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Edição n.º 1553
25/01 a 28/01/2019
 
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25/01/19 - Observação Noturna + palestra
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro planeta extrassolar rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
Observações: Com a Lua fora do céu ao início da noite, será que a sua zona é escura o suficiente para ver a Via Láctea de inverno? Depois de jantar, corre verticalmente pelo zénite. Desde a brilhante constelação de Cão Maior baixa sudeste, passando entre Orionte e Gémeos, por Cocheiro e Perseu quase por cima das nossas cabeças, e descendo por Cassiopeia, Cefeu e Cisne no horizonte a noroeste.
Tire proveito destas noites escuras para explorar objetos telescópicos no céu, como por exemplo M31, M42 e o enxame duplo de Perseu.

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996.
Observações: Depois do anoitecer, olhe bem alto para este. A brilhante estrela aí é Capella. Para a sua direita, a um par de dedos à distância do braço esticado, está um pequeno triângulo de estrelas de 3.ª e 4.ª magnitude conhecido como "as Crianças". Não é muito atraente, mas forma um asterismo com Capella.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de fevereiro de 1967.

No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 21:10.

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris. 
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.
Observações: Orionte está alto a sudeste logo após o cair da noite, e está mais alto a sul pelas 22 horas. Orionte é a mais brilhante das 88 constelações, mas o seu padrão principal é surpreendentemente pequeno quando comparado com algumas das suas vizinhas mais ténues. A maior é Erídano, logo para oeste, enorme mas difícil de traçar. Ainda mais fraca, Fornalha, para baixo e para a direita de Erídano, é quase tão grande quanto Orionte! Até mesmo o padrão de Lebre, por baixo dos pés do Caçador, não é assim muito mais pequeno.

 
CURIOSIDADES

Os romanos chamavam "via lactea" à nossa Galáxia porque, da perspetiva do céu noturno da Terra, é parecida com uma mancha de leite. Mas os romanos não foram os primeiros a dar este nome à galáxia onde vivemos: os gregos chamavam-lhe "galaxias kyklos". De acordo com a mitologia grega, Zeus trouxe Héracles (filho de Zeus com Alcmena, uma mortal) para ser amamentado por Hera, sua mulher, enquanto esta dormia. Zeus queria, com a ajuda do leite da deusa, dotá-lo de qualidades divinas. Hera não gostava de Héracles, sobretudo porque o bebé era semideus e o resultado de um dos muitos romances extraconjugais de Zeus. Quando Hera acordou, rapidamente apercebeu-se do que estava a acontecer e empurrou Héracles para longe do seu peito. O gesto fez com que algumas gotas de leite caíssem no céu noturno, formando assim a Via Láctea.
 
"VENDO A DOBRAR" PODE AJUDAR A RESOLVER DEBATE SOBRE RAPIDEZ DA EXPANSÃO DO UNIVERSO
Imagem, pelo Telescópio Espacial Hubble, de um quasar com imagem dupla.
Crédito: NASA, Tommaso Treu/UCLA e Birrer et al.
 

A questão de quão rapidamente o Universo está a expandir-se tem intrigado os astrónomos há quase um século. Estudos diferentes continuam a obter novas respostas - o que faz com que alguns investigadores se perguntem se estão a negligenciar um mecanismo-chave na "maquinaria" que impulsiona o cosmos.

Agora, ao descobrirem uma nova maneira de medir quão rapidamente o cosmos se está a expandir, uma equipa liderada por astrónomos da UCLA (University of California, Los Angeles) deu um passo em direção à resolução do debate. A investigação do grupo foi publicada na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

No coração da disputa está a constante de Hubble, um número que relaciona as distâncias com os desvios para o vermelho das galáxias - quanto a luz é esticada enquanto viaja até à Terra através do Universo em expansão. As estimativas da constante de Hubble variam de 67 a 73 quilómetros por segundo por megaparsec, o que significa que dois pontos no espaço separados por 1 megaparsec (o equivalente a 3,26 milhões de anos-luz) estão a afastar-se um do outro a uma velocidade entre 67 e 73 quilómetros por segundo.

