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Edição n.º 1498
17/07 a 19/07/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/07: 198.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1850, primeira fotografia de uma estrela (Vega) que não o Sol, captada pelo Observatório de Harvard.
Em 1894, nascia Georges Lemaître, padre, astrónomo e professor belga.

Foi o primeiro a propôr, academicamente, a teoria da expansão do Universo, largamente mal atribuída a Edwin Hubble. Foi também o primeiro a derivar o que é agora a Lei de Hubble e fez a primeira estimativa do que agora se chama a constante de Hubble, que publicou em 1927, dois anos antes do artigo de Hubble. Lemaître também propôs o que veio a ser conhecido como a teoria do Big Bang para a origem do Universo, que ele chamou de "hipótese do átomo primitivo" ou "Ovo Cósmico".
Em 1975, os módulos Apollo e Soyuz efetuam o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Os comandantes das missões dão o primeiro aperto de mão internacional no espaço.
Em 2007, descoberta do objeto trans-neptuniano 2007 OR10.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 19:57 e as 22:24.
Trânsito de Io, entre as 21:46 e as 00:01 (já de dia 18).
A estrelada constelação de Escorpião é por vezes denominada de "Orionte de Verão" devido ao seu brilho e à sua proeminente gigante vermelha (Antares no caso de Escorpião, Betelgeuse para Orionte). Mas Escorpião passa muito mais baixo no céu a sul nas noites de julho do que Orionte o faz no inverno (para aqueles a latitudes médias norte). Isso significa que só tem um bom mês noturno: julho. Aviste Escorpião a sul agora logo após o cair da noite, antes de começar a inclinar-se para sudoeste. A constelação está recheada de objetos de céu profundo para caçar com um bom atlas celeste e binóculos ou um telescópio.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:59 e as 01:13 (já de dia 18).

Dia 18/07: 199.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1921, nascia John Glenn, que em 1962 se tornou no primeiro americano a orbitar a Terra (3 órbitas). Em 1998, tornou-se na pessoa mais velha a voar no espaço (77 anos), como membro da tripulação do vaivém Discovery.
Em 1965, lançamento do satélite russo Zond 3.
Em 1966, lançamento da Gemini 10 numa missão de 70 horas que inclui o acoplamento com um veículo de alvo Agena
Em 1969, a Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.

Em 1997, a sonda Galileo descobre uma ténue atmosfera em Europa, o mundo oceânico de Júpiter.
Observações: Ocultação de Io, entre as 18:56 e as 21:10.
Eclipse de Io, entre as 20:08 e as 22:25.
Ao cair da noite, a Lua brilha para cima e para a direita de Espiga. Procure, bem para cima da Lua, a mais brilhante Arcturo. Bem para a direita de Arcturo está Ursa Maior.
A secção da Via Láctea que passa por Cisne está alta a este após o cair da noite e passa por cima das nossas cabeças. A Estrela do Coração de Cisne, e o centro da Cruz do Norte, é Sadr (Gamma Cygni), de 2.ª magnitude, bem no meio da Via Láctea. Uns binóculos mostram a forma de coração formado por estrelas ténues em redor de Sadr (excluindo-a).

Dia 19/07: 200.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846 nascia Edward Pickering, espectroscopista americano pioneiro e diretor do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919.

Esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a coleção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1912, um meteorito com uma massa estimada de 190 kg explode sobre a cidade de Holbrook, no estado norte-americano do Arizona, provocando a queda de aproximadamente 16.000 fragmentos de detritos. 
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do vaivém espacial Challenger na missão STS-51-L, que a 28 de Janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 20:52. Brilha a sudoeste ao lusco-fusco, com Espiga para baixo e para a direita e Júpiter para a esquerda. Desenhe uma linha com o dobro da distância que separa a Lua de Júpiter, na mesma direção, e alcançará Antares, passando por Delta Scorpii pelo caminho.

 
CURIOSIDADES

A Academia de Televisão, Artes e Ciências dos EUA nomeou o JPL da NASA para um Emmy, na categoria de Melhor Programa Interativo Original, pela sua cobertura do "Grande Final" da Cassini em Saturno, com notícias, educação, televisão e esforços nas redes sociais.
 
