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Edição n.º 1495
06/07 a 09/07/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria, com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872HD 24540955 CancriHD 10307 e 47 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respetivamente.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 08:51.
Terra no afélio, o seu ponto orbital mais distante do Sol (152,1 milhões de quilómetros), 3% mais do que no periélio de janeiro.
Eclipse de Ganimedes, entre as 19:49 e as 22:12.

Dia 07/07: 188.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, Vénus oculta a estrela Régulo. Este evento raro é usado para determinar o diâmetro de Vénus e a estrutura da atmosfera venusiana.
Em 1988, era lançada a sonda soviética Phobos 1

Infelizmente a sonda perdeu-se no caminho até Marte devido a uma má atualização do software a 29/30 de agosto. Este erro impediu o alinhamento correto dos painéis solares com o Sol, o que esgotou a bateria.
Em 2003, lançamento do rover Opportunity da NASA, a bordo de um foguetão Delta II.
Em 2015, a sonda New Horizons capta uma fotografia de Plutão a 12,8 milhões de quilómetros e descobre o seu "coração".
Observações: Depois do anoitecer, Altair brilha a este-sudeste. É a segunda estrela mais brilhante do céu a este, depois de Vega bem alta para cima e para a sua esquerda. Acima de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed. E a um pouco mais de um punho à distância do braço esticado, para baixo e para a esquerda de Altair, está a pequena constelação de Golfinho, saltando para a esquerda.

Dia 08/07: 189.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2011, o vaivém espacial Atlantis é lançado na sua missão final.

Observações: Conhece os três duplos do topo Escorpião? A cabeça da constelação de Escorpião - a fila quase vertica de três estrelas para cima e para a direita de Antares - a sul após o anoitecer a dois punhos à distância do braço esticado para a esquerda do brilhante planeta Júpiter. A estrela de cima é Beta Scorpii ou Graffias, uma boa estrela dupla para telescópios.
A apenas 1º para baixo ou para baixo e para a esquerda (uma ponta de um dedo à distância do braço esticado) está o par largo Omega1 e Omega2 Scorpii, visível a olho nu, não bem na vertical. Os binóculos mostram a sua ligeira diferença de cor.
Para cima e para a esquerda de Beta, a cerca de 1,6º, está Nu Scorpii (Jabbah), outro bom duplo telescópico. Um alto poder de ampliação e um céu limpo e escuro revelam que o componente mais brilhant de Nu é ele próprio uma estrela dupla, com uma separação de 2 segundos de arco.
Trânsito de Europa, entre as 20:05 e as 22:32.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:24 e as 00:51 (já de dia 9).

Dia 09/07: 190.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, nascia John Archibald Wheeler, físico teórico americano que popularizou o termo "buraco negro" e "buraco de minhoca".
Em 1979, a sonda Voyager 2 efetuava o seu "flyby" por Júpiter.

A descoberta de atividade vulcânica no satélite Io foi provavelmente a maior descoberta desta passagem.
Observações:
Trânsito de Io, entre as 01:26 e as 03:40.
Arcturo é a estrela mais brilhante alta a oeste. Igualmente brilhante e igualmente alta, temos Vega a este. A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega, procure a ténue constelação de Coroa Boreal. Só tem uma estrela de brilho moderado, Gemma ou Alphecca. A dois-terços do caminho temos a constelação de Hércules.
Ocultação de Io, entre as 22:36 e as 00:50 (já de dia 10).

 
CURIOSIDADES

O nosso planeta Terra tem uma atmosfera proporcionalmente mais fina que a casca de uma maçã.
 
ATÉ ESTRELAS DE NEUTRÕES FENOMENALMENTE DENSAS CAEM COMO UMA PENA
Impressão de artista do sistema triplo PSR J0337+1715, localizado a mais ou menos 4200 anos-luz da Terra. Este sistema fornece um laboratório natural para testar teorias fundamentais da gravidade.
Crédito: NRAO/AUI/NSF; S. Dagnello
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Aproveitando a extraordinária sensibilidade do GBT (Green Bank Telescope) da NSF (National Science Foundation), os astrónomos fizeram o teste mais rigoroso, até agora, de uma das previsões de Einstein sobre a gravidade. Ao rastrear precisamente as trajetórias de três estrelas num único sistema - duas estelas anãs brancas e uma estrela de neutrões ultradensa - os investigadores determinaram que até as estrelas de neutrões fenomenalmente compactas "caem" da mesma maneira que as suas homólogas menos densas, um aspeto da natureza chamado de "Princípio da Equivalência Forte" de Einstein.