"A constante de Hubble ancora a escala física do Universo," disse Simon Birrer, académico pós-doutorado da UCLA e autor principal do estudo. Sem um valor preciso para a constante de Hubble, os astrónomos não podem determinar com precisão os tamanhos de galáxias remotas, a idade do Universo ou a história de expansão do cosmos.

A maioria dos métodos para derivar a constante de Hubble tem dois ingredientes: uma distância até uma determinada fonte de luz e o desvio para o vermelho dessa fonte de luz. Procurando uma fonte de luz que não tinha sido usada nos cálculos de outros cientistas, Birrer e colegas voltaram-se para os quasares, fontes de radiação alimentadas por enormes buracos negros. Para a sua investigação, os cientistas escolheram um subconjunto específico de quasares - aqueles cuja luz foi curvada pela gravidade de uma galáxia interveniente e pelo seu efeito de lente gravitacional, que produz duas imagens do quasar lado a lado no céu.

A luz das duas imagens toma percursos diferentes até à Terra. Quando o brilho do quasar flutua, as duas imagens piscam uma após a outra, e não ao mesmo tempo. O atraso no tempo entre essas duas cintilações, juntamente com informações sobre o campo gravitacional da galáxia "intrometida", pode ser usado para traçar a viagem da luz e deduzir as distâncias à Terra, tanto do quasar como da galáxia no plano da frente. O conhecimento dos desvios para o vermelho do quasar e da galáxia permitiu que os cientistas estimassem a rapidez com que o Universo está a expandir-se.

A equipa da UCLA, como parte da colaboração internacional H0liCOW, tinha aplicado anteriormente a técnica no estudo de quasares com imagem quadruplicada, imagens de um quasar que aparece quatro vezes em redor de uma galáxia no plano da frente. Mas as imagens quádruplas não são tão comuns - pensa-se que os quasares com imagem dupla sejam aproximadamente cinco vezes mais abundantes do que os de imagem quádrupla.

Para demonstrar a técnica, a equipa estudou um quasar conhecido como SDSS J1206+4332; contaram com dados do Telescópio Espacial Hubble, dos observatórios Gemini e W. M. Keck e da rede COSMOGRAIL (Cosmological Monitoring of Gravitational Lenses) - um programa gerido pela Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça, cujo objetivo é determinar a constante de Hubble.

Tommaso Treu, professor de física e astronomia na UCLA e autor sénior do artigo, disse que os investigadores obtiveram fotos do quasar, todos os dias, durante vários anos, para medir com precisão o desfasamento de tempo entre as imagens duplas. Então, para obter a melhor estimativa possível da constante de Hubble, combinaram os dados reunidos desse quasar com dados previamente recolhidos pela sua colaboração H0liCOW de três quasares de imagem quadruplicada.

"A beleza desta medição é que é altamente complementar e independente das outras," salientou Treu.

A equipa apresentou uma estimativa da constante de Hubble de aproximadamente 72,5 quilómetros por segundo por megaparsec, um número em linha com o que outros cientistas haviam determinado em pesquisas anteriores que usaram distâncias de supernovas - explosões estelares em galáxias remotas - como medições fundamentais. No entanto, ambas as estimativas são cerca de 8% mais altas do que uma que se baseia num brilho fraco de todo o céu chamado fundo cósmico de micro-ondas, uma relíquia que remonta a 380.000 anos após o Big Bang, quando a luz viajou pela primeira vez livremente pelo espaço.

"Se houver uma diferença real entre esses valores, significa que o Universo é um pouco mais complicado," explicou Treu.

Por outro lado, também pode ser que uma medição - ou todas as três - estejam erradas.

