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Edição n.º 1499
20/07 a 23/07/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2009, cientistas encontram evidências de outro objeto que bombardeou Júpiter, exatamente 15 anos após os primeiors impactos do cometa Shoemaker-Levy 9.
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 22:46 e as 01:11 (já de dia 21).
A Lua brilha perto de Júpiter esta noite. Para a esquerda do planeta, a cerca de 2º, está o grande duplo binocular Alpha Librae, com magnitudes 2,8 e 5,1.
A Lua está a 1,3 segundos-luz, Júpiter está a 44 minutos-luz, e as duas estrelas de Alpha Librae estão a 77 anos-luz.

Dia 21/07: 202.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1620, nascia Jean Picard, astrónomo francês, o primeiro a medir o raio da Terra com um grau de precisão razoável (6328,9 km, 0,44% mais pequeno que o valor moderno).
Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se o segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11 (20 de julho na América do Norte).

No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15 colide com a superfície da Lua ao tentar aterrar. 
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantis durante a missão STS-135.
Observações: Júpiter e Alpha Librae brilham para a direita e um pouco para baixo da Lua esta noite. Para baixo e para a esquerda da Lua está Antares.

Dia 22/07: 203.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1784, nascia Friedrich Bessel, astrónomo e matemático alemão, o primeiro a determinar a distância do Sol até outra estrela usando o método da paralaxe.

Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento, acabando por ter que ser destruída.
Observações: A Lua moveu-se ainda para mais perto de Antares, estando quase quase equi-distante entre Júpiter (para a direita) e Saturno (para a esquerda, entre as estrelas de Sagitário).
O verão ainda vai a um-terço e já a constelação em forma de "W", Cassiopeia, mais conhecida por aparecer nas noites de outono e inverno, sobe a norte-nordeste com o passar da noite. E o Grande Quadrado de Pégaso, emblema de outono, surge para ficar apoiado num canto mesmo para cima do horizonte a este.

Dia 23/07: 204.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1928, nascia Vera Rubin, astrónoma americana que fez trabalho pioneiro sobre a velocidade de rotação das galáxias. Descobriu a discrepância entre o movimento angular previsto das galáxias e o movimento observado, ao estudar as curvas de rotação de galáxias. Este fenómeno veio a ser conhecido como o problema de rotação das galáxias.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam o satélite Landsat 1.

Em 1995, é descoberto o Cometa Hale-Bopp e torna-se visível a olho nu quase um ano depois.
Em 1999, lançamento da STS-93, do vaivém Columbia, com o Observatório de raios-X Chandra a bordo.
Em 2015, a NASA anuncia a descoberta de Kepler-452b, a primeira super-Terra na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol. 
Observações: Note hoje novamente que a Lua continua a mover-se para mais perto de Saturno (esquerda), estando agora mais distante de Antares e de Júpiter.

 
CURIOSIDADES

A Via Láctea foi já considerada uma galáxia espiral normal. Os astrónomos começaram a suspeitar que a Via Láctea era barrada nos anos 90. As suas suspeitas foram confirmadas em 2005 pelo Telescópio Spitzer, que mostrou que a barra central da Galáxia era maior do que se pensava.
 
RAIOS-X PODEM SER AS PRIMEIRAS EVIDÊNCIAS DE UMA ESTRELA A DEVORAR UM PLANETA

Esta impressão de artista ilustra a destruição de um planeta jovem, que os cientistas podem ter testemunhado pela primeira vez.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Há já quase um século que os astrónomos investigam a curiosa variabilidade de jovens estrelas que residem na região de Touro-Cocheiro a cerca de 450 anos-luz da Terra. Uma estrela em particular chamou a atenção dos cientistas. A cada poucas décadas, a luz da estrela diminui brevemente antes de aumentar novamente.

Nos últimos anos, os astrónomos observaram a estrela a diminuir de brilho com mais frequência, e por períodos mais longos, levantando a questão: o que é obscurece repetidamente a estrela? A resposta, pensam os astrónomos, pode lançar luz sobre alguns dos processos caóticos que ocorrem no início do desenvolvimento de uma estrela.

