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Edição n.º 1412
19/09 a 21/09/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 19/09: 262.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite, o Ofeq 1.

Observações: Menos de 1º separa Vénus de Régulo ao amanhecer de terça e quarta-feira. Estão baixos a este. Utilize binóculos.
O Grande Quadrado de Pégaso está alto a este após o cair da noite, apoiado num canto. A partir do canto esquerdo do Quadrado estende-se uma grande linha de três estrelas de segunda magnitude, para baixo e para a esquerda, que assinalam a cabeça, espinha e perna da constelação de Andrómeda (a linha das três inclui o canto esquerdo do Quadrado, a sua cabeça). Para cima e para a esquerda do pé desta linha, encontrará a forma em "W" da constelação de Cassiopeia, inclinada para cima.

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos remanescentes de três explosões de supernova.

Observações: Lua Nova, pelas 06:30.
Agora que a Lua está fora do céu noturno, tente observar telescopicamente a grande e alongada galáxia NGC 7331 de magnitude 10,4, por cima do canto superior do Grande Quadrado de Pégaso. NGC 7331 também é um guia para o Quinteto de Stephan, meio-grau para sul-sudoeste.

Dia 21/09: 264.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio.
Em 2003 termina a missão da Galileu, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.

Observações: Agora que o verão chega ao fim, o "Bule de Chá" de Sagitário move-se de sul para oeste com o passar da noite e fica inclinado, como que a derramar o que resta do seu chá de verão.
Aproveite a noite para observar M17, a Nebulosa do Cisne ou Nebulosa Omega, no norte de Sagitário. É uma das nebulosas mais bonitas e brilhantes para observadores amadores.

 
CURIOSIDADES


O que é que a NASA já vez para melhorar a nossa vida? Este site diz-nos.

 
HUBBLE OBSERVA PLANETA ESCURO COMO ASFALTO

O Telescópio Espacial Hubble da NASA observou um planeta para lá do nosso Sistema Solar que parece tão escuro quanto o asfalto fresco porque "come" luz ao invés de a refletir de volta para o espaço. Essa proeza devoradora de luz deve-se à capacidade única do planeta para capturar pelo menos 94% da luz visível que cai na sua atmosfera.

O estranho exoplaneta, de nome WASP-12b, pertence à classe de "Júpiteres quentes", planetas gigantes e gasosos que orbitam muito perto da sua estrela hospedeira e que são aquecidos a temperaturas extremas. A atmosfera do planeta é tão quente que a maioria das moléculas são incapazes de sobreviver no infernal lado diurno, onde a temperatura é superior a 2500º C. Portanto, as nuvens provavelmente não se podem formar para refletir luz de volta para o espaço. Em vez disso, a luz penetra nas profundezas da atmosfera planetária, onde é absorvida pelos átomos de hidrogénio e convertida em energia térmica.

O lado diurno do planeta, com o nome WASP-12b, "come" luz em vez de a refletir para o espaço. O exoplaneta, que tem o dobro do tamanho de Júpiter, tem a capacidade única de prender pelo menos 94% da luz estelar visível que cai na sua atmosfera. A temperatura da atmosfera atinge uns escaldantes 2500º C, tão quente quanto uma estrela pequena. O lado noturno é muito mais frio, com temperaturas de apenas 1200º C, o que permite a formação de vapor de água e nuvens.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós não esperávamos encontrar um exoplaneta tão escuro," comenta Taylor Bell da Universidade McGill e do Instituto de Pesquisa de Exoplanetas em Montreal, Quebec, Canadá, investigador principal do estudo do Hubble. "A maioria dos Júpiteres quentes refletem cerca de 40% da luz estelar."

Mas o lado noturno do planeta é uma história diferente. WASP-12b tem um lado diurno e noturno fixos porque orbita tão perto da sua estrela que sofre bloqueio de marés. O lado noturno é 1000 graus centígrados mais frio, o que permite a formação de vapor de água e nuvens. Observações anteriores do Hubble, da fronteira dia/noite, detetaram evidências de vapor de água e possivelmente nuvens e neblinas na atmosfera. WASP-12b está a aproximadamente 3,2 milhões de quilómetros da sua estrela e completa uma órbita uma vez por dia.