INTEGRAL JUNTA-SE À CAMPANHA MULTI-MENSAGEIRA PARA ESTUDAR FONTES DE NEUTRINOS DE ALTA ENERGIA

Uma equipa internacional de cientistas encontrou a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia: uma galáxia ativa, ou blazar, a 4 mil milhões de anos-luz da Terra. Após uma deteção pelo Observatório de Neutrinos IceCube, a 22 de setembro de 2017, o satélite INTEGRAL da ESA juntou-se a uma colaboração de observatórios no espaço e no solo que vigiava a fonte de neutrinos, anunciando o emocionante futuro da astronomia multi-mensageira.

Os neutrinos são partículas "fantasmagóricas", quase sem massa, que viajam essencialmente de forma livre através do espaço, perto da velocidade da luz. Apesar de serem algumas das partículas mais abundantes no Universo - 100 biliões passam através dos nossos corpos a cada segundo - estas partículas subatómicas, eletricamente neutras, são notoriamente difíceis de detetar porque interagem com a matéria incrivelmente raramente.

Os blazares são os núcleos centrais de galáxias gigantes que albergam um buraco negro supermassivo no coração, onde a matéria espiralada forma um disco giratório quente que gera enormes quantidades de energia, junto com um par de jatos relativísticos que apontam na direção da Terra.
Nesta impressão de artista, o blazar emite neutrinos e raios-gama, como no caso do evento IceCube-170922A, registo no dia 22 de setembro de 2017. Nesta ocasião, o IceCube no Pólo Sul detetou um neutrino enquanto ao mesmo tempo raios-gama, oriundos da mesma direção no céu, foram detetados por outros telescópios na Terra e no espaço.
Crédito: IceCube/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Enquanto os neutrinos primordiais foram criados durante o Big Bang, muitas dessas partículas ilusórias são rotineiramente produzidas em reações nucleares através do cosmos. A maioria dos neutrinos que chegam à Terra derivam do Sol, mas acredita-se que aqueles que nos atingem com as energias mais altas provêm das mesmas fontes que os raios cósmicos - partículas altamente energéticas originárias de fontes exóticas fora do Sistema Solar.

Ao contrário dos neutrinos, os raios cósmicos são partículas carregadas e, assim, o seu caminho é torcido por campos magnéticos, mesmo os mais fracos. A carga neutra dos neutrinos, em vez disso, significa que estes não são afetados pelos campos magnéticos e, como eles passam quase inteiramente através da matéria, podem ser usados para traçar um caminho reto até à sua origem.

Agindo como "mensageiros", os neutrinos transportam diretamente informações astronómicas dos confins do Universo. Nas últimas décadas, foram construídos vários instrumentos na Terra e no espaço para descodificar as suas mensagens, embora detetar estas partículas não seja tarefa fácil. Em particular, a fonte de neutrinos de alta energia, até agora, não foi comprovada.

No dia 22 de setembro de 2017, um desses neutrinos de alta energia chegou ao Observatório de Neutrinos IceCube, no Pólo Sul. O evento foi chamado IceCube-170922A.

O observatório IceCube, que engloba um quilómetro cúbico de gelo cristalino e profundo, deteta neutrinos através das suas partículas secundárias, muões. Estes muões são produzidos nas raras ocasiões em que um neutrino interage com a matéria na vizinhança do detetor e criam rastros com quilómetros de comprimento, à medida que passam pelas camadas de gelo da Antártida. Os seus longos caminhos significam que a sua posição pode ser bem definida, e a origem parental do neutrino pode ser fixada no céu.

Durante o evento de 22 de setembro, um muão em travessia depositou 22 TeV de energia no detetor IceCube. A partir disso, os cientistas estimaram a energia do neutrino parental em torno de 290 TeV, indicando uma possibilidade de 50% de ter uma origem astrofísica além do Sistema Solar.

