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Edição n.º 1525
19/10 a 22/10/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 19/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares e da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte. 
Observações: A Lua, ao lusco-fusco, forma um triângulo com Marte para a sua direita e Fomalhaut para baixo. Mais tarde na noite, o triângulo vira-se na direção dos ponteiros do relógio à medida que viaja pelo céu a sul.

Dia 20/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).

Observações: Depois do anoitecer, olhe para cima e para a esquerda da Lua, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado, e encontre o Grande Quadrado de Pégaso. Está apoiado num canto e mede pouco mais de um punho à distância do braço esticado.

Dia 21/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz

Observações: A anual chuva de meteoros das Oriónidas atinge o pico sob uma Lua quase Cheia, fornecendo quase duas horas de céus escuros antes do amanhecer.

Dia 22/10: 295.º dia do calendário gregoriano.
História: No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kang supostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes. 
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.

Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1.
Observações: Procure Capella brilhando perto do horizonte a nordeste por estas noites. Procure as Plêiades para a sua direita, a cerca de três punhos à distância do braço esticado. Estes mensageiros dos meses frios que aí vêm sobem mais alto à medida que a noite avança e fica mais fria.
Para cima e para a direita de Capella, e para cima e para a esquerda das Plêiades, estão as estrelas da constelação de Perseu, por entre a banda da Via Láctea.

 
CURIOSIDADES

O quinto sistema estelar mais próximo do Sol (ou a sétima estrela), Sirius, é também a estrela mais brilhante do céu nocturno. Encontra-se a cerca de 8,6 anos-luz.
Para os Egípcios, o seu nascer helíaco marcava a subida do nível das águas do Rio Nilo e para os Gregos o começo dos dias de calor.
Esta simbologia está agora desfasada devido à precessão da Terra.
 
TUDO EM FAMÍLIA: DETETADO PARENTE DE FONTE DE ONDAS GRAVITACIONAIS

Há cerca de um ano, os astrónomos relataram animadamente a primeira deteção de ondas eletromagnéticas, ou luz, de uma fonte de ondas gravitacionais. Agora, um ano depois, investigadores estão a anunciar a existência de um parente cósmico desse acontecimento histórico.

A descoberta foi feita usando dados obtidos pelo Observatório de Raios-X Chandra, pelo Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi, pelo Observatório Swift Neil Gehrels, pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio do Discovery Channel.

O objeto do novo estudo, de nome GRB 150101B, foi reportado pela primeira vez como uma explosão de raios-gama detetada pelo Fermi em janeiro de 2015. Esta deteção e observações de acompanhamento, noutros comprimentos de onda, mostram que GRB 150101B partilha semelhanças notáveis com a fusão de estrelas de neutrões e fonte de ondas gravitacionais descoberta pelo LIGO (Advanced Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory) e pelo seu equivalente europeu Virgo em 2017, conhecida como GW170817. O estudo mais recente conclui que esses dois objetos separados podem, de facto, estar relacionados.

Um objeto de nome GRB 150101B, detetado originalmente como uma explosão de raios-gama pelo Telescópio Fermi da NASA em janeiro de 2015, pode indicar uma fusão entre duas estrelas de neutrões. Esta imagem mostra dados do Observatósio de raios-X Chandra (roxo nas inserções) em contexto com uma imagem ótica de GRB 150101B pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/GSFC/UMC/E. Troja et al.; ótico e infravermelho - NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É um grande passo, ir de um objeto detetado para dois," comenta Eleonora Troja, autora principal do estudo, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e da Universidade de Maryland em College Park. "A nossa descoberta diz-nos que eventos como GW170817 e GRB 150101B podem representar uma nova classe de objetos em erupção que ligam e desligam raios-X e podem, na verdade, ser relativamente comuns."