"Esta nova investigação do Hubble demonstra, mais uma vez, a vasta diversidade da estranha população de 'Júpiteres quentes'," comenta Bell. "Podemos ter planetas como WASP-12b com 2500º C e alguns com 1200º C, e ambos são chamados Júpiteres quentes. As observações anteriores de Júpiteres quentes indicam que a diferença de temperatura entre os lados diurno e noturno aumenta com os lados diurnos mais quentes. Esta investigação anterior sugere que está sendo bombardeado mais calor no lado diurno do planeta, mas os processos, como ventos, que transportam o calor para o lado noturno, não conseguem aguentar o ritmo."

Os cientistas determinaram as capacidades de absorção da luz usando o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble para procurar, no visível, pequenos mergulhos na luz estelar à medida que o planeta passa diretamente por trás da estrela. A quantidade de diminuição no brilho diz aos astrónomos quanto da luz refletida é libertada pelo planeta. No entanto, as observações não detetaram luz refletida, o que significa que o lado diurno do planeta está a absorver quase toda a luz estelar que cai sobre ele.

Avistado em 2008, WASP-12b orbita uma estrela parecida com o Sol a 1400 anos-luz de distância na direção da constelação de Cocheiro. Desde a sua descoberta, foi estudado por vários telescópios, incluindo o Hubble, o Telescópio Espacial Spitzer e o Observatório de raios-X Chandra da NASA. As observações anteriores pelo COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble revelaram que o planeta pode estar a diminuir de tamanho. O COS detetou material da atmosfera superaquecida do planeta a espalhar-se pela estrela.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
06/12/2013 - Hubble descobre sinais subtis de água em mundos nublados
10/12/2010 - Astrónomos detectam primeiro exoplaneta rico em carbono
21/05/2010 - Hubble descobre uma estrela a comer um planeta

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
iREx (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
The Astrophysical Journal Letters
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Science alert
ScienceDaily
UPI
ZAP.aeiou

WASP-12b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
NOVO MAPA DE GRAVIDADE SUGERE QUE MARTE TEM UMA CROSTA POROSA

Os cientistas da NASA encontraram evidências de que a crosta de Marte não é tão densa como se pensava anteriormente, uma pista que poderá ajudar os investigadores a compreender melhor a estrutura e evolução do Planeta Vermelho.

Uma densidade mais baixa significa, provavelmente, que pelo menos parte da crosta de Marte é relativamente porosa. No entanto, nesta altura, a equipa não pode descartar a possibilidade de uma composição mineral diferente ou talvez de uma crosta mais fina.

"A crosta é o resultado final de tudo o que aconteceu durante a história de um planeta, de modo que uma densidade menor poderá ter implicações importantes sobre a formação e evolução de Marte," comenta Sander Goossens do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. Goossens é o autor principal do artigo que descreve este trabalho, publicado na revista Geophysical Research Letters.

Um novo mapa da espessura da crosta de Marte mostra menos variação entre regiões mais espessas (a vermelho) e regiões mais finas (a azul), em comparação com mapeamentos anteriores. Esta imagem está centrada em Valle Marineris, com Tharsis Montes perto do terminador a oeste. O mapa está baseado em modelos do campo de gravidade de Marte por cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. A equipa descobriu que, globalmente, a crosta de Marte é menos densa, em média, do que se pensava anteriormente, o que poderá significar variações mais pequenas de espessura crustal.
Crédito: NASA/Goddard/UMBC/MIT/E. Mazarico
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores mapearam a densidade da crosta marciana, estimando que a densidade média é de 2582 quilogramas por metro cúbico. Este valor é comparável à densidade média da crosta lunar. Anteriormente, considerava-se que a crosta de Marte era pelo menos tão densa quanto a crosta oceânica da Terra, cerca de 2900 kg/m^3.