Os investigadores estão agora à procura de mais quasares a fim de melhorar a precisão da sua medição da constante de Hubble. Treu disse que uma das lições mais importantes do novo artigo é que os quasares com imagens duplas dão aos cientistas muitas mais fontes de luz úteis para os seus cálculos da constante de Hubble. No entanto, por agora, a equipa foca a sua pesquisa em 40 quasares de imagens quadruplicadas, devido ao seu potencial para fornecer informações ainda mais úteis do que os quasares com imagens duplas.

Links:

Notícias relacionadas:
UCLA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Artigo científico (arXiv.org)
spaceref
PHYSORG
UPI

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Quasar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional forte (Wikipedia)
Lente gravitacional fraca (Wikipedia)

Colaboração H0LiCOW:
Página principal

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

COSMOGRAIL:
Página principal

 
LEVANTANDO O VÉU DO BURACO NEGRO NO CORAÇÃO DA NOSSA GALÁXIA

Juntando pela primeira vez o poderoso ALMA a uma série de telescópios, os astrónomos descobriram que a emissão do buraco negro supermassivo Sagitário A* (Sgr A*), no centro da nossa Galáxia, vem de uma região mais pequena do que se pensava anteriormente. Isto pode indicar que um jato de rádio oriundo de Sgr A* está apontado quase diretamente para a Terra.

Até agora, uma nuvem de gás quente tem impedido os astrónomos de obter imagens detalhadas do buraco negro supermassivo Sgr A* e instigado dúvidas na sua verdadeira natureza. Incluíram agora, e pela primeira vez, o poderoso telescópio ALMA no norte do Chile numa rede global de radiotelescópios para penetrar através desta neblina, mas a fonte continua a surpreender: a sua região de emissão é tão pequena que a fonte pode estar apontada diretamente na direção da Terra.

Observando a uma frequência de 86 GHz com a técnica de interferometria de linha de base muito longa (VLBI, inglês para "Very Long Baseline Interferometry"), que combina muitos telescópios para formar um telescópio virtual com o tamanho da Terra, a equipa conseguiu mapear as propriedades exatas da dispersão de luz que bloqueia a nossa visão de Sgr A*. A remoção da maioria dos efeitos de dispersão produziu uma primeira imagem da vizinhança do buraco negro.

Esquerda, topo: simulação de Sgr A* a 86 GHz. Direita, topo: simuação, com efeitos adicionados de dispersão. Direita, baixo: imagem dispersada das observações, é assim que vemos Sgr A* no céu. Esquerda, baixo: a imagem não dispersada, depois de removidos os efeitos de dispersão, ao longo da nossa linha de visão, o aspeto "real" de Sgr A*.
Crédito: S. Issaoun, M. Mościbrodzka, Universidade Radboud/M. D. Johnson, CfA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A alta qualidade da imagem permitiu que a equipa restringisse modelos teóricos para o gás em torno de Sgr A*. A maior parte da emissão de rádio vem de apenas 300 milionésimos de grau e a fonte tem uma morfologia simétrica. "Isso pode indicar que a emissão de rádio é produzida num disco de gás em queda em vez de um jato de rádio," explica Sara Issaoun, estudante da Universidade Radboud em Nijmegen, Países Baixos, que liderou o trabalho e testou vários modelos de computador contra os dados. "No entanto, isso tornaria Sgr A* uma exceção em comparação com outros buracos negros emissores de rádio. A alternativa pode ser que o jato de rádio está apontado quase na nossa direção".

O astrónomo alemão Heino Falcke, professor de Radioastronomia da mesma Universidade e orientador de doutoramento de Issaoun, acha esta ideia muito invulgar, mas também não a descarta. No ano passado, Falcke teria considerado este modelo um tanto ou quanto "fabricado", mas recentemente a equipa GRAVITY chegou a uma conclusão semelhante usando o interferómetro do VLT do ESO e uma técnica independente. "Talvez seja realmente verdade," conclui Falcke, "e estamos a olhar para este monstro a partir de um ponto de vista muito especial."