Troja e colegas pensam que tanto GRB 150101B como GW170817 foram provavelmente produzidos pelo mesmo tipo de evento: a fusão de duas estrelas de neutrões, uma coalescência que gerou um jato estreito, ou feixe, de partículas altamente energéticas. O jato produziu uma explosão curta e intensa de raios-gama (GRB), um flash de alta energia que pode durar apenas alguns segundos. GW170817 provou que esses eventos também podem criar ondulações no próprio espaço-tempo, chamadas ondas gravitacionais.

A aparente correspondência entre GRB 150101B e GW170817 é impressionante: ambos produziram uma explosão de raios-gama invulgarmente ténue, ambos foram uma fraca fonte de luz azul com a duração de alguns dias e a emissão de raios-X durou muito mais tempo. As galáxias hospedeiras são também incrivelmente similares, com base em observações do Telescópio Espacial Hubble e do Telescópio do Discovery Channel. Ambas são galáxias elípticas brilhantes com uma população de estrelas com alguns milhares de milhões de anos e sem evidências de nova formação estelar.

"Temos um caso de semelhanças cósmicas," comenta o coautor Geoffrey Ryan da Universidade de Maryland em College Park. "Parecem iguais, agem da mesma maneira e vêm de vizinhanças semelhantes, de modo que a explicação mais simples é que pertencem à mesma família de objetos."

Nos casos, tanto de GRB 150101B como de GW170817, o aumento lento na emissão de raios-X, em comparação com a maioria dos GRBs, implica que a explosão tenha provavelmente sido vista "fora do eixo", isto é, com o jato não apontando diretamente para a Terra. A descoberta do objeto GRB 150101B representa apenas a segunda vez que os astrónomos detetaram um GRB curto fora do eixo.

Embora existam muitas semelhanças entre GRB 150101B e GW170817, existem duas diferenças muito importantes. Uma é a sua localização. GW170817 está a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra, enquanto GRB 150101B está a mais ou menos 1,7 mil milhões de anos-luz de distância. Mesmo que o LIGO estivesse em operação no início de 2015, muito provavelmente não teria detetado ondas gravitacionais de GRB 150101B devido à sua distância maior.

"A beleza de GW170817 é que nos deu um conjunto de características, como marcadores genéticos, para identificar novos membros da família de objetos explosivos a distâncias ainda maiores do que o LIGO pode atualmente alcançar," afirma o coautor Luigi Piro do Instituto Nacional de Astrofísica em Roma, Itália.

A emissão ótica de GRB150101B está em grande parte na porção azul do espectro, fornecendo uma pista importante de que este evento envolveu o que chamamos de uma quilonova, como visto em GW170817. Uma quilonova é uma explosão extremamente poderosa que não apenas liberta uma grande quantidade de energia, mas também produz elementos importantes como ouro, platina e urânio que outras explosões estelares não produzem.

É possível que algumas fusões como as vistas em GW170817 e GRB 150101B tenham sido detetadas anteriormente como GRBs curtos, mas não foram identificadas com outros telescópios. Sem deteções em comprimentos de onda mais longos, como raios-X ou no visível, as posições dos GRBs não são precisas o suficiente para determinar em qual galáxia estão localizadas.

No caso de GRB 150101B, os astrónomos pensaram inicialmente que o equivalente era uma fonte de raios-X detetada pelo Swift no centro de uma galáxia, provavelmente de material a cair para um buraco negro supermassivo. No entanto, as observações de acompanhamento com o Chandra detetaram a homóloga verdadeira longe do centro da galáxia hospedeira.

A outra diferença importante entre GW170817 e GRB 150101B é que sem a deteção de ondas gravitacionais, a equipa não conhece as massas dos dois objetos que se fundiram. É possível que a fusão tenha ocorrido entre um buraco negro e uma estrela de neutrões, em vez de duas estrelas de neutrões.

"Precisamos de mais casos como GW170817 que combinam dados de ondas gravitacionais com eletromagnéticos para encontrar um exemplo entre uma estrela de neutrões e um buraco negro. Essa deteção seria a primeira do tipo," comenta o coautor Hendrik Van Eerten da Universidade de Bath, no Reino Unido. "Os nossos resultados encorajaram-nos para encontrar mais fusões e para fazer uma tal deteção."