A compreensão da gravidade de Einstein, conforme descrita na sua teoria geral da relatividade, prevê que todos os objetos caem à mesma proporção, independentemente da sua massa ou composição. Esta teoria passou teste após teste aqui na Terra, mas será que ainda é verdadeira para alguns dos objetos mais massivos e densos do Universo conhecido, um aspeto da natureza conhecido como o Princípio da Equivalência? Uma equipa internacional de astrónomos deu a esta persistente questão o seu teste mais rigoroso de todos os tempos. Os seus achados, publicados na revista Nature, mostram que o conhecimento de Einstein sobre a gravidade ainda prevalece, mesmo num dos cenários mais extremos que o Universo pode oferecer.

Retire todo o ar e um martelo e uma pena cairão à mesma velocidade - um conceito explorado por Galileu no final do século XVI e famosamente ilustrado na Lua pelo astronauta David Scott da Apollo 15.

Embora tivesse como base a física newtoniana, foi preciso a teoria da gravidade de Einstein para expressar como e porque é que isso acontece. As equações de Einstein passaram em todos os testes, desde cuidadosos estudos laboratoriais até observações de planetas no nosso Sistema Solar. Mas as alternativas à teoria geral da relatividade de Einstein preveem que objetos compactos com gravidade extremamente forte, como as estrelas de neutrões, caem um pouco diferente dos objetos de menor massa. Essa diferença, preveem as teorias alternativas, seria devido à energia de ligação gravitacional do objeto compacto - a energia gravitacional que o mantém unido.

Em 2011, o GBT da NSF descobriu um laboratório natural para testar esta teoria em condições extremas: um sistema estelar triplo chamado PSR J0337+1715, localizado a cerca de 4200 anos-luz da Terra. Este sistema contém uma estrela de neutrões numa órbita de 1,6 dias com uma estrela anã branca, e o par orbita outra anã branca mais distante a cada 327 dias.

"Este é um sistema estelar único," afirma Ryan Lynch do GBT, no estado norte-americano da Virgínia Ocidental, coautor do artigo. "Não sabemos de nenhum outro como ele. Isso torna-o num laboratório único para pôr à prova as teorias de Einstein."

O pulsar e a anã branca interior sofrem a atração gravitacional da anã branca exterior (em vermelho). Na maioria das teorias da gravidade, a gravidade muito forte do pulsar significa que cairá com uma aceleração diferente da da anã branca interior. Mas a teoria de Einstein prevê que caem exatamente da mesma maneira.
Crédito: Neil Blevins
 

Desde a sua descoberta que o sistema triplo tem sido observado regularmente pelo GBT, pelo WSRT (Westerbork Synthesis Radio Telescope) nos Países Baixos e pelo Observatório de Arecibo da NSF em Porto Rico. O GBT passou mais de 400 horas a observar este sistema, obtendo dados e calculando como cada objeto se move em relação aos outros.

Como é que estes telescópios conseguiram estudar este sistema? Esta estrela de neutrões em particular é na verdade um pulsar. Muitos pulsares giram com uma consistência que rivaliza alguns dos relógios atómicos mais precisos da Terra. "Como um dos radiotelescópios mais sensíveis do mundo, o GBT está preparado para captar esses leves pulsos de ondas de rádio com o objetivo de estudar a física extrema," acrescenta Lynch. A estrela de neutrões neste sistema pulsa (gira) 366 vezes por segundo.

"Podemos explicar cada pulso da estrela de neutrões desde que começámos as nossas observações," explica Anne Archibald da Universidade de Amesterdão, do Instituto Holandês de Radioastronomia e autora principal do artigo. "Podemos determinar a sua posição até algumas centenas de metros. É uma determinação realmente precisa de onde a estrela de neutrões esteve e para onde está a ir."

Se as alternativas à gravidade de Einstein estivessem corretas, então a estrela de neutrões e a anã branca interior cairiam de forma diferente em relação à anã branca exterior. "A anã branca interior não é tão massiva nem tão compacta quanto a estrela de neutrões e, portanto, tem menos energia de ligação gravitacional," comenta Scott Ransom, astrónomos do NRAO (National Radio Astronomy) em Charlottesville, no estado norte-americano da Virgínia, coautor do artigo.