Imagem do IceCube Neutrino Observatory, enterrado entre 1,5 e 2,5 km por baixo do gelo antártico no Pólo Sul. O único equipamento visível acima da superfície é o laboratório, que alberga computadores que recolhem dados de mais de 5000 sensores de luz no gelo.
Nesta impressão de artista, uma imagem dos sensores com base em medições do evento IceCube-170922A, registado no dia 22 de setembro de 2017, é visto por baixo do laboratório. Nesta ocasião, o IceCube detetou um neutrino enquanto ao mesmo tempo raios-gama eram detetados por outros telescópios na Terra e no espaço; as observações revelaram que o "mensageiro cósmico" tinha origem num blazar, um tipo de galáxia ativa em que um dos seus jatos está apontado para a Terra.
Crédito: Colaboração IceCube/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quando a origem de um neutrino não pode ser identificada de maneira robusta pelo IceCube, como neste caso, são necessárias observações de múltiplos comprimentos de onda para investigar a sua fonte. Assim, após a deteção, os cientistas do IceCube circularam as coordenadas no céu da origem do neutrino, inferidas a partir das suas observações, para uma rede mundial de observatórios terrestres e espaciais que trabalham em todo o espectro eletromagnético.

Estes incluíram o telescópio espacial de raios-gama Fermi da NASA e os telescópios MAGIC (Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov) em La Palma, nas Ilhas Canárias, que observou esta parte do céu e encontrou o blazar conhecido, TXS 0506 + 056, num estado de "cintilação" - um período de intensa emissão de alta energia - ao mesmo tempo que o neutrino foi detetado no Pólo Sul.

Os blazares são os núcleos centrais de galáxias gigantes que albergam um buraco negro supermassivo no coração, onde a matéria espiralada forma um disco giratório quente que gera enormes quantidades de energia, junto com um par de jatos relativísticos.

Estes jatos são colunas colossais que irradiam radiação, fotões e partículas - incluindo neutrinos e raios cósmicos - a dezenas de anos-luz do buraco negro central, a velocidades muito próximas da velocidade da luz. Uma característica específica dos blazares é que um desses jatos aponta na direção da Terra, fazendo com que a sua emissão pareça excecionalmente brilhante.

Cientistas de todo o mundo começaram a observar este blazar - a fonte provável do neutrino detetado pelo IceCube - numa variedade de comprimentos de onda, de ondas de rádio a raios-gama de alta energia. O observatório de raios gama INTEGRAL da ESA fez parte desta colaboração internacional.

"Este é um marco muito importante para entender como os neutrinos de alta energia são produzidos", diz Carlo Ferrigno, do Centro de Dados Científicos INTEGRAL da Universidade de Genebra, na Suíça.

"Houve alegações anteriores de que as explosões de blazar estavam associadas à produção de neutrinos, mas esta, a primeira confirmação, é absolutamente fundamental. Este é um período empolgante para a astrofísica", acrescenta ele.

O INTEGRAL, que examina o céu em raios-X fortes e raios-gama suaves, também é sensível a fontes transitórias de alta energia em todo o céu. No momento em que o neutrino foi detetado, não registrou nenhuma explosão de raios-gama do local do blazar, então os cientistas foram capazes de descartar emissões imediatas de certas fontes, como uma explosão de raios-gama.

Após o alerta de neutrino do IceCube, o INTEGRAL apontou para esta área do céu em várias ocasiões, entre 30 de setembro e 24 de outubro de 2017, com os seus instrumentos de campo amplo, e não observou o blazar num estado de cintilação na gama de raios-X fortes ou raios-gama suaves.

Impressão de artista da nave INTEGRAL.
Crédito: ESA
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O facto do INTEGRAL não ter detetado a fonte nas observações de acompanhamento forneceu informações significativas sobre esse blazar, permitindo que os cientistas colocassem um limite superior útil na sua produção de energia durante esse período.

"O INTEGRAL foi importante para restringir as propriedades deste blazar, mas também para permitir que os cientistas excluíssem outras fontes de neutrinos, como explosões de raios-gama", explica Volodymyr Savchenko, do Centro de Dados Científicos INTEGRAL, que liderou a análise dos dados do INTEGRAL.

Com instalações espalhadas pelo globo e no espaço, os cientistas têm agora a capacidade de detetar uma infinidade de "mensageiros cósmicos", percorrendo vastas distâncias a velocidades extremamente altas, na forma de luz, neutrinos, raios cósmicos e até ondas gravitacionais.

"A capacidade de fazer com que os telescópios alcancem uma descoberta utilizando uma variedade de comprimentos de onda, em cooperação com um detetor de neutrinos como o IceCube, é um marco ao qual os cientistas chamam de astronomia multi-mensageira", diz Francis Halzen da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, cientista-líder do Observatório de Neutrinos IceCube.