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na revista Nature Communications e está disponível online.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
07/09/2018 - Observações rádio confirmam jato veloz de material de fusão de estrelas de neutrões
05/06/2018 - Evento de ondas gravitacionais provavelmente assinalou a formação de um buraco negro
23/01/2018 - Fusão de estrelas de neutrões oferece um novo puzzle aos astrofísicos
19/01/2018 - Quão massivas podem ser as estrelas de neutrões?
09/01/2018 - Ondas gravitacionais medem o Universo
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
28/11/2017 - Novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões 
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
SPACE.com
ScienceDaily
spaceref

GRB 150101B:
Circular da descoberta (NASA)

GW170817:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Buraco negro:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Quilonova:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópio do Discovery Channel:
Observatório Lowell
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
DESCOBERTO O MAIOR PROTO-ENXAME DE GALÁXIAS

Com o auxílio do instrumento VIMOS, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma estrutura colossal no Universo primordial. O proto-superenxame de galáxias — ao qual se chamou Hyperion — foi descoberto por meio de novas medições, às quais se juntaram análises complexas de dados de arquivo. Trata-se da maior e mais massiva estrutura alguma vez encontrada num tempo tão remoto e a uma distância tão grande — cerca de 2 mil milhões de anos após o Big Bang.

Uma equipa de astrónomos, liderada por Olga Cucciati do Istituto Nazionale di Astrofisica (INAF), Bologna, em Itália, utilizou o instrumento VIMOS montado no VLT do ESO para identificar um gigantesco proto-superenxame de galáxias a formar-se no Universo primordial — apenas 2,3 mil milhões de anos após o Big Bang. Esta estrutura, à qual os astrónomos deram o nome de Hyperion, trata-se da maior e mais massiva estrutura encontrada tão cedo na formação do Universo (o nome Hyperion foi escolhido com base num titã da mitologia grega, devido ao enorme tamanho e massa do proto-superenxame. A inspiração para esta nomenclatura mitológica vem de um proto-enxame anteriormente descoberto no interior de Hyperion, ao qual se chamou Colosso. Às regiões individuais de alta densidade no Hyperion foram dados nomes mitológicos tais como Teia, Eos, Selene e Hélios). Calcula-se que a enorme massa do proto-superenxame seja mais de um milhar de biliões de vezes a do Sol. Esta massa colossal é semelhante à das maiores estruturas observadas no Universo atual, no entanto a descoberta de um tal objeto tão massivo no Universo primordial foi surpreendente.

Com o auxílio do instrumento VIMOS, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma estrutura colossal no Universo primordial. O proto-superenxame de galáxias — ao qual se chamou Hyperion — foi descoberto por meio de novas medições, às quais se juntaram análises complexas de dados de arquivo. Trata-se da maior e mais massiva estrutura alguma vez encontrada num tempo tão remoto e a uma distância tão grande — cerca de 2 mil milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: ESO/L. Calçada & Olga Cucciati et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Trata-se da primeira vez que uma estrutura tão grande foi identificada a um desvio para o vermelho tão elevado, correspondente a um pouco mais de 2 mil milhões de anos após o Big Bang," explicou Olga Cucciati, primeira autora do artigo científico que descreve estes resultados. "Normalmente este tipo de estruturas são conhecidas, mas a desvios para o vermelho mais baixos, o que corresponde a uma altura em que o Universo teve muito mais tempo para se desenvolver e construir algo tão grande. Foi uma surpresa encontrar uma estrutura tão evoluída quando o Universo era ainda relativamente jovem!"

Situado no campo COSMOS na constelação do Sextante, Hyperion foi identificado ao analisar uma enorme quantidade de dados obtidos durante o Rastreio Ultra-profundo do VIMOS, liderado por Olivier Le Fèvre (Aix-Marseille Université, CNRS, CNES). Este rastreio fornece-nos um mapa tridimensional sem precedentes da distribuição de mais de 10.000 galáxias no Universo longínquo.