Através de meticulosas observações e de cálculos cuidadosos, a equipa foi capaz de testar a gravidade do sistema usando apenas os pulsos da estrela de neutrões. Eles descobriram que qualquer diferença de aceleração entre a estrela de neutrões e a anã branca interior é pequena demais para ser detetada.

"Se houver uma diferença, não será mais do que três partes por milhão," afirma a coautora Nina Gusinskaia da Universidade de Amesterdão. Isto coloca severas restrições a quaisquer teorias alternativas à relatividade geral.

Este resultado é dez vezes mais preciso do que o melhor teste anterior da gravidade, tornando as evidências do Princípio da Equivalência Forte de Einstein muito mais fortes. "Estamos sempre à procura de melhores medições em novos locais, de modo que a nossa busca para aprender mais sobre novas fronteiras no Universo vai continuar," conclui Ransom.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)
Universidade do Wisconsin-Milwaukee (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
SPACE.com
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Teoria Geral da Relatividade:
Wikipedia
Princípio da Equivalência (Wikipedia)
Princípio da Equivalência Forte (Wikipedia)

PSR J0337+1715:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

Telescópio Robert C. Byrd Green Bank:
Página oficial
Wikipedia

WSRT ( Westerbork Synthesis Radio Telescope):
ASTRON
NRAO
Wikipedia

Observatório de Arecibo:
Página oficial
Wikipedia

 
NUSTAR PROVA QUE ETA CARINAE DISPARA RAIOS CÓSMICOS

Um novo estudo usando dados do Telescópio Espacial NuSTAR da NASA sugere que Eta Carinae, o sistema estelar mais luminoso e massivo até 10.000 anos-luz, está a acelerar partículas a altas energias - algumas das quais podem chegar à Terra como raios cósmicos.

"Sabemos que as ondas de choque de estrelas mortas podem acelerar partículas de raios cósmicos a velocidades comparáveis às da luz, um incremento incrível de energia," disse Kenji Hamaguchi, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo. "Processos semelhantes devem ocorrer noutros ambientes extremos. A nossa análise indica que Eta Carinae é um deles."

Os astrónomos sabem que os raios cósmicos com energias superiores a mil milhões de eletrões-volt (eV) chegam até nós além do nosso Sistema Solar. Mas dado que todas estas partículas - eletrões, protões e núcleos atómicos - transportam uma carga elétrica, desviam-se do seu percurso sempre que encontram campos magnéticos. Isto baralha os percursos e mascara as suas origens.

Eta Carinae, localizada a cerca de 7500 anos-luz de distância na direção da constelação de Quilha (Carina), é famosa por uma explosão do século XIX que brevemente a tornou na segunda estrela mais brilhante do céu. Este evento também expeliu uma enorme nebulosa em forma de ampulheta, mas a causa da erupção ainda é pouco conhecida.

A Grande Erupção de Eta Carinae na década de 1840 criou esta nebulosa, fotografada aqui pelo Hubble. Agora com aproximadamente um ano-luz em diâmetro, a nuvem em expansão contém material suficiente para fazer, pelo menos, 10 cópias do nosso Sol. Os astrónomos ainda não conseguiram explicar o que provocou esta explosão.
Crédito: NASA, ESA e Equipa SM4 ERO do Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O sistema contém um par de estrelas massivas cujas órbitas excêntricas as aproximam a cada 5,5 anos. As estrelas contêm 90 e 30 vezes a massa do nosso Sol e passam a 235 milhões de quilómetros na sua maior aproximação - mais ou menos a distância média entre Marte e o Sol.

"Ambas as estrelas de Eta Carinae dirigem poderosos fluxos chamados ventos estelares," disse o membro da equipa Michael Corcoran, também de Goddard. "O local onde estes ventos chocam muda durante o ciclo orbital, o que produz um sinal periódico em raios-X de baixa energia que estamos a rastrear há mais de duas décadas."

O Telescópio Espacial de raios-gama Fermi da NASA também observa uma mudança nos raios-gama - luz muito mais energética do que os raios-X - de uma fonte na direção de Eta Carinae. Mas a visão do Fermi não é tão nítida quanto as dos telescópios de raios-X, de modo que os astrónomos não puderam confirmar a ligação.