Agora, físicos do MIT e de outras instituições observaram a estrela, de nome RW Aur A, com o Observatório de raios-X Chandra da NASA. Eles encontraram evidências do que pode ter provocado o seu mais recente evento de escurecimento: uma colisão entre dois corpos planetários infantis, que produziu no seu rescaldo uma densa nuvem de gás e poeira. Quando esses destroços planetários caíram na estrela, formaram um véu espesso, obscurecendo temporariamente a luz da estrela.

"As simulações de computador preveem há muito que os planetas podem cair para uma estrela jovem, mas nunca tínhamos observado isso antes," comenta Hans Moritz Guenther, investigador do Instituto kavli para Astrofísica e Investigação Espacial do MIT, que liderou o estudo. "Se a nossa interpretação dos dados estiver correta, esta será a primeira vez que observamos diretamente uma estrela jovem a devorar um planeta ou planetas."

Os anteriores eventos de escurecimento da estrela podem ter sido provocados por colisões similares, quer seja entre dois corpos planetários, quer seja entre remanescentes maiores de colisões passadas que se encontraram de frente e depois se separaram novamente.

"É especulação, mas se temos uma colisão entre dois fragmentos, é provável que depois ganhem órbitas perigosas, o que aumenta a probabilidade de que atinjam outra vez outros objetos," realça Guenther.

Guenther é o autor principal de um artigo que divulga os resultados do grupo, publicado na revista The Astronomical Journal. Os coautores são David Huenemoerder e David Principe do MIT, investigadores do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e colaboradores na Alemanha e Bélgica.

Um encobrimento estelar

Os cientistas que estudam o desenvolvimento inicial de estrelas frequentemente observam as Nuvens Escuras de Touro-Cocheiro, uma concentração de nuvens moleculares nas constelações de Touro e Cocheiro que abrigam berçários estelares com milhares de estrelas infantis. As estrelas jovens formam-se a partir do colapso gravitacional de gás e poeira no interior destas nuvens. As estrelas muito jovens, ao contrário do nosso Sol comparativamente maduro, ainda estão rodeadas por um disco giratório de detritos, incluindo gás, poeira e aglomerados de material que variam em tamanho, desde pequenos grãos de poeira a pedregulhos, e possivelmente até planetas bebés.

"Se tivermos em consideração o nosso Sistema Solar, temos planetas e não um disco enorme em redor do Sol," explica Guenther. "Estes discos duram talvez 5 a 10 milhões de anos e, em Touro, há muitas estrelas que já perderam o seu disco, mas algumas ainda o têm. Se quisermos saber o que acontece nos estágios finais da dispersão deste disco, Touro é um dos locais onde os podemos encontrar."

Guenther e colegas focam-se em estrelas jovens o suficiente para ainda hospedar discos. Estava particularmente interessado em RW Aur A, que está no limite mais antigo da faixa etária das estrelas jovens, pois estima-se que tenha vários milhões de anos. RW Aur A faz parte de um sistema duplo, o que significa que orbita outra estrela jovem, RW Aur B. Ambas as estrelas têm aproximadamente a mesma massa que o Sol.

Desde 1937 que os astrónomos têm registado quedas notáveis no brilho de RW Aur A a cada poucas décadas. Cada evento de escurecimento parecia durar mais ou menos um mês. Em 2011, a estrela diminui novamente de brilho, desta vez durante aproximadamente meio ano. A estrela eventualmente aumentou de brilho, só para desvanecer outra vez em meados de 2014. Em novembro de 2016, a estrela retornou à sua plena luminosidade.

Os astrónomos propuseram que este escurecimento é provocado por um fluxo passageiro de gás na orla externa do disco da estrela. Outros ainda teorizaram que a queda de brilho se deve a processos que ocorrem mais perto do centro da estrela.

"Nós queríamos estudar o material que cobre a estrela, que de alguma forma está provavelmente relacionado com o disco," realça Guenther. "É uma oportunidade rara."

Uma assinatura de ferro

Em janeiro de 2017, RW Aur A diminui novamente de brilho e a equipa usou o Observatório de raios-X Chandra da NASA para registar a emissão de raios-X da estrela.

"Os raios-X vêm da estrela e o espetro de raios-X muda à medida que passa pelo gás no disco," explica Guenther. "Estamos à procura de certas assinaturas que o gás imprime no espectro de raios-X."