A equipa descobriu que Hyperion possui uma estrutura muito complexa, que contém pelo menos sete regiões de alta densidade ligadas por filamentos de galáxias e que o seu tamanho é comparável ao de superenxames próximos, apesar da estrutura ser muito diferente.

Esta imagem mostra a extensão de Hyperion comparada com o tamanho de um enxame de galáxias massivo típico do Universo local.
Crédito: ESO/L. Calçada & Olga Cucciati et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os superenxames mais próximos da Terra tendem a apresentar uma distribuição de massas muito mais concentrada, com estruturas bem definidas," explica Brian Lemaux, astrónomo na Universidade da Califórnia, Davis, e LAM, e membro da equipa responsável por esta descoberta. "Mas em Hyperion, a massa encontra-se distribuída de forma muito mais uniforme numa série de nodos ligados, povoados por associações pouco agregadas de galáxias."

Esta diferença deve-se muito provavelmente ao facto dos superenxames próximos terem tido milhares de milhões de anos para juntar a matéria em regiões mais densas por efeito da gravidade — um processo que atua há muito menos tempo no jovem Hyperion.

Dado o enorme tamanho que apresenta já tão cedo na história do Universo, espera-se que Hyperion se desenvolva em algo semelhante às imensas estruturas do Universo local, tais como os superenxames que compõem a Grande Muralha Sloan ou o Superenxame de Virgem, que contém a nossa própria Galáxia, a Via Láctea. "Compreender Hyperion e ver como se compara a estruturas semelhantes recentes pode dar-nos pistas sobre como é que o Universo se desenvolveu no passado e como evoluirá no futuro, dando-nos ainda a oportunidade de desafiar alguns modelos de formação de superenxames," conclui Cucciati. "A descoberta deste titã cósmico ajuda-nos a descobrir a história destas estruturas de larga escala."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
ScienceDaily
EurekAlert!
New Scientist
Science alert
PHYSORG
Newsweek
Reuters

Superenxame galáctico:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
PLANETAS GIGANTES EM REDOR DE ESTRELA JOVEM LEVANTAM QUESTÕES SOBRE A FORMAÇÃO PLANETÁRIA
Impressão de artista de CI Tau.
Crédito: Amanda Smith, Instituto de Astronomia de Cambridge
 

Investigadores identificaram uma jovem estrela com quatro planetas do tamanho de Júpiter e de Saturno em órbita, a primeira vez que tantos enormes planetas foram detetados num sistema tão jovem. O sistema também quebrou o recorde para o alcance mais extremo de órbitas já observado: o planeta mais exterior está mais de mil vezes mais distante da estrela do que o planeta mais interior, o que levanta questões sobre como tal sistema pode ter-se formado.

A estrela tem apenas dois milhões de anos - uma "criança" em termos astronómicos - e está rodeada por um enorme disco de poeira e gelo. Este disco, conhecido como disco protoplanetário, é o local onde se formam os planetas, luas, asteroides e outros objetos astronómicos.

O sistema já era famoso porque contém o primeiro Júpiter quente - um planeta massivo que orbita muito perto da sua estrela - a ser descoberto em torno de uma estrela tão jovem. Embora os Júpiteres quentes tenham sido o primeiro tipo de exoplaneta a ser descoberto, a sua existência há muito tempo que intriga os astrónomos porque muitas vezes se pensa estarem demasiado próximos das estrelas-mãe para se formarem "in situ" (isto é, no local onde se encontram).

Agora, uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Cambridge usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para procurar "irmãos" planetários deste jovem Júpiter quente. As imagens revelaram três lacunas distintas no disco que, segundo os seus modelos teóricos, foram provavelmente provocadas por três gigantes gasosos adicionais também em órbita da estrela jovem. Os resultados foram publicados na The Astrophysical Journal Letters.

