Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1340
10/01 a 12/01/2017
 
Siga-nos:      
 

27/01/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1936 nascia Robert Woodrow Wilson, astrónomo americano laureado com o prémio Nobel da Física em 1978. Juntamente com Arno Allan Penzias, descobriu em 1964 a radiação cósmica de fundo em microondas.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5.

Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado em cada uma das missões Apollo. 
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de maio de 1969. Enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão do planeta.
Observações: Trânsito de Io, entre as 00:32 e as 02:44.
Úrano na sua quadratura este, pelas 16:08.
A Lua, quase Cheia, brilha na ténue "moca" de Orionte - Betelgeuse está para a sua direita e um pouco para baixo ao início da noite. Alhena, de Gémeos, está mais perto mas no lado oposto, com Elnath, de Touro, por cima.

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Úrano.

Em 1996, missão STS-72 do vaivém Endeavour, no seu 10.º voo.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 03:35 e as 06:14.
Vénus na sua maior elongação este, pelas 14:36.

Dia 12/01: 12.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1820 é fundada a "British Royal Astronomical Society".
Em 1986, lançamento da STS-61-C, do vaivém Columbia. Foi a última missão antes do desastre do vaivém Challenger.
Em 2005 é lançada a partir de Cabo Canaveral a sonda Deep Impact.
Em 2007, o cometa C/2006 P1 (McNaught) alcança o periélio e torna-se no cometa mais brilhante dos últimos 40 anos.

Observações: Júpiter na sua quadratura oeste, pelas 04:25.
Lua Cheia, pelas 11:34. À noite, já passou pela constelação de Gémeos, Castor e Pollux para cima e para a sua esquerda e Procyon para a sua direita.

 
CURIOSIDADES


O binário de contacto KIC 9832227 tem uma periodicidade de aproximadamente 11 horas e encontra-se a 1800 anos-luz de distância.

 
ASTRÓNOMOS PREVEEM UMA EXPLOSÃO QUE IRÁ MUDAR O CÉU NOTURNO

O professor Larry Molnar, de Calvin College, e seus alunos, juntamente com colegas do Observatório Apache Point (Karen Kinemuchi) e da Universidade de Wyoming (Henry Kobulnicky), estão a prever uma mudança no céu noturno que será visível a olho nu. Na passada sexta-feira foi realizada uma conferência de imprensa onde Molnar partilhou como uma previsão que ele fez em 2015, da fusão de uma estrela binária no futuro próximo, está a progredir da teoria à realidade.

"A probabilidade de conseguirmos prever uma explosão é de uma num milhão," comenta Molnar acerca do seu prognóstico audacioso. "Nunca foi feito antes."

A previsão de Molnar é a de que uma estrela binária (duas estrelas que se orbitam uma à outra), que está a acompanhar, vai fundir-se e explodir em 2022, mais ano menos ano; nessa altura a estrela aumentará dez mil vezes de brilho, tornando-se por algum tempo uma das estrelas mais brilhantes do céu. A estrela será visível como parte da constelação de Cisne, e acrescentará uma estrela ao padrão estelar reconhecível do Cruzeiro do Norte.

Este gráfico mostra a forma do sistema binário de contacto KIC 9832227, à medida que a estrela mais pequena eclipsa parcialmente a maior. Para efeitos de escala, a estrela maior tem um raio 40% maior que o do Sol. O plano orbital está inclinado 53º em relação ao nosso ponto de vista.
Crédito: Larry Molnar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma pergunta leva à exploração

A exploração da estrela conhecida como KIC 9832227, por Molnar, começou em 2013. Ele participava numa conferência de astronomia quando a sua colega e astrónoma Karen Kinemuchi apresentou o seu estudo das mudanças de brilho da estrela, que concluiu com uma questão: é pulsante ou é um binário?

Também presente na conferência, estava o então estudante de Calvin College Daniel Van Noord, assistente de pesquisa de Molnar. Ele tomou a questão como um desafio pessoal e fez algumas observações da estrela com o Observatório Calvin.

"Ele observou como a cor da estrela se correlacionava com o brilho e determinou que era definitivamente um sistema duplo," salienta Molnar. "De facto, ele descobriu que era um binário de contacto, no qual das duas estrelas partilham uma atmosfera comum, como dois amendoins que partilham uma única casca.