No total, o Chandra quase 14 horas de dados de raios-X da estrela. Depois de os analisarem, os cientistas obtiveram várias revelações surpreendentes: o disco da estrela hospeda uma grande quantidade de material; a estrela é muito mais quente do que o esperado; e o disco contém muito mais ferro do que o esperado - não tanto ferro como na Terra, mas mais do que, digamos, uma típica lua no nosso Sistema Solar (a nossa Lua, no entanto, tem muito mais ferro do que os cientistas estimaram no disco da estrela).

Este último ponto foi o mais intrigante para a equipa. Normalmente, um espectro de raios-X de uma estrela pode mostrar vários elementos, como o oxigénio, ferro, silício e magnésio, e a quantidade de cada elemento presente depende da temperatura no interior do disco de uma estrela.

"Aqui, vemos muito mais ferro, pelo menos 10 vezes mais do que antes, o que é muito invulgar, porque normalmente as estrelas ativas e quentes têm menos ferro do que as outras, ao passo que esta tem mais," salienta Guenther. "De onde vem todo este ferro?"

Os investigadores especulam que este excesso de ferro pode ter vindo de duas possíveis fontes. A primeira é um fenómeno conhecido como armadilha de pressão de poeira, na qual pequenos grãos ou partículas como ferro podem ficar presas nas "zonas mortas" de um disco. Se a estrutura do disco mudar repentinamente, como quando a estrela parceira passar perto, as forças de maré resultantes podem libertar as partículas presas, formando um excesso de ferro que pode cair para a estrela.

A segunda teoria é, para Guenther, a mais convincente. Neste cenário, o excesso de ferro é criado quando dois planetesimais, ou corpos planetários infantis, colidem, libertando uma espessa nuvem de partículas. Se um ou ambos os planetas forem compostos parcialmente de ferro, a sua colisão pode expelir uma grande quantidade de ferro para o disco e obscurecer temporariamente a luz quando o material cai na estrela.

"Existem muitos processos que ocorrem em estrelas jovens, mas estes dois cenários podem possivelmente produzir algo que se parece com o que observámos," explica Guenther.

Ele espera fazer, no futuro, mais observações da estrela, a fim de ver se a quantidade de ferro em redor da estrela mudou - uma medição que poderá ajudar os cientistas a determinar o tamanho da fonte de ferro. Por exemplo, se for detetada a mesma quantidade de ferro, digamos, daqui a um ano, isso pode indicar que o ferro vem de uma fonte relativamente massiva, como uma grande colisão planetária, ao invés da baixa abundância de ferro no disco.

"Atualmente fazem-se muitos esforços para aprender mais sobre exoplanetas e sobre a sua formação, de modo que é obviamente muito importante ver como os planetas jovens podem ser destruídos em interações com as suas estrelas hospedeiras e com outros planetas, e quais os fatores que determinam a sua sobrevivência," conclui Guenther.

Links:

Notícias relacionadas:
MIT News (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Um Olhar Rápido Sobre RW Aur A (Observatório Chandra via YouTube)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astronomical Journal)
ScienceDaily
PHYSORG
METRO
Newsweek

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS ENCONTRAM GÉMEO DE EXOPLANETA

No que toca a exoplanetas, as aparências enganam. Os astrónomos fotografaram um novo planeta e parece quase idêntico a um dos planetas gigantes gasosos mais bem estudados. Mas esse "gémeo" difere de uma maneira muito importante: a sua origem.

"Nós encontrámos um gigante gasoso que é um gémeo virtual de um planeta conhecido anteriormente, mas parece que os dois objetos se formaram de maneiras diferentes," afirma Trent Dupuy, astrónomo do Observatório Gemini e líder do estudo.

Emergindo de berçários estelares de gás e poeira, as estrelas nascem como gatinhos numa ninhada, em grupos, e inevitavelmente afastam-se desse local. Estas ninhadas compreendem estrelas que variam muito, desde minúsculas incapazes de gerar a sua própria energia (chamadas anãs castanhas) a estrelas massivas que terminam as suas vidas em explosões de supernova. No meio deste turbilhão, formam-se planetas em redor destas jovens estrelas. E assim que o berçário estelar esgota o seu gás, as estrelas (com os seus planetas) deixam o local onde nasceram e vagueiam livremente pela Galáxia. Devido a este êxodo, os astrónomos pensam que podem existir planetas nascidos ao mesmo tempo, no mesmo berçário estelar, mas em órbita de estrelas que se afastaram umas das outras ao longo das eras, como irmãs há muito perdidas.