Os buracos negros supermassivos são comuns nos centros das galáxias e podem gerar os fenómenos mais energéticos do Universo conhecido. Pensa-se que, em redor destes buracos negros, a matéria cai num disco giratório e parte dessa matéria é expelida em direções opostas ao longo de dois feixes estreitos, chamados jatos, a velocidades próximas da da luz, o que normalmente produz muito rádio. "Saber se a emissão de rádio oriunda de Sgr A* tem origem numa estrutura assimétrica subjacente, ou se é intrinsecamente assimétrica, é uma questão de intensa discussão," explica Thomas Krichbaum, membro da equipa.

Sgr A* é o buraco negro supermassivo mais próximo e tem cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol. O seu tamanho aparente no céu corresponde a menos de 100 milionésimos de grau, o que equivale ao tamanho de uma bola de ténis à distância da Lua. Para medir isto, é necessária a técnica de VLBI. A resolução alcançada com a VLBI é ainda aumentada pela frequência de observação. A frequência mais alta, até à data, para a técnica VLBI, é de 230 GHz. "As primeiras observações de Sgr A*, a 86 GHz, datam de há 26 anos atrás, lideradas por Thomas Kirchbaum no nosso Instituto, apenas com um punhado de telescópios. Ao longo dos anos, a qualidade dos dados e das capacidades de imagem melhorou constantemente à medida que se juntavam mais telescópios," diz J. Anton Zensus, diretor do Instituto Max Planck para Radioastronomia e líder da sua divisão de Radioastronomia/VLBI.

A rede GMVA (Global Milimeter VLBI Array), da qual o ALMA já faz parte.
Crédito: S. Issaoun, Universidade Radboud/D. Pesce, CfA
 

As descobertas de Issaoun e da sua equipa internacional descrevem as primeiras observações a 86 GHz nas quais o ALMA também participou, de longe o telescópio mais sensível nessa frequência. O ALMA passou a fazer parte do GMVA (Global Millimeter VLBI Array), operado pelo Instituto Max Planck para Radioastronomia, em abril de 2017.

A participação do ALMA é importante devido à sua sensibilidade e à sua localização no hemisfério sul. Além do ALMA, também pertencem à rede global outros doze radiotelescópios na América do Norte e na Europa. A resolução alcançada foi duas vezes maior do que em observações anteriores nesta frequência e produziu a primeira imagem de Sgr A* que é consideravelmente reduzida em termos de dispersão interestelar (um efeito provocado por irregularidades na densidade do material ionizado ao longo da linha de visão entre Sgr A* e a Terra).

Para remover a dispersão e obter a imagem, a equipa usou uma técnica desenvolvida por Michael Johnson do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica. "Embora a dispersão desfoque e distorça a imagem de Sgr A*, a incrível resolução destas observações permitiu-nos determinar as propriedades exatas da dispersão," diz Johnson. "Pudemos então remover a maioria dos efeitos da dispersão e começar a ver o aspeto das 'coisas' perto do buraco negro. A grande novidade é que essas observações mostram que a dispersão não vai impedir com que o EHT (Event Horizon Telescope) observe uma sombra do buraco negro a 230 GHz, caso haja uma sombra para ver."

Os estudos futuros, a diferentes comprimentos de onda, vão fornecer informações complementares e restrições adicionais para esta fonte, que detém a chave para uma melhor compreensão dos buracos negros, os objetos mais exóticos do Universo conhecido.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
16/01/2018 - Qual é o aspeto de um buraco negro?
31/03/2017 - Os astrónomos vão tentar fotografar a região mais próxima do buraco negro da Via Láctea