Com a combinação das informações recolhidas por cada um desses instrumentos sofisticados para a investigação de uma ampla gama de processos cósmicos, a era da astronomia multi-mensageira entrou verdadeiramente na fase da exploração científica.

Os telescópios espaciais de alta energia da ESA estão totalmente integrados nesta rede de grandes colaborações multi-mensageiras, como demonstrado durante a recente deteção de ondas gravitacionais com uma correspondente emissão de raios-gama - esta última detetada pelo INTEGRAL - libertadas pela colisão de duas estrelas de neutrões e na subsequente campanha, com contribuições do INTEGRAL, bem como do Observatório de raios-X XMM-Newton.

Reunir recursos destes e de outros observatórios é fundamental para o futuro da astrofísica, promovendo a nossa capacidade de descodificar as mensagens que nos chegam de todo o Universo.

"O INTEGRAL é o único observatório disponível no domínio de raios-X fortes e raios-gama que tem a capacidade de realizar imagens e espectroscopia dedicadas, além de ter uma visão instantânea do céu a qualquer momento", realça Erik Kuulkers, cientista do projeto INTEGRAL na ESA.

"Depois de mais de 15 anos de operações, o INTEGRAL ainda está na vanguarda da astrofísica de alta energia."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
IceCube (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
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Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
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Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
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Universidade do Alabama (comunicado de imprensa)
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HUBBLE E GAIA UNEM FORÇAS PARA ALIMENTAR ENIGMA CÓSMICO

Usando o poder e a sinergia de dois telescópios espaciais, os astrónomos fizeram a medição mais precisa até à data da expansão do Universo.

Os resultados alimentam ainda mais a incompatibilidade entre as medições da expansão do Universo próximo e as do Universo distante - antes mesmo de existirem estrelas e galáxias.

Esta chamada "tensão" implica que poderá haver nova física subjacente às fundações do Universo. As possibilidades incluem a força da interação da matéria escura, a energia escura sendo ainda mais exótica do que se pensava anteriormente, ou uma nova partícula desconhecida na tapeçaria do espaço.

Usando dois dos mais poderosos telescópios espaciais - o Hubble da NASA e o Gaia da ESA - os astrónomos fizeram as medições mais precisas, até à data, da velocidade de expansão do Universo. Este valor é calculado determinando as distâncias entre galáxias próximas usando um tipo especial de estrela chamada variáveis Cefeidas como réguas cósmicas. Através da comparação do seu brilho intrínseco, medido pelo Hubble, com o brilho aparente visto da Terra, os cientistas podem calcular as suas distâncias. O Gaia refina ainda mais esta régua medindo geometricamente as distâncias às variáveis Cefeidas dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea. Isto permite com que os astrónomos calibrem com mais precisão as distâncias às Cefeidas noutras galáxias.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
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Combinando observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do observatório Gaia da ESA, os astrónomos refinaram ainda mais o valor anteriores da constante de Hubble, o ritmo a que o Universo se expande desde o Big Bang há 13,8 mil milhões de anos.

Mas à medida que as medições se tornam mais precisas, a determinação da constante de Hubble pela equipa tornou-se cada vez mais desfasada da de outro observatório espacial, a missão Planck da ESA, que apresenta um valor previsto diferente para a constante de Hubble.

O Planck mapeou o universo primitivo como este aparecia apenas 360.000 anos após o Big Bang. Todo o céu está impresso com a assinatura do Big Bang codificada em micro-ondas. O Planck mediu os tamanhos das ondulações nesta radiação cósmica de fundo em micro-ondas produzida por pequenas irregularidades no Big Bang. Os detalhes refinados dessas ondulações codificam quanta matéria escura e matéria comum existe, a trajetória do universo naquela época e outros parâmetros cosmológicos.

Essas medições, ainda em avaliação, permitem aos cientistas prever como o Universo inicial teria evoluído para a expansão que podemos medir hoje. No entanto, essas previsões não correspondem às novas medições do nosso Universo próximo e contemporâneo.