"A partir daí, Dan determinou um período orbital preciso a partir dos dados de Kinemuchi e do satélite Kepler (pouco menos de 11 horas) e ficou surpreso ao descobrir que o período era ligeiramente inferior ao mostrado por dados anteriores," continua Molnar.

Este resultado trouxe à mente o trabalho publicado pelo astrónomo Romuald Tylenda, que estudou os arquivos observacionais para ver como outra estrela (V1309 Scorpii) se comportou antes de explodir inesperadamente em 2008 e produzir uma nova vermelha (um tipo de explosão estelar apenas recentemente reconhecida como distinta de outros géneros). O registo de pré-explosão mostrou um binário de contacto com um período orbital decrescente e a um ritmo cada vez maior. Para Molnar, este padrão de alteração orbital foi uma "pedra de Rosetta" para interpretar os novos dados.

Este gráfico mostra a forma do sistema binário de contacto KIC 9832227, quando as estrelas são vistas de lado. Para efeitos de escala, a estrela maior tem um raio 40% maior que o do Sol. O plano orbital está inclinado 53º em relação ao nosso ponto de vista.
Crédito: Larry Molnar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Fazendo uma previsão ousada

Ao observar a continuação da mudança de período em 2013 e 2014, Molnar apresentou efemérides orbitais ao longo de um espaço de tempo de 15 anos na reunião de janeiro de 2015 da Sociedade Astronómica Americana, fazendo a previsão de que KIC 9832227 poderia estar a seguir as pegadas de V1309 Scorpii. No entanto, antes de levar a hipótese demasiado a sério, seria necessário excluir outras interpretações mais mundanas da mudança de período.

Nos dois anos que se seguiram a essa reunião, Molnar e a sua equipa realizaram dois fortes testes observacionais das interpretações alternativas. Primeiro, as observações espectroscópicas descartaram a presença de uma terceira estrela companheira com um período orbital. Em segundo lugar, a velocidade de diminuição do período orbital, ao longo destes dois últimos anos, seguiu a previsão feita em 2015 e agora excede aquela observada noutros binários de contacto.

Este mapa mostra as constelações de Cisne e Lira, o ponto cardeal Norte é para cima. O asterismo do Cruzeiro do Norte está marcado com as linhas azuis. A posição de KIC 9832227 está marcada com o círculo vermelho. Está em linha com as três estrelas da barra central e, caso atinja magnitude 2 durante a explosão, será tão brilhante quanto elas.
Crédito: Larry Molnar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Passando da teoria à realidade

"Resumindo: nós pensamos que a nossa hipótese de fusão estelar deve ser levada a sério agora e nós deveríamos usar os próximos anos para a estudar intensamente, para que se explodir, sabermos exatamente o que levou a essa explosão," afirma Molnar.

Para esse fim, Molnar e colegas vão observar KIC 9832227 no próximo ano em toda a gama de comprimentos de onda: usando o VLA (Very Large Array), o IRTF (Infrared Telescope Facility) e o XMM-Newton para estudar a emissão da estrela dupla no rádio, no infravermelho e em raios-X, respetivamente.

"Caso a previsão de Larry esteja correta, o seu projeto demonstrará, pela primeira vez, que os astrónomos podem capturar a morte de certas estrelas binárias e que podem acompanhar os últimos anos de uma 'espiral da morte' estelar até ao ponto da explosão dramática e final," comenta Matt Walhout, decano para pesquisa e bolsas de Calvin College.

V838 Monocerotis, uma estrela "sem graça" que em janeiro de 2002 tornou-se subitamente 600.000 vezes mais luminosa do que o nosso Sol, tornando-se temporariamente na estrela mais brilhante da nossa Via Láctea. É, possivelmente, uma nova vermelha.
Crédito: NASA, ESA e H.E. Bond (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Assistindo com admiração

"O projeto é importante não só por causa dos resultados científicos, mas também porque é provável que capture a imaginação das pessoas," realça Walhout. "Se a previsão estiver certa, então pela primeira vez na história, os pais vão poder apontar para uma zona escura no céu e dizer, 'Olhem, filhos, está ali uma estrela escondida, mas em breve vai brilhar."

Molnar diz que este é o começo de uma história que se desenrolará ao longo dos próximos anos e que as pessoas de todos os níveis podem participar.