Imagem direta do sistema 2MASS 0249 obtida com a WIRCam do CFHT. 2MASS 0249 c está localizado a 2000 UA da anã castanha binária, cuja imagem acima não separou em componentes individuais.
Crédito: T. Dupuy, M. Liu
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Até à data, os exoplanetas descobertos através de observação direta são basicamente singulares, cada um distinto do outro no que toca a aparência e idade. Encontrar dois exoplanetas com aparências quase idênticas e ainda assim com formações tão diferentes abre uma nova janela para a compreensão destes objetos," afirma Michael Liu, astrónomo do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, colaborador deste trabalho.

Dupuy, Liu e outros cientistas identificaram o primeiro caso de um gémeo planetário. Um gémeo é já conhecido há muito tempo: beta Pictoris b, com 13 vezes a massa de Júpiter, foi um dos primeiros planetas descobertos diretamente em 2009. O novo objeto, de nome 2MASS 0249 c, tem a mesma massa, brilho e espectro que beta Pictoris b. Depois de descobrirem este objeto com o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), Dupuy e colaboradores determinaram que 2MASS 0249 c e beta Pictoris b nasceram no mesmo berçário estelar. À superfície, isso faz com que os dois objetos não sejam apenas semelhantes, mas sim verdadeiros irmãos.

No entanto, os planetas têm situações de vida muito diferentes, nomeadamente os tipos de estrelas que orbitam. A estrela-mãe de beta Pictoris b é 10 vezes mais luminosa que o Sol, enquanto 2MASS 0249 c orbita um par de anãs castanhas 2000 vezes mais ténues do que o Sol. Além disso, beta Pictoris b está relativamente próximo da hospedeira estelar, cerca de 9 UA (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol), enquanto 2MASS 0249 c está a 2000 UA do binário.

Estes arranjos drasticamente diferentes sugerem que as formações dos planetas não foram, de todo, semelhantes. A imagem tradicional da formação dos gigantes gasosos, onde os planetas começam como pequenos núcleos rochosos em redor da estrela-mãe e crescem acumulando gás do disco estelar, provavelmente deu origem a beta Pictoris b. Em contraste, as hospedeiras de 2MASS 0249 c não tinham um disco suficiente para fabricar um gigante gasoso, de modo que o planeta provavelmente foi formado através da acumulação direta de gás do berçário estelar original.

"2MASS 0249 c e beta Pictoris b mostram-nos que a Natureza dispõe de mais do que uma maneira para fazer exoplanetas de aparência muito semelhante," comenta Kaitlin Kratter, astrónoma da Universidade do Arizona e colaboradora desta investigação. "beta Pictoris b foi provavelmente formado como a maioria dos gigantes gasosos, começando com minúsculos grãos de poeira. Em contraste, 2MASS 0249 c parece-se com uma anã castanha falhada formada a partir do colapso de uma nuvem de gás. Ambos os objetos são considerados exoplanetas, mas 2MASS 0249 c ilustra que uma classificação tão simples pode esconder uma realidade complicada."

O espectro infravermelho de 2MASS 0249 c e o de beta Pictoris b são similares, conforme esperado para dois objetos de massa comparável formados no mesmo berçário estelar. Ao contrário de 2MASS 0249 c, beta Pictoris b orbita muito mais perto da sua estrela massiva e está embebido num brilhante disco circunstelar.
Crédito: T. Dupuy, ESO/A. M. Lagrange et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa identificou 2MASS 0249 c pela primeira vez em imagens do CFHT, e as suas observações subsequentes revelaram que o objeto orbita a uma grande distância das suas hospedeiras. O sistema pertence ao Grupo Móvel de Beta Pictoris, um conjunto amplamente disperso de estrelas cujo nome honra a famosa estrela hospedeira do planeta. As observações da equipa com o Telescópio W. M. Keck determinaram que a hospedeira é na verdade um par de anãs castanhas bem separadas. Assim sendo, o sistema 2MASS 0249 é composto por duas anãs castanhas e por um planeta gigante gasoso. A espectroscopia de acompanhamento de 2MASS 0249 c com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA e com o telescópio de 3,5 metros em Apache Point demonstrou que partilha a notável semelhança com beta Pictoris b.