Para preencher a lacuna entre a monitorização de raios-X de baixa energia e as observações do Fermi, Hamaguchi e colegas recorreram ao NuSTAR. Lançado em 2012, o NuSTAR pode focar-se em raios-X muito mais energéticos do que qualquer telescópio anterior. Utilizando tanto dados recolhidos recentemente como de arquivo, a equipa examinou observações do NuSTAR obtidas entre março de 2014 e junho de 2016, juntamente com observações de raios-X de baixa energia do satélite XMM-Newton da ESA no mesmo período.

Os raios-X de baixa energia de Eta Carinae vêm do gás na interface dos ventos estelares em colisão, onde as temperaturas excedem os 40 milhões de graus Celsius. Mas o NuSTAR deteta uma fonte emissora de raios-X acima dos 30.000 eV, cerca de três vezes mais do que pode ser explicado por ondas de choque nos ventos em colisão. Para comparação, a energia da luz visível varia de mais ou menos 2 eV para 3 eV.

Eta Carinae brilha em raios-X nesta imagem obtida pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA. As cores indicam diferentes energias. O vermelho cobre os 300-1000 eV, o verde varia entre 1000 e 3000 eV e o azul cobre 3000 e 10.000 eV. Para comparação, a energia da luz visível encontra-se entre os 2 e 3 eV. As observações do NuSTAR (contornos verdes) revelam uma fonte de raios-X com energias três vezes superiores às que o Chandra deteta. Os raios-X vistos da fonte no ponto central têm origem na colisão dos ventos estelares do binário. A deteção do NuSTAR mostra que as ondas de choque na zona de colisão dos ventos acelera partículas carregadas como eletrões e protões até quase à velocidade da luz. Algumas destas partículas podem alcançar a Terra, onde são detetadas como partículas de raios cósmicos. Os raios-X espalhados pelos detritos ejetados na famosa erupção do século XIX de Eta Carinae podem produzir a emissão avermelhada.
Crédito: NASA/CXC e NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A análise da equipa, apresentada na edição de 2 de julho da Nature Astronomy, mostra que esses raios-X variam com o período orbital binário e indica um padrão de saída de energia similar ao dos raios-gama observados pelo Fermi.

Os investigadores dizem que a melhor explicação para os raios-X energéticos e a emissão de raios-gama é a aceleração de eletrões em violentas ondas de choque ao longo da fronteira dos ventos estelares em colisão. Os raios-X detetados pelo NuSTAR e os raios-gama detetados pelo Fermi surgem da luz estelar, devido a um enorme aumento de energia pelas interações com esses eletrões.

Alguns dos eletrões super-rápidos, bem como outras partículas aceleradas, devem escapar do sistema e talvez alguns deambulem eventualmente até à Terra, onde podem ser detetados como raios cósmicos.

"Nós sabemos há algum tempo que a região em torno de Eta Carinae é a fonte de emissão energética de raios-X e raios-gama de alta anergia," acrescenta Fiona Harrison, investigadora principal do NuSTAR e professora de astronomia no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. "Mas até que o NuSTAR foi capaz de identificar a radiação, mostrar que vinha do binário e de estudar as suas propriedades em detalhe, a origem permanecia misteriosa."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature Astronomy)
Eta Carinae Dispara Raios Cósmicos (NASA Goddard via YouTube)
ScienceDaily
Astronomy Now
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UPI

Eta Carinae:
Wikipedia
Solstation

NuSTAR:
NASA
Caltech
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Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
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COLISÃO CATACLÍSMICA MOLDOU A EVOLUÇÃO DE ÚRANO

De acordo com uma nova investigação, Úrano foi atingido por um objeto massivo com aproximadamente o dobro do tamanho da Terra, o que provocou a inclinação do planeta e poderia explicar as suas baixíssimas temperaturas.

Astrónomos da Universidade de Durham lideraram uma equipa internacional de especialistas na investigação de como Úrano ficou inclinado de lado e que consequências teria um gigantesco impacto na evolução do planeta.

A equipa realizou as primeiras simulações de computador de alta resolução de diferentes colisões massivas com o gigante gelado a fim de tentar descobrir como o planeta evoluiu.

A investigação confirma um estudo anterior que afirmou que a inclinação de Úrano foi provocada por uma colisão com um objeto massivo - provavelmente um jovem protoplaneta feito de rocha e gelo - durante a formação do Sistema Solar há cerca de 4 mil milhões de anos.

As simulações também sugeriram que os detritos do impactor poderiam ter formado uma fina concha perto da camada gelada do planeta e ter prendido o calor emanado do núcleo de Úrano. Os cientistas disseram que o aprisionamento desse calor interno poderia em parte ajudar a explicar a temperatura extremamente baixa da atmosfera exterior de Úrano (-216º C).

