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Edição n.º 1168
19/05 a 21/05/2015
 
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22/05/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/05: 139.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, a Venera 1 torna-se o primeiro objeto feito por humanos a passar por outro planeta, Vénus.

A sonda tinha perdido o contacto com a Terra um mês antes e não enviou nenhuns dados de volta.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (União Soviética). A 27 de novembro do mesmo ano, alcança Marte e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um "lander", mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 19:18 e as 22:17.
Quando Saturno ficar visível, examine a pequena estrela cerca 2º para baixo. Essa estrela é Beta Scorpii, uma bonita estrela dupla. E a menos de 1º para baixo de Beta Scorpii está Omega 1 e Omega 2 Scorpii, quase na vertical. Binóculos mostram uma ligeira diferença de cor. 1,4º para a esquerda e um pouco para baixo de Beta, está Nu Scorpii, outro bonito sistema binário. Uma ampliação alta e boas condições de observação revelam que o componente mais brilhante de Nu Scorpii é também um outro binário, com uma separação de 2 segundos de arco.

Dia 20/05: 140.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1498, Vasco da Gama chegava a Calicut (India) numa viagem de exploração equivalente na época às modernas odisseias espaciais.

Em 1964, descoberta da radiação cósmica de fundo em microondas, por Robert Woodrow Wilson e Arno Penzias.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 16:55 e as 20:41.
A fina Lua Crescente brilha ao lusco-fusco para baixo de Vénus, aos pés de Gémeos e em frente da "moca" de Orionte.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 21:53 e as 01:41 (já de dia 21).
Trânsito de Calisto, entre as 22:33 e as 03:32 (já de dia 21).

Dia 21/05: 141.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2010, a JAXA lança a sonda IKAROS de velas solares a bordo de um foguetão H-IIA.

A nave passaria por Vénus no final do ano.
Observações: A cair da noite, a Lua brilha entre Vénus e Procyon. E Vénus forma a parte de baixo de um "V" alto com Pollux e Castor.
Eclipse de Io, entre as 22:25 e as 00:47 (já de dia 22).

 
CURIOSIDADES


As estrelas anãs vermelhas e anãs castanhas têm tempos de vida maiores que a idade atual do Universo.

 
HUBBLE TRAÇA A MIGRAÇÃO DE ANÃS BRANCAS NO ENXAME 47 TUCANAE

Astrónomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA recolheram, pela primeira vez, um censo de jovens anãs brancas que começam a sua migração a partir do centro lotado de um antigo enxame estelar para a periferia mais despovoada. Os novos resultados desafiam as nossas ideias sobre como e quando uma estrela perde massa perto do fim da sua vida.

As anãs brancas são as relíquias queimadas de estrelas antigas que rapidamente desligaram os seus fornos nucleares, arrefecendo e perdendo massa no final das suas vidas ativas. À medida que estes cadáveres estelares perdem massa, são expulsos do centro denso do enxame globular e migram para órbitas mais largas. Embora os astrónomos conheçam este processo, nunca o tinham visto em ação, até agora.

Os astrónomos usaram o Hubble para traçar esta jornada estelar estudando 3000 anãs brancas no enxame globular 47 Tucanae (NGC 104), um enxame denso com centenas de milhares de estrelas pertencente à Via Láctea.

Esta imagem obtida pelo Hubble mostra o enxame globular conhecido como NGC 104 - ou, mais popularmente, 47 Tucanae (pois faz parte da constelação de Tucano no hemisfério sul). Depois de Omega Centauri, é o enxame globular mais brilhante do céu noturno, contendo dezenas de milhares de estrelas. Cientistas usaram o Hubble para observar anãs brancas no enxame. Estas estrelas moribundas migram do centro lotado para a periferia mais despovoada. Embora os astrónomos já conhecessem este processo, nunca o tinha visto em ação, até ao estudo detalhado de 47 Tucanae.
Crédito: NASA, ESA e Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA) - ESA/Colaboração Hubble; Reconhecimento: J. Mack (STScI) e G. Piotto (Universidade de Pádua, Itália)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós já tínhamos visto este quadro final: anãs brancas que migraram e estabeleceram-se em órbitas mais distantes, fora do núcleo, determinadas pela sua massa," explicou Jeremy Heyl da Universidade de Columbia Britânica, no Canadá, autor principal do artigo científico. "Mas neste estudo, que compreende cerca de um-quarto de todas as anãs brancas jovens no enxame, estamos na verdade a apanhar estrelas no processo de migração e distribuição tendo em conta a sua massa."