O sistema 2MASS 0249 é um alvo atraente para estudos futuros. A maioria dos planetas com imagem direta estão muito próximos das suas estrelas, inibindo estudos detalhados devido à brilhante luz estelar. Em contraste, a grande separação entre 2MASS 0249 c e o seu binário hospedeiro tornará as medições de propriedades como o seu clima e composição muito mais fáceis, levando a uma melhor compreensão das características e origens dos planetas gigantes gasosos.

O trabalho foi aceite para publicação na revista The Astronomial Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
CFHT (comunicado de imprensa)
Instituto do Hawaii da Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
ScienceDaily
Astrobiology Magazine
PHYSORG

Grupo Móvel de Beta Pictoris:
Wikipedia

Beta Pictoris b:
Wikipedia

Beta Pictoris:
Solstation 
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório do Canadá-França-Hawaii (CFHT):
Página oficial
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

NASA IRTF:
Página oficial
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DESCOBERTAS DOZE NOVAS LUAS DE JÚPITER, INCLUINDO UMA "EXCÊNTRICA"
Os vários agrupamentos de luas recém-descobertas. A "excêntrica", apelidada de "Valetudo", em honra à bisneta do deus romano Júpiter, tem uma órbita progressiva que atravessa as órbitas das luas retrógradas.
Crédito: Roberto Molar-Candanosa, Instituto Carnegie para Ciência
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foram confirmadas doze novas luas em torno de Júpiter - 11 luas exteriores "normais" e uma que chamam de "excêntrica". A descoberta eleva o número total de luas conhecidas de Júpiter para 79 - o planeta do Sistema Solar com o maior número de luas.

Uma equipa liderada por Scott S. Sheppard de Carnegie avistou as luas pela primeira vez na primavera de 2017 enquanto procuravam objetos muito distantes do Sistema Solar como parte da busca por um possível enorme planeta para lá de Plutão.

Em 2014, esta mesma equipa encontrou o objeto com a órbita mais distante conhecida no nosso Sistema Solar e foi a primeira a perceber que um planeta enorme e desconhecido, nas orlas do nosso Sistema Solar, bem para lá de Plutão, podia explicar a semelhança das órbitas de vários objetos pequenos extremamente distantes. Esta planeta teórico é agora por vezes denominado Planeta X ou Planeta Nove. Dave Tholen, da Universidade do Hawaii e Chad Trujillo, da Universidade de Northern Arizona, também fazem parte da equipa de pesquisa planetária.

"Júpiter situava-se perto dos campos de busca onde procurávamos objetos extremamente distantes do Sistema Solar, de modo que fomos esperançosamente capazes de investigar novas luas em redor de Júpiter enquanto ao mesmo tempo procurávamos planetas nos confins do nosso Sistema Solar," comenta Sheppard.

Gareth Williams do Centro de Planetas Menores da União Astronómica Internacional usou as observações da equipa para calcular as órbitas destas recém-descobertas luas.

"São necessárias várias observações para confirmar que um objeto realmente orbita Júpiter," afirma Williams. "De modo que todo o processo levou um ano."

Nove das novas luas fazem parte de um enxame exterior distante que orbitam em movimento retrógrado, isto é, na direção oposta à rotação de Júpiter. Estas distantes luas retrógradas estão agrupadas em pelo menos três grupos orbitais distintos e pensa-se que sejam remanescentes de três corpos outrora maiores que se fragmentaram durante colisões com asteroides, cometas ou outras luas. As recém-descobertas luas retrógradas levam cerca de dois anos para orbitar Júpiter.

Duas das novas descobertas fazem parte de um grupo interno de luas mais íntimas, que orbitam em movimento progressivo, na mesma direção que a rotação do planeta. Estas luas progressivas interiores têm distâncias orbitais e ângulos de inclinação semelhantes em torno de Júpiter e pensa-se que sejam também fragmentos de uma lua maior que foi despedaçada. Estas duas luas recém-descobertas levam pouco menos de um ano a completar uma órbita em torno de Júpiter.