"O tempo orbital pode ser verificado por astrónomos amadores," salienta Molnar. "É incrível o equipamento que os astrónomos amadores possuem hoje em dia. Podem medir variações de brilho ao longo do tempo para esta estrela de magnitude 12, à medida que eclipsa, e ver por si mesmos se continua como previsto ou não."

Links:

Notícias relacionadas:
Calvin College (comunicado de imprensa)
Iteração anterior desta história - Calvin College
Artigo científico (PDF)
Trailer de um documentário, em produção, sobre este provável evento (Sam Smartt via YouTube)
Science
Astronomy
Sky & Telescope
Universe Today
PHYSORG
EarthSky
National Geographic
Popular Mechanics
ars technica
engadget

KIC 9832227:
Wikipedia
SIMBAD

Binário de contacto:
Wikipedia

Nova vermelha:
Wikipedia

 
CIENTISTAS APROXIMAM-SE DA VERDADEIRA MASSA DA VIA LÁCTEA, CALCULANDO O QUE SABEM, O QUE SABEM PARCIALMENTE E O QUE AINDA ESTÁ INCERTO

É um problema de complexidade galáctica, mas investigadores estão mais perto de medir, com precisão, a massa da Via Láctea.

Na última de uma série de artigos que poderão ter implicações mais amplas para o campo da astronomia, a astrofísica Gwendolyn Eadie, da Universidade de McMaster, trabalhando com o seu supervisor de doutoramento William Harris e com um estatístico da Queen's University, Aaron Springford, refinou o próprio método de Eadie e Harris para medir a massa da Galáxia que abriga o nosso Sistema Solar.

A resposta curta, usando o método refinado, é entre 4,0x10^11 e 5,8x10^11 massas solares. Em termos mais simples, é a massa do nosso Sol multiplicada por 400 a 580 mil milhões. O Sol, para que conste, tem uma massa de 2x10^30 kg, ou 330.000 vezes a massa da Terra. Esta estimativa da massa Galáctica inclui matéria até 125 kiloparsecs do centro da Via Láctea (125 kiloparsecs equivalem a quase 4x10^18 quilómetros). Quando a estimativa da massa é alargada até 300 kpc, a massa é de aproximadamente 9x10^11 massas solares.

Impressão de artista que mostra a estrutura da Via Láctea, incluindo a localização dos braços espirais e outros componentes como o bojo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESO/R. Hurt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A medição da nossa Galáxia hospedeira, ou de qualquer galáxia, é particularmente difícil. Uma galáxia não inclui só estrelas, planetas, luas, gases, poeiras e outros objetos e materiais, mas também uma grande quantidade de matéria escura, uma forma misteriosa e invisível de matéria que ainda não é bem compreendida e que não foi detetada diretamente em laboratório. No entanto, os astrónomos e cosmólogos podem inferir a presença da matéria escura através da sua influência gravitacional sobre objetos visíveis.

Eadie, candidata a doutoramento em Física e Astronomia da Universidade de McMaster, tem vindo a estudar a massa da Via Láctea e o seu componente de matéria escura desde que começou o seu percurso universitário. Ela usa as velocidades e posições de enxames globulares que orbitam a Via Láctea. As órbitas dos enxames globulares são determinadas pela gravidade da Galáxia, que é ditada pelo seu componente massivo de matéria escura.

Anteriormente, Eadie tinha desenvolvido uma técnica para usar as velocidades dos enxames globulares, mesmo quando os dados estavam incompletos.

A velocidade total de um enxame globular deve ser medida em duas direções: uma ao longo da nossa linha de visão e uma através do céu, chamado movimento próprio. Os investigadores ainda não mediram os movimentos próprios de todos os enxames globulares em redor da Via Láctea. Eadie, no entanto, desenvolveu previamente uma maneira de usar essas velocidades que são apenas parcialmente conhecidas, além das velocidades que são plenamente conhecidas, para estimar a massa da Galáxia.

Esta impressão de artista mostra o aspeto da Via Láctea, vista quase de lado e a partir de uma perspetiva muito diferente daquela a que estamos habituados a ver cá na Terra. O bojo central aparece como uma bola brilhante com a forma um amendoim e os braços espirais e suas nuvens de poeira associadas formam uma banda estreita.
Crédito: ESO/NASA/JPL-Caltech/M. Kornmesser/R. Hurt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Agora, Eadie usou um método estatístico chamado análise hierárquica bayesiana que inclui não apenas dados completos e incompletos, mas também incorpora incertezas de medição numa fórmula estatística extremamente complexa mas mais completa. Para fazer o cálculo mais recente, os autores tiveram em conta o facto de que os dados são meramente medições das posições e velocidades dos enxames globulares e não necessariamente os valores verdadeiros. Eles tratam agora as posições e velocidades verdadeiras como parâmetros no modelo (o que significa acrescentar 572 novos parâmetros ao método existente).