Usando as capacidades ultravioletas da câmara WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble, os astrónomos rastrearam populações de anãs brancas de várias idades. Usando as cores das estrelas, os astrónomos podem também estimar a idade de cada estrela. Um grupo de estrelas com seis milhões de anos acaba de começar a sua viagem do centro do enxame. Outra população tem mais ou menos 100 milhões de anos e já chegou à sua nova posição, a cerca de 1,5 anos-luz do ponto de partida, longe do centro do enxame.

Esta imagem do Hubble mostra a região central do enxame globular NGC 104 (também conhecido como 47 Tucanae).
Crédito: NASA, ESA e Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA) - ESA/Colaboração Hubble; Reconhecimento: J. Mack (STScI) e G. Piotto (Universidade de Pádua, Itália)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Antes de se tornarem anãs brancas, as estrelas em migração estavam entre as mais maciças do enxame, com mais ou menos a massa do Sol," explica a coautora Elisa Antolini da Università degli Studi di Perugia, Itália. "Nós sabíamos que à medida que perdem massa veríamos uma migração para a periferia; isto não foi uma surpresa. Mas, o que nos surpreendeu foi que as anãs brancas mais jovens estavam apenas a começar a sua viagem. Isto pode ser evidência de que as estrelas perdem grande parte da sua massa mais tarde do que pensávamos, o que é um achado emocionante."

Cerca de 100 milhões de anos antes das estrelas evoluírem para anãs brancas, incham e tornam-se estrelas gigantes vermelhas. Muitos astrónomos pensavam que estas estrelas perdiam a maioria da sua massa durante esta fase. No entanto, se fosse este o caso, as estrelas já teriam sido expulsas do centro do aglomerado durante a fase de gigante vermelha.

Esta imagem do Hubble mostra a região central do enxame globular NGC 104 (também conhecido como 47 Tucanae). Usando as capacidades ultravioletas da câmara WFC3 do Hubble, os astrónomos rastrearam populações de anãs brancas com várias idades e posições. Isto tornou possível, pela primeira vez, recolher um censo de anãs brancas jovens que começam a sua migração do centro lotado para a periferia mais despovoada de um antigo enxame estelar.
Crédito: NASA, ESA e H. Richer e J. Heyl (Universidade de Columbia Britânica, Vancouver)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As nossas observações com o Hubble descobriram anãs brancas que estão apenas no início da sua migração para órbitas mais largas," explica o membro da equipa, Harvey Richer, também da Universidade da Columbia Britânica, Canadá. "Isto revela que a migração das estrelas desde o centro - despoletada pela perda de massa - começa mais tarde na vida da estrela do que se pensava. Estas anãs brancas estão perdendo uma grande quantidade de massa mesmo antes de se tornarem anãs brancas e não durante a fase de gigante vermelha."

Os novos resultados sugerem que as estrelas na realidade perdem 40 a 50 por cento da sua massa apenas 10 milhões de anos antes de se tornarem totalmente anãs brancas.

Os estudos sobre a segregação de massa nas anãs brancas vão continuar, e o enxame 47 Tucanae é um local ideal para os realizar devido à proximidade com o Sol e ao número significativo de estrelas no núcleo do enxame que podem resolvidas com a visão nítida do Hubble.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
Astronomy Now
PHYSORG
SPACE.com

Anãs brancas:
Wikipedia

47 Tucanae:
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Site dos 25 anos do Hubble 
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
MAGNETAR PERTO DE BURACO NEGRO SUPERMASSIVO PROPORCIONA SURPRESAS

Em 2013, usando um conjunto de telescópios espaciais que incluía o Observatório de Raios-X Chandra da NASA, astrónomos anunciaram que tinham descoberto um magnetar excecionalmente perto do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.

Os magnetares são estrelas densas e colapsadas (chamadas "estrelas de neutrões") que possuem campo magnéticos extremamente poderosos. A uma distância que poderá ser tão pequena quanto 0,3 anos-luz do buraco negro com 4 milhões de vezes a massa do Sol no centro da nossa Galáxia, o magnetar é de longe a estrela de neutrões mais próxima de um buraco negro supermassivo já descoberta e é provável que esteja a ser atraída gravitacionalmente.