"A nossa outra descoberta é um verdadeiro excêntrico e tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana conhecida," explicou Sheppard. "É também provavelmente a lua mais pequena conhecida de Júpiter, com menos de um quilómetro de diâmetro."

Imagens de recuperação de Valetudo obtidas pelo telescópio Magalhães em maio de 2018. A lua move-se em relação às distantes estrelas de fundo. Júpiter não está neste campo, mas mais para cima e para a esquerda.
Crédito: Instituto Carnegie para Ciência
 

Esta nova lua excêntrica é mais distante e mais inclinada do que o grupo progressivo de luas e demora cerca de ano e meio a orbitar Júpiter. Assim, ao contrário do grupo mais íntimo de luas progressivas, esta nova lua excêntrica e progressiva tem uma órbita que atravessa as luas exteriores retrógradas.

Como resultado, as colisões frontais entre a lua excêntrica progressiva e as luas retrógradas têm uma ocorrência muito mais provável, pois movem-se em direções opostas.

"Esta é uma situação instável," realça Sheppard. "As colisões frontais quebram-se rapidamente e trituram os objetos em poeira."

É possível que vários agrupamentos orbitais de luas que vemos hoje tenham sido formados no passado distante através deste exato mecanismo.

A equipa pensa que esta pequena lua "excêntrica" e progressiva possa ser o remanescente de uma lua progressiva maior, que formou alguns dos agrupamentos lunares retrógrados durante colisões frontais passadas. Foi proposto o nome "Valetudo", em honra à bisneta do deus romano Júpiter, a deusa da saúde e da higiene.

O esclarecimento das complexas influências que moldaram a história orbital de uma lua podem ensinar aos cientistas mais sobre os primeiros anos do nosso Sistema Solar.

Por exemplo, a descoberta de que as luas mais pequenas nos grupos orbitais de Júpiter ainda são abundantes sugere que as colisões que as formaram ocorreram após a era da formação planetária, quando o Sol ainda estava rodeado por um disco giratório de gás e poeira a partir do qual os planetas nasceram.

Devido aos seus tamanhos - entre um e três quilómetros - estas luas são mais influenciadas pelo gás e pela poeira em redor. Se estas matérias-primas ainda estivessem presentes quando a primeira geração de luas de Júpiter colidiu para formar os seus agrupamentos atuais de luas, a força exercida por qualquer gás e poeira remanescente teria sido suficiente para as fazer espiralar em direção a Júpiter. A sua existência mostra que se formaram provavelmente depois deste gás e poeira se dissipar.

A descoberta inicial da maioria das novas luas foi feita com o telescópio Blanco de 4 metros em Cerro Tololo, Chile, operado pelo NOAO dos EUA. O telescópio foi recentemente atualizado com o instrumento DEC (Dark Energy Camera), tornando-o numa poderosa ferramenta para estudar o céu noturno em busca de objetos ténues. Foram usados vários telescópios para confirmar os achados, incluindo o telescópio Magalhães de 6,5 metros no Observatório Las Campanas, Chile; o Telescópio Discovery Channel de 4 metros no Observatório Lowell, Arizona, EUA (graças a Audrey Thirouin, Nick Moskovitz e Maxime Devogele); o Telescópio Subaru de 8 metros no Hawaii e o telescópio de 2,2 metros da Universidade do Hawaii (graças ao tempo discricionário do Diretor para recuperar Valetudo). Bob Jacobson e Marina Brozovic no JPL da NASA confirmaram a órbita calculada para a lua excêntrica em 2017 a fim de verificar a sua previsão de localização durante as observações de recuperação de 2018, com o objetivo de garantir que a nova e interessante lua não era perdida.

