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Edição n.º 1090
19/08 a 21/08/2014
 
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EFEMÉRIDES

Dia 19/08: 231.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1646 nascia John Flamsteed, astrónomo inglês, o primeiro Astrónomo Real. Catalogou mais de 3000 estrelas.
Em 1924 nascia Willard Boyle, físico canadiano, que recebeu o prémio Nobel da Física pela invenção do CCD.
Em 1960, os cães espaciais russos Belka ("Squirrel") e Strelka ("Little Arrow") começaram a orbitar a Terra a bordo do satélite Korabl-Sputnik-2.

Iam também na missão 40 ratos brancos, 2 ratazanas e diversas qualidades de plantas. No dia seguinte todos foram recuperados em perfeitas condições.
Observações: Se se encontra a latitudes médias Norte, Vega passa muito perto do zénite quando a noite torna-se completamente escura. Quando observamos Vega na sua maior aproximação do zénite, sabemos que Sagitário e o seu tesouro de objectos de céu profundo, estão o mais alto a Sul.

Dia 20/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, a NASA lança a sonda Viking 1 para Marte.
Em 1977, a NASA lança a sonda Voyager 2.

Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernovas.
Observações: Visite os objectos de céu profundo de Sagitário com a ajuda de um mapa celeste e uns bons binóculos ou telescópio.

Dia 21/08: 233.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, a NASA perdia o contacto com a sonda Mars Observer

Observações: Assim que as estrelas ficarem visíveis, o Grande Quadrado de Pégaso encontra-se baixo a Este. Está apoiado sobre um canto. Sobe com o passar de noite e flutua mais alto por volta das 2 ou 3 da manhã.

 
CURIOSIDADES


A razão porque a Via Láctea é mais visível no início das noites de Verão, está associada ao facto de nesta altura do ano estarmos voltados para o Centro da Galáxia que fica entre as constelações de Escorpião e Sagitário.

 
PULSOS DE RADIAÇÃO ILUMINAM BURACO NEGRO RARO

Astrónomos mediram com precisão - e, portanto, confirmaram a existência de - um raro buraco negro de massa intermédia com cerca de 400 vezes a massa do nosso Sol numa galáxia a 12 milhões de anos-luz da Via Láctea. A descoberta, publicada no passado dia 17 de Agosto na revista Nature, usa uma técnica nunca antes aplicada desta maneira, e abre a porta para novos estudos sobre estes objectos misteriosos.

O Universo tem tantos buracos negros que é impossível contá-los todos. Só na nossa Galáxia podem existir 100 milhões destes objectos astronómicos. Quase todos os buracos negros pertencem a uma de duas classes: grande e colossal. Os astrónomos sabem que os buracos negros que variam entre cerca de 10 vezes e 100 vezes a massa do nosso Sol são os remanescentes de estrelas moribundas, e que os buracos negros supermassivos, com mais de um milhão de vezes a massa do Sol, habitam os centros da maioria das galáxias.

Mas espalhados pelo Universo como oásis no deserto, estão alguns buracos negros aparentemente de um tipo mais misterioso. Variando desde uma centena de vezes até algumas centenas de milhares de vezes a massa do Sol, estes buracos negros de massa intermédia são tão difíceis de medir que até a sua existência é por vezes contestada. Pouco se sabe sobre como se formam. E alguns astrónomos questionam se se comportam como outros buracos negros.

Esta imagem da galáxia M82 é uma composição de dados do Observatório de Raios-X Chandra, do Telescópio Espacial Hubble e do Telescópio Espacial Spitzer. O buraco negro de massa intermédia M82 X-1 é o objecto mais brilhante na ampliação do canto superior direito, aproximadamente às 2 horas do centro da galáxia.
Crédito: NASA/H. Feng et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Agora, uma equipa de astrónomos conseguiu medir com precisão - e assim confirmar a existência de - um buraco negro com aproximadamente 400 vezes a massa do nosso Sol numa galáxia a 12 milhões de anos-luz da Terra. A descoberta, pelo estudante de astronomia Dheeraj Pasham e dois colegas, da Universidade de Maryland, EUA, foi publicada online no dia 17 de Agosto na revista Nature.