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
Universidade Radboud (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
IRAM (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
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Sagitário A*:
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Buraco negro supermassivo:
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VLBI:
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ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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ESO:
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EHT (Event Horizon Telescope):
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ÓRBITAS MISTERIOSAS NOS CONFINS DO SISTEMA SOLAR PODEM SER EXPLICADAS SEM A EXISTÊNCIA DO PLANETA NOVE
Para lá de Neptuno existe um grande disco de objetos pequenos, de nome Cintura de Kuiper, e ainda mais longe está a Nuvem de Oort, o lar dos cometas. Esta impressão de artista mostra uma região da Cintura de Kuiper, repleta com núcleos gelados de potenciais cometas.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As estranhas órbitas de alguns objetos nas áreas mais distantes do nosso Sistema Solar, que alguns astrónomos teorizam serem moldadas por um nono planeta ainda por descobrir, podem ao invés ser explicadas pela força gravitacional combinada de pequenos objetos que orbitam o Sol para lá de Neptuno.

A explicação alternativa à hipótese denominada de "Planeta Nove", apresentada por investigadores da Universidade de Cambridge e da Universidade Americana de Beirute, propõe um disco composto por pequenos corpos gelados com uma massa combinada equivalente a dez massas terrestres. Quando combinada com um modelo simplificado do Sistema Solar, as forças gravitacionais do disco teorizado podem explicar a arquitetura orbital invulgar exibida por alguns objetos nos limites exteriores do Sistema Solar.

Embora a nova teoria não seja a primeira a propor que as forças gravitacionais de um disco massivo constituído por objetos pequenos podem evitar a necessidade de um nono planeta, é a primeira teoria capaz de explicar as características significativas das órbitas observadas tendo em conta a massa e a gravidade dos outros oito planetas do nosso Sistema Solar. Os resultados foram divulgados na revista científica The Astronomical Journal.

Para lá da órbita de Neptuno, encontramos a Cintura de Kuiper, composta por corpos pequenos remanescentes da formação do Sistema Solar. Neptuno e os outros planetas gigantes influenciam gravitacionalmente os objetos na Cintura de Kuiper e além, conhecidos coletivamente como Objetos Transneptunianos (TNOs, em inglês "trans-Neptunian Objects"), que rodeiam o Sol em órbitas quase circulares e em quase todas as direções.

No entanto, os astrónomos descobriram alguns "outliers" misteriosos. Desde 2003 que foram localizados cerca de 30 TNOs em órbitas altamente elípticas: destacam-se do resto dos TNOs partilhando, em média, a mesma orientação espacial. Este tipo de agrupamento não pode ser explicado pela arquitetura existente do Sistema Solar com oito planetas e levou alguns astrónomos a supor que as órbitas invulgares podem ser influenciadas pela existência de um nono planeta ainda desconhecido.

A hipótese do "Planeta Nove" sugere que, para explicar as órbitas invulgares desses TNOs, teria que haver outro planeta, que se acredita ser dez vezes mais massivo do que a Terra, escondido nos confins distantes do Sistema Solar e "pastoreando" os TNOs na mesma direção através do efeito combinado da sua gravidade e da do resto do Sistema Solar.

"A hipótese do Planeta Nove é fascinante, mas se o nono planeta realmente existe até agora evitou a deteção," comenta Antranik Sefilian, coautor do artigo e estudante de doutoramento do Departamento de Matemática Aplica e Física Teórica de Cambridge. "Nós queríamos ver se podia haver outra razão menos dramática e talvez mais natural para as órbitas invulgares que vemos em alguns TNOs. Pensámos, ao invés de permitirmos um nono planeta e de nos preocuparmos com a sua formação e órbita invulgar, porque não simplesmente explicar a gravidade de pequenos objetos que constituem um disco para lá da órbita de Neptuno e ver o que acontece?"

O professor Jihad Touma, da Universidade Americana de Beirute, e o seu ex-aluno Sefilian modelaram a dinâmica espacial completa dos TNOs com a ação combinada dos planetas exteriores gigantes e um grande disco massivo para lá de Neptuno. Os cálculos desta dupla de cientistas, que surgiram de um seminário na Universidade Americana de Beirute, revelaram que tal modelo pode explicar as órbitas perplexas espacialmente agrupadas de alguns TNOs. No processo, foram capazes de identificar gamas na massa do disco, a sua excentricidade e mudanças graduais forçadas nas suas orientações (precessão), que reproduziram com precisão as órbitas dos TNOs.