"Com a adição dos novos dados do Gaia e do Telescópio Espacial Hubble, temos agora uma séria tensão com os dados da radiação cósmica de fundo em micro-ondas," afirma George Efstathiou, membro da equipa do Planck e analista pertencente ao Instituto Kavli para Cosmologia em Cambridge, Inglaterra, que não esteve envolvido no novo trabalho.

"A tensão parece ter-se transformado numa incompatibilidade total entre os nossos pontos de vista do Universo inicial e do atual," comenta o líder da equipa e prémio Nobel Adam Riess, do STScI (Space Telescope Science Institute) e da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. "Neste ponto, claramente não é apenas um erro grosseiro em qualquer das medições. É como se prevíssemos a altura de uma criança a partir de um gráfico de crescimento e depois descobríssemos que o adulto se havia tornado muito mais alto. Estamos muito perplexos."

Em 2005, Riess e os membros da equipa SHOES (Supernova H0 for the Equation of State) decidiram medir a expansão do Universo com uma precisão sem precedentes. Nos anos seguintes, ao refinarem as suas técnicas, esta equipa reduziu a incerteza da expansão até valores nunca antes alcançados. Agora, com o poder combinado do Hubble e do Gaia, reduziram essa incerteza até apenas 2,2%.

Dado que a constante de Hubble é necessária para estimar a idade do Universo, a resposta há muito procurada é um dos números mais importantes da cosmologia. Tem o nome do astrónomo Edwin Hubble, que há quase um século atrás descobriu que o Universo estava a expandir-se uniformemente em todas as direções - um achado que deu origem à cosmologia moderna.

As galáxias parecem recuar da Terra proporcionalmente às suas distâncias, o que significa que quanto mais longe estão, mais rapidamente parecem estar a afastar-se. Esta é uma consequência da expansão do Universo e não um valor real da velocidade espacial. Ao medir o valor da constante de Hubble ao longo do tempo, os astrónomos podem construir uma imagem da nossa evolução cósmica, inferir a composição do Universo e descobrir pistas sobre o seu destino final.

Os dois principais métodos de medir este número fornecem resultados incompatíveis. Um método é o direto, a construção de uma "escada de distâncias cósmicas" a partir de medições de estrelas no nosso Universo local. O outro método usa a radiação cósmica de fundo em micro-ondas para medir a trajetória do Universo após o Big Bang e depois usa a física para descrever o Universo e para extrapolar a atual velocidade de expansão. Juntas, as medições devem fornecer um teste total do nosso conhecimento básico do chamado "Modelo Padrão" do Universo. No entanto, as peças não encaixam.

Usando o Hubble e dados recém-divulgados do Gaia, a equipa de Riess determinou que o atual ritmo de expansão é 73,5 km por segundo por megaparsec. Isto significa que por cada 3,3 milhões de anos-luz que uma galáxia está mais longe de nós, parece mover-se 73,5 km/s mais depressa. No entanto, os resultados do Planck preveem que o Universo devia estar a expandir-se a apenas 67,0 km/s/Mpc. À medida que as medições das equipas se tornam cada vez mais precisas, o abismo entre elas continua a aumentar e agora é cerca de quatro vezes maior do que a sua incerteza combinada.

Ao longo dos anos, a equipa de Riess refinou o valor da constante de Hubble através da simplificação e fortalecimento da "escada de distâncias cósmicas", usada para medir distâncias precisas de galáxias próximas e distantes. Eles compararam essas distâncias com a expansão do espaço, medida pelo esticamento da luz de galáxias próximas. Usando a velocidade aparente exterior a cada distância, calcularam a constante de Hubble.

Para medir as distâncias entre galáxias próximas, a sua equipa usou um tipo especial de estrela como "régua" cósmica. Estas estrelas pulsantes, chamadas Variáveis Cefeidas, aumentam e diminuem de brilho a ritmos que correspondem ao seu brilho intrínseco. Ao comparar o brilho intrínseco com o seu brilho aparente visto da Terra, os cientistas podem calcular as suas distâncias.

O Gaia refinou ainda mais este parâmetro, medindo geometricamente a distância de 50 Cefeidas na Via Láctea. Essas medições foram combinadas com medições precisas dos seus brilhos pelo Hubble. Isto permitiu que os astrónomos calibrassem com mais precisão as Cefeidas e depois usassem aquelas vistas para lá da Via Láctea como marcadores.

