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Edição n.º 1414
26/09 a 28/09/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 26/09: 269.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1580, Sir Francis Drake completa a sua circumnavegação da Terra.
Em 1997, lançamento da missão STS-86 do vaivém espacial Atlantis.

Observações: A "estrela" para baixo e para a esquerda da Lua, esta noite, é Saturno, 3800 vezes mais distante: Saturno está atualmente a 85 minutos-luz, em comparação com os 1,3 segundos do nosso satélite natural.

Dia 27/09: 270.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, a revista de Física, Annalen der Physik, recebe o artigo de Einstein, "A inércia de um corpo depende de seu conteúdo de energia?", introduzindo a equação E=mc^2
Em 2003 era lançada a sonda da ESASmart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.
Em 2007, a NASA lança a sonda Dawn, com destino Vesta e Ceres, os dois maiores membros da cintura de asteroides.

Em 1997, último contato com a Mars Pathfinder. Embora os controladores tentassem restaurar as comunicações durante os cinco meses seguintes, a missão foi formalmente terminada no dia 10 de março de 1998. 
Em 2008, o astronauta da agência espacial chinesa CNSA, Zhai Zhigang, torna-se no primeiro chinês a fazer um passeio espacial enquanto voava na Shenzhou 7.
Observações: Dado que ainda estamos bastante próximos do equinócio de outono (de passado dia 22), a Lua praticamente em Quarto Crescente está mesmo a sul ao pôr-do-Sol. Porque será?
Com o passar da noite, procure Saturno para baixo e para a direita da Lua, e o "Bule de Chá" de Sagitário para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 28/09: 271.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1860, nascia Paul Ulrich Villard, físico e químico francês que descobriu os raios-gama em 1900 enquanto estudava a radiação emanada pelo elemento químico rádio.
Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA divulga uma espetacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espetaculares remanescentes de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto.

O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jatos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direção perpendicular à espiral.
Em 2008, a SpaceX lança sua a primeira nave espacial privada, a Falcon 1, para órbita.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 03:53.
Esta noite, a Lua brilha para cima da pega do "Bule de Chá" de Sagitário.

 
CURIOSIDADES


Devido a um fenómeno chamado isostasia, a Terra nunca poderá ter uma montanha bastante mais alta que o Evereste. Caso contrário, há muito que os Himalaias estariam razoavelmente mais altos.

 
A VIA LÁCTEA É UM "OUTLIER"? ESTUDANDO AS SUAS "IRMÃS" EM BUSCA DE PISTAS
Imagem ótica de uma "irmã" da Via Láctea.
Crédito: SDSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A galáxia mais estudada do Universo - a Via Láctea - pode não ser tão "típica" quanto se pensava anteriormente, de acordo com um novo estudo.

A Via Láctea, que é o lar da Terra e do seu Sistema Solar, hospeda várias dúzias de galáxias satélite mais pequenas. Estas galáxias mais pequenas orbitam a Via Láctea e são úteis na compreensão da nossa própria Galáxia.

Os primeiros resultados do levantamento SAGA (Satellites Around Galactic Analogs) indicam que as galáxias satélite da Via Láctea são muito mais tranquilas do que outros sistemas comparáveis em termos de luminosidade e ambiente. Muitos satélites dessas galáxias "irmãs" estão a produzir ativamente novas estrelas, mas as da Via Láctea são principalmente inertes.

Segundo os investigadores, isto é significativo, porque muitos modelos para o que sabemos sobre o Universo dependem de galáxias que se comportam de forma semelhante à Via Láctea.

"Nós usamos a Via Láctea e os seus arredores para estudar absolutamente tudo," afirma a astrofísica Marla Geha de Yale, autora principal do artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Surgem centenas de estudos por ano sobre matéria escura, cosmologia, formação estelar e formação galáctica, usando a Via Láctea como guia. Mas é possível que a Via Láctea seja um 'outlier'."

O levantamento SAGA começou há cinco anos atrás com o objetivo de estudar as galáxias satélite em redor de 100 irmãs da Via Láctea. Até ao momento, estudou oito outros sistemas idênticos ao da Via Láctea, que os cientistas dizem ser uma amostra demasiado pequena para chegar a conclusões definitivas. O SAGA espera ter estudado 25 irmãs da Via Láctea nos próximos dois anos.

No entanto, o levantamento já dá que falar. Numa recente conferência onde Geha apresentou alguns dos resultados iniciais do SAGA, outro investigador disse-lhe: "Você acabou de lançar uma chave inglesa no que sabemos sobre a forma como as galáxias pequenas se formam."

"O nosso trabalho coloca a Via Láctea num contexto mais amplo," comenta a investigadora do SAGA Risa Wechsler, astrofísica do Instituto Kavli da Universidade de Stanford. "O Levantamento SAGA vai fornecer uma compreensão crítica da formação das galáxias e da natureza da matéria escura."

Wechsler, Geha e sua equipa dizem que vão continuar a melhorar a eficiência de encontrar satélites em torno de irmãs da Via Láctea. "Eu quero realmente saber a resposta à pergunta 'A Via Láctea é única, ou totalmente normal?'," comenta Geha.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Yale (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
ScienceDaily
PHYSORG
Discover

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Levantamento SAGA:
Página principal

 
MORTE POR SUPERNOVA REVELA VÍNCULO COM NASCIMENTO ESTELAR

Pensava-se, anteriormente, que as moléculas e as poeiras fossem completamente destruídas pelas gigantescas explosões de supernova. No entanto, pela primeira vez, os cientistas descobriram que não é bem o caso.

