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Edição n.º 1469
06/04 a 09/04/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: Após o anoitecer, Orionte encontra-se ainda bem alto a sudoeste na sua orientação primaveril: deslizando para a direita, com a sua cintura na horizontal. Brilhando para cima da cintura, está a brilhante estrela laranja Betelgeuse. Para baixo da cintura está a brilhante estrela esbranquiçada Rigel. A cintura aponta para Sirius (esquerda) e para Aldebarã e para as Plêiades (direita).

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
Observações: Eclipse de Io, entre as 04:30 e as 06:44.
Ocultação de Io, entre as 05:12 e as 07:26.
Antes do amanhecer, encontre a Lua perto de Marte e Saturno, baixos a sul-sudeste, por entre a constelação de Sagitário.

Dia 08/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objetivos primários e secundários foram atingidos.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 01:52 e as 04:04.
Trânsito de Io, entre as 02:32 e as 04:46.
Lua em Quarto Minguante, pelas 08:17. A Lua nasce por volta das 02:30, uns 8 ou 10 graus para baixo e para a esquerda de Marte e Saturno. Ao amanhecer estes astros estão bem altos a sul-sudeste.

Dia 09/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a NASA anuncia a seleção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
Observações: Nesta altura do ano, as duas estrelas mais brilhantes pertencentes às duas constelações que representam cães (Cão Maior e Cão Menor) estão alinhadas verticalmente ao final do lusco-fusco. Olhe para sudoeste. Sirius em Cão Maior está mais baixa; Procyon em Cão Menor está mais alta.

 
CURIOSIDADES

Em média, despenha-se de volta para a Terra um satélite por semana.
 
NOVO ESTUDO SUGERE QUE EXISTEM MILHARES DE BURACOS NEGROS PERTO DO BURACO NEGRO SUPERMASSIVO SAGITÁRIO A*

Uma equipa liderada por astrofísicos da Universidade de Columbia descobriu uma dúzia de buracos negros reunidos em torno de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. A descoberta é a primeira a apoiar uma previsão com décadas, abrindo uma imensidão de oportunidades para melhor entender o Universo.

"Tudo o que gostaríamos de aprender sobre como os grandes buracos negros interagem com buracos negros pequenos, podemos aprender estudando esta distribuição," afirma o astrofísico de Columbia Chuck Hailey, codiretor do Laboratório de Astrofísica de Columbia e autor principal do estudo. "A Via Láctea é realmente a única galáxia que temos onde podemos estudar como os buracos negros supermassivos interagem com os pequenos porque simplesmente não podemos ver as suas interações noutras galáxias. Em certo sentido, este é o único laboratório que temos para estudar este fenómeno."

O estudo foi publicado na edição de 5 de abril da revista Nature.

Astrofísicos descobriram 12 binários constituídos por um buraco negro e uma estrela de baixa massa em órbita de Sgr A* no Centro Galáctico. A sua existência sugere que existem provavelmente cerca de 10.000 buracos negros a apenas 3 anos-luz do centro da Via Láctea.
Crédito: Universidade de Columbia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Por mais de duas décadas, os investigadores procuraram, sem sucesso, evidências que corroborassem uma teoria que afirma que existem milhares de buracos negros em redor de buracos negros supermassivos no centro de grandes galáxias.

"Só existem cerca de cinco dúzias de buracos negros em toda a Galáxia - com 100.000 anos-luz de diâmetro - e supõe-se que deviam existir 10.000 a 20.000 destes astros numa região com apenas seis anos-luz de diâmetro que ninguém tem conseguido encontrar," afirma Hailey, acrescentando que foram feitas extensas buscas infrutíferas no que toca a buracos negros em redor de Sgr A*, o buraco negro supermassivo mais próximo da Terra e, portanto, o mais fácil de estudar. "Não têm havido muitas evidências credíveis."

Ele explicou que Sgr A* é rodeado por um halo de gás e poeira que fornece o terreno ideal para o nascimento de estrelas massivas que vivem, morrem e podem transformar-se em buracos negros. Além disso, acredita-se que os buracos negros para lá deste halo caiam sob a influência de Sgr A* à medida que perdem energia, fazendo com que sejam puxados para a sua vizinhança, onde são mantidos em cativeiro pela sua força.

Apesar da maioria dos buracos negros presos permanecerem isolados, alguns capturam e ligam-se gravitacionalmente a uma estrela passageira, formando um binário estelar. Os investigadores pensam que existe uma grande concentração destes buracos negros isolados e acoplados no Centro Galáctico, formando um auge de densidade que fica mais populoso à medida que a distância a Sgr A* diminui.

No passado, as tentativas fracassadas de encontrar evidências de tal cúspide concentraram-se em procurar a explosão brilhante de raios-X que ocorre quando as companheiras estelares se fundem com os buracos negros.