O novo valor é derivado do campo de gravidade de Marte, um modelo global que pode ser extraído de dados de rastreamento por satélite usando ferramentas matemáticas sofisticadas. O campo de gravidade da Terra é extremamente detalhado, porque os conjuntos de dados têm uma resolução muito alta. Estudos recentes da Lua, pela missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, também forneceram um mapa de gravidade preciso.

Os conjuntos de dados para Marte não têm tanta resolução, por isso é mais difícil determinar a densidade da crosta a partir dos mapas de gravidade atuais. Como resultado, as estimativas anteriores basearam-se mais fortemente em estudos da composição do solo e das rochas marcianas.

"À medida que esta história se desenrola, chegamos à conclusão de que não basta apenas conhecer a composição das rochas," afirma o geólogo planetário de Goddard Greg Neumann, coautor do artigo. "Nós também precisamos de saber como as rochas foram trabalhadas ao longo do tempo."

Goossens e colegas começaram com os mesmos dados usados para o modelo de gravidade existente, mas com um novo "twist", estabelecendo uma restrição diferente e aplicando-a para obter a nova solução. Uma restrição compensa o facto de que mesmo os melhores conjuntos de dados não conseguem capturar todos os detalhes. Em vez de seguirem a abordagem padrão, conhecida por aqueles no campo como a restrição Kaula, a equipa criou uma restrição que leva em consideração as medições precisas das mudanças de elevação de Marte, ou topografia.

"Com esta abordagem, conseguimos espremer mais informações sobre o campo de gravidade a partir dos dados existentes," comenta Terence Sabaka, geofísico de Goddard, o segundo autor do artigo.

Antes de se debruçarem sobre Marte, os cientistas testaram a sua abordagem aplicando-a ao campo de gravidade que estava em uso antes da missão GRAIL. A estimativa resultante para a densidade da crosta lunar correspondeu, essencialmente, ao valor de 2550 kg/m^3 da missão GRAIL.

A partir do novo modelo, a equipa gerou mapas globais da densidade e espessura da crosta. Estes mapas mostram os tipos de variações que os investigadores esperavam, como uma crosta mais densa sob os vulcões gigantes de Marte.

Os cientistas salientam que a missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA deverá fornecer os tipos de medições que confirmam os seus achados. Com lançamento previsto para 2018, colocará uma plataforma geofísica em Marte a fim de estudar o seu interior profundo.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PGDA - NASA
Geophysical Research Letters
Astrobiology Magazine
PHYSORG
UPI
engadget
Gizmodo

InSight:
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Astrónomos exploram origem do Planeta 9 (via Universidade de Sheffield)
Astrónomos da Universidade de Sheffield mostraram que o "Planeta 9" - um planeta por descobrir no limite do nosso Sistema Solar - provavelmente foi formado mais perto de "casa" do que se pensava. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Última Imagem da Cassini
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechSpace Science Institute
 
Tal como planeado, a sonda Cassini desintegrou-se na atmosfera superior de Saturno no passado dia 15 de setembro, após uma exploração de 13 anos do sistema saturniano. Com os propulsores a dispararem até ao fim, a sua entrada atmosférica seguiu-se a uma série sem precedentes de 22 mergulhos entre Saturno e os seus anéis. O último sinal da Cassini levou 83 minutos para chegar à Terra e ao complexo de antenas DSN (Deep Space Network) em Canberra, Austrália, onde a perda de contato foi registada às 12:55 (hora portuguesa). Para a nave espacial, Saturno estava brilhante e o Sol bem alto enquanto penetrava no topo das nuvens do gigante gasoso a cerca de 113.000 km/h. Mas a última imagem obtida pela Cassini mostra o local de impacto horas antes e ainda no lado noturno do planeta, o topo das nuvens iluminado por luz anular, luz solar refletida pelos anéis de Saturno.
 

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