Um grupo de cientistas, incluindo os financiados pelo Conselho Europeu de Pesquisa e pelos projetos SNDUST e COSMICDUST, identificou duas moléculas previamente não detetadas: formilum (HCO+) e monóxido de enxofre (SO) no remanescente de supernova 1987A. Tendo explodido originalmente em fevereiro de 1987, a Supernova 1987A está localizada a 163.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea.

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a Supernova 1987A no interior da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA, R. Kirshner (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e Fundação Gordon e Betty Moore), e M. Mutchler e R. Avila (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A fábrica de poeira de um remanescente de supernova muito jovem

O autor principal do estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Dr. Mikako Matsuura, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Cardiff, disse: "Esta é a primeira vez que encontramos estas espécies de moléculas dentro das supernovas, o que questiona os nossos pressupostos de que essas explosões destroem todas as moléculas e poeiras presentes no interior de uma estrela." A acompanhar estas moléculas recém-identificadas estavam substâncias como monóxido de carbono (CO) e óxido de silício (SiO), que já tinham sido detetadas anteriormente.

A descoberta destas moléculas inesperadas abre a possibilidade de que a morte explosiva das estrelas forma nuvens residuais de gás que arrefecem abaixo dos -200ºC, resultando nos vários elementos pesados sintetizados que começam a abrigar moléculas, produzindo o que é apelidado de "fábrica de poeira". Como o Dr. Matsuura continua a explicar, "o que é mais surpreendente é que estas fábricas de moléculas ricas são geralmente encontradas em condições onde as estrelas nascem. A morte de estrelas massivas pode, portanto, levar ao nascimento de uma nova geração."

À medida que são criadas novas estrelas a partir dos elementos mais pesados espalhados durante as explosões, este trabalho abre a perspetiva de uma melhor compreensão da composição dessas estrelas nascentes, analisando a sua fonte.

Os astrónomos combinaram observações de três diferentes observatórios para produzir esta imagem colorida e em vários comprimentos de onda do remanescentes da Supernova 1987A.
Crédito: NASA, ESA, e A. Angelich (NRAO/AUI/NSF); Hubble - NASA, ESA, R. Kirshner (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e Fundação Gordon e Betty Moore); Chandra - NASA/CXC/Penn State/K. Frank et al.; ALMA - ALMA (ESO/NAOJ/NRAO) e R. Indebetouw (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma espetacular despedida celeste

A mecânica das supernovas é relativamente bem compreendida. Quando estrelas gigantes chegam ao fim da sua evolução estelar, ficam praticamente sem combustível, sem calor e energia suficientes para neutralizar a força da sua própria gravidade. Consequentemente, as regiões externas da estrela caem sobre o núcleo com uma força formidável, provocando a espetacular explosão e deixando o que parece ser uma nova estrela brilhante para trás, antes de desvanecer.

Desde a sua descoberta há mais de 30 anos atrás que os astrónomos têm enfrentado obstáculos no estudo da Supernova 1987A, especialmente no que toca à investigação do núcleo mais interior. Esta investigação foi realizada com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o que permitiu com que a equipa a explorasse em grande detalhe. Dado que a instalação possui 66 antenas e é capaz de observar comprimentos de onda milimétricos - no espectro eletromagnético, estão situados entre o infravermelho e o rádio -, consegue penetrar as nuvens de gás e poeira da supernova. Esta capacidade permitiu expor as moléculas recém-formadas.

Para expandir as suas descobertas atuais, a equipa planeia continuar a usar o ALMA para verificar a prevalência das moléculas de HCO+ e SO, bem como explorar ainda mais as moléculas detetadas até agora.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
28/02/2017 - O alvorecer de uma nova era para a Supernova 1987A
07/01/2014 - ALMA descobre fábrica de poeira em supernova
06/08/2010 - Observando uma explosão estelar em 3D
18/07/2006 - Astrónomos vêm nossas origens em explosão com 20 anos

Notícias relacionadas:
CORDIS (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
PHYSORG

SN 1987A:
SEDS
Wikipedia
The Electric Universe

Supernovas:
Wikipedia 
História da observação de supernovas (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Concha da Enorme Estrela G79.29+0.46
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASATelescópio Espacial SpitzerWISE; Processamento e LicençaJudy Schmidt
 
Estrelas assim tão voláteis são bastante raras. Capturada no meio de nuvens de poeira e visível para a direita e para cima do centro, está a massiva G79.29+0.46, uma das menos de 100 estrelas variáveis azuis luminosas (LBVs ou luminous blue variables) atualmente conhecidas na nossa Galáxia. As LBVs expelem conchas de gás e podem perder o equivalente à massa de Júpiter ao longo de 100 anos. A estrela, ela própria brilhante e azul, está envolta em poeira e, portanto, não é observável no visível. A estrela moribunda parece verde e rodeada por conchas vermelhas nesta imagem infravermelha que combina exposições do Observatório Espacial Spitzer e do WISE da NASA. G79.29+0.46 está localizada na região de formação estelar Cygnus X da Via Láctea. Não se sabe porque G79.29+0.46 é tão volátil, nem quanto tempo permanecerá na fase LBV nem quando explodirá como supernova.
 

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