Os métodos estatísticos bayesianos não são novos, mas a sua aplicação à astronomia ainda está nos seus estágios iniciais, e Eadie acredita que a sua capacidade para acomodar a incerteza, enquanto ainda produzindo resultados significativos, abre muitas novas oportunidades no campo científico.

"À medida que a era dos Grandes Dados se aproxima, acho que é importante pensarmos cuidadosamente sobre os métodos estatísticos que usamos na análise de dados, especialmente em astronomia, onde os dados podem estar incompletos e ter vários graus de incerteza," comenta.

Eadie explicou que as hierarquias bayesianas têm sido úteis noutros campos, mas que estão apenas começando a ser aplicadas na astronomia.

A pesquisa foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e Eadie apresentou os seus resultados no passado dia 7 de janeiro na 229.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Grapevine, no estado norte-americano do Texas.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de McMaster (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Space Daily
spaceref
PHYSORG

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Matéria escura:
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Modelos hierárquicos bayesianos:
Wikipedia

 
O BURACO NEGRO DA VIA LÁCTEA ESTÁ A "CUSPIR" BOLAS DE TAMANHO PLANETÁRIO
Esta impressão de artista retrata uma coleção de objetos de massa planetária "cuspidos" do Centro Galáctico a velocidades na ordem dos 10.000 km/s. Estas bolas cósmicas formaram-se a partir de fragmentos de uma estrela que foi destruída pelo buraco negro supermassivo da Galáxia.
Crédito: Mark A. Garlick/CfA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A cada poucos milhares de anos, uma estrela azarada vagueia demasiado perto do buraco negro no centro da Via Láctea. A poderosa gravidade do buraco negro rasga a estrela, chicoteando uma longa corrente de gás para fora. Isto podia ser o fim da história, mas não é. Uma nova investigação mostra que não só o gás se pode reunir em objetos de tamanho planetário, como esses objetos são então lançados por toda a Galáxia num jogo cósmico de arremesso.

"Uma única estrela despedaçada pode formar centenas destes objetos de massa planetária. Nós perguntámo-nos: para onde é que vão? Quão perto chegam eles de nós? Desenvolvemos um software para responder a estas questões," afirma Eden Girma, autora principal do estudo, estudante da Universidade de Harvard e membro do Instituto Banneker/Aztlan.

Girma vai apresentar os seus achados amanhã numa sessão de cartaz e na sexta numa conferência de imprensa durante uma reunião da Sociedade Astronómica Americana.

Os cálculos de Girma mostram que o mais próximo destes objetos de massa planetária poderá estar até algumas centenas de anos-luz da Terra. Teria uma massa algures entre Neptuno e vários planetas Júpiter. Brilharia também do calor da sua formação, apesar de não ser brilhante o suficiente para ser detetado por levantamentos anteriores. Os instrumentos futuros, como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) e o Telescópio Espacial James Webb, poderão ser capazes de avistar estes distantes e estranhos objetos.

Ela também descobriu que a grande maioria dos objetos de massa planetária - 95% - deixará a Galáxia inteiramente devido às suas velocidades de aproximadamente 10.000 km/s. Dado que a maioria das outras galáxias também têm buracos negros gigantes nos seus núcleos, é provável que o mesmo processo ocorra também nelas.

"Outras galáxias como Andrómeda estão a 'cuspir' estes objetos constantemente na nossa direção," comenta o coautor James Guillochon do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Embora possam ser de tamanho planetário, estes objetos seriam muito diferentes de um planeta normal. São literalmente feitos de material estelar e, dado que podem desenvolver-se a partir de partes diferentes da antiga estrela, as suas composições podem variar.

Também se formam muito mais rapidamente do que um planeta normal. É preciso apenas um dia para o buraco negro destruir a estrela (num processo conhecido como ruptura de marés), e apenas cerca de um ano para os fragmentos resultantes se aglomerarem novamente. Isto contrasta com os milhões de anos necessários para formar, a partir do zero, um planeta como Júpiter.