Imagem da região em torno de Sgr A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, obtida com o Observatório de raios-X Chandra (círculo verde). Esta região é brilhante porque emite ocasionalmente surtos de raios-X. Em redor estão outras fontes de raios-X emanados por sistemas binários com buracos negros mais pequenos.
Crédito: Nature e Hailey, et al.
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"É uma maneira óbvia de querer procurar buracos negros," explica Hailey, "mas o Centro Galáctico está tão longe da Terra que essas explosões só são fortes e brilhantes o suficiente para ver uma vez a cada 100-1000 anos." Assim, para detetar buracos negros binários, Hailey e colegas perceberam que precisariam de procurar os raios-X mais fracos, porém mais constantes, emitidos após o acoplamento inicial, quando os binários ainda estão num estado inativo.

"Seria muito fácil se os binários de buracos negros emitissem grandes explosões como as estrelas de neutrões binárias, mas não o fazem, de modo que tivemos que pensar noutra maneira de os procurar," comenta Hailey. "Isolados, os buracos negros não acoplados são apenas negros - não fazem nada. De modo que procurar buracos negros isolados não é um método muito inteligente. Mas quando os buracos negros se juntam com uma estrela de baixa massa, o 'casamento' emite surtos de raios-X que são mais fracos, mas consistentes e detetáveis. Se encontrarmos buracos negros acoplados a estrelas de baixa massa e se soubermos qual a fração de buracos negros que 'acasala' com estrelas de baixa massa, podemos inferir cientificamente a população de buracos negros isolados."

Hailey e colegas voltaram-se para dados de arquivo do Observatório de raios-X Chandra a fim de testar a sua técnica. Procuraram assinaturas de raios-X de binários constituídos por um buraco negro e uma estrela de baixa massa no seu estado inativo e foram capazes de encontrar 12 até 3 anos-luz de Sgr A*. Os cientistas analisaram então as propriedades e a distribuição espacial dos sistemas binários identificados e extrapolaram, a partir das suas observações, que devem existir 300-500 binários e cerca de 10.000 buracos negros isolados na área circundante de Sgr A*.

"Esta descoberta confirma uma teoria importante e as implicações são muitas," realça Hailey. "Vai avançar significativamente a pesquisa de ondas gravitacionais porque o sabermos o número de buracos negros no centro de uma galáxia típica pode ajudar a prever melhor quantos eventos de ondas gravitacionais podem estar associados a eles. Toda a informação que os astrofísicos precisam está no centro da galáxia."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Nature
Science
SPACE.com
New Scientist
ScienceDaily
PHYSORG
Science alert
COSMOS
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ZME science
Popular Mechanics
National Geographic
UPI
BBC News
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Forbes
Gizmodo
AstroPT

Buraco negro:
Wikipedia
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

Sagitário A*:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
HUBBLE FAZ A PRIMEIRA MEDIÇÃO PRECISA DE DISTÂNCIA PARA UM ANTIGO ENXAME GLOBULAR
Esta antiga "caixa de jóias" estelar, um enxame globular chamado NGC 6397, brilha com a luz de centenas de milhares de estrelas.
Crédito: NASA, ESA e T. Brown e S. Casertano (STScI); reconhecimento: NASA, ESA e J. Anderson (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para medir pela primeira vez, e com precisão, a distância de um dos objetos mais antigos do Universo, uma coleção de estrelas nascidas pouco tempo depois do Big Bang.

Este novo e refinado critério de distância fornece uma estimativa independente da idade do Universo. A nova medição também ajudará os astrónomos a melhorar os modelos de evolução estelar. Os enxames estelares são o ingrediente chave nos modelos estelares porque as estrelas em cada grupo estão à mesma distância, têm a mesma idade e têm a mesma composição química. Constituem, portanto, uma única população estelar para estudo.

Este agrupamento estelar, um enxame globular chamado NGC 6397, é um dos aglomerados deste tipo mais próximos da Terra. A nova medição determinou que o enxame se encontra a 7800 anos-luz de distância, com uma margem de erro de apenas 3%.

Até agora, os astrónomos estimavam as distâncias dos enxames globulares da nossa Galáxia comparando as luminosidades e cores das estrelas com modelos teóricos, e com as luminosidades e cores de estrelas parecidas na nossa vizinhança solar. Mas a precisão destas estimativas varia, com incertezas que flutuam entre 10 e 20%.

No entanto, a nova medição usa trigonometria simples, o mesmo método usado por agrimensores e tão antiga quanto a ciência grega clássica. Usando uma nova técnica de observação para medir ângulos extraordinariamente minúsculos no céu, os astrónomos conseguiram esticar a "régua" do Hubble para lá do disco da nossa Galáxia, a Via Láctea.