O co-autor Richard Mushotzky, professor de astronomia da mesma universidade, diz que o buraco negro em questão é uma versão ideal desta classe de objectos.

"Os objectos nesta escala são os menos esperados de todos os buracos negros," afirma Mushotzky. "Os astrónomos têm vindo a perguntar, será que estes objectos existem ou não? Quais são as suas propriedades? Até agora não tínhamos dados para responder a estas questões." Apesar do buraco negro de massa intermédia que a equipa estudou não ser o primeiro medido, é o primeiro a ser medido com precisão, realça Mushotzky, "estabelecendo-o como um exemplo interessante desta classe de buracos negros."

Um buraco negro é uma região no espaço que contém uma massa tão densa que nem mesmo a luz pode escapar à sua gravidade. Os buracos negros são invisíveis, mas os astrónomos podem encontrá-los ao acompanhar a atracção gravitacional que exercem sobre outros objectos. A matéria que é puxada na direcção do buraco negro reúne-se em seu redor como detritos de uma tempestade que giram em redor do centro de um tornado. Estes materiais cósmicos entram em contacto uns com os outros e produzem fricção e radiação, o que faz com que as regiões imediatamente próximas do buraco negro estejam entre as mais brilhantes do Universo.

Desde a década de 1970 que os astrónomos observam algumas centenas de objectos que pensam ser buracos negros de massa intermédia. Mas não conseguiam medir a sua massa, por isso não podiam ter a certeza. "Por razões que são muito difíceis de explicar, estes objectos têm resistido às técnicas de medição padrão," comenta Mushotzky.

Pasham, que completará o seu doutoramento no dia 22 de Agosto, focou-se num objecto em Messier 82, uma galáxia na constelação de Ursa Maior. M82 é a galáxia "starbust" (galáxia que atravessa um período de formação estelar excepcionalmente activo) mais próxima da Via Láctea, onde estrelas jovens estão em formação. Desde 1999 que um observatório espacial da NASA, o Observatório de Raios-X Chandra, detecta raios-X em M82 a partir de um objecto brilhante prosaicamente apelidado M82 X-1. Os astrónomos, incluindo Mushotzky e o co-autor Tod Strohmayer do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, suspeitam há já quase uma década que o objecto era um buraco negro de massa intermédia, mas as estimativas da sua massa não eram suficientemente definitivas para o confirmar.

Entre 2004 e 2010, o telescópio espacial RXTE (Rossi X-Ray Timing Explorer) da NASA observou M82 X-1 cerca de 800 vezes, registando partículas individuais de raios-X emitidas pelo objecto. Pasham mapeou a densidade e comprimento de onda dos raios-X em cada sequência, agrupou-as e analisou os resultados.

Entre o material que orbita o alegado buraco negro, avistou dois surtos repetidos de radiação. Os surtos mostravam um padrão rítmico de pulsos, um ocorrendo 5,1 vezes por segundo e outro 3,3 vezes por segundo - ou uma proporção de 3:2.

As duas oscilações foram como duas partículas de poeira presas nos sulcos de um disco de vinil a ser tocado num gira-discos, realça Mushotzky. Se as oscilações fossem batidas musicais, produziriam um ritmo sincopado específico.

Os astrónomos podem usar a oscilação de radiação 3:2 para medir a massa de um buraco negro. A técnica tem sido usada em buracos negros mais pequenos, mas nunca tinha sido aplicada para buracos negros de massa intermédia.

Pasham usou as oscilações para estimar que M82 X-1 tem 428 vezes a massa do Sol, com mais ou menos 105 massas solares. Ele não propõe uma explicação para como esta classe de buracos negros se forma. "Precisávamos primeiro de confirmar a sua existência por meio de observações," afirma. "Agora, os teóricos podem começar a trabalhar."