Os 12 novos satélites de Júpiter
Satélite Diâmetro
(km)
Magnitude
visual
Distância
orbital (km)
Período
orbital (dias)
Excentricidade Inclinação
S/2018 J1 3 22,9 11.483.000 251,3 0,094 30,6
S/2017 J4 3 23,0 11.525.000 252,7 0,180 28,2
Valetudo 1 24,0 18.980.000 533,3 0,222 34,0
S/2017 J7 2 23,6 20.627.000 602,3 0,215 143,4
S/2016 J1 1 24,0 20.65.,000 603,3 0,141 139,8
S/2017 J3 2 23,4 20.694.000 605,2 0,148 147,9
S/2017 J9 3 22,8 21.487.000 642,2 0,229 152,7
S/2017 J6 2 23,5 22.455.000 686,3 0,557 155,2
S/2017 J5 2 23,5 23.232.000 726,3 0,284 164,3
S/2017 J8 1 24 23.232.700 726,4 0,312 164,7
S/2017 J2 2 23,5 23.303.000 729,6 0,236 166,4
S/2017 J1 2 23,8 23.547.000 741,1 0,397 149,2

 

Links:

Notícias relacionadas:
Carnegie Science (comunicado de imprensa)
Animação das novas luas de Júpiter (Carnegie Science via YouTube)
Astronomy
Sky & Telescope
COSMOS
Science
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ScienceDaily
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ZAp.aeiou

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Luas de Júpiter (Wikipedia)
Luas de Júpiter (página de Scott S. Sheppard)

Telescópio Blanco:
NOAO
Wikipedia

Telescópio Magalhães:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

Telescópio Subaru:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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Novas pesquisas, utilizando uma década de dados da missão Mars Express da ESA, encontraram sinais claros da complexa atmosfera marciana a agir como um sistema único e interligado, com processos que ocorrem em níveis baixos e médios e que afetam, significativamente, aqueles observados mais acima. Ler fonte
     
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O Very Large Telescope do ESO (VLT) obteve a primeira luz com um novo modo de ótica adaptativa chamado Tomografia Laser e capturou imagens de teste extremamente nítidas do planeta Neptuno, de enxames estelares e de outros objetos celestes. O instrumento pioneiro MUSE em Modo de Campo Estreito, a trabalhar com o módulo de ótica adaptativa GALACSI, pode agora usar esta nova tecnologia para corrigir a turbulência da atmosfera a diferentes altitudes. Podemos agora obter imagens a partir do solo nos comprimentos de onda do visível mais nítidas do que as obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A combinação de uma excelente nitidez de imagem com as capacidades espectroscópicas do MUSE permite aos astrónomos estudar as propriedades dos objetos astronómicos com muito mais detalhe do que o que era possível até agora. Ler fonte
     
  Encontrando um planeta com uma órbita de 10 anos em poucos meses (via Universidade de Genebra)
Para descobrir e confirmar a presença de um planeta em torno de outra estrela que não o Sol, os astrónomos esperam até que complete três órbitas. No entanto, esta técnica muito eficaz tem as suas desvantagens, pois não consegue confirmar a presença de planetas com períodos relativamente longos (é ideal para períodos de alguns dias ou poucos meses). Para ultrapassar este obstáculo, uma equipa de astrónomos desenvolveu um método que torna possível assegurar a presença de um planeta em poucos meses, mesmo que demore 10 anos a orbitar a sua estrela. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cerealia Facula
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechUCLA, MPS/DLR/IDA
 
Cerealia Facula, também conhecido como o ponto mais brilhante de Ceres, é visto aqui neste deslumbrante mosaico ampliado. Os dados da imagem de alta-resolução foram registados pela sonda Dawn, numa órbita tão baixa quanto 34 quilómetros acima da superfície do planeta anão. Cerealia Facula mede aproximadamente 15 km, situado no centro da cratera Occator com 90 km de diâmetro. Como outros pontos brilhantes (faculae) espalhados por Ceres, Cerealia Facula não é gelo, mas um resíduo salgado exposto com uma refletividade parecida à da neve suja. Pensa-se que o resíduo seja principalmente carbonato de sódio e cloreto de amónia a partir de uma solução salina dentro ou por baixo da crosta do planeta anão. Impulsionada pela propulsão avançada iónica ao longo de uma missão com 11 anos, a Dawn explorou o asteroide da cintura principal, Vesta, antes de viajar até Ceres. Mas algures entre estes meses de agosto a outubro, espera-se que a nave interplanetária fique sem combustível no que toca aos seus propulsores de hidrazina, com a subsequente perda de controlo da orientação, perda de energia e capacidade de comunicar com a Terra. Entretanto, a Dawn vai continuar a explorar Ceres em detalhes sem precedentes e, finalmente, reformar-se na sua órbita em torno do pequeno mundo.
 

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