A equipa de investigação calculou a idade de NGC 6397 em 13,4 mil milhões de anos. "Os enxames globulares são tão antigos que, se as suas idades e distâncias deduzidas dos modelos tivessem uma incerteza pouco maior, pareceriam mais antigos que a idade do Universo," comenta Tom Brown do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, líder do estudo do Hubble.

As distâncias precisas aos enxames globulares são usadas como referências nos modelos estelares para estudar as características das populações estelares jovens e velhas. "Qualquer modelo que concorde com as medições dá-nos mais confiança na aplicação desse modelo para estrelas mais distantes," realça Brown. "Os aglomerados estelares próximos servem de âncoras para os modelos estelares. Até agora, nós só tínhamos distâncias precisas para os enxames abertos muito mais jovens no interior da nossa Galáxia, porque estão mais próximos da Terra."

Em contraste, cerca de 150 enxames globulares orbitam fora do disco estrelado, comparativamente mais jovem, da nossa Galáxia. Estes enxames esféricos e densos com centenas de milhares de estrelas são os primeiros colonizadores da Via Láctea.

Os astrónomos do Hubble usaram a paralaxe trigonométrica para determinar a distância do enxame. Esta técnica mede a pequena e aparente mudança da posição de um objeto devido à mudança do ponto de vista do observador. O Hubble mediu a aparente pequena oscilação das estrelas do enxame devido ao movimento da Terra em torno do Sol.

Para obter a distância exata de NGC 6397, a equipa de Brown empregou um método inteligente desenvolvido pelos astrónomos Adam Riess, prémio Nobel, e Stefano Casertano do STScI e da Universidade Johns Hopkins, também em Baltimore, para medir com precisão as distâncias de estrelas pulsantes chamadas variáveis Cefeidas. Estas estrelas pulsantes servem como marcadores confiáveis de distância para os astrónomos calcularem a taxa de expansão do Universo.

Com esta técnica, chamada de "varredura espacial", o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble mediu a paralaxe de 40 estrelas no enxame NGC 6397, obtendo medições a cada 6 meses durante 2 anos. Os cientistas então combinaram os resultados para obter a medição precisa da distância. "Dado que estamos a observar um grupo de estrelas, podemos obter uma melhor medida ao simplesmente observar estrelas variáveis Cefeidas individuais," explica o membro da equipa Casertano.

As minúsculas oscilações destas estrelas do enxame corresponderam a apenas 1/100 de um pixel na câmara do telescópio, medidas com uma precisão de 1/3000 de um pixel. É o equivalente a medir o tamanho de um pneu de um automóvel, na Lua, com uma precisão de uma polegada (2,54 cm).

Os investigadores dizem que podem atingir uma precisão de 1% se combinarem a distância medida pelo Hubble para NGC 6397 com os resultados vindouros do observatório espacial Gaia da ESA, que está a medir as posições e distâncias de estrelas com uma precisão sem precedentes. O lançamento do segundo conjunto de dados Gaia está previsto para o final deste mês de abril. "Chegar a uma precisão de 1% vai estabelecer esta medição para sempre," observa Brown.

Os resultados da equipa foram publicados na edição de 20 de março de 2018 da revista The Astrophysical Journal Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Zoom até ao Enxame Globular NGC 6397 (NASA via YouTube)
Hubblesite
EurekAlert!
PHYSORG
AstroPT

NGC 6397:
Wikisky.org
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
A VIA LÁCTEA ESTÁ A FICAR MAIOR?
NGC 4565, uma galáxia espiral a uma distância estimada em 30-50 milhões de anos-luz.
Crédito: Ken Crawford
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De acordo com Cristina Martínez-Lombilla, candidata a doutoramento no Instituto de Astrofísica das Canárias em Tenerife, Espanha, e seus colaboradores, a galáxia que habitamos, a Via Láctea, pode estar a ficar maior. Ela apresentou o trabalho da sua equipa numa palestra na passada terça-feira, dia 3 de abril, durante a Semana Europeia de Astronomia e Ciências Espaciais em Liverpool.

O Sistema Solar está localizado num dos braços do disco de uma galáxia espiral barrada a que chamamos Via Láctea, com um diâmetro de cerca de 100.000 anos-luz. A nossa Galáxia é formada por várias centenas de milhares de milhões de estrelas, com enormes quantidades de gás e poeira, componentes estes interligados e interagindo através da força da gravidade.

A natureza desta interação determina a forma de uma galáxia, que pode ser espiral, elíptica ou irregular. Sendo uma espiral barrada, a Via Láctea tem um disco no qual estrelas, poeiras e gases se encontram principalmente num plano, com braços que se estendem para fora de uma barra central.

