COMPLETA MAIOR ESTUDO DE POEIRA CÓSMICA NO UNIVERSO LOCAL

O maior censo de poeira em galáxias locais foi concluído usando dados do observatório espacial Herschel da ESA, facultando um enorme legado à comunidade científica.

Os grãos de poeira cósmica são um ingrediente pequeno mas fundamental na receita de gás e poeira da criação de estrelas e planetas. Mas, apesar da sua importância, o nosso conhecimento das propriedades da poeira em galáxias para lá da Via Láctea é incompleto.

Algumas das questões-chave incluem a forma como a poeira varia consoante o tipo de galáxia, e como pode afectar o nosso conhecimento da evolução galáctica.

Antes de concluir as suas observações em Abril de 2013, o Herschel forneceu o maior levantamento da poeira cósmica, abrangendo uma ampla gama de galáxias próximas localizadas a 50-80 milhões de anos-luz da Terra.

O catálogo contém 323 galáxias com vários tipos de formação estelar e diferentes composições químicas, observadas com os instrumentos do Herschel em comprimentos de onda do infravermelho distante e submilimétrico.

É aqui exibida uma amostra dessas galáxias, organizadas consoante o seu conteúdo de poeira - as mais ricas estão à esquerda e em cima, as mais pobres em baixo e à direita.

Amostra de galáxias incluida no estudo do Herschel, o maior censo de poeira cósmica no Universo local.
Crédito: ESA/Herschel/HRS-SAG2 e HeVICS Key Programmes/L. Cortese (Universidade Swinburne)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As galáxias ricas em poeira são geralmente espirais ou irregulares, ao passo que as pobres em poeira são geralmente elípticas. As cores azuis e vermelhas representam regiões mais frias e quentes da poeira, respectivamente.

A poeira é suavemente aquecida ao longo de uma gama de temperaturas pela combinação da luz de todas as estrelas em cada galáxia, com a poeira mais quente concentrada em regiões onde as estrelas nascem.

Para comparação, as galáxias também são apresentadas no visível, em imagens obtidas pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey). Aqui, o azul corresponde a estrelas jovens - estrelas massivas e quentes que queimam o seu combustível muito rapidamente e, portanto, são de curta duração.

Amostra de galáxias incluída no estudo Herschel, capturadas no visível.
Crédito: Sloan Digital Sky Survey/L. Cortese (Universidade Swinburne)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Por outro lado, as estrelas vermelhas são mais velhas - menos massivas e mais frias e, portanto, vivem mais tempo.

As observações do Herschel permitem com que os astrónomos determinem a quantidade de luz emitida pela poeira como função do comprimento de onda, fornecendo um meio para estudar as propriedades físicas da poeira.

Por exemplo, uma galáxia que forma estrelas a uma maior velocidade deve ter estrelas mais maciças e quentes e, assim, a poeira na galáxia também deve ser mais quente. Por sua vez, isto significa que uma maior percentagem da luz emitida pela poeira deve ter comprimentos de onda mais curtos.

No entanto, os dados mostram maiores variações do que o esperado de uma galáxia para outra apenas com base nas taxas de formação estelar, o que implica que outras propriedades, tais como o enriquecimento químico, também desempenham um papel importante.

Ao permitir que os astrónomos investiguem estas correlações e dependências, o estudo fornece um [há muito necessário] ponto de referência local, para quantificar o papel desempenhado pela poeira na evolução galáctica ao longo da história do Universo.

Os dados vão complementar observações feitas por outros telescópios, como o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile, o que permitirá com que os astrónomos estudem a poeira em galáxias à beira do Universo observável.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Astronomy
Space Daily
redOrbit
PHYSORG
Gizmodo

Poeira cósmica:
Wikipedia

Galáxias:
Wikipedia
CCVAlg - O que são as galáxias?
CCVAlg - A descoberta das galáxias
CCVAlg - Galáxias espirais
CCVAlg - Galáxias espiral-barradas
CCVAlg - Galáxias elípticas

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

 
PRIMEIRAS PISTAS DE ONDAS NOS MARES DE TITÃ

Após anos de pesquisa, cientistas planetários pensam que finalmente avistaram ondulação nos mares de Titã, a maior lua de Saturno. Se confirmada, esta será a primeira descoberta de ondas do mar fora da Terra.

A sonda Cassini da NASA espiou vários reflexos invulgares de luz solar na superfície de Punga Mare, um dos mares de hidrocarbonetos de Titã, em 2012 e 2013. Segundo Jason Barnes, cientista planetário da Universidade de Idaho em Moscow, EUA, estes reflexos podem vir de pequenas ondulações, com não mais de 2 centímetros de altura, que estão perturbando o de outra forma oceano plano.

Barnes exibiu os resultados no passado dia 17 de Março numa conferência de ciência lunar e planetária, onde uma segunda apresentação também mencionou a presença de ondas num outro mar de Titã.

Imagem do VIMS da Cassini que mostra reflexões num dos muitos lagos de Titã durante a passagem rasante de dia 24 de Julho de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/Jason W. Barnes et al.)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas esperam nos próximos anos que apareçam mais ondas, porque está previsto um aumento na velocidade dos ventos para o hemisfério norte de Titã - onde a maioria dos seus mares estão localizados -, quando o Inverno passar a Primavera.