"Se removemos o Planeta Nove do modelo e permitimos vários objetos pequenos espalhados por uma área ampla, as atrações coletivas entre esses objetos podem explicar facilmente as órbitas excêntricas que vemos em alguns TNOs," disse Sefilian, membro do Darwin College de Cambridge.

As tentativas anteriores de estimar a massa total dos objetos para lá de Neptuno apenas contribuíram para cerca de um-décimo da massa da Terra. No entanto, para que os TNOs tenham as órbitas observadas e para que não exista um Planeta Nove, o modelo apresentado por Sefilian e Touma requer que a massa combinada da Cintura de Kuiper esteja entre algumas a dez vezes a massa da Terra.

"Ao observar outros sistemas, muitas vezes estudamos o disco em redor da estrela hospedeira para inferir as propriedades de quaisquer planetas em órbita," acrescentou Sefilian. "O problema é que quando observamos o disco a partir do interior do sistema, é quase impossível ver o seu todo de uma só vez. Embora não tenhamos evidências observacionais diretas do disco, também não as temos para o Planeta Nove, razão pela qual estamos a investigar outras possibilidades. No entanto, é interessante notar que as observações de análogos da Cintura de Kuiper em torno de outras estrelas, bem como de modelos de formação planetária, revelam populações remanescentes massivas de detritos.

"Também é possível que ambos os cenários possam ser verdadeiros - pode haver um disco massivo e um nono planeta. Com a descoberta de cada novo TNO, reunimos mais evidências que podem ajudar a explicar o seu comportamento."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
05/10/2018 - Descoberto novo objeto extremamente distante na procura do Planeta Nove
08/06/2018 - A gravidade coletiva, não o Planeta Nove, pode explicar as órbitas de "objetos isolados"
18/07/2017 - Novas evidências em suporte da hipótese do Planeta Nove
04/04/2017 - Estão a ser investigados quatro objetos desconhecidos na pesquisa pelo Planeta Nove
24/02/2017 - Novos dados sobre dois asteroides distantes dão pistas sobre possível "Planeta Nove"
21/10/2016 - Inclinação curiosa do Sol atribuída ao Planeta Nove
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Notícias relacionadas:
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astronomical Journal)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
SPACE.com
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Planeta Nove:
Wikipedia

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Estrelas escondidas em poeira de ferro (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
Uma investigação descobriu um grupo de estrelas muito pobres em metais mas rodeadas numa alta concentração de poeira de ferro, situado na Grande Nuvem de Magalhães. O trabalho usou uma combinação de modelos teóricos da formação da poeira nos invólucros circunstelares com observações infravermelhas obtidas com o Telescópio Espacial Spitzer. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Orionte nos Alpes Austríacos
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Lukáš Veselý
 
Reconhece esta constelação? Através dos sincelos e das montanhas está Orionte, um dos grupos estelares mais identificáveis do céu e um ícone familiar para a humanidade há mais de 30.000 anos. Orionte tem praticamente o mesmo aspeto que tinha há 50.000 anos e deverá assim continuar por muitos milhares de anos no futuro. Orionte é bastante proeminente no céu nesta época do ano, um sinal recorrente do inverno (moderno) no hemisfério norte da Terra e do verão no sul. Na foto, Orionte foi capturado recentemente nos Alpes austríacos numa composição de sete imagens obtidas pela mesma câmara, no mesmo local, durante a mesma noite. Abaixo e ligeiramente para a direita da cintura de três estrelas de Orionte está a Nebulosa de Orionte, enquanto as quatro estrelas brilhantes que rodeiam o cinturão são, no sentido dos ponteiros do relógio e a começar do topo à esquerda, Betelgeuse, Bellatrix, Rigel e Saiph.
 

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