A estrela, CI Tau, está localizada a cerca de 500 anos-luz de distância num "berçário" estelar altamente produtivo da Via Láctea. Os seus quatro planetas diferem muito no que respeita às suas órbitas: o mais próximo (o Júpiter quente) está no interior do equivalente à órbita de Mercúrio, enquanto o mais distante orbita a uma distância mais três vezes superior à de Neptuno. Os dois planetas mais exteriores têm aproximadamente a massa de Saturno, enquanto os dois planetas mais interiores têm, respetivamente, mais ou menos uma e 10 vezes a massa de Júpiter.

A descoberta levanta muitas questões para os astrónomos. Cerca de 1% das estrelas hospedam Júpiteres quentes, mas a maioria dos Júpiteres quentes são centenas de vezes mais velhos do que CI Tau. "Atualmente, é impossível dizer se a arquitetura planetária extrema vista em CI Tau é comum em sistemas com Júpiteres quentes porque a maneira como estes irmãos planetários foram detetados - através do seu efeito no disco protoplanetário - não funcionaria em sistemas mais antigos que já não têm um disco protoplanetário," comenta a professora Cathie Clarke do Instituto de Astronomia de Cambridge, a autora principal do estudo.

De acordo com os cientistas, também não está claro se os planetas irmãos desempenharam um papel na condução do planeta mais interior até à sua órbita ultra-próxima, e se este é um mecanismo que funciona na produção de Júpiteres quentes em geral. E um outro mistério é saber como os outros dois planetas exterior se formaram.

"Os modelos de formação planetária tendem a concentrar-se em ser capazes de reproduzir os tipos de planetas que já foram observados, de modo que as novas descobertas podem não encaixar necessariamente nos modelos," comenta Clarke. "Supõe-se que os planetas com a massa de Saturno formam-se primeiro, através da acumulação de um núcleo sólido e, em seguida, que puxam uma camada de gás no topo, mas esses processos devem ser muito lentos a grandes distâncias da estrela. A maioria dos modelos lutará para fabricar planetas desta massa a esta distância."

A tarefa que os cientistas têm pela frente é o estudo deste sistema intrigante em múltiplos comprimentos de onda a fim de obter mais pistas sobre as propriedades do disco e dos seus planetas. Enquanto isso, o ALMA - o primeiro telescópio com a capacidade de fotografar planetas em formação - provavelmente descobrirá novas surpresas noutros sistemas, remodelando a nossa imagem de como os sistemas planetários se formam.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
SPACE.com
Universe Today
Science alert
Astronomy Now
COSMOS
ZME science
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PHYSORG
Popular Mechanics
Newsweek
ScienceDaily

Discos protoplanetários:
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Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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TAMBÉM EM DESTAQUE
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Usando o Telescópio Espacial Hubble, astrónomos avistaram uma anã vermelha a libertar uma proeminência violenta. A explosão de radiação foi mais poderosa do que qualquer outro evento do género já detetado no Sol e, provavelmente, afetaria a habitabilidade de quaisquer planetas em órbita. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M15: Enxame Globular Denso
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Crédito: Bernhard Hubl (CEDIC)
 
Messier 15 é um imenso enxame com mais de 100.000 estrelas. Uma relíquia, com 13 mil milhões de anos, dos primeiros anos de formação da nossa Galáxia, é um dos cerca de 170 enxames globulares que ainda vagueiam pelo halo da Via Láctea. Centrado nesta nítida vista telescópica, M15 situa-se a cerca de 35.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Pégaso, bem para lá das estrelas de primeiro plano. O seu diâmetro é de aproximadamente 200 anos-luz. Mas mais de metade das suas estrelas estão concentradas nos seus 10 anos-luz centrais, uma das concentrações estelares mais densas conhecidas. Medições, pelo Hubble, do aumento das velocidades das estrelas centrais de M15, representam evidências de que reside um buraco negro massivo no centro do denso enxame globular.
 

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