"Quando usamos Cefeidas, precisamos da distância e do brilho," explicou Riess. O Hubble forneceu a informação do brilho e o Gaia forneceu a informação de paralaxe necessária para determinar com precisão as distâncias. A paralaxe é a aparente mudança na posição de um objeto devido a uma mudança no ponto de vista do observador. Os gregos antigos usaram esta técnica para medir a distância da Terra à Lua.

"O Hubble é realmente incrível como um observatório de propósito geral, mas o Gaia é o novo padrão de ouro para calibrar a distância. Foi construído especificamente para medir a paralaxe," acrescentou Stefano Casertano do STScI e membro do SHOES. "O Gaia dá-nos uma nova capacidade de recalibrar todas as medidas passadas de distância, e parece confirmar o nosso trabalho anterior. Nós obtemos o mesmo valor para a constante de Hubble se substituirmos todas as calibrações anteriores da escada de distância cósmica apenas com as paralaxes do Gaia. É um cruzamento entre dois observatórios muito poderosos e precisos."

O objetivo da equipa de Riess é trabalhar com o Gaia para atravessar o limite de refinar a constante de Hubble para um valor de apenas 1% no início da década de 2020. Entretanto, os astrofísicos vão provavelmente a continuar a lutar para revisitar as suas ideias sobre a física do Universo primitivo.

Os resultados mais recentes da equipa de Riess foram publicados na edição de 12 de julho da revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
Space Daily
Astronomy Now
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UPI

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Paralaxe:
Wikipedia
Paralaxe estelar (Wikipedia)

"Escada" cósmica de distâncias:
Wikipedia

Variáveis Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
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Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
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Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
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OBSERVATÓRIOS REVELAM RARO ASTEROIDE DUPLO
Impressão de artista do aspeto do binário 2017 YE5. Os dois objetos mostram diferenças marcantes em termos de refletividade de radar, o que poderá indicar que têm diferentes propriedades de superfície.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas observações feitas por três dos maiores radiotelescópios do mundo revelaram que um asteroide descoberto no ano passado é na realidade dois objetos, cada com cerca de 900 metros de diâmetro, orbitando-se um ao outro.

O asteroide próximo da Terra 2017 YE5 foi descoberto com observações fornecidas pelo projeto MOSS (Morocco Oukaimeden Sky Survey) no dia 21 de dezembro de 2017, mas não eram conhecidos detalhes acerca das propriedades físicas do objeto até ao final de junho. Este é apenas o quarto asteroide binário de "massa igual" próximo da Terra já detetado, constituído por dois objetos quase idênticos em tamanho, em órbita um do outro. As novas observações fornecem as imagens mais nítidas já obtidas deste tipo de asteroide binário.

No dia 21 de junho, o asteroide 2017 YE5 fez a sua maior aproximação à Terra pelo menos dos próximos 170 anos, chegando a 6 milhões do nosso planeta, ou cerca de 16 vezes a distância à Lua. Nos dias 21 e 22 de junho, as observações pelo GSSR (Goldstone Solar System Radar) da NASA no estado norte-americano da Califórnia mostraram os primeiros sinais de que YE5 podia ser um sistema binário. As observações revelaram dois lóbulos distintos, mas a orientação do asteroide era tal que os cientistas não podiam ver se os dois corpos estavam separados ou unidos. Eventualmente, os dois objetos giraram para expor uma lacuna distinta entre eles.

Imagens de radar do asteroide binário 2017 YE5 obtidas pelo GSSR (Goldstone Solar System Radar). As observações, levadas a cabo no dia 23 de junho de 2018, mostram dois lóbulos, mas ainda não mostram dois objetos separados.
Crédito: GSSR/NASA/JPL-Caltech
 

Os cientistas do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, já haviam planeado observar YE5, e foram alertados pelos seus colegas em Goldstone acerca das propriedades únicas do asteroide. No dia 24 de junho, os cientistas uniram-se com investigadores do GBO (Green Bank Observatory) no estado norte-americano de West Virginia e usaram os dois observatórios juntos numa configuração de radar bi-estática (na qual o Arecibo transmite o sinal de radar e o Green Bank recebe o sinal de retorno). Juntos, puderam confirmar que 2017 YE5 era composto por dois objetos separados. No dia 26 de junho, Goldstone e Arecibo confirmaram independentemente a natureza binária do asteroide.