Composição da galáxia NGC 4565, usada no novo estudo.
Crédito: C. M. Lombilla/IAC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No disco da Via Láctea existem estrelas de muitas idades diferentes. Estrelas azuis, quentes e massivas são muito luminosas e têm uma vida relativamente pequena de milhões de anos, enquanto estrelas de massa menor eventualmente tornam-se mais avermelhadas e mais fracas, podendo viver centenas de milhares de milhões de anos. As estrelas de curta vida, mais jovens, podem ser encontradas no disco da Galáxia, onde novas estrelas continuam a formar-se, ao passo que as estrelas mais antigas dominam a protuberância em redor do Centro Galáctico e o halo que circunda o disco.

Algumas regiões de formação estelar podem ser encontradas na orla externa do disco, e os modelos de formação de galáxias preveem que as novas estrelas aumentem lentamente o tamanho da galáxia em que residem. Um problema em estabelecer a forma da Via Láctea é que vivemos dentro dela, de modo que os astrónomos olham para galáxias similares noutros lugares como análogas à nossa.

NGC 5907, uma galáxia espiral a aproximadamente 50 milhões de anos-luz de distância. Imagem captada pelo telescópio de 24 polegadas no Mt. Lemmon, no estado norte-americano do Arizona.
Crédito: J. Schulmann
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Martínez-Lombilla e colegas propuseram-se a estabelecer se outras galáxias espirais parecidas à Via Láctea estão realmente a ficar maiores e, em caso afirmativo, o que isso significa para a nossa própria Galáxia. Ela e a sua equipa usaram o telescópio terrestre SDSS para dados óticos, e os dois telescópios espaciais GALEX e Spitzer para dados do ultravioleta próximo e infravermelho próximo, respetivamente, a fim de examinar detalhadamente as cores e movimentos das estrelas no final dos discos de outras galáxias.

Os investigadores mediram a luz nestas regiões, predominantemente proveniente de jovens estrelas azuis, e mediram o movimento vertical (para cima e para baixo no disco) das estrelas para descobrir quanto tempo levaria para se afastarem dos seus locais de nascimento, e como as suas galáxias hospedeiras estavam a crescer em tamanho.

Composição da galáxia NGC 5907 usada no novo estudo.
Crédito: C. M. Lombilla/IAC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com base nisso, calcularam que as galáxias como a Via Láctea estão a crescer a cerca de 500 metros por segundo, depressa o suficiente para cobrir a distância de Liverpool a Londres em aproximadamente 12 minutos.

Martínez-Lombilla comenta: "A Via Láctea já é bastante grande. Mas o nosso trabalho mostra que pelo menos a sua parte visível está a aumentar lentamente de tamanho, à medida que se formam estrelas na periferia galáctica. Não é um crescimento rápido, mas se pudéssemos avançar no tempo e olhar para como a galáxia seria daqui a 3 mil milhões de anos, seria cerca de 5% maior do que é hoje."

Este crescimento lento pode ser irrelevante no futuro distante. Prevê-se que a Via Láctea colida com a vizinha Galáxia de Andrómeda daqui a cerca de 4 mil milhões de anos, e a forma de ambas mudará radicalmente à medida que se fundem.

Links:

Notícias relacionadas:
EWASS e NAM 2018 (comunicado de imprensa)
Astronomy
SPACE.com
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG
Forbes

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

GALEX:
Página principal
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cientistas surpreendidos por implacável frente fria cósmica (via NASA)
Investigadores usaram o Observatório de raios-X Chandra para estudar uma frente fria localizada no enxame galáctico de Perseu que se estende por mais ou menos 2 milhões de anos-luz. É uma faixa densa de gás com uma temperatura "fria" de aproximadamente 30 milhões de graus que se move através de gás quente, menos denso, com uma temperatura de 80 milhões de graus. Ler fonte
     
  Levantamento da NASA visto como grande passo em frente para a Astronomia (via Universidade do Arizona)
O Levantamento HOSTS, ao estudar a poeira nas zonas habitáveis de estrelas próximas, está a ajudar a determinar o tamanho dos telescópios do futuro, quais as estrelas mais prováveis a abrigar homólogos da Terra e o aspeto de um sistema estelar "médio". Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 289: Redemoinho no Céu do Hemisfério Sul
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam BlockChileScope
 
A cerca de 70 milhões de anos-luz de distância, a maravilhosa galáxia espiral NGC 289 é maior do que a nossa própria Via Láctea. Vista quase de frente, o seu brilhante núcleo e disco central colorido dão lugar a braços espirais notavelmente fracos e azulados. Os extensos braços varrem bem mais do que 100 mil anos-luz a partir do centro da galáxia. Para a direita e um pouco para baixo deste retrato telescópico e nítido da galáxia, o braço espiral principal parece encontrar uma galáxia companheira elíptica, pequena e difusa, interagindo a enorme NGC 289. Claro, as estrelas pontiagudas estão no plano da frente da cena. Essas pertencem à Via Láctea, situadas na direção da constelação do hemisfério sul de Escultor.
 

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