Uma vez lançado, um destes objetos levaria cerca de um milhão de anos até chegar à vizinhança da Terra. O desafio será diferenciá-los dos planetas flutuantes que são criados durante o processo mais mundano de formação estelar e planetária.

"Apenas um entre mil planetas flutuantes será um destes 'bichinhos' de segunda geração," conclui Girma.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
PHYSORG
The Daily Galaxy
National Geographic
Forbes

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

 
HUBBLE DETETA "EXOCOMETAS" A MERGULHAR NUMA ESTRELA JOVEM

Previsão meteorológica interestelar para uma estrela próxima: chuva de cometas! O Telescópio Espacial Hubble da NASA descobriu cometas que mergulham na estrela HD 172555, que tem apenas 23 milhões de anos e reside a 95 anos-luz da Terra.

Os exocometas - cometas fora do nosso Sistema Solar - não foram observados diretamente em redor da estrela, mas a sua presença foi inferida pela deteção de gás que é provavelmente o remanescente vaporizado dos seus núcleos gelados.

Esta ilustração mostra vários cometas a viajar por um vasto disco protoplanetário de gás e poeira e a seguir em direção à jovem estrela central. Estes cometas "kamikaze" vão, eventualmente, mergulhar na estrela e vaporizar-se. Os cometas são demasiado pequenos para serem fotografados, mas as suas "impressões digitais" espectrais e gasosas na luz da estrela foram detetadas pelo Telescópio Espacial Hubble. A influência gravitacional de um suspeito planeta com o tamanho de Júpiter, no plano da frente, poderá ter catapultado os cometas para a estrela. Esta estrela, de nome HD 172555, representa o terceiro sistema extrassolar onde os astrónomos já detetaram cometas "condenados" e instáveis. A estrela encontra-se a 95 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA, ESA, A. Feild e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

HD 172555 representa o terceiro sistema extrassolar onde os astrónomos detetaram cometas "condenados" e instáveis. Todos estes sistemas são jovens, com menos de 40 milhões de anos.

A presença destes cometas condenados à morte fornece evidências circunstanciais da "agitação gravitacional" por um planeta do tamanho de Júpiter, ainda não visto, onde os cometas são desviados pela sua gravidade e catapultados para a estrela. Estes eventos também fornecem novas informações sobre a atividade passada e presente dos cometas no nosso Sistema Solar. É um mecanismo onde cometas em "queda" podem ter transportado água até à Terra e a outros planetas interiores do nosso Sistema Solar.

Os astrónomos encontraram mergulhos semelhantes no nosso próprio Sistema Solar. Os cometas que "raspam" o Sol caem rotineiramente na nossa estrela. "A observação destes cometas suicidas no nosso Sistema Solar e em três sistemas extrassolares significa que esta atividade poderá ser comum em sistemas estelares jovens," afirma a líder do estudo Carol Grady da organização Eureka Scientific, em Oakland, no estado norte-americano da Califórnia, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Esta atividade, no seu pico, representa a adolescência ativa de uma estrela. A observação destes eventos dá-nos uma visão do que provavelmente ocorreu nos primeiros dias do nosso Sistema Solar, quando os cometas atacavam os corpos do Sistema Solar interior, incluindo a Terra. De facto, esses cometas que passam perto da estrela poderão até tornar a vida possível, porque transportam água e outros elementos necessários à vida, como carbono, para planetas terrestres."

Grady apresentou os resultados da sua equipa no dia 6 de janeiro na reunião de inverno da Sociedade Astronómica Americana em Grapevine, Texas, EUA.

A estrela faz parte do Grupo Móvel de Beta Pictoris, uma coleção de estrelas nascidas do mesmo berçário estelar. É o segundo membro do grupo que se sabe abrigar tais cometas. Beta Pictoris, o homónimo da associação, também se alimenta de exocometas que viajam demasiado perto. E já foi observado um gigante gasoso no vasto disco de detritos da estrela.

É importante estudar este grupo estelar porque é a coleção de estrelas jovens mais próxima da Terra. Pelo menos 37,5% das estrelas mais massivas do Grupo Móvel de Beta Pictoris ou têm um planeta já fotografado diretamente, como 51 Eridani b no sistema 51 Eridani, ou têm corpos que raspam e caem na estrela, ou, no caso de Beta Pictoris, ambos os tipos de objetos. O grupo está aproximadamente na idade de criar planetas terrestres, comenta Grady.

