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Edição n.º 1129
02/01 a 05/01/2015
 
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30/01/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 02/01: 2.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1860 é anunciada a descoberta teórica do planeta Vulcan, numa reunião da Academia de Ciências em Paris.
Em 1959, é lançada a sonda soviética Luna 1, a primeira a alcançar a vizinhança da Lua e a orbitar o Sol.

Em 2004, a Stardust passa com sucesso pelo Cometa Wild 2, recolhendo amostras que são posteriormente enviadas para a Terra.
Observações: Eclipse de Io, entre as 01:37 e as 04:02.
Ocultação de Io, entre as 02:27 e as 04:49.
Esta noite a Lua brilha entre algumas das estrelas mais brilhantes e relativamente frias do céu. Procure a alaranjada Aldebarã (do tipo espectral K5 III) para a direita e um pouco para cima da Lua, a identicamente colorida Betelgeuse (tipo M2) para baixo do nosso satélite natural, e Pollux (tipo K0 III), muito mais para baixo e para a esquerda. Capella, amarelo-esbranquiçada (do tipo G5 III), brilha alta para cima e para a esquerda da Lua.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:52 e as 01:14 (já de dia 3).
Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:34 e as 01:34 (já de dia 3).
Trânsito de Io, entre as 23:39 e as 02:01 (já de dia 3).

Dia 03/01: 3.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, é usado pela primeira vez o telescópio refractor do Observatório Lick, com 91 cm em diâmetro. Era o maior telescópio do mundo na altura.
Em 1986, Stephen Synott (da equipa da Voyager 2) descobria as luas de Urano, Julieta e Pórcia.
Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e Deep Space 2.
Em 2000, "flyby" da sonda Galileu pela lua de JúpiterEuropa.

A sonda passou a uma altitude de 351 km.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:11 e as 03:11.
Urano na sua quadratura este, pelas 08:36.
Plutão em conjunção com o Sol, pelas 23:40.
Já anda a perseguir Vénus e Mercúrio? Estão separados por apenas 2,15º, durante o pôr-do-Sol e baixos a sudoeste.
Pico da chuva de meteoros das Quadrântidas.

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro, foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 20:18 e as 00:04 (já de dia 5).
A Terra encontra-se no periélio, a sua menor distância ao Sol, 147,1 milhões de quillómetros.

Dia 05/01: 5.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5.

Chega a Vénus em 16 de maio de 1969. Antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Em 2005, Éris, o maior planeta anão conhecido do Sistema Solar, é descoberto pela equipa científica de Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz, usando imagens obtidas originalmente a 21 de outubro de 2003, no Observatório Palomar.
Observações: Lua Cheia, pelas 04:53.
Observe hoje novamente os planetas Mercúrio e Vénus, baixo ao lusco-fusco a sudoeste. Consegue discernir que estão mais próximos um do outro no céu (em relação aos dias anteriores)? No dia 10, estarão separados por apenas 0,38º.

 
CURIOSIDADES


Apenas um asteróide, Vesta, que tem uma superfície relativamente refletiva, é normalmente visível a olho nu. Mas apenas sob céus escuros (sem poluição luminosa) e em posição favorável.

 
SONDA DAWN COMEÇA APROXIMAÇÃO AO PLANETA ANÃO CERES

A sonda Dawn da NASA entrou na fase de aproximação durante a qual continuará a dirigir-se para Ceres, um planeta anão nunca antes visitado por uma nave interplanetária. A Dawn foi lançada em 2007 e está programada para entrar em órbita de Ceres em março de 2015.

A Dawn emergiu recentemente de conjunção solar, quando a sonda está no lado oposto do Sol, limitando a comunicação com antenas na Terra. Agora que a Dawn pode novamente comunicar de forma confiável com a Terra, os controladores da missão programaram as manobras necessárias para a próxima fase do encontro, a que chamaram de fase de aproximação a Ceres. A Dawn está atualmente a 640.000 quilómetros de Ceres, viajando a mais ou menos 725 km/h.

A chegada da Dawn a Ceres marcará a primeira vez que uma sonda orbita dois alvos do Sistema Solar. Anteriormente, visitou o protoplaneta Vesta durante 14 meses, entre 2011 e 2012, capturando imagens detalhadas e dados sobre esse corpo.

Impressão de artista que mostra a sonda Dawn da NASA a chegar ao planeta anão Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Ceres é quase um completo mistério para nós," afirma Christopher Russell, investigador principal da missão Dawn, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA. "Ceres, ao contrário de Vesta, não tem relação com meteoritos para ajudar a revelar os seus segredos. Tudo o que podemos prever com confiança é que nos vai surpreender."

Pensa-se que os dois corpos planetários são diferentes em alguns aspetos importantes. Ceres pode ter-se formado mais tarde que Vesta e com um interior mais frio. As evidências atuais sugerem que Vesta manteve apenas uma pequena quantidade de água porque formou-se antes, quando o material radioativo era mais abundante, o que teria produzido mais calor. Ceres, em contraste, tem um espesso manto de gelo e pode até ter um oceano sob a sua crosta gelada.

Ceres, com um diâmetro médio de 950 km, é também o maior corpo na cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter. Em comparação, Vesta tem um diâmetro médio de 525 km e é o segundo maior corpo da cintura principal.

A nave espacial usa propulsão a iões para atravessar o espaço de modo muito mais eficiente do que a propulsão química. Num motor de propulsão iónica, uma carga elétrica é aplicada ao gás xénon, e grelhas de metal carregado aceleram as partículas de xénon para fora do propulsor. Estas partículas empurram o propulsor para trás quando saem, criando uma força de reação que impulsiona a nave espacial. A Dawn completou cinco anos de impulso acumulado, muito mais do que qualquer outra nave espacial.