Embora o telescópio Rossi já não esteja operacional, a NASA planeia lançar um novo telescópio de raios-X, o NICER (Neutron Star Interior Composition Explorer), daqui a cerca de dois anos, a ser acoplado à Estação Espacial Internacional. Pasham, que começará uma posição de pesquisa de pós-doutorado no Centro Goddard da NASA no final de Agosto, identificou seis potenciais buracos negros de massa intermédia que o NICER poderá explorar.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Astronomy
SPACE.com
redOrbit
Science
PHYSORG

Buraco negro de massa intermédia:
Wikipedia

M82:
Wikipedia

Buraco negro:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

RXTE:
Página principal
NASA
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

NICER:
NASA
Wikipedia

 
EQUIPA DA STARDUST ANUNCIA DESCOBERTA DE POTENCIAIS PARTÍCULAS DE POEIRA INTERESTELAR

Entre as amostras recolhidas por cientistas que estudam a carga da sonda Stardust da NASA, desde o seu regresso à Terra em 2006, estão sete partículas microscópicas e raras de poeira interestelar que datam dos primórdios do Sistema Solar. A ser confirmado, estas partículas serão as primeiras amostras de poeira interestelar contemporânea.

Uma equipa de cientistas tem vasculhado o colector de aerogel e alumínio da sonda desde que a Stardust regressou em 2006. As sete partículas provavelmente vieram de fora do nosso Sistema Solar, talvez criadas numa explosão de supernova há milhões de anos atrás e alteradas pela exposição ao ambiente extremo do espaço.

O relatório da pesquisa aparece na edição de 15 de Agosto da revista Science. Doze outros artigos sobre as partículas serão publicados esta semana na revista Meteoritics & Planetary Science.

O maior rasto de poeira interestelar descoberto na bandeja de aerogel da Stardust é um buraco de 35 micrómetros de comprimento produzido por uma partícula de 3 picogramas que provavelmente viajava tão depressa que se vaporizou no momento do impacto. Os outros dois grãos prováveis de poeira interestelar viajavam muito mais lentamente e permaneceram intactos após um pouso suave no aerogel.
Crédito: Andrew Westphal, Universidade da Califórnia em Berkeley
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estes são os objectos mais difíceis que alguma vez teremos no laboratório para estudo, e o progresso que já fizemos na sua análise é um triunfo só por si," afirma Michael Zolensky, curador do laboratório Stardust no Centro Espacial Johnson da NASA e co-autor do artigo da Science.

A Stardust foi lançada em 1999 e regressou à Terra no dia 15 de Janeiro de 2006. O reservatório de amostras da Stardust foi transportado para o Centro Espacial Johnson onde os colectores permanecem preservados e protegidos para estudo científico.

Dentro do recipiente, uma bandeja parecida a uma raquete de ténis capturou as partículas em aerogel de sílica quando a sonda passou a 240 km de um cometa em Janeiro de 2004. Um lado oposto desta bandeja contém partículas de poeira interestelar capturadas pela sonda durante a sua viagem de sete anos e 4,8 mil milhões de quilómetros.

Os cientistas alertam que são necessários mais testes adicionais antes que possam dizer definitivamente que estas partículas são detritos do espaço interestelar. Mas se forem, as partículas podem ajudar a explicar a origem e evolução da poeira interestelar.

As partículas são muito mais diversificadas em termos de composição química e estrutura que os cientistas esperavam. As partículas mais pequenas são muito diferentes das maiores e parecem ter histórias diferentes. Muitas das partículas maiores têm sido descritas como tendo uma estrutura macia, semelhante a um floco de neve.

Duas das partículas, cada uma com apenas aproximadamente dois micrómetros (milésima de milímetro) em diâmetro, foram isoladas após o seu rasto ter sido descoberto por um grupo de cientistas-cidadãos. Estes voluntários, que se auto-intitulam "Dusters", estudaram mais de um milhão de imagens como parte de um projecto da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA, que se revelou crítico para encontrar estas "agulhas num palheiro".

O maior rasto de poeira interestelar descoberto na bandeja de aerogel da Stardust é um buraco de 35 micrómetros de comprimento produzido por uma partícula de 3 picogramas que provavelmente viajava tão depressa que se vaporizou no momento do impacto. Os outros dois grãos prováveis de poeira interestelar viajavam muito mais lentamente e permaneceram intactos após um pouso suave no aerogel.
Crédito: Andrew Westphal, Universidade da Califórnia em Berkeley
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um terceiro rasto, seguindo a direcção do vento durante o voo, foi deixado por uma partícula que aparentemente movia-se tão depressa - mais de 15 quilómetros por segundo - que vaporizou-se. Os voluntários identificaram rastos deixados por outras 29 partículas, que se determinou terem sido expulsas da sonda até aos colectores.