As novas observações obtidas entre os dias 21 e 26 de junho indicam que os dois objetos giram em torno um do outro uma vez a cada 20 a 24 horas. Isto foi confirmado com observações óticas das variações de brilho feitas por Brian Warner no CS3 (Center for Solar System Studies) em Rancho Cucamonga, Califórnia.

Imagens bi-estáticas de radar do asteroide binário 2017 YE5 do Observatório de Arecibo e do GBO de dia 25 de junho. As observações mostram que o asteroide é na verdade dois objetos separados em órbita um do outro.
Crédito: Arecibo/GBO/NSF/NASA/JPL-Caltech
 

Imagens de radar mostram que os dois objetos são maiores do que o seu brilho ótico combinado originalmente sugeria, indicando que as duas rochas não refletem tanta luz solar quanto um típico asteroide rochoso. 2017 YE5 é provavelmente tão escuro quanto carvão. As imagens de Goldstone obtidas no dia 21 de junho também mostram uma diferença marcante na refletividade dos dois objetos, um fenómeno anteriormente inédito entre os mais de 50 outros asteroides binários estudados com radar desde 2000 (no entanto, a maioria desses asteroides binários consiste de um objeto maior e de um satélite muito menor). As diferenças de refletividade também aparecem nas imagens de Arecibo e sugerem que os dois objetos podem ter densidades e composições diferentes perto das suas superfícies ou diferentes rugosidades à superfície.

Os cientistas estimam que dos asteroides próximos da Terra com mais de 200 metros, cerca de 15% são binários com um objeto maior e um satélite muito mais pequeno. Os binários de massa igual como 2017 YE5 são muito mais raros. Os binários de contacto, nos quais dois objetos de tamanho similar estão em contacto, são responsáveis por outros 15% dos asteroides próximos da Terra maiores que 200 metros.

Ilustração da trajetória do asteroide binário 2017 YE5 através do Sistema Solar. Na sua maior aproximação à Terra, o asteroide passou a 16 vezes a distância à Lua.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta da natureza binária de 2017 YE5 fornece aos cientistas uma importante oportunidade para melhorar a compreensão de diferentes tipos de binários e para estudar os mecanismos de formação entre binários e binários de contacto, que podem estar relacionados. A análise da combinação entre as observações de radar e as observações no visível podem permitir com que os cientistas estimem as densidades dos objetos de 2017 YE5, o que irá melhorar a compreensão da sua composição e estrutura interna, e de como se formaram.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
GBO (comunicado de imprensa)
Raro Asteroide Duplo Revelado pela NASA, Observatórios (NASA JPL via YouTube)
Astronomy
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SPACE.com
EarthSky
Space Daily
Science alert
Newsweek
Gizmodo

2017 YE5:
JPL
NEODyS-2
Wikipedia

Asteroides:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
NASA
Wikipedia

MOSS (Morocco Oukaimeden Sky Survey):
Página oficial

GSSR (Goldstone Solar System Radar):
NASA
Wikipedia

Observatório de Arecibo:
Página oficial
Wikipedia

GBO (Green Bank Observatory):
Página oficial
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - "Mordidela" no Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Padraic Koen, Adelaide, Austrália do Sul
 
O mais pequeno dos três eclipses solares parciais de 2018 foi no passado dia 13 de julho. Foi mais visível no oceano aberto entre a Austrália e a Antártida. Ainda assim, este instantâneo de vídeo de uma minúscula "mordidela" no Sol capturado através de um filtro de hidrogénio-alfa a partir de Port Elliott, no sul da Austrália, durante o eclipse máximo visível daquele local. Lá, a Lua Nova cobriu cerca de 0,16% do disco solar. O maior eclipse, cerca de um-terço do diâmetro do Sol bloqueado pela Lua Nova, pôde ser visto da Antártida Oriental perto de Peterson Bank, onde a colónia local de pinguins-imperadores provavelmente tinha a melhor vista. Durante esta prolífica temporada de eclipses, a chegada da Lua Cheia trará um eclipse lunar total no dia 27 de julho, seguido por outro eclipse solar parcial na próxima Lua Nova, dia 11 de agosto (não visível de Portugal).
 

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