"Titã pode estar começando a mexer-se," afirma Ralph Lorenz, cientista planetário do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano de Maryland. "A oceanografia já não é apenas uma ciência da Terra."

Nos seus inúmeros voos por Titã, a Cassini descobriu pequenos lagos e grandes mares de metano, etano e outros compostos de hidrocarbonetos. Chove líquido para a superfície da lua e depois evapora, criando um complexo sistema meteorológico que inclui, presumivelmente, padrões de vento.

Mas a sonda nunca tinha avistado ondulação nos mares de Titã. Pareciam tão planos como vidro. Isto porque os hidrocarbonetos líquidos são mais viscosos que a água e, portanto, mais difíceis de se mover, ou porque os ventos em Titã simplesmente não são fortes o suficiente para soprar o líquido em ondulações. Em 2010, Lorenz e outros propuseram que os ventos ficariam mais fortes quando Titã se aproximasse da Primavera, permitindo aos cientistas uma melhor oportunidade para avistar ondas. Saturno e as suas luas demoram cerca de 29 anos terrestres a completar uma volta ao Sol.

Um espectrómetro a bordo da Cassini obteve imagens de Punga Mare enquanto esta passava várias vezes pelo satélite natural entre 2012 e 2013. Estas imagens mostram a luz solar reflectida da superfície do oceano, como podemos ver quando um avião voa baixo sobre um lago ao anoitecer.

Quatro pixéis nas imagens são mais brilhantes do que poderíamos esperar pela reflexão da luz do Sol, relatou Barnes na conferência. Ele concluiu que devem representar algo particularmente áspero na superfície - uma onda ou um conjunto de ondas.

Os cálculos da altura das ondas sugerem que tinham apenas alguns centímetros de altura. "Não façam já planos para surfar em Titã," comentou Barnes.

Mapa da "Região dos Lagos" no norte de Titã, composto por imagens de radar em alta-resolução da Cassini.
Crédito: NASA/JPL/USGS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Saber como as ondas se formam vai ajudar os cientistas a melhor compreender as condições físicas nos lagos e mares de Titã. Uma missão proposta da NASA, que foi derrotada a favor de um regresso a Marte, teria enviado uma sonda para flutuar num dos lagos de Titã.

Ainda existe a hipótese da Cassini estar a observar reflexos de uma superfície sólida mas molhada, uma espécie de terra lamacenta, em vez de ondas reais. Observações futuras poderão detectar ondas em Punga Mare novamente, mas Barnes diz que não existe garantia de que a Cassini vai passar na posição ideal para observação antes do final da sua missão, um mergulho planeado em Saturno em 2017.

Um segundo relatório na conferência também aponta para possíveis ondas. No Verão passado, cientistas da Cassini avistaram o que chamaram de "ilha mágica" noutro mar, Ligeia Mare, que aparecia e desaparecia. Parecia ser uma brilhante reflexão numa imagem, mas não foi visível 16 dias depois, ou em quaisquer fotografias tiradas desde então, realça Jason Hofgartner, cientista planetário da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.

Depois de excluir possibilidades, como uma ilha exposta por uma mudança no nível do mar, a equipa concluiu que a "ilha mágica" é provavelmente um conjunto de ondas (um grupo de bolhas subindo desde as profundezas até à superfície) ou uma massa suspensa, como um iceberg.

Os cientistas de Ligeia Mare podem ter mais sorte que Barnes e colegas - uma passagem da Cassini em Agosto deverá ser capaz de obter imagens desta área específica de Ligeia Mare e caçar ondas novamente.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/05/2013 - Previsões meteorológicas para Titã: clima selvagem

Notícias relacionadas:
Nature
Resumo do Artigo (formato PDF)
Universe Today
redOrbit
PHYSORG
BBC News
io9

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Punga Mare:
Wikipedia

Ligeia Mare:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cientistas detectam água em torno de Júpiter quente (via NRL - US Naval Research Laboratory)
Uma equipa de pesquisa detectou vapor de água na atmosfera do planeta tau Boo b, em órbita da estrela próxima tau Boötis, que pertence à classe exótica de "Júpiteres quentes". Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Messier 63: Galáxia do Girassol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bill Snyder (Sierra Remote Observatories)
 
Messier 63 é uma brilhante galáxia espiral do céu do Hemisfério Norte e encontra-se a 25 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Cães de Caça. Também catalogada como NGC 5055, o majestoso universo-ilha mede cerca de 100.000 anos-luz em diâmetro. É mais ou menos do tamanho da nossa própria Via Láctea. Conhecida pela popular alcunha de Galáxia do Girassol, M63 ostenta um núcleo amarelado e brilhante neste nítido retrato colorido. Os seus vastos braços espirais contêm correntes de poeira cósmica e são salpicados por regiões cor-de-rosa de formação estelar. Membro dominante de um grupo galáctico, M63 tem características ampliadas que podem ser o resultado de interacções gravitacionais com galáxias vizinhas. De facto, M63 brilha em todo o espectro electromagnético e pensa-se que tenha sido submetida a intensas rajadas de formação estelar.
 

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