Quatro das partículas anunciadas na Science foram encontradas em folhas de alumínio entre os azulejos da bandeja do colector. Embora as folhas não fossem originalmente tidas em conta como superfícies de recolha de poeira, uma equipa internacional liderada pela física Rhonda Stroud do Laboratório Naval de Pesquisa do EUA pesquisou estas folhas e identificou quatro "covas" microscópicas com material composto por elementos que se encaixam no perfil de partículas de poeira interestelar.

Três destas quatro partículas, com apenas poucas décimas de micrómetro, contêm compostos de enxofre, que alguns astrónomos argumentam não ocorrer na poeira interestelar. Uma equipa de investigação preliminar planeia continuar a analisar os restantes 95% das folhas para eventualmente encontrar partículas suficientes para compreender a variedade e origens da poeira interestelar.

As supernovas, gigantes vermelhas e outras estrelas evoluídas produzem poeira interestelar e fabricam elementos pesados como o carbono, azoto e oxigénio, necessários para a vida. Duas partículas, apelidadas Orion e Hylabrook, passarão por mais testes para determinar as suas quantidades isotópicas de oxigénio, o que pode fornecer evidências ainda mais fortes da sua origem exosolar.

Cientistas do Centro Espacial Johnson já digitalizaram metade dos painéis a várias profundidades e transformaram estas digitalizações em filmes, que foram colocados online, onde os "Dusters" podem ter acesso e procurar rastos de partículas.

Assim que vários "Dusters" marquem um rasto provável, Andrew Westphal (autor principal do artigo da Science) e a sua equipa verificam as identificações. Em um milhão de "frames" já digitalizadas, cada com meio milímetro quadrado, os Dusters encontraram 69 rastos, enquanto Westphal encontrou dois. Trinta e um destes foram extraídos pelos cientistas, juntamente com o aerogel em redor, para serem analisados na Universidade da Califórnia.

Links:

Cobertura da missão Stardust pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2011/02/15 - Stardust-NExT envia imagens do cometa Tempel 1
2011/02/11 - A caminho de tempo extra - no espaço
2011/01/21 - Sonda prepara-se para encontro com cometa
2010/03/02 - Novos resultados da missão Stardust pintam imagem caótica do jovem Sistema Solar
2009/01/14 - Stardust regressa novamente a casa
2008/01/30 - Cometa Wild 2 mais parecido com asteróides
2006/01/17 - Pedaços de cometa aterram com sucesso na Terra
2006/01/24 - Cientistas abrem cápsula da Stardust

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Stardust@Home
The Planetary Society
Science
Universe Today
Astrobiology web
SPACE.com
Astronomy
NewScientist
Space Daily
RedOrbit
Scientific American
National Geographic
Discovery News
BBC News
Forbes
UPI
gizmag

Poeira interestelar:
Wikipedia

Stardust:
Página da NASA 
Wikipedia
Stardust@Home

Stardust-NExT:
Página da NASA
Universidade de Cornell

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Ausência de Raios-X em SN2014J
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA / CXC / SAO / R. Margutti et al.
 
No passado mês de Janeiro, os telescópios em observatórios por todo o planeta foram avidamente usados para observar SN2014J, uma brilhante supernova na galáxia vizinha M82. Ainda assim, as observações mais importantes podem ter sido a partir de órbita, onde o Observatório de Raios-X Chandra não viu nada. Identificada como uma supernova do Tipo Ia, pensava-se que a explosão de SN2014J tinha sido desencadeada pelo acumular de matéria numa anã branca que constantemente recebia de uma estrela companheira. Esse modelo prevê que, quando a onda de choque da supernova atinge o material em redor da anã branca, são gerados raios-X. Mas não foram observados raios-X da supernova. As ampliações em raios-X e em cores falsas, antes e depois, centradas na posição da supernova em M82, estão na maior parte vazias. A surpreendente falta de raios-X em SN2014J vai exigir com que os astrónomos explorem outros modelos para explicar o que desencadeia estas explosões cósmicas.
 

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