Uma equipa de astrónomos franceses descobriu pela primeira vez exocometas que transitavam HD 172555 em dados de arquivo recolhidos entre 2004 e 2011 pelo espectrógrafo caçador de planetas HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) do ESO. Um espectrógrafo divide a luz nas suas cores componentes, permitindo com que os astrónomos detetem a composição química de um objeto. O espectrógrafo HARPS detetou as impressões digitais químicas do cálcio impressas na luz estelar, evidência do suicídio de objetos cometários na estrela.

Como seguimento dessa descoberta, em 2015 a equipa de Grady usou o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) e o instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph), ambos do Hubble, para levar a cabo uma análise espectrográfica na luz ultravioleta, que permite com que o telescópio espacial identifique a assinatura de vários elementos. O Hubble fez duas observações, separadas por seis dias.

O Hubble detetou os gases silício e carbono na luz estelar. Moviam-se a cerca de ‪580.000 km/h através da face da estrela. A explicação mais provável para estes gases velozes é que o Hubble estava a observar material de objetos parecidos com cometas que se fragmentaram depois de passar pela estrela.

Os detritos gasosos dos cometas em desintegração são largamente dispersados em frente da estrela. "No que toca a características em trânsito, este material vaporizado é fácil de ver porque contém estruturas muito grandes," salienta Grady. "Isto contrasta bastante bem com a tentativa de encontrar um pequeno exoplaneta em trânsito, quando estamos à procura de minúsculas diminuições no brilho da estrela."

O Hubble recolheu esta informação porque o disco de detritos que rodeia a estrela HD 172555 está ligeiramente inclinado em relação à perspetiva do Hubble, dando ao telescópio uma visão clara da atividade cometária.

A equipa de Grady espera usar novamente o STIS para fazer observações de acompanhamento e procurar oxigénio e hidrogénio, o que confirmaria a identidade dos objetos desintegrantes como cometas.

"O Hubble mostra que estes objetos parecem-se e movem-se como cometas, mas até que determinemos a sua composição, não podemos confirmar que são cometas," realça Grady. "Precisamos de dados adicionais para determinar se estes objetos 'raspantes' são gelados como os cometas ou mais rochosos como os asteroides."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Hubblesite
Universe Today
Astrobiology Magazine
PHYSORG

HD 172555:
Wikipedia
SolStation.com
SIMBAD

Grupo Móvel de Beta Pictoris:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Buracos negros escondem-se na nossa vizinhança cósmica (via NASA)
Buracos negros monstruosos espreitam, por vezes, por trás de gás e poeira, escondendo-se da visão da maioria dos telescópios. Mas eles são descobertos quando o material de que se alimentam emite raios-X altamente energéticos, que a missão NuSTAR da NASA pode detetar. Foi assim que a missão identificou recentemente dois buracos negros supermassivos envoltos em gás, localizados nos centros de galáxias próximas. Ler fonte
     
  Estudo da NASA descobre que tempestades solares podem criar descargas elétricas no solo dos polos lunares (via NASA)
Segundo uma investigação da NASA, poderosas tempestades solares podem carregar o solo nas regiões frias e permanentemente à sombra perto dos polos lunares, e possivelmente produzir "faíscas" que podem vaporizar e derreter o solo, talvez até tanto quanto os impactos de meteoróides. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - No Centro da Galáxia Espiral NGC 5033
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubbleMAST - Processamento: Judy Schmidt
 
O que está a acontecer no centro da espiral NGC 5033? Muitas coisas - algumas circulares, outras energéticas, e algumas não bem compreendidas. NGC 5033 é conhecida como uma galáxia Seyfert por causa da grande atividade vista no seu núcleo. Estrelas brilhantes, poeira escura e gás interestelar rodam rapidamente em torno de um centro galáctico que parece ligeiramente deslocado de um buraco negro supermassivo. Pensa-se que este deslocamento é o resultado da fusão de NGC 5033 com outra galáxia algures nos últimos mil milhões de anos. A imagem acima foi captada pelo Telescópio Espacial Hubble em 2005. NGC 5033 mede aproximadamente 100.000 anos-luz e está tão longe que a vemos como era há cerca de 40 milhões de anos atrás.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.