Os achados foram publicados na The Astrophysical Journal.

Imagem de Úrano em cores falsas, obtida em 1998 pelo Hubble, no infravermelho próximo, que mostra bandas de nuvens anéis e luas.
Crédito: NASA e Erich Karkoschka (Universidade do Arizona)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Impacto gigante

O autor principal, Jacob Kegerreis, investigador de doutoramento do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, disse: "Úrano gira de lado, o seu eixo aponta quase em ângulo reto em relação a todos os outros planetas do Sistema Solar. Isto quase certamente foi provocado por um impacto gigante, mas sabemos muito pouco sobre como isto realmente aconteceu e de que outras formas um evento tão violento afetou o planeta."

"Corremos mais de 50 cenários diferentes para o impacto, usando um supercomputador para ver se podíamos recriar as condições que moldaram a evolução do planeta."

"As nossas descobertas confirmam que o resultado mais provável foi que o jovem Úrano esteve envolvido numa colisão cataclísmica com um objeto duas vezes mais massivo que a Terra, se não maior, colocando-o de lado e definindo os eventos que ajudaram a formar o planeta que vemos hoje."

Havia dúvidas sobre como Úrano conseguiu manter a sua atmosfera aquando da violenta colisão, que a poderia ter expelido para o espaço.

De acordo com as simulações, isto pode muito provavelmente ser explicado pelo objeto que "raspou" o planeta durante a colisão. A colisão foi forte o suficiente para afetar a inclinação de Úrano, mas o planeta foi capaz de reter a maioria da sua atmosfera.

Anéis e luas

A investigação também poderá ajudar a explicar a formação dos anéis e luas de Úrano, com as simulações a sugerir que o impacto poderia ter lançado pedras e gelos para órbita em redor do planeta. Estas rochas e gelos podem ter-se agrupado para formar os satélites interiores do planeta e talvez alterado a rotação de quaisquer luas pré-existentes já em órbita de Úrano.

As simulações mostram que o impacto pode ter derretido gelo e pedaços de rocha dentro do planeta. Isto pode ajudar a explicar o campo magnético inclinado e fora do centro de Úrano.

Úrano é semelhante ao tipo mais comum de exoplanetas - planetas para lá do nosso Sistema Solar - e os investigadores esperam que as suas descobertas ajudem a explicar como esses planetas evoluíram e a entender mais sobre a sua composição química.

O Dr. Luis Teodoro, coautor do artigo, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, disse: "Todas as evidências apontam para que os impactos gigantescos tenham sido frequentes durante a formação planetária, e com este tipo de investigação estamos agora a obter mais informações sobre os seus efeitos em exoplanetas potencialmente habitáveis."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
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Úrano:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Do Plano Galáctico, Passando por Antares
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo (Deep Sky Colors)
 
Contemple uma das regiões mais fotogénicas do céu noturno, capturada de forma impressionante. Em destaque, a banda da nossa Galáxia, a Via Láctea, corre diagonalmente ao longo da esquerda, enquanto a colorida região de Rho Ophiuchus, incluindo a brilhante estrela laranja Antares, é visível logo para a direita do centro, e a nebulosa Sharpless 1 (Sh2-1) aparece à direita. Visíveis em frente da banda da Via Láctea, várias nebulosas famosas incluindo a Nebulosa da Águia (M16), a Nebulosa Trífida (M20) e a Nebulosa da Lagoa (M8). Outras nebulosas notáveis incluem a do Cachimbo e a da Cabeça de Cavalo. Em geral, o vermelho emana das nebulosas que brilham devido à luz do hidrogénio gasoso excitado, enquanto o azul marca poeira interestelar que reflete preferencialmente a luz de jovens estrelas brilhantes. A poeira espessa aparece de outro modo castanha escura. Grandes "bolas" visíveis de estrelas incluem os enxames globulares M4, M9, M19, M28 e M80, cada marcada na imagem legendada. Este campo extremamente amplo - com cerca de 50 graus de diâmetro - abrange as constelações de Sagitário, em baixo à esquerda, de Serpente em cima à esquerda, Ofiúco no meio e Escorpião à direita. Foram necessárias mais de 100 horas de imagens do céu, combinadas com um planeamento meticuloso e processamento digital, para criar esta imagem.
 

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