"Orbitar Vesta e Ceres seria verdadeiramente impossível com propulsão convencional. Graças à propulsão iónica, estamos prestes a fazer história como a primeira sonda a orbitar dois mundos alienígenas inexplorados," afirma Marc Rayman, engenheiro-chefe e diretor da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Os próximos meses prometem melhorar continuamente as vistas de Ceres, antes da chegada da Dawn. No final de janeiro, as imagens e outros dados da sonda serão os melhores já obtidos do planeta anão.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Propulsão iónica e a missão Dawn (NASA/JPL via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
Spaceflight Now
redOrbit
PHYSORG
EarthSky
io9

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

Ceres:
Wikipedia

Vesta:
Voo virtual da Dawn por Vesta (YouTube)
Wikipedia

 
FRAGMENTAÇÃO DE ASTEROIDES PEQUENOS É DIFERENTE DO QUE SE PENSAVA

Conhecem-se centenas de milhares de asteroides que orbitam o nosso Sol a distâncias que variam entre perto da Terra e para lá de Saturno. A coleção mais conhecida de asteroides, a "cintura principal", contém alguns dos maiores e mais brilhantes e encontra-se entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Os astrónomos pensam que os asteroides, tal como os planetas, formaram-se no início do Sistema Solar a partir da aglomeração gradual de partículas mais pequenas mas que, no caso dos asteroides, o seu crescimento foi interrompido por colisões mútuas que os fragmentou em vez de se juntarem em planetas. Esta é uma hipótese que os astrónomos estão a tentar testar através da recolha de novos dados. O seu trabalho tem algumas repercussões imediatas: a NASA está atualmente a planear uma missão de redireccionamento de um asteroide como parte do próximo empreendimento espacial humano da agência. Compreender as origens dos tamanhos dos asteroides - e identificar um ideal para recolha - são metas cruciais da NASA.

Esta imagem, capturada pela missão NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous) da NASA em 2000, mostra o asteroide Eros, que tem uma órbita que o aproxima relativamente perto da Terra. Um novo artigo científico argumenta que a maior causa da fragmentação de asteroides pequenos, com aproximadamente 100 metros de diâmetro, não são as colisões com outros asteroides, mas a rápida rotação induzida por radiação.
Crédito: NASA/JHUAPL
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A taxa de descoberta de asteroides e cometas tem aumentado nos últimos anos graças às novas tecnologias dos detetores. O Sistema Solar é hoje visto como um local muito ativo e repleto de pequenos corpos em evolução (incluindo asteroides) cujas órbitas e tamanhos são moldados pelas interações gravitacionais com os planetas gigantes, mas também por outras forças como colisões e efeitos de radiação. Os efeitos de radiação incluem a evaporação de água gelada ou outros elementos voláteis, expansão térmica diferencial e pressão de radiação - e são críticos para abordar a questão dos tamanhos dos asteroides. Tendo em conta que os asteroides têm formas irregulares, a pressão da luz solar também pode afetar a sua própria radiação para o exterior (dirigida de forma desigual) e fazer com que girem. Quando a rotação é rápida o suficiente, podem quebrar-se.

A "rutura catastrófica" é definida como a quebra de um asteroide em fragmentos menores, cada com metade da massa original. Tradicionalmente, pensava-se que os asteroides pequenos eram criados por colisões entre um corpo principal e um projétil mais pequeno, mas estes eventos parecem ser muito raros, tanto a partir de observações como de modelos novos. Foi recentemente dada uma atenção renovada aos mecanismos de quebra não-colisionais, como os efeitos de radiação, especialmente para asteroides com tamanhos inferiores a algumas centenas de metros.

Tim Spahr, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, e colegas, concluíram um novo conjunto de cálculos para ruturas catastróficas de asteroides na cintura principal, com base nos resultados de novos estudos de asteroides ténues (isto é, provavelmente pequenos). Descobriram que para asteroides com aproximadamente cem metros em diâmetro, as colisões não são a principal causa das fragmentações - mas sim uma rotação rápida. E mais: dado que a taxa de colisões depende dos números e tamanhos dos objetos, mas a rotação não, os seus resultados estão em forte discordância com os modelos anteriores de asteroides pequenos criados por colisões.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Astrofísico Smithsonian (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Icarus
Universe Today
PHYSORG

Asteroides:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cometa Lovejoy e Enxame Globular
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dieter Willasch (Astro-Cabinet)
 
O Cometa Lovejoy tornou-se visível a olho nu. Para o observar, saia para a rua mais ou menos uma hora depois do pôr-do-Sol e procure uma pequena mancha para a direita da Cintura de Orionte (separação de 17º, aproximadamente). Binóculos e um mapa estelar ajudam. Esta imagem do Cometa C/2014 Q2 (Lovejoy) foi capturada há cinco dias enquanto este passava perto de M79, o enxame globular visível como uma mancha redonda e brilhante ligeiramente para cima e para a esquerda da cabeleira esverdeada do cometa. O núcleo do Cometa Lovejoy é um iceberg gigante e sujo que verte gás numa longa e intricada cauda iónica à medida que se aproxima do Sol, cauda esta que se prolonga pela imagem. Espera-se que o cometa fique mais fácil de detectar durante o mês de janeiro para observadores do hemisfério norte, pois vai nascendo cada vez mais cedo e, quiçá, ficará mais brilhante.
 

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