Região em redor do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia. A inserção mostra duas imagens do magnetar, a primeira em 2008, quando estava calmo, a segunda em 2013, quando ficou bastante mais brilhante, o que levou à sua descoberta.
Crédito: NASA/CXC/INAF/F. Coti Zelati et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde a sua descoberta há dois anos, quando libertou uma explosão de raios-X, que os astrónomos têm vindo a acompanhar ativamente o magnetar, apelidado SGR 1745-2900, com o Chandra e com o XMM-Newton da ESA. A imagem principal mostra a região em redor do buraco negro da Via Láctea em raios-X pelo Chandra (os tons de vermelho, verde e azul são raios-X de baixa energia, de energia média e altamente energéticos, respetivamente). A inserção contém ampliações do Chandra na área mesmo à volta do buraco negro, mostrando uma imagem combinada obtida entre 2005 e 2008 (esquerda) quando o magnetar ainda não tinha sido detetado, durante um período calmo, e uma observação em 2013 (direita) quando foi "apanhado" numa altura mais frenética em que expelia raios-X, explosão esta que levou à sua descoberta.

Um novo estudo utiliza observações de acompanhamento de longo prazo para revelar que os raios-X de SGR 1745-2900 caiem mais lentamente do que os de outros magnetares observados anteriormente, e que a sua superfície é mais quente do que o esperado.

A equipa considerou ao início se os "sismos estelares" seriam capazes de explicar este comportamento invulgar. Quando as estrelas de neutrões, que incluem os magnetares, se formam, podem desenvolver uma crosta dura na parte externa da estrela condensada. Ocasionalmente, esta concha exterior pode rachar-se, semelhante à forma como a superfície da Terra pode fraturar-se durante um terremoto. Embora os sismos estelares possam explicar a alteração no brilho e o arrefecimento visto em muitos magnetares, os autores descobriram que este mecanismo, por si só, não é capaz de explicar a queda lenta no brilho dos raios-X e a alta temperatura crustal. O desvanecimento dos raios-X e o arrefecimento à superfície ocorrem demasiado depressa no modelo dos sismos estelares.

Os cientistas sugerem que o bombardeamento da superfície do magnetar por partículas carregadas capturadas em feixes enrolados dos campos magnéticos acima da superfície podem fornecer o aquecimento adicional da superfície do magnetar, e explicar o declínio lento dos raios-X. Estes feixes torcidos dos campos magnéticos podem ser gerados quando as estrelas de neutrões se formam.

Os investigadores não acham que o comportamento invulgar do magnetar é provocado pela sua proximidade ao buraco negro supermassivo, pois a distância ainda é grande demais para a existência de interações fortes através dos campos magnéticos ou da gravidade.

Os astrónomos vão continuar a estudar SGR 1745-2900 para recolher mais pistas sobre o que está a acontecer com este magnetar enquanto orbita o buraco negro supermassivo da nossa Galáxia.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Forbes

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Estrela de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Kepler observa Neptuno a dançar com as suas luas (via NASA)
O observatório Kepler é conhecido por caçar planetas em torno de outras estrelas, mas também está a estudar objetos do Sistema Solar. Na sua nova missão K2, Neptuno e duas das suas luas, Tritão e Nereida, foram fotografados. A animação mostra 70 dias de observação ininterrupta, um dos estudos mais longos e continuados de um objeto do Sistema Solar exterior. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 2440: Pérola de uma Anã Branca
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: H. Bond (STScI), R. Ciardullo (PSU), WFPC2HSTNASA; Processamento:  Forrest Hamilton
 
Esta concha de gás e poeira, a nebulosa planetária NGC 2440, contém uma das anãs brancas mais quentes que se conhece. O brilho estelar desta peróla pode ser visto como o ponto perto do centro da imagem. NGC 2440 abrange cerca de um ano-luz. O centro do nosso Sol tornar-se-á eventualmente uma anã branca, mas só daqui a aproximadamente 5 mil milhões de anos. A imagem a cores falsas foi capturada pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995. NGC 2440 fica a cerca de 4000 anos-luz de distância na direção da